A Companhia Nacional de Bailado (CNB) subirá ao palco do Teatro Camões, em Lisboa, entre 9 e 17 de novembro para apresentar La Valse e A Sagração da Primavera, duas obras que remetem para o movimento modernista do século XX.

No início do século XX, muitas foram as ruturas que se deram no campo artístico e a dança não ficou de fora. Muitos foram os cânones e as «regras» quebradas. E este programa da CNB quer celebrar isso mesmo, a inovação que se deu nesta época.

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Foto: divulgação

La Valse

Com a intenção de fazer um tributo à valsa e a Johann Strauss II, Maurice Ravel, a 1906, naquilo que pretendia que fosse uma obra romântica, que intitulou La Valse, un poème chorégraphique. Antes de se ter alistado no exército e de ter interrompido a uma criação musical, Ravel escreveu que desta peça queria «uma espécie de apoteose da valsa vienense mesclando-se na minha cabeça com a ideia de turbilhão fantástico do destino».

Em 1919, após o final da 1.ª Guerra Mundial, retomou a ideia, em resposta a uma encomenda de Sergei Diaghilev, para os Ballets Russes. O compositor refez integralmente a conceção inicial: influenciado pela experiência da guerra, o romantismo perde dominância e o ritmo da valsa derivou frequentemente para o caos, numa metáfora à Europa de então. A estreia acabou por acontecer em dezembro de 1920, sem que Diaghilev a tivesse utilizado, por a ter considerado «não como um ballet, mas como um retrato de um bailado». George Balanchine viria a coreografar a composição de Ravel, cerca de trinta anos mais tarde.

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Foto: CNB

Quando os laços da Europa foram equacionados, a CNB desafiou um coreógrafo e um realizador a explorarem a composição de Ravel, de modo a conceberem um olhar cinematográfico sobre o movimento dos corpos. A realização ficou à responsabilidade de João Botelho e a coreografia com Paulo Ribeiro.

A Sagração da Primavera

A estreia de A Sagração da Primavera, de Vaslav Nijinski, a 29 de maio de 1913, no Théâtre des Champs-Élysées, em Paris, provocou um enorme escândalo remetendo esta obra ao esquecimento, o que não a impediu de se tornar num dos maiores marcos da história da dança.

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Foto: CNB / Alceu Bett

Em 1987, após anos de pesquisa, Milicent Hodson e Keneth Archer, estrearam no Jofrey Ballet a reconstrução desta obra que se encontrava praticamente perdida e, em 1994, a mesma passou a fazer parte do repertório da CNB.

Com música e argumento de Igor Stravinski, esta peça é sobre o sacrifício e sobre a bailarina que dança até à morte.

Quando ver

La Valse e A Sagração da Primavera vão estar no palco do Teatro Camões, no Parque das Nações, em Lisboa, de 9 a 17 de novembro. Quintas e sextas-feiras, as sessões serão às 21h, sábados às 18h30 e quartas-feiras, para escolas, às 15h.

As sessões destinam-se a maiores de 6 anos e o preço dos bilhetes varia entre 5 e 20 euros.

Mais informações aqui.

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