Depois uma season premiere promissora, encontramos Supergirl a ajustar-se ao seu novo trabalho como repórter enquanto enfrenta as novas criações de Cadmus.

Salvar a cidade e combater criminosos nunca foi divertido para Supergirl (Melissa Benoist). Na companhia do primo, Superman (Tyler Hoechlin), a jovem está a ter, nas suas próprias palavras, “hashtag too much fun“.

Não podemos censurar Kara, que tem em Clark alguém por perto que a compreende perfeitamente – a ela, aos seus poderes e origem extraterrestre e à vida dupla que leva. Para além de que lutar em equipa torna tudo mais fácil – ou não, o que acaba por se tornar um dos temas centrais do episódio.

A verdade é que nem J’onn (David Harewoodnem Alex (Chyler Leigh) estão muito satisfeitos com a parceria de super-heróis e com a contínua presença de Clark na cidade. Mas já lá vamos. Até porque qualquer discussão é posta de parte por um momento quando Supergirl e Superman são chamados à ação para impedir um suicídio na ponte de National City.

Ao chegarem, deparam-se com John Corben (Frederick Schmidt), que, no final do episódio da semana passada, foi parar às mãos da organização Cadmus. Agora identifica-se como Metallo, mas, mais importante que o nome, são os seus novos poderes à base de kryptonite. E sempre que essa brilhante rocha verde aparece, é sinal de problemas para Superman e Supergirl, que acabam derrotados nesta luta.

De volta ao DEO, a tensão entre Superman e J’onn intensifica-se com Clark a exigir explicações. Alex acaba por revelar que um carregamento de kryptonite foi roubado uns meses antes.

Gostei particularmente de Hoechlin nesta cena. No episódio anterior, o ator tinha brilhado mais na sua interpretação de Clark, mas vemos aqui que também tem estofo para Superman, em todo o seu poder e força.

Superman e Martin Manhunter não chegam à luta física, mas a ameaça paira no ar. E concordo com Winn (Jeremy Jordan) quando este descreve tal possibilidade como assustadora, mas incrível. Para além de que é possível perceber tanto o lado de Clark como de J’onn neste conflito. Clark quer proteger-se a si próprio e à prima Kara dos efeitos de kryptonite e quer a confiança daqueles que os rodeiam. Mas, no outro lado da equação, o trabalho de J’onn é proteger o planeta de ataques extraterrestres e, teoricamente falando, tanto Supergirl como Superman poderiam, um dia, tornar-se inimigos dos humanos.

Enquanto isso, o primeiro dia de Kara no papel de repórter corre tudo menos bem. O seu novo chefe, Snapper Carr (Ian Gomez), não a quer ver nem pintada de ouro, pois acha que Kara não teve que se esforçar para conseguir aquele cargo. O que até faz algum sentido – ainda para mais quando a reação de Kara é ir pedir ajuda a Cat (Calista Flockhart).

As sementes para a saída de Cat já foram plantadas no episódio anterior, mas agora é a própria que anuncia alto e bom som que vai tirar férias. Por isso, em mais um discurso inspirador daqueles que nunca me canso de ouvir, Cat informa Kara de que é ela própria que tem que mostrar a Snapper o que vale como repórter.

Em vez de acatar os conselhos de Cat (o que qualquer pessoa sensível deveria fazer imediatamente), Kara decide que a melhor solução para resolver os seus problemas é mesmo fugir deles. A jovem afirma então a sua intenção de ir com Clark quando este voltar para Metropolis.

O bom de toda esta questão é que permite à série apresentar uma Kara com defeitos, que ainda (bem) está longe da perfeição e que, portanto, está em crescimento. E isso torna a personagem muito mais interessante. E depois, Alex está lá para trazer a irmã adotiva à razão.

A paciência de Alex andava numa linha ténue desde o início do episódio porque sentia que Kara a estava a por de parte, agora que tem Clark a seu lado. Mas a verdade é que a relação entre as duas irmãs é um dos grandes pilares da série. Por isso, o confronto com Metallo, já no final do episódio, volta a aproximar Kara e Alex. E Supergirl acaba por dar ouvidos à irmã e esforçar-se para ter a aprovação de Carr.

A agente (ou médica?) da agência Cadmus divide para conquistar e transforma um dos seus agentes num segundo Metallo para aterrorizar Metropolis enquanto Superman não andar por lá.

Mesmo armados com um escudo anti-kryptonite (fabricado à pressa por Winn), os super-heróis aderem à máxima do seu inimigo e dividem-se entre as duas cidades. O que Cadmus não prevê é que Kara e Clark tenham outros aliados, para além um do outro. Assim, Alex auxilia a irmã enquanto o Martian Manhunter se junta ao Superman – para lutarem lado a lado, e não um contra o outro – derrotando, pelo menos por agora, os dois vilões criados por Cadmus.

Mais uma vez, um episódio prometedor, cuja base sólida assente nas personagens e nas suas relações se sobrepõe facilmente aos vilões pouco desenvolvidos. A verdade é que muito ainda está por explicar acerca dos motivos e dos planos da organização Cadmus – mas isso talvez seja de propósito.

Para além da despedida de Cat Grant (a cena no fim entre Cat e a Supergirl é, como sempre, um dos pontos altos do episódio) da qual já falei anteriormente, também Superman decide que está na altura de voltar para a sua própria cidade. No geral, a introdução de Clark Kent na dinâmica da série foi muito bem conseguida, portanto espero que o voltemos a ver – e em breve!

Nota: 8/10