Sofia Arruda
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Sofia Arruda reage após denúncia de assédio: “A opinião pública quer respostas”

Depois do impacto provocado pelas declarações de que fora vítima de assédio sexual no trabalho, Sofia Arruda reagiu, nas redes sociais, frisando que “que o assédio hétero e homossexual no meio audiovisual existe, é uma infeliz realidade“.

A atriz começa a publicação a “agradecer toda esta onda de amor e de compaixão” recebida depois da entrevista com Daniel Oliveira no Alta Definição deste sábado (17). “São milhares de mensagens públicas e privadas e não conseguindo responder a todas as pessoas individualmente, deixo o meu agradecimento colectivo“, frisa.

Contudo, é impossível ficar indiferente ao eco que a minha declaração, sobre o tempo em fui afastada da televisão, provocou“, afirma, garantindo saber “também que há várias questões que foram levantadas e a opinião pública quer respostas“. A atriz mostra-se disponível para quem também precisar de ser ouvido: “Neste momento, a única coisa que eu posso dizer é que o assédio hétero e homossexual no meio audiovisual existe, é uma infeliz realidade, por isso, todas as pessoas que quiserem falar têm aqui alguém disposto a ouvir“.

Reagindo a alguns comentários das redes sociais, designando o discurso como uma moda, a atriz rematou: “Não é uma moda, é uma porta de esperança que sem ter sido propositado espero ter aberto“.

“Estive cinco ou sete anos sem trabalhar naquela estação”

Sofia Arruda partilhou com Daniel Oliveira as investidas de alguém que identificou como “uma pessoa com muito poder” dentro de uma estação de televisão e que a levou a ficar sem emprego. “Deixei de ter trabalho. Foi uma situação muito delicada, e sabia porque é que não estava a ser escolhida. Foi uma aproximação menos profissional da parte de uma pessoa com muito poder dentro de uma estação de televisão, uma produtora“, explicou.

Queria uma atenção que não era profissional. No início não percebi o que se estava a passar. Tentou que houvesse ali mais alguma coisa. No início não percebi o que é que se estava a passar, achei que era uma questão profissional porque a primeira abordagem foi essa, vamos almoçar e falar do projeto. Esse almoço nunca chegou a acontecer, e ainda bem, porque claramente não era essa a intenção, falar do projeto“, contou, relatando que estas aproximações indevidas se manifestavam ainda em gestos como “uma mão, um cumprimento que ficava no sítio que não era suposto, um beijo que me deixava um bocadinho constrangida“.

Sofia Arruda, aquando do convite para almoçar, explicou que “se fosse realmente uma reunião de trabalho, um almoço ou jantar, a minha agente ia comigo e se não fosse essa a intenção então não haveria qualquer almoço e jantar. A pessoa disse-me ‘ok, se é essa a tua decisão’”. No entanto, estes episódios não se ficaram por aqui. “Mais tarde, durante as gravações, estava na maquilhagem e a pessoa chegou, agarrou-me no braço e perguntou-me ao ouvido se era a minha última decisão. Eu disse que sim e ele respondeu-me que nunca mais ia trabalhar ali”, continuou.

Testemunho desencadeia outras denúncias

Na sequência do impacto mediático da denúncia, a antiga jornalista Barbara Guevara partilhou, na rede social Twitter, o seu testemunho enquanto vítima de assédio sexual. “Durante anos, fui alvo de assédio sexual e abuso de poder (chantagem), sobretudo quando trabalhava em televisão enquanto jornalista, na SIC“, relata, acrescentando: “Ao longo desse tempo, outras miúdas confidenciaram-me relatos semelhantes, com as mesmas ou outras pessoas“.

Nas redes sociais, outras figuras públicas e colegas de trabalho mostraram o seu apoio a Sofia Arruda. Wanda Stuart, cantora e atriz, apontou saber “quem é essa pessoa“, responsável pelo assédio à atriz, notando depois que, “essa pessoa desapareceu do mapa”, contrariamente à colega que considera “linda e maravilhosa“.

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