Gisela João
Gisela João | Fonte: Rodolfo Magalhães

À Escuta. Gisela João, Xinobi e SAL são os destaques da semana

O À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos sobre música portuguesa, confere destaque ao belíssimo novo disco de Gisela João, à nova música de Xinobi e ao single de estreia dos SAL.

Há ainda espaço para falar dos projetos de estreia de Jorge BenvindaSenhor Jorge, do novo trabalho de Samuel Martins Coelho, da nova série da Omnichord Records e dos novos singles de A garota nãoJónatas PiresRão Kyao, Soraia TavaresThe Happy Mess Teresinha Landeiro.

AuRora é o disco mais arrojado de Gisela João até ao momento

Gisela João - AuRora
Fotografia: Divulgação

AuRora é o nome do novo disco de Gisela João, que corresponde ao terceiro longa-duração da fadista e é o sucessor de Nua, lançado em 2016. O disco foi gravado entre Almada e Barcelona e conta com coprodução de Nic HardMichael League.

Em AuRora, com prefácio de Gonçalo M. Tavares, Gisela João estreia-se como letrista, compositora e produtora, resultando num álbum que representa uma nova etapa no desenvolvimento criativo da fadista, algo que se faz notar ao longo de todo o trabalho.

Sendo este o primeiro trabalho da fadista que apresenta, essencialmente, canções originais, o (enorme) sentimento revelado pelo disco é um de elevado valor pessoal, comparado com os seus trabalhos anteriores. A voz e timbre de Gisela João espelha tudo isto e revela novas formas da fadista contar as histórias retratadas nas faixas, acompanhada por instrumentais belíssimos que juntam o fado tradicional a outras influências musicais, resultando nos arranjos mais bem conseguidos até agora da carreira da fadista naquele que, como rapidamente nos começamos a aperceber, é o disco bem mais conseguido e ambicioso da artista – sem qualquer desmérito para os seus outros dois álbuns.

Xinobi volta a fazer-nos dançar com ‘Boats

Boats‘ é o segundo avanço para a versão expandida de On The Quiet, que Xinobi se prepara para lançar no próximo dia 14 de maio, e mais uma das faixas inéditas que irão ser adicionadas a esta reedição.

Esta é daquelas faixas que pede uma pista de dança enorme para ser totalmente aproveitada – apesar de ser também excelente para disfrutar em casa, com as colunas no máximo (mas não incomodem os vizinhos, atenção). A sua groove é impossível de ignorar. Os sintetizadores são psicadélicos, com uma aura algo punk e influências da música house, como Xinobi já nos habituou.

‘Passo Forte’ é o primeiro passo para os SAL

Passo Forte é o nome do single de estreia dos SAL, grupo constituído por João Pinheiro (bateria), Sérgio Pires (voz e viola braguesa), João Gil (baixo), Daniel Mestre (guitarra) e Vicente Santos (teclas). Tirando este último, os restantes membros dos SAL partilham um passado comum, ligado aos extintos Diabo na Cruz, onde criaram uma química intensa e consolidaram uma forte amizade“, como refere a nota à imprensa enviada pela banda.

SAL
Fotografia: Divulgação

Com lírica de Lília Esteves, ‘Passo Forte’ deixa-nos com água na boca para o que será o restante disco, com data de lançamento marcada ainda para 2021. “Esta foi a primeira canção que concluímos enquanto banda no final de 2019. Foi o toque de caixa para o resto das músicas que viemos a compor, a chama necessária para encararmos o futuro com confiança e para finalmente enterrarmos o passado que nos tinha ficado nas mãos. Reflete muito bem a nossa identidade musical, a nossa própria experiência enquanto banda porque fala, sobretudo, de soltar amarras e de libertação“, conta o grupo sobre a criação desta faixa.

É natural que, tendo SAL nascido dos escombros dos Diabo na Cruz, a sua sonoridade soe como uma progressão do último trabalho apresentado pelo grupo liderado por Jorge Cruz. A mistura do pop rock com a música tradicional portuguesa dos SAL faz-nos querer dançar, fazer o comboio e prepara-nos para uma temporada de dança nas festas da terra – nem que seja em casa, por enquanto.

A composição cumpre as expectativas daquilo que estamos à espera de um conjunto cheio de talento como os SAL. O refrão é orelhudo, os ritmos são intensos e nota-se a química entre os membros do grupo para criar ‘Passo Forte’ – e que primeiro passo bem forte é este dado aqui pelos SAL, que começam agora a criar o seu lugar na música portuguesa.

Refletir a tristeza e esperança de ‘Mediterrâneo’, novo single de A garota não

A garota não é o projeto com o qual se apresenta a cantautora setubalense Cátia Mazari Oliveira, e ‘Mediterrâneo‘ é o nome do seu novo single. A faixa conta com produção de Sérgio Miendes e com a colaboração da Academia de Dança Contemporânea de Setúbal para o videoclipe.

Nas suas redes sociais, a cantautora explica o significado da canção. “Todas as atenções estão voltadas para a pandemia, mas o problema migratório no Mediterrâneo continua aí” lembra Cátia, referindo-se aos milhares de refugiados que atravessam o Mediterrâneo para tentar chegar à Europa, em busca de um local que os deveria receber de braços abertos. “Milhares de seres humanos continuam a procurar na travessia a fuga aos conflitos armados e à miséria. Procuram uma paz que tem sido negada de múltiplas formas: pela morte que chega nas ondas do Mediterrâneo, pela concentração desumana em campos de refugiados, pelas devoluções e expulsões coletivas. Deixou de ser abertura de telejornais mas continua”.

A letra escrita por Cátia reflete bem sobre o tema. Carrega em si uma dor imensa que é espelhada nos vocais cantados pela artista, para os quais o instrumental algo minimalista fornece o pano de fundo perfeito. Assente numa linha de guitarra espaçosa, este cresce em torno desse espaço existente com as suas teclas etéreas e grandiosas, que acabam por fazer ‘Mediterrâneo’ soar algo esperançosa com a possibilidade de inverter a situação.

Terra Prometida‘ é o novo single de Jónatas Pires

Terra Prometida’ é o nome do novo single de Jónatas Pires. Este é o segundo avanço do disco de estreia a solo do membro de Os Pontos Negros, depois de ter lançado ‘Eu Só Preciso‘ no mês de novembro do ano passado.

Em ‘Terra Prometida’, Jónatas apresenta-nos uma faixa de pop rock capaz de colocar arenas inteiras a entoar o seu refrão orelhudo, onde a influência do new wave se faz notar de forma clara. Os sintetizadores coloridos e divertidos povoam a música, adornados por guitarras, que culminam num belo e estridente solo, e ritmos pautados pela linha de baixo e bateria que podiam sair diretamente de uma música de A Flock of Seagulls ou António Variações.

A faixa conta com um toque bastante pessoal na lírica, que se revela um pouco na entrega algo introvertida de Jónatas como vocalista. O disco de estreia do artista deverá ser lançado ainda durante o ano de 2021.

Vida a Dois é a exploração de todo o universo de Jorge Benvinda

Jorge Benvinda - Vida a Dois
Fotografia: Divulgação

Vida a Dois é o disco de estreia de Jorge Benvinda, membro dos Virgem Suta e autor de muitas colaborações no universo da música portuguesa ao longo dos últimos anos. O disco foi produzido por João Pedro Coimbra.

Todos os mundos de Jorge Benvinda convergem em Vida a Dois. É um disco com uma forte componente nostálgica, como se o mundo criativo e pessoal de Jorge Benvinda se encontrassem num sítio só. Um disco extremamente pessoal a nível de lírica e que, instrumentalmente, explora várias sonoridades, que variam entre as influenciadas pela folk, e que soam mais íntimas, e as mais divertidas e animadas, influenciadas pela pop, pelo rock e pela música tradicional portuguesa.

Vida a Dois é um disco bem conseguido e consistente, no qual passamos a conhecer um bocadinho mais sobre Jorge Benvinda.

Rão Kyao funde os mundos da espiritualidade e da portugalidade em ‘Vaishnav Jan To Tene Kahiye Je’

Vaishnav Jan to Tene Kahiye Je‘ é o nome do novo single do compositor e flautista português Rão Kyao.

O artista considera que esta é a peça mais importante para aquele que será o seu próximo longa-duração, Gandhi – Um Português Homenageia Gandhi, a ser lançado no próximo mês de maio. “O novo trabalho a ser editado em maio, Gandhi – Um Português Homenageia Gandhi, nasceu de um desafio lançado pelas entidades oficiais da Índia a 124 países para reinterpretar um tema que Gandhi muito amava. Cada um destes países teria de escolher um músico que recriasse ‘Vaishnav Jan to Tene Kahiye’, que se foi transformando num hino para todos os indianos.

E é precisamente a recriação desse tema por parte de Rão Kyao que agora é lançado como o segundo avanço do seu novo disco. A versão do flautista português confere ao tema uma portugalidade intrínseca, com o seu instrumental marcado pelo uso da guitarra portuguesa e acordeão, que ganha contornos espirituais e espaciais a bordo da flauta do artista. É o simbolismo da fusão entre estes dois mundos, como sempre Rão Kyao o fez ao longo da sua já longa carreira como um dos principais nomes no mundo da world music em Portugal.

Cura é o novo trabalho do compositor e violinista Samuel Martins Coelho

Samuel Martins Coelho - Cura
Fotografia: Divulgação

Cura é o segundo longa-duração do violinista Samuel Martins Coelho. É o sucessor de Partita Para Violino Solo, lançado em 2019, e apresenta uma maior dinâmica em termos de composição comparado com o seu antecessor.

O violino continua a ser o principal ingrediente, mas a guitarra que acompanha Samuel ganha espaço, permitindo que as composições soem ainda belas. Há também sintetizadores que vão surgindo ao longo do trabalho, conferindo-lhe com um toque ligeiramente abstrato a juntar ao seu minimalismo inerente – a fazer lembrar compositores como Max Richter ou  Jóhann Jóhannsson.

As composições de Cura são extremamente calmantes e vão-nos fazendo viajar por locais que vêm do avant-garde, do mundo do jazz e da música erudita mas, também, do country e da folk. Um um disco transcendental que parece dialogar com o ouvinte.

Senhor Jorge aquece o nosso coração no seu EP de estreia

Sr. Jorge
Fotografia: Divulgação

Tudo começou na Igreja da Misericórdia de Viseu, feita palco de teatro e música em 2018. Foi aí que um grupo de artistas – Rui Sousa (Dada Garbeck), João Pedro Silva (The Lemon Lovers) e Gonçalo Alegre (Galo Cant’às Duas) – conheceu o Sr. Jorge Novo, sacristão, “ex-lapidador de diamantes e, ele próprio, uma preciosidade escondida que rapidamente conquistaria o coração de quem o ouviu“.

Foi desse encontro que nasceu o EP Sr. Jorge, projeto no qual o Sr. Jorge se junta aos músicos para mostrar que a música “ecoa em lugares da nossa emoção sensível que a transformam num território que une, muito para lá das fronteiras rígidas dos estilos, das gerações e das proveniências sociais.

A voz do Sr. Jorge Novo é o foco central deste trabalho. O seu fado é belo e tristonho, mas também esperançoso, ao ponto de nos fazer rejuvenescer a capacidade de acreditar na bondade nas pessoas. Os instrumentais que acompanham a sua voz são vastamente influenciados pelo fado, mas surgem mais contemporâneos e orgânicos, sem perder qualquer da emoção crua que vai surgindo ao longo do EP. É a comunhão entre gerações diferentes mas que partilham aqui, a uma só voz, a música e a esperança de olhar para um futuro que sonham ser sorridente.

Soraia Tavares leva-nos a crer que ‘A Beleza Vai Mudar o Mundo’

A Beleza Vai Mudar o Mundo‘ é o primeiro single original de Soraia Tavares e conta com colaborações de LEFT. na letra e composição, tendo esta última tido também contribuições de João RepolhoTainá.

A artista conta que a música lhe surgiu no dia seguinte à manifestação Black Lives Matter e que ‘A Beleza Vai Mudar o Mundo‘ é um contributo social para a construção de um mundo mais tolerante. A faixa é marcada pela fusão entre a pop e o R&B,  com a sua groove bem marcada. Há vários hooks memoráveis, o refrão é orelhudo e memorável, e a prestação vocal de Soraia reflete perfeitamente a lírica sentida e marcada pelo tom de alguém que pretende ver mudança a acontecer na sociedade.

Surma interpreta ‘Femme Fatale‘ na nova série da Omnichord Records

Omnichord Outtakes é a nova série da Omnichord Records na qual a promotora, editora e produtora disponibiliza versões e temas inéditos gravados em ambiente intimista. O primeiro episódio foi lançado esta semana e apresenta Surma a interpretar ‘Femme Fatale’, tema dos The Velvet Underground cantado originalmente por Nico.

The Happy Mess deixa-nos espreitar o seu próximo trabalho com ‘Perder o Pé’

Perder o Pé’ é o nome do novo single dos The Happy Mess que antecipa o quarto longa-duração do grupo constituído por Afonso Carvalho (pianos, synths, guitarras), Hugo Azevedo (baterias), João Pascoal (baixo, synths, guitarras, drum machine), Miguel Ribeiro (voz, synths, guitarras acústicas) e Paulo Mouta Pereira (teclados, programações, voz).

A faixa, que conta com letra de Bruno Vieira Amaral, abre as portas para aquele que será um disco totalmente cantado em português. ‘Perder o Pé’ é uma faixa que fala sobre as rotinas que nos sobrecarregam no dia-a-dia e é influenciada pelo new wave e pela eletrónica que encontra espaço no pop rock do grupo. O refrão é memorável e a groove da música é bastante bem conseguida, obrigando-nos a bater o pé.

O quarto trabalho de estúdio dos The Happy Mess será lançado no fim do verão e terá uma série de colaborações especiais entre músicos, escritores, poetas e artistas.

Amanhã‘ é a nova música de Teresinha Landeiro

Amanhã’ é o novo single de Teresinha Landeiro. A faixa, escrita pela própria, tem música de Pedro de Castro, que também faz parte do acompanhamento instrumental, juntamente com André Ramos e Francisco Gaspar.

A melodia do instrumental é difícil de ignorar, acentuada pela bela voz de Teresinha, que consegue juntar-se à melodia para criar algo que fica completamente no ouvido. A canção faz parte do próximo álbum da cantora, a sair no próximo dia 30 de abril.

Lê também: Eurovisão 2021. ‘The Black Mamba Home Concert’ estreia já na próxima semana

 

 

 

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