A irreverente Neneh Cherry, reaparecida no início de agosto com a música Kong, continua a detalhar o seu retorno. Nesta quinta-feira, a cantora revelou que o seu novo álbum Broken Politics será editado a 19 de outubro; além da disponibilização do disco em pré-venda, foi lançado o segundo single Shot Gun Shack.

Trata-se do primeiro longa-duração de Cherry desde 2014, com Blank Project, produzido por Four Tet (nome artístico de Kieran Hebden). Em Broken Politics, o músico retoma as lides de produção nas doze faixas que compõem o projeto, incluindo Kong e a nova faixa, que se instalam numa trip hop disforme e plácida. O produtor Cameron McVey, casado com Cherry, surge como colaborador.

A natureza política das novas músicas de Cherry

Um comunicado afirma que Shot Gun Shack—cujo título referencia um tipo de habitação precária originária no sul dos EUA—”aborda a ligação entre violência e privação“. Similarmente ao de Kong, o seu âmago é político: se o primeiro single homenageava “as pessoas deslocadas que abandonaram os seus amores e casas a tentar salvar vidas“, o sucessor alude aos contextos da violência armada, passando pelo tráfico de armas e a cultura de rua. Cherry acrescenta: “As armas de fogo são algo poderoso—poderoso, mas perigoso.

Em entrevista com a publicação The Fader, Cherry explicou o título:

Há muita desilusão, mas também acho [que há] drama global — um drama muito real — e é extremamente perturbador. As pessoas estão a receber um alerta bastante sério. As políticas mainstream estão corrompidas. Não vejo muito a ser feito pela humanidade, por amor, ou por boas causas.

O artista Wolfgang Tillsman, vencedor de um Turner Prize, é o responsável pela fotografia e pelo design do disco.

Segue a sequência de Broken Politics:

  • Fallen Leaves
  • Kong
  • Poem Daddy
  • Synchronised Devotion
  • Deep Vein Thrombosis
  • Faster Than The Truth
  • Natural Skin Deep
  • Shot Gun Shack
  • Black Monday
  • Cheap Breakfast Special
  • Slow Release
  • Soldier

De Raw Like Sushi a Blank Project

Cherry gravou a sua marca no final dos anos 80 com Buffalo Stance, um êxito massivo que precedeu o seu álbum de estreia Raw Like Sushi.

Seguiram-se Homebrew em 1992 e Man em 1996; nesse ano, reapareceu nos topos das tabelas mundiais com 7 Seconds, dueto com Youssou D’Nour.

E se o período de 1988 aos anos 90 pode ter sido o auge comercial da carreira de Cherry, os seus esforços discográficos continuaram. Com a gravadora independente norueguesa Smalltown Supersound, a cantora já editou, além do seu quarto e minimalista disco Blank Project, um projeto de jazz com o trio The Thing, apropriadamente intitulado The Cherry Thing.