Fotografia: Divulgação/Pedro MKK

Entrevista. :PAPERCUTZ: “A ideia de ‘So Far, So Fading’ acaba por apontar mais para o futuro do que olhar para o passado”

No próximo mês de maio, :PAPERCUTZ, projeto do produtor Bruno Miguel, lançará o seu próximo trabalho, um EP intitulado de So Far, so Fading, pela editora alemã K7 Records. Neste novo projeto, que o artista pretende que atravesse “pontes para as pessoas que, neste momento, estão a descobrir o projeto pela primeira vez”, o artista colabora com as vozes de Maree Lawn, mema. (Sofia Marques), Evaya (Beatriz Bronze) e Meta_ (Mariana Bragada) para revisitar “canções do projeto de edições passadas”.

Além destas colaborações, Bruno Miguel junta toques orquestrais à pop eletrónica escura que caracteriza :PAPERCUTZ, com a ajuda do orquestrador Bruno Pinto Ferreira e de um quarteto de cordas. So Far, So Fading será o primeiro lançamento desde da versão deluxe de King Ruiner, último longa duração do projeto, lançado em março do ano passado, cuja digressão pela Ásia foi interrompida pela pandemia de Covid-19.

O projeto também já anunciou uma série de concertos para os próximos meses. Em maio, os :PAPERCUTZ atuam dia 6 em Lisboa, no Centro Cultural da Malaposta. Em junho, têm concertos marcados para dia 4, no Hard Club no Porto, e no dia 11, no Theatro Circo, em Braga.

O Espalha-Factos sentou-se à conversa, virtualmente, com o mentor do projeto para falar sobre este novo EP, sobre o impacto da pandemia no projeto e sobre o que é o futuro trará aos :PAPERCUTZ, tanto em termos de planos concertos como de possíveis caminhos criativos.

Escolhem lançar o vosso novo EP, So Far So Fading, durante um período bastante incerto devido à situação pandémica atual. Porque é que escolhem lançar este projeto agora e o que se pode esperar dele?

É claro que :PAPERCUTZ é uma equipa, mas estas decisões dependem sobretudo de mim. E repara, o projeto porque foi dos primeiros – acho eu – ter que lidar com esta questão da pandemia, porque nós tínhamos uma digressão marcada para a China, Japão e Taiwan. E nessa altura, em dezembro de 2019, já havia indícios que os concertos ao vivo iam sofrer uma reviravolta. Inicialmente, havia uma espécie de uma expectativa, e acabámos a cancelar a parte da digressão na China, e depois já no Japão, sentia-se que as coisas já se estavam a alterar. Ou seja, com esta experiência, eu comecei a ter que fazer planos para combater um pouco aquilo que viria a acontecer. Se eu tivesse simplesmente esperado para ver quais seriam as consequências da pandemia em termos de edições e concertos, e claramente houveram [consequências], não tinha acontecido aquilo que também se pôde desenrolar durante o ano  passado.

Nós ficamos em Portugal e isso leva ao EP, que é um revisitar de canções do projeto de edições passadas, com convidados nacionais, e também projetar um bocadinho o futuro que eu acho que, pelo menos o [futuro] próximo, passa muito por Portugal. De uma forma sucinta, este é o plano. E eu tinha uma alternativa, que era suspender :PAPERCUTZ, e trabalhar em outros projetos de produção e composição para cinema. Mas todos estes projetos estão-se a desenvolver com algum tempo de preparação e, então, não fazia sentido, de todo, parar :PAPERCUTZ. E nós conseguimos provar que, apesar de haver poucos concertos, o que nós fizemos foi crescer.

Menos datas, mas concertos com uma extensão de tudo o que :PAPERCUTZ podia ser, com muitos mais músicos do que com eu já trabalhei à altura. E essa extensão leva-nos ao EP que, inclusive, tem outra nuance interessante que é: eu trabalhei com um condutor, ou seja, o EP vai ter uma parte escrita de música erudita. E, novamente, isto é uma extensão daquilo que eu posso fazer estando agora em território nacional. Portanto, sim, por um lado, houve um cancelamento e um abrandamento da nossa atividade fora do país mas, por outro lado, eu consegui fazer coisas que até agora ainda não tinham sido possíveis porque elas necessitam de tempo. E esse tempo foi algo que eu consegui ganhar – não que eu quisesse –  com estes dias estranhos.

Mencionaste que trabalhaste com um condutor, o Bruno Pinto Ferreira. Os dois singles que já foram lançados revelam precisamente essa junção de novos sons orquestrais à vossa pop eletrónica escura. Como é que surgiu esta conjugação de sons para So Far, So Fading?

Foi uma coisa muito natural. Eu já me tinha cruzado com o Bruno [Pinto Ferreira] há muitos anos atrás. O que acontece é que eu estou sempre um bocadinho atento a questões que possam parecer bastante particulares num país como o nosso. Imagina, se tu tens alguém que está a trabalhar em música de cinema, eu vou estar interessado porque me interessa trabalhar nessa área. E ao fazer isso, eu vi que o Bruno tinha sido um finalista de um concurso europeu de composição para cinema, e eu voltei em entrar em contacto com ele.

E repara, como :PAPERCUTZ depende muito de mim, faz sentido que eu estabeleça pontes com outras pessoas que eu acho que são melhores, em algumas questões, do que eu. E neste caso, era uma ponte que estava a estender ao Bruno, no sentido de que, se surgir um projeto, poderíamos trabalhar juntos. Nessa altura, seria mais um projeto de cinema, mas entretanto o Bruno também começou a acompanhar (ou voltou a acompanhar) mais de perto aquilo que eu estava a fazer em :PAPERCUTZ e ficou muito interessado na versão puramente eletrónica da ‘Do Outro Lado do Espelho‘, e diz que vai ao nosso concerto no Porto.

No fim desse concerto, ele vem falar comigo e diz-me que gostava de fazer uns arranjos com um conjunto de cordas e de sopro para a ‘Do Outro Lado do Espelho‘. Qual seria depois o propósito desse arranjo, não estava ainda definido, mas aquilo foi uma chama que incendiou em mim uma ideia. Eu estou sempre a tentar que :PAPERCUTZ dê um passo em frente, e se nós estamos a caminhar na parte eletrónica para ela ser cada vez mais digital, ou seja, afastar-se da ideia de sintetizadores propriamente ditos, eu também achei que faria sentido ir buscar exatamente o contrário, que era precisamente este tipo de instrumentação. E começamos a desenvolver esta ideia para o EP.

Referenciaste que já compuseste para cinema e que tens tido um maior interesse nessa área. De que forma é que o teu processo criativo se altera quando estás a compor para cinema versus quando estás a preparar música para :PAPERCUTZ?

É bastante diferente. Diria até, completamente diferente. Em :PAPERCUTZ, eu coloco em mim vários papéis e tenho que os distinguir. Uma coisa é a pessoa que faz a música, outra é o produtor, outra é ter de fazer várias escolhas. E muitas delas são precisamente retirar algumas das coisas que eu, como compositor, fiz, ou puxar pelo melhor de outras pessoas. Então, em :PAPERCUTZ, eu estou a trabalhar dentro do que é uma bolha, que é o meu universo musical.

Ao trabalhar em cinema – e também como produtor de outros músicos, e isso vai acontecer, não há muito que possa adiantar porque depende agora das próprias editoras colocarem esses projetos cá fora – eu estou a servir a visão de outra pessoa. Portanto, o mais importante é discutir o que é o que o realizador procura para a banda sonora. Se eles querem trabalhar comigo, é claro que eles já identificam alguns pontos da minha música que possam servir a sua visão. E isto é normal para qualquer pessoa que comece a trabalhar em cinema. Para mim, isso até é um bocado um alívio, porque eu acho mesmo interessante, como desafio, que eu possa contribuir para aquilo que é a conceção do trabalho deles. Essa é a grande diferença. É sair da bolha do que é o meu papel em :PAPERCUTZ e entrar na bolha de uma outra pessoa.

Para So Far, So Fading, escolheste revisitar alguns temas mais antigos de :PAPERCUTZ. O que é que sentiste a olhar para esses temas a partir do presente e como é que foi o processo de os recriar?

Nós queríamos ter, nos concertos de apresentação do King Ruiner, temas de álbuns passados. Então, a ideia seria nós integrarmos essas músicas no concerto ao vivo e, para isso, nós tivemos de enquadrar um pouco do que era a visão passada de :PAPERCUTZ com algumas das coisas que estamos a fazer de novo. E nesse sentido, o olhar para trás… Há uma coisa engraçada aqui, que eu olho para esses temas e não acho que estejam demasiado ultrapassados. Eles representam uma visão um bocadinho diferente minha que tinha na altura para escrever o álbum.

Eu acho que a coisa mais importante é que é eu não quero que o EP seja percebido como um projeto nostálgico. Eu quero é que o EP trace o caminho daquilo que já foi feito, e que atravesse pontes para as pessoas que, neste momento, estão a descobrir o projeto pela primeira vez percebam que há uma continuidade em todos estes trabalhos. Ou seja, a ideia de So Far, So Fading acaba por apontar mais para o futuro do que olhar para o passado. É uma ideia de expectativa para aquilo que :PAPERCUTZ ainda consegue fazer. E eu acho que uma coisa interessante do projeto é que ele se pode reinventar. Daí tratar muitas vezes :PAPERCUTZ como um projeto – ele é algo mutável, é uma coisa que se vai alterando. E o EP é uma ponte interessante nesse sentido.

Neste EP, à semelhança de trabalhos anteriores, contas com a colaboração de várias vozes femininas: a mema, Maree Lawn, EVAYA e Meta_. De que formas escolhe os teus colaboradores e qual o input que estas têm na criação das músicas?

Há aqui um pormenor muito interessante, que todas essas cantoras de que tu falaste, elas na realidade não são propriamente só cantoras. Ou seja, elas são cantoras, obviamente, mas têm algo ainda mais interessante – têm o seu próprio projeto. E a ideia não é ir buscar apenas a sua característica como cantora ou como músico. A ideia é ir buscar um bocadinho do seu universo e juntá-lo ao de :PAPERCUTZ. E dentro do projeto delas, eu inteiro-me um bocado daquilo que elas já são, e tento criar uma união da estética de cada uma com as músicas de :PAPERCUTZ que eu estou a compor. Depois, é todo um processo técnico, que acaba por ser mútuo. A música serve a cantora e o seu universo e o contrário [servir o universo de :PAPERCUTZ] também acontece. Isto porquê? Eu aprendi isto de forma um pouco dolorosa. Já houve fases em que eu tentei demasiado impor o universo de :PAPERCUTZ a colaboradores.

A Catarina [Miranda] se calhar foi a primeira pessoa a quem eu tentei não fazer isso. Eu tive uma relação mais simbiótica com ela, e aí percebi a vantagem. Com os concertos, com o trabalho de estúdio, com os ensaios, eu percebi que não fazia grande sentido eu tentar impor a minha visão aos convidados, mas sim tentar criar uma ponte com eles. Porque se não, parece que estamos sempre a tentar partir uma pedra demasiado dura. É possível esculpir, mas é mais difícil. Então aqui, a ideia é precisamente esse trabalho, essa ligação.

So Far, So Fading - :PAPERCUTZ
Fotografia: Divulgação
Contaste-nos que foi necessário readaptar os concertos face à situação pandémica. Também foi necessário readaptar o teu processo criativo à situação atual, dado os vários colaboradores de So Far, So Fading?

Sim, e aliás, acho que é uma pergunta mais do que atual. Neste momento, eu estou muito entregue a uma solução que não determina onde eu posso trabalhar em música. E no King Ruiner já tinha começado esse processo. Enquanto que no álbum anterior, no The Blur Between Us, eu estive em vários estúdios a gravar, no King Ruiner, como ele foi gravado por todo o mundo, eu tive a necessidade de ter um sistema portátil. E eu gostei da experiência.

E a pandemia veio certificar-me que esse é o caminho certo – a possibilidade de nós sermos móveis e o que é que isso implica. Eu não estou preso ao sítio em que eu posso trabalhar em música e, esta pandemia ensinou-me que é possível fazer as coisas com uma certa qualidade à distância. E isto não é algo que vai afetar só a música, naturalmente. Acho que há uma série de artifícios e de questões que têm que ser reformuladas e até há coisas que podem ser aproveitadas para melhorar o conforto que tu podes ter em termo de local de trabalho. Pequenas coisas, lá está. E ir para um estúdio nem sempre é confortável. Às vezes, eu estou mais confortável a ter ideias numa sala e isso não quer dizer que, mais tarde, eu não as esteja a concretizar num palco. O que eu estou a dizer é que nem tudo implica nós estarmos, realmente, num determinado local a executá-las, e por vezes, até é ineficiente.

Portanto, a tua produção já não assenta só em trabalho de estúdio, passando a incorporar também música criada com o auxílio do computador. Nos últimos anos, este tipo de produção tem ganho espaço no mundo da música, como é o caso do aumento de popularidade de artistas associados à PC Music. Considerando a tua experiência prévia em engenharia informática, de que forma é que vês este aumento do uso de tecnologia para a criação musical?

Sim, esse aumento tem existido, sem dúvida. Para mim, a informática sempre me foi útil desde que eu comecei a produzir ou gravar, porque sempre fui um bocadinho independente dessa ideia de que eu não dependo de ir a um estúdio para fazer a minha música, para gravar a música, para trabalhar com as pessoas. E dou-te um exemplo, bastante prático até, desta ideia.

O computador tornou-se tão democrático que eu acho que as pessoas deixaram de perceber o enorme potencial que ele tem. Imagina, um telemóvel é um milagre de tecnologia. Quer dizer, para mim que tenho essa formação, é. A quantidade de sensores, a qualidade de uma câmara de filmar hoje em dia num telemóvel, que há alguns anos atrás custava-te milhares de euros se quisesses filmar com metade da resolução que consegues hoje em dia com um telemóvel. E ao mesmo tempo, tu usas para fazer pagamento e usas para fazer chamadas. E não fica por aí. Já se está a trabalhar em realidade aumentada nos telemóveis. Quer dizer, dá para isto tudo. E eu acho que se perdeu a noção de que o portátil, ele tem um potencial enorme na criação.

E, sim, a PC Music mostrou – aliás, até mais específico do que a PC Music – ainda agora faleceu uma produtora, a SOPHIE, que eu sempre achei que tinha das coisas mais interessantes para ser ditas na música eletrónica. Eu gosto muito do processo em que ela se começa a conectar com a pop e com artistas da pop. Eu acho isso interessante. E isto tem várias explicações. Por exemplo, acho que se pode dizer que a questão de identidade e sexualidade também está aqui em causa. Isso na SOPHIE pode ter tido alguma questão, porque, a ideia de que tu tens dela a falar de música, é que esta não tem limites, ou seja, não estás preso a certas condicionantes. Eu lembro-me de entrevistas dela em que ela destacava poder pegar num som de piano e projetá-lo como se o piano estivesse a vir de um arranha-céus. E atenção, isto é tudo possível de simular hoje em dia num computador. E estes sons eletrónicos que navegam entre uma realidade e uma parte sintética, eu faço isso também com :PAPERCUTZ. Ir buscar sons orgânicos e processá-los.

Então, acho que sim, a tecnologia pode do computador pode permitir avanços a nível de criação musical. E acho que certas editoras ou certos produtores têm demonstrado o enorme potencial que o computador pode ter para a música eletrónica, sem ser um exercício puramente intelectual. Ou seja, que sirva as canções, claro. E nós só estamos numa primeira ou segunda fase daquilo que é possível fazer com uma máquina. Aliás, a partir do momento que passamos a discutir a inteligência artificial, isso vais afetar a música também.

Bruno Miguel - :PAPERCUTZ
Fotografia: Divulgação/Pedro MKK
Tocaste no tema da inteligência artificial. Que potencialidades vez nesta tecnologia para o futuro da música, então? Ela já começou a ser explorada por alguns artistas, como é o caso da Holly Herndon ou da Grimes, para as suas composições.

Repara numa coisa, a questão da inteligência artificial levanta várias questões e problemas em termos intelectuais, sociais, morais, éticos. Há aqui uma série de coisas que vão afetar a nossa sociedade em vários pontos. No caso da música, eu acho que, logo à partida, e no caso dessas produtoras, elas utilizaram a inteligência artificial num sentido de um método de assistência à composição. Elas estão a usar algoritmos que ajudam a parte humana a se expandir àquilo que se calhar não conseguia fazer de uma forma isolada. E eu acho que isso é interessante.

Agora, se tu me perguntas o seguinte, que também acaba por surgir nesta discussão, se eu concordo, e isto é sabido, que o Spotify e outros mecanismos de distribuição de música usem algoritmos para criar música sem intervenção de qualquer pessoa, no sentido em que eles querem criar música funcional que ocupe um determinado espaço no universo, e que depois a vendam, ultrapassando a questão do artista? Nesse sentido, faz-me confusão. E porquê? Não porque se elimine o ser humano da equação, mas porque eu acho que o ser humano é capaz de potencializar a parte da inteligência artificial. Portanto, eu acredito numa união dos dois. Acho que no futuro, qualquer uma das nossas atividades vai ter a assistência da inteligência artificial, e vão-se conjugar uma série de mecanismos para ajudar numa melhor resolução dos teus problemas. E acho que a música ganha sobre isto. E a música, todos os outros meios, ganham sobre esse papel de supervisão. Eu acho que o ser humano pode ganhar em relação a isso.

Aliás, tu falaste do exemplo da Holly Herndon, que tem uma questão bastante interessante. Ela gerou uma personagem artificial baseada em modelos humanos. E isso é uma extensão daquilo que uma pessoa pode ser. E isso é super interessante. E sabes onde isto [o uso de inteligência artificial] está a acontecer também? Na K-Pop. Mas a K-Pop levanta problemas. Ali, o uso da inteligência artificial é uma questão puramente comercial e, nesse sentido, é preciso algum cuidado. Lá está, eu acho que nós, eventualmente, vamos ter que colocar uma barreira à inteligência artificial. É normal. O facto de que nós conseguimos fazer uma coisa não é garantia que a devemos de fazer.

Mencionaste nesta entrevista que já tiveste a oportunidade de gravar e tocar em vários locais além de Portugal. Gostava de perguntar de que forma é que estas viagens pelo mundo têm influenciado a música da banda e se sentes alguma diferença na receção que o público estrangeiro tem com o projeto face ao público português?

Muito boa pergunta. Olha, depende muito dos países que estamos a falar, mas no gera o povo português é um bocadinho mais frio com os projetos nacionais. O público português tem esta dicotomia, ou seja, é efusivo com alguns projetos estrangeiros ou internacionais, mas com as bandas portuguesas tendem a ser um bocadinho mais restritos nas suas reações. Isto não é particularmente normal. Por exemplo, eu já vivi nos Estados Unidos e em Nova Iorque, se uma banda de Nova Iorque toca lá, é a loucura, estás a perceber? Eles são muito bem recebidos. Ou seja, é o contrário até – o facto de ser uma banda local leva mais a as pessoas sentem que estão a fazer parte do movimento daquele projeto. E no geral, há certos países e certas culturas que são mais dadas a uma interação ao vivo do que a portuguesa. Dito isto, a público português é simpático. Repara, eu toquei no Japão e lá, são de extremos. Podem ser muito calados, muito tímidos e, ao mesmo tempo, podem ser muito efusivos.

Agora, claro que tu quando és um projeto de fora a tocar num desses países… O que nós sentimos, sobretudo, quando tocamos lá fora, é uma maior curiosidade, e em Portugal falta um bocadinho essa ideia de descoberta. Lá fora, tudo o que é novidade move mais interesse. E tu sentes isso. Em Portugal, não sentes tanto isso. Também lá fora as coisas aparecerem e desaparecem mais rapidamente e portanto, nesse sentido, Portugal pode levar a ter carreiras um bocadinho mais consistentes. E isso é uma coisa boa, mas nós temos de viver destes dois lados: do que acontece em Portugal e do que acontece fora de Portugal. E não vale a pena comparar – a ideia é mesmo que os dois façam parte do trajeto de qualquer projeto. Qualquer projeto tem de dar concertos em Portugal e tem de dar concertos fora de Portugal.

O EP está com data prevista de lançamento para o próximo mês de maio. Qual é a fase que se segue para :PAPERCUTZ?

Bem, até ao EP, nós temos concertos marcados. Depois, vão ser as apresentações oficiais do próprio EP em que a nossa formação ao vivo vai começar a mudar. E porquê? Porque, como eu disse logo desde do início, este EP é uma ponte, e é uma ponte para um álbum, que é isso que nós vamos começar a escrever e que vai estar pronto antes do fim do ano. E esse álbum vai ser uma extensão daquilo que tem sido um bocado o trabalho até agora.

Até nós fazermos a apresentação desse álbum, que será já em 2022, nós vamo-nos reformulando um bocadinho e mostrando as coisas que o álbum vai ter. Por exemplo, nós estamos a preparar um espetáculo, e não posso adiantar muito, mais imersivo, com visuais em tempo real, com um trabalho de luz, uma parte cénica, uma montagem de palco. E, se tudo correr bem e se as condições assim o permitirem, esse espetáculo vai ser uma extensão daquilo que vamos ter nesse álbum. Vais ter-me a mim, um trio ou um quarteto de vocalistas e vamos ter connosco um quarteto ou mais, ainda não conseguimos perceber, de músicos de escola erudita. Portanto, vai existir uma parte de muita eletrónica e uma parte bastante orgânica também.

Agora, como isto tudo se vai desenrolar? É o processo que nós vamos fazer agora ao longo do ano. Vamos aproveitando esta altura de alguma paragem para ir testando algumas coisas para termos este quadrado cúbico mais ou menos resolvido no próximo ano.

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