Quatro anos, quatro temporadas e 45 episódios depois, Mr. Robot chegou ao fim. O filme imaginado por Sam Esmail acabou por se transformar numa das séries mais marcantes da década. Os fãs e as muitas perguntas que tinham tiveram direito a um fim satisfatório.

Era compreensível recear o contrário. 2019 tem sido um ano de despedidas e nem todas correram bem. E basta recordar Lost para reconhecermos o risco de formular muitas perguntas sem resposta. Felizmente, Mr. Robot evita todas estas armadilhas e conclui a sua história sem responder a tudo, mas a esclarecer o essencial.

Quais são os pontos fortes da quarta temporada? Que, poucas, coisas não funcionaram? Lê o que o Espalha-Factos tem a dizer sobre o final de uma das melhores séries de sempre.

Vingança

Depois da temporada anterior, a vilã Whiterose (BD Wong) parece ter tudo controlado para executar o seu plano e ligar a misteriosa máquina que construiu. O único empecilho é um Elliot (Rami Malek) vingativo que está disposto a tudo para acabar de vez com o Dark Army e todos os que o magoaram ao longo da série.

Ao contrário do que estávamos habituados, “nós” não temos direito a monólogos do protagonista. O alter-ego Mr. Robot (Christian Slater) fica encarregue de falar com o espetador enquanto Elliot se foca no plano.

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A série é famosa pelas reviravoltas na narrativa e por nada ser o que parece. Não obstante, o grande mérito de Sam Esmail é não perder o foco do que verdadeiramente importa nesta história complexa: as personagens. Todas as revelações desta temporada oferecem novas camadas, literais e metafóricas, aos protagonistas.

Com um conjunto considerável de jornadas individuais que precisam de uma conclusão, Mr. Robot nem sempre termina a narrativa de um personagem da forma como os fãs querem, mas sim de uma maneira que eles nem sabiam que queriam. A série toma riscos para não cair no previsível e estes compensam pela compreensão que Sam Esmail tem do universo que criou. Exceção feita a Tyrell Wellick, já que a personagem tem uma resolução pouco clara e desapontante.

Mr. Robot

Fotografia: USA

Personalidade Artística

A década de 2010 ficará para a história como a Idade de Ouro da ficção televisiva. A Peak TV, como lhe chamam lá fora, produziu Game Of Thrones, Breaking BadThe Walking DeadHouse of CardsOrange is the New BlackBlack MirrorStranger Things e a lista continua. No entanto, se Mr. Robot é igual ao resto numa análise puramente qualitativa, distingue-se de tudo num aspeto basilar.

É normal que uma série tenha diferentes realizadores por episódio e isso implique toques artísticos distintos. A primeira temporada de Mr. Robot é igual, mas fica por aí. Da segunda temporada até ao fim, todos os capítulos são realizados por Sam Esmail. Cada episódio é uma extensão do anterior. Trata-se de uma personalidade artística única e impossível de copiar. Essa personalidade pode ter facetas diferentes, mas todas estão interligadas. Um pouco como os vários “eus” de Elliot.

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A quarta temporada continua a explorar novos aspetos e estilos. O quinto episódio só tem duas linhas de diálogo durante 50 minutos, que marcam o seu início e o seu fim, respetivamente. O episódio sete é uma peça de teatro de cinco atos. Não são só brincadeiras com a arte do Cinema, pois estas experiências potenciam o impacto da narrativa e resultam perfeitamente.

É este o maior legado de Mr. Robot. Numa época em que as séries igualaram os filmes, a obra de Sam Esmail foi a que mais testou os limites artísticos do meio televisivo.

Mr. Robot

Fotografia: USA

Um “olá” de despedida

“Olá, amigo” são as primeiras palavras que Elliot nos dirige. Agora, chegou a altura de lhe dizermos adeus. A ele e aos restantes. Os últimos dois episódios são um desfecho satisfatório, em particular a segunda metade deste duo.

Por momentos, parece que Mr. Robot vai mudar radicalmente o jogo e cair nos precipícios que arruinaram séries antecessoras. No entanto, a fé em Sam Esmail é recompensada. O clímax da narrativa e os seus respetivos epílogos fecham com chave de ouro.

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Uma ou outra personagem secundária que podia ter tido mais destaque. Um episódio ligeiramente mais fraco que os restantes. São as poucas mazelas no rosto quase perfeito desta quarta temporada. Quase tudo é excelente. Quase tudo é genial. É um dos melhores finais de sempre para uma das melhores séries de sempre.

A banda sonora fantástica da série dá-nos uma última pérola emotiva enquanto pronunciamos o derradeiro adeus a Elliot, que na verdade é um “olá”. Os créditos rolam. Mr. Robot acabou, mas a história de Elliot continuará a viver na nossa mente, tal como nós vivemos na dele.

Mr. Robot

Fotografia: USA

Mr. Robot Temporada 4
10Excelente
Votação do Leitor 21 Votos
9.3