O Espalha-Factos terminou. Sabe mais aqui.
Vinis

À Escuta. 30 discos que marcaram a música portuguesa em 2022

2022 está prestes a terminar e, como tal, é hora de resumir aquilo que melhor se fez na música nacional para o À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos sobre música portuguesa. A arte não é uma competição mas, mesmo assim, compilar aquilo que mais nos suscitou reação é um exercício divertido.

Começamos, assim, com uma lista de 30 discos que, de alguma forma, marcaram os redatores do À Escuta – para fechar 2022, ainda falta publicar a habitual lista de 20 artistas revelação do ano para a rubrica semanal do EF. Vamos, então, aos 30.

Adler Jack e Vert Gum – Ka-Chow!

Adler Jack e Vert Gum - Ka-Chow!
Adler Jack e Vert Gum // Ka-Chow!

Todos sabemos, que o verão é uma altura de dias solarengos e temperaturas elevadas. Porém, uma verdade absoluta é que quem não entrou no universo Ka-Chow! com certeza que não teve um verão assim tão quente. Depois de todo o genial plano de marketing que antecedeu o seu lançamento – que faria qualquer marketeer do Instagram que não paga IMI roer-se de inveja – foi hora de Portugal meter as mãos no primeiro disco colaborativo de Adler Jack e Vert Gum. Descrever a música feita em Ka-Chow!, até pode ser uma tarefa divertida, mas com certeza deixará confusos todos aqueles que lerem as explicações tal é a miscelânea e cozido de ideias que para aqui vem. Digamos que vamos desde bangers veranis que emanam a energia de um recreio do Morangos com Açúcar, a hip-hop forexiano, passando ainda por aquele pop funky nostálgico e ainda temos os bangers pastilhados que fariam os LMFAO no seu auge fugir a sete pés. Não haja dúvida que Ka-Chow! é uma das experiências mais divertidas que podemos ter com música este ano e podemos já atribuir-lhes a sua merecida Taça Pistão. Adler Jack e Vert Gum são de facto das duplas mais fulminantes que temos em solo nacional – podemos chamar-lhes de os Anjos do neo-funk hyperpop da era digital.

– José Duarte

Agir – Cantar Carneiros

Adler Jack e Vert Gum - Ka-Chow!
Agir // Cantar Carneiros

Agir, um dos músicos proeminentes da sua geração, deliciou-nos este ano com um trabalho discográfico saído das profundezas do seu coração e, talvez daí, o resultado ser praticamente arrepiante e de cortar a respiração de quem ouve. No entanto, não surgiu sozinho, surgiu acompanhado por quatro (grandes) mulheres artistas que dão um toque extra especial a este belo disco. São elas Milhanas, Bárbara Tinoco, Tainá e a atriz Isabel Ruth

Consideramos que este é o trabalho mais ambicioso de Agir até à data e, por isso, não podíamos, de forma alguma, deixá-lo passar despercebido. Em Cantar Carneiros, Agir explora sonoridades mais suaves, marcadas exclusivamente por uma ambiência acústica e intimista, pelas quais ainda não se tinha aventurado de forma tão extensiva. Espalhados pelo longa-duração temos versos honestos, verdadeiros e espontâneos que seduzem e relaxam, culminando em 11 faixas intensas e altamente pessoais, recebidas de braços abertos como uma lufada de ar fresco. 

– Ana Margarida Paiva

ALMA ATA – ALMA // ATA

ALMA ATA - ALMA // ATA
ALMA ATA // ALMA // ATA

Miguel Afonso (aka Caronte), Pedro Carvalho (Pedro, o Mau ou Vulto) e Tomás Sequeira (mais conhecido por Tomaz) são o trio de seu nome ALMA ATA. Se em 2021, os ALMA ATA marcaram ponto com um trio de EPs (sequencialmente titulados de um, dois e três), 2022 viu nascer ALMA // ATA, longa-duração de estreia do projeto.

Em ALMA // ATA, este trio mirabolante propôs-se a desconstruir fórmulas da pop, construindo canções a partir de noções de eletrónica e tons hipnagógicos – entenda-se como uma espécie de vaporwave servido à portuguesa – com uma dose de cantautor romântico-desesperado (ainda assim, esperançoso…) à mistura. Produção delicada, trabalho textural minucioso, guitarradas a ecoar melancolia, são amuletos que os ALMA ATA sabem bem explorar, lado-a-lado com a poesia e entrega vocal bem característica de Caronte, para, no final, sobrarem apenas resquícios de quem éramos antes de escutarmos ALMA // ATA. Que monstro amigo é este ALMA // ATA, daqueles que parece intimidante à primeira vista, mas que, na realidade, acaba por nos abraçar de forma carinhosa.

– Miguel Rocha

Ana Moura – Casa Guilhermina

Ana Moura // Casa Guilhermina

Em abril de 2021, Ana Moura deixava as labels para tornar-se, depois de 18 anos de carreira, artista independente – desvinculava-se, assim, da editora Universal Music Portugal e da agência Sons em Trânsito. Um ano antes disso juntava-se, pela primeira vez, a Conan Osíris na canção ‘2020’, onde dava os primeiros passos para a redefinição de Ana Moura, cujos traços aparecem vincados em Casa Guilhermina. ‘Andorinhas’, ‘Jacarandá’, ‘Agarra em Mim’, ‘Arraial Triste’… a cada single a expectativa ia aumentando: aos poucos, as influências angariadas nas festas Príncipe e Na Surra e nos novos artistas como Pedro Mafama, Osíris ou Branko, cujo estilo agravava a vontade de querer expandir os limites do seu fado iam ganhando forma, culminando num dos melhores discos do ano. Casa Guilhermina junta novo e velho: o fado de lenço negro espreita em canções como ‘Classe’, ‘Sozinha Lá Fora’ ou ‘Minha Mãe (Interlúdio)’, convivendo com as batidas quentes de ‘Mázia’, ‘Calunga’ ou ‘Arraial Triste’; o que fora ‘Desfado’ transforma-se em ‘Corridinha’ e o repertório clássico surge em ‘Estranha Forma de Vida’, original de Amália Rodrigues, que ganha uma roupagem mergulhadaem mistério, e a arrepiante ‘Nossa Senhora das Dores’. Em Casa Guilhermina, encontramos coesão na diversidade: chegam-nos ritmos do semba e do fado, da morna e do kizomba, samba, choro e rancho. 2022 foi o ano do grande regresso de Ana Moura, que empresta ao fado nova aura e mostra que a saudade também se canta bem de rosa-choque.

– Kenia Nunes

AVALANCHE – VOLUME I

Coletivo Avalanche - Volume I
AVALANCHE // VOLUME I

O que é o coletivo AVALANCHE, pergunta-se? Bem, a AVALANCHE é um inovador coletivo de artistas focado em criar espaços para a música feita em colaboração. No último trimestre deste ano, lançaram o seu álbum de estreia, intitulado VOLUME I, que conta com a participação de 18 artistas num total de dez (+ uma) faixas. Temos Alda, Ana Cláudia, Ana Mariano, Choro, Guire, INÊS APENAS, Inês Marques Lucas, iolanda, kikomori, LEFT., Luar, Matheus Paraizo, NED FLANGER, Rita Onofre, Sara Cruz, SOLUNA, Tom Maciel e YANAGUI. Todas as canções incluídas no alinhamento, resultado de vários writing camps, ainda que sigam uma linha geral comum entre elas, conseguem ser distintas entre si. VOLUME I é uma obra sonora híbrida e viva, incessantemente aliciante e irresistível: são praticamente 28 minutos de bangers de ponta a ponta, que passeiam por entre o soul, o reggaeton e o jazz, roçando sempre no mundo do indie pop. Este trabalho revela-se não só como uma das audições mais apaixonantes e peculiares deste ano na música portuguesa, mas também como um excelente ponto de partida para conhecer cada um dos talentos envolvidos.

– Ana Margarida Paiva

A garota não – 2 de abril

A garota não - 2 de abril
A garota não // 2 de abril

2019 apresentou-nos Cátia Mazari Oliveira com o nome A garota não. Estreia-se com Rua das Marimbas n. 7, vai lançando singles e, de repente, arrebata tudo e todos com 2 de abril, disco-poema deste ano. O álbum partilha nome com o bairro setubalense e canta a arte, a literatura, a poesia e, acima de tudo, a liberdade. De voz tenra e guitarra em punho, A garota não traz na voz a luta de uma geração: questões laborais, o papel da mulher, a solidão, ou a política das palavras feias permeiam as letras profundas e brilhantemente esculpidas por Cátia que estão também cheias de um profundo apreço pela arte, pela poesia, pelo amor. De punho em riste, arranjos minimalisticamente sublimes e prosa ora cortante, ora tenra, A garota não mostra, com 2 de abril que criar é, também, ato de liberdade.

– Kenia Nunes

Bandua – Bandua

BANDUA
Bandua // Bandua

Perto do final de 2021, com ‘Macelada’, os BanduaEdgar Valente (Criatura) e Bernardo D’Addario (aka Tempura the Purple Boy) – revelaram a primeira batida de um projeto que, em 2022, veio a confirmar-se como um dos mais belos e curiosos do ano com a edição do seu disco de estreia. Cruzando a herança da Beira Baixa (onde ambos os membros do grupo têm raízes) com o universo da eletrónica contemporânea, em particular da downtempo, os Bandua, mantêm vivo o espírito de uns DARKSIDE ou de João Aguardela. Em Bandua, não existem limites entre o moderno e o tradicional, mas sim uma vontade de quebrar conjeturas e barreiras entre esses conceitos, utilizando o ritmo, o sentimento e a homenagem como armas de arremesso nesse sentido. Pelos enclaves, o que resta é o seguinte: o cantar romântico e emocional de Edgar, instrumentais delicados e recheados de mutações rítmica, um sentimento de comunidade onde a espiritualidade, de alguma forma, liga romarias do passado ao presente e ao futuro, tecidos do tempo que, logo criados, rapidamente se desfazem. Assim, resta apenas dançar – e isto são as danças de quem quer ver um mundo melhor a florescer.

– Miguel Rocha

chica – Cada Qual no seu Buraco

chica - Cada Qual no seu Buraco
chica // Cada Qual no seu Buraco

Em 2020, com ‘brincar com o cão’, canção reinventada para banda neste Cada Qual no seu Buraco, curta-duração de estreia de chica, a cantautora encantou-nos pela primeira vez com a sua capacidade para oferecer melodia lado-a-lado com alguma da mais crua e bela poesia de intervenção.

Em Cada Qual no seu Buraco, chica confirmou-nos que é uma das mais inventivas e talentosas cantautoras portuguesas, ao agarrar naquilo que tornou a primeira versão de ‘brincar com o cão’ tão especial e ampliá-lo. Buscando influências ao jazz, à chamber pop e indie folk de uns Big Thief e à canção de intervenção de um José Mário Branco, chica trouxe-nos um EP onde, pela enorme qualidade de todos os seus elementos, se torna complicado destacar um, mas vale a pena enumerar: os arranjos são belíssimos; a poesia é realista, cheia de nuance e humor, pronta a apontar para a comunidade (corretamente) como o futuro e a denunciar as injustiças do Estado; a voz de chica soa delicada, um aconchego gigante para bons e maus tempos, enternecedora até nos momentos onde a dor quase brota da canção. Pensamento comunitário, empatia, enternecer  – é isso que ascende acima de tudo neste Cada Qual no seu Buraco.

– Miguel Rocha

D’Alva – SOMOS

D'Alva - SOMOS
D’Alva // SOMOS

Para SOMOS, os D’Alva sofreram uma mutação: de duo viraram trio. A Alex D’Alva Teixeira e a Ben Monteiro juntou-se o baterista Gonçalo de Almeida e, depois de #batequebate e Maus Êxitos, os D’Alva arranjaram (novas) formas de cavalgar as suas ondas de pop alternativa. Em SOMOS, conhecemos uns D’Alva mais maduros, capazes de aproveitar o comboio da introspeção de Maus Êxitos para continuarem a explorar o seu crescimento enquanto indivíduos e artistas. Com a ajuda de camaradas como Isaura, Cláudia Pascoal, Ana Cláudia, Primeira Dama e Joana Espadinha, e através da exploração de sonoridades como a synthwave, synthpop e new wave, as canções de SOMOS conjugam-se pela nostalgia, sobrevoada por neons futuristas, sempre pronta a explodir em refrões orelhudos, onde o sentimento (felicidade? tristeza? escolham o que vos assenta melhor) ecoa por todo o lado. Produção exímia, performances apaixonantes, canções arrebatadoras – os D’Alva são isso e, em SOMOS, foi mais uma prova da sua excelência enquanto conhecedores da arte de exercer música pop.

– Miguel Rocha

DJ Nigga Fox – Música da Terra

Música da Terra
DJ Nigga Fox // Música da Terra

Rogério Brandão (aka DJ Nigga Fox) continuou, em 2022, a desbravar alguns dos terrenos mais fascinantes no universo da eletrónica. Três anos depois de Cartas na Manga, o membro da Príncipe Discos regressou às edições de estúdio (em 2021, editou Live Nigginha Fox) com o curta-duração Música da Terra, onde surge acompanhado, em dado momento, por DJ Firmeza.

Em Música da Terra, Rogério Brandão, do primeiro ao último momento, carrega no acelerador a fundo, desbravando caminho por estradas onde as batidas são incessantes e os batimentos cardíacos são regulados pelo quanto conseguimos acompanhar os ritmos das faixas. Isto são canções para a pista de dança, recheadas de intensidade hipnotizante e, ao mesmo tempo, de uma enorme sofisticação. Música da Terra é um puzzle que tão bem encaixa entre techno e kuduro, eletrónica contemporânea e afrofuturismo, melodia e ritmo (desconstruídos, claro está). Não é para quem tem coração fraco, mas para conseguir aguentar esta carroça, a viagem a bordo, independentemente de sobressaltos, é uma que deixa as suas marcas.

– Miguel Rocha

Eigreen – Eigreen

Eigreen
Eigreen // Eigreen

Os Eigreen são um projeto com história curiosa. As canções do seu disco homónimo de estreia foram idealizadas por Francisco Frutuoso (Flying Cages; voz, guitarra e teclado em Eigreen) anos antes, mas por falta de tempo e devido a algumas inseguranças, acabaram guardadas numa gaveta. Isto é, até serem descobertas pela sua irmã gémea, Luísa Levi (voz), que logo as quis cantar. Daí, foi um saltinho até Eigreen. Juntaram-se Carlos Serra (baixo), João Ribeiro (guitarra) e Rui Pedro Martins (bateria) ao estaminé dos irmãos e brotaram o refinar de um conjunto de canções que, ao deambular pela dream pop e pós-rock, por psicadelismos mirabolantes e por conceções inóspitas da indie e art pop (mas sempre recheadas de melodia), se revelam como delicadas viagens por paisagens oníricas, onde a convergência entre natureza e introspeção apontam na direção para a bela primavera que é o universo do rock alternativo de Eigreen.

– Miguel Rocha
Lê também: Entrevista com Eigreen

Éme e Moxila – Éme e Moxila

Éme e Moxila
Éme e Moxila // Éme e Moxila

Éme e Moxila (João Marcelo e Mariana Pita) agraciaram-nos com a edição do homónimo – Éme e Moxila – em abril, um disco onde reina a intimidade e os amores relaxados. Umas canções têm mais de Éme e outras mais de Moxila, mas o resultado final é uma contaminação generosa onde a cumplicidade artística sai vencedora. No estilo twee que viu a sua re-ascensão ao longo do ano (e virou moda no TikTok, como não podia deixar de ser), a dupla dá protagonismo às janelas da capital, às idiossincrasias de ser-se casal urbano, ao aborrecimento da cultura do trabalho a sobrecarregar  (“Eu quero é vida boa a vida inteira / Sem trabalho nem carreira”). A estética DIY (do it yourself) lo-fi da dupla sobressai naquele que é o estilo chave da Cafetra e, mais uma vez, Éme apaixona – desta vez com companhia –, pela simplicidade que torna o quotidiano mais apetecível. E que bom é navegá-lo acompanhado, nada como o amor (relaxado).

– Kenia Nunes

Fado Bicha – OCUPAÇÃO

Fado Bicha - OCUPAÇÃO
Fado Bicha // OCUPAÇÃO

Tal como a energia e a disrupção de uma onda eletromagnética, é assim que o primeiro longa-duração de Fado Bicha nos atingiu. Fado Bicha que são Lila Fadista e João Caçador, uma dupla que se pode encaixar plenamente na categoria de música de intervenção, utilizando o fado como arma. 

Symone De Lá Dragma, passarumacaco, Bernardo Araújo, Labaq, Trypas Corassão e Alice Azevedo juntaram-se a este que é um trabalho que aborda uma urgência queer de viver despreocupadamente um presente; um trabalho que é, acima de tudo, um grito de liberdade e de afirmação de Fado Bicha. Ao longo de toda a sua duração, mergulhamos numa fusão vertiginosa entre géneros musicais repletos de significados culturais, trazendo à tona uma maturidade artística e social extremamente profundas. OCUPAÇÃO, produzido por Moullinex, consegue combinar, lado a lado, a frustração e a dor com a beleza melódica gerando um cenário (quase que) apocalíptico carregado de emoção, invocando influências de António Variações ou de Filipe Sambado. Fado Bicha estão aqui para destruir preconceitos. Juntemo-nos à luta.  

– Ana Margarida Paiva

Fumo Ninja – Olhos de Cetim

Fumo Ninja - Olhos de Cetim
Fumo Ninja // Olhos de Cetim

Fumo Ninja junta quatro dos mais ilustres talentos da música contemporânea nacional: Leonor Arnaut (voz), Norberto Lobo (baixo), Raquel Pimpão (teclas) e Ricardo Martins (bateria). Fumo Ninja é o explorar em formato canção, por novos e inesperados terrenos, onde reside muito ritmo e muito groove sedativo, liberdade e disrupção. A prova disso é o seu enorme e megalómano álbum de estreia. Numa espécie de desconstrução pop que faz lembrar Bruno Pernadas, Olhos de Cetim é um assombroso e alucinante exercício sonoro que explora a estética pop de uma forma que foge aos padrões a que estamos habituados, indo beber influências desde um jazz fusion até um R&B. Arrojado, colorido e transcendente são provavelmente os adjetivos mais certeiros que podemos atribuir a estes belos Olhos de Cetim. Este disco caiu que nem ginga, fazendo-nos perder a noção do tempo, espaço e realidade ao longo dos seus 27 minutos de duração. 

– Ana Margarida Paiva

Gaerea – Mirage

Gaerea - Mirage
Gaerea // Mirage

Dois anos depois de Limbo, álbum que lhes garantiu aclamação internacional, os portugueses Gaerea regressam aos projetos discográficos com Mirage, para provar que não foi à sorte que conseguiram esta fasquia elevada. Ora a banda demonstra que não tem de provar nada a ninguém, pois Mirage excede até as mais ambiciosas expectativas. Ritmos indutores de ansiedade, percussões hercúleas, riffs grotescos e umas guitarras à Paredes, Gaerea volta a soltar uma das sonoridades mais brutais que andam por aí. Um black metal tenebroso, potente, in your face e que não hesita em apedrejar-nos com toda a potência que estes têm em suas valências. Muito mais construído e explorador que o seu antecessor, incluindo aqui e ali passagens de metal mais progressivo, Mirage é a afirmação de Gaerea como um dos grandes grupos de black metal da atualidade no panorama nacional (e internacional!).

– José Duarte

Golden Slumbers – I Love You, Crystal

Golden Slumbers
Golden Slumbers // I Love You, Crystal

Golden Slumbers são Cat e Margarida Falcão, irmãs que cantam (e encantam) em uníssono. Depois de um hiato temporal, no qual se dedicaram a projetos musicais individuais, Monday e Vaarwell respetivamente, o duo regressou em beleza. 

No seu segundo longa-duração, intitulado I Love You, Crystal, Golden Slumbers apostam num admirável mundo novo, ainda que sem descurar da sonoridade com que nos têm vindo a habituar. Ora portanto, o indie folk permanece, mas crescem as paisagens de uma pop sonhadora com o espaço dominado por novas camadas de instrumentação e novas dinâmicas de composição, refletindo-se assim quatro anos de identidade sonora. Ao longo de toda a sua duração, o álbum mantém-se dinâmico e circundante, progredindo suave e organicamente, espelhando um estado de sonho pacífico e auspicioso. Neste que soa a um novo início para as Golden Slumbers, Cat e Margarida fazem-nos acreditar num mundo melhor ao trazerem temas tão urgentes e necessários. É disto que precisamos. 

– Ana Margarida Paiva

indignu – adeus

indignu - adeus
indignu // adeus

No último acto do outono de 2022, tudo congelou com o frio invernal que o regresso dos indignu fez chegar com o lançamento de adeus. O disco marcou a estreia da banda pela prestigiada dunk!records (em parceria com a estadunidense A Thousand Arms) e, depois da apresentação ao vivo no festival Amplifest em outubro passado, e depressa se tornou num dos discos mais antecipados pelos entusiastas de pós-rock – e não só, claro. Em oscilações entre brilho e escuridão, as sonoridades corpulentas e as harmonias disruptivas que tão bem atuam sobre mares cenográficos de poesia sonora, são suficientes para nos fazer apaixonar pela visceralidade e euforia com que este adeus nos brinda. São riffs arrepiantes, que trazem uma frieza reminiscente do metal nórdico, mas sem nunca fugir muito do pós-rock que faria corar de inveja uns Sigur Rós, conseguindo ainda buscar os traços mais beatíficos de uma mistura entre Panopticon e Spiritualized. adeus é uma obra muito bem esculpida, um excelente álbum de pós-rock, cheio de ambiência e intensidade e que só nos faz implorar para que não tenhamos de esperar mais quatro anos para termos um novo disco dos indignu – mas se tiver que ser, que seja. Por produtos criativos destes, vale sempre a pena esperar.

– José Duarte

Hetta – Headlights

Hetta - Headlights
Hetta // Headlights

O EP de estreia dos Hetta, quarteto do Montijo formado por Alex Domingos (vocais e letras), João Pires (guitarra), João Portalegre (bateria) e Simão Simões (baixo) – chegou-nos com toda a voracidade necessária de um lançamento onde a agressividade e a paixão reinam acima do absoluto caos sonoro que se vai desaguando em torno. Em Headlights, estes miúdos “zangados”  apresentam uma cacofonia de screamo, pós-hardcore e mathcore a explodir entre ritmos frenéticos, riffs dissonantes e um trabalho textural que roça entre catarse esbelta e sujidade desarmoniosa, ecoando influências de bandas como Converge, Orchid ou ADORNO. O ruído é constante, o desfasamento e a emoção sempre presentes, empurrando-nos em direção a um precipício que, se parece cavernoso pela natureza da música dos Hetta, na realidade encontra-se preenchido por esperança. É isso que Hetta e o seu Headlights são: um raio de esperança, colocado firmemente a bordo da locomotiva da música pesada e extrema no pós-Glow On dos Turnstile.

– Miguel Rocha

Jepards – A Study on the Behaviors of the Inebriated

Jepards - A Study on the Behaviors of the Inebriated
Jepards // A Study on the Behaviors of the Inebriated

Os Jepards – que é como quem diz António Dantas (guitarra, voz), Carlos Afonso (guitarra), Dany Silva (baixo) e Zé Pedro (bateria) – são um verdadeiro caso de estudo. Okay, Alright!, curta-duração de estreia, lançado em 2018, antevia algum potencial (mesmo que usasse as influências da banda um bocadinho à flor da pele), mas não existia particular evidência que seriam capazes de entregar um longa-duração com a qualidade e consistência de A Study on the Behaviors of the Inebriated.

Em A Study on the Behaviors of the Inebriated, o quarteto de Braga explora fórmulas que, na realidade, não apresentam nada de complicado. São canções de rock despreocupadas, livres de qualquer bullshit, que exploram as nuances do período em que a adolescência parte e o de jovem adulto desponta. Nos últimos quatro anos, os Jepards cresceram, maturaram o seu som, e isso nota-se ao longo deste estudo em como fazer canções rock onde, em momentos, roçam o art punk de uns shame; noutros, cavalgam o rock de garagem de uns Fugly, cruzando esses universos com a sua capacidade (surpreendente!) de criar refrões gigantes, sustentados por quanto nos fazem querer gritá-los a bons pulmões. É berrar, então – assim fica a dica.

– Miguel Rocha

Linda Martini – ERRÔR

Linda Martini - ERRÔR
Linda Martini // ERRÔR

O regresso dos Linda Martini soube a tudo menos a um erro. Quatro anos depois do seu disco homónimo, que fazia brilhar os tons mais cativantes e infecciosos do seu reportório, a banda composta por André Henriques, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e, até poucos dias antes do lançamento, Pedro Geraldes, voltaram aos lançamentos e às suas origens com o virtuoso e eclético ERRÔR. A idiossincrasia da banda lisboeta continua presente, mas em ERRÔR esta vai-se mesclando pelo meio de uma feroz desconstrução do pós-hardcore que os viu crescer, regando-o com um noise rock fervoroso enquanto mergulham profundamente em assuntos de saúde mental, política e sociedade atual. O pranto fado apunkalhado de André Henriques continua a sonorizar mágoas, sem deixar de tecer fortes críticas a tudo o que nos rodeia. Pelo meio passamos de momentos que vão do caótico, ao melódico e da revolta desmedida à pujança frenética, com sonoridades desconcertantes e uma escrita inegavelmente fascinante. Fazia-nos falta um álbum de Linda Martini, especialmente de um tão atual, incidente e impactante como este. Uma bela obra que só nos faz ficar ainda mais ansiosos para ver o que o novo membro, Filho da Mãe, pode trazer ao reportório de uma das mais conceituadas e importantes bandas do rock português.

– José Duarte

MARO – can you see me?

MARO
MARO // can you see me?

Para nosso deleite, MARO regressou este ano aos trabalhos de longa-duração com can you see me?, garantindo-nos uma despedida de verão mais que perfeita. Tal como um abraço num dia onde a melancolia invade os nossos corpos, é assim que nos sentimos a ouvir o seu mais recente trabalho discográfico. São 14 faixas em que o indie, o R&B e o trap se conjugam num universo pop. Num registo introspectivo com o qual já nos tinha vindo a habituar, embora mais consciente e mais enérgico, can you see me? é um disco com uma aura luminosa encaixada em sentimentos como serenidade e confiança, que são essencialmente espelhados pela forma como MARO pronuncia os seus versos. É um álbum em que a produção é bem caprichada, de uma extraordinária qualidade, com uma energia altamente cinemática e, de certa forma, medicinal, neste que é um dos trabalhos mais ambiciosos de MARO até à data.

– Ana Margarida Paiva

Lê também: Entrevista com MARO

Papillon – Jony Driver

Papillon - Jony Driver
Papillon // Jony Driver

Foi em 2018 que vimos nascer, o que viria a ser, um dos álbuns mais celebrados e aclamados dessa década – e sejamos sinceros, da história do hip-hop tuga. Deepak Looper foi o álbum de estreia do rapper de Mem Martins – e integrante dos icónicos e agora findados GROGNation -, Papillon. É com as mesmas valências de Deepak Looper, e com um evidente acréscimo na ambição, que se acaba por nutrir o seu sucessor, Jony Driver. Aqui a viagem é ao passado com ambição de compreender o presente e vontade de visionar uma melhor versão de si mesmo no futuro. Papillon afirma-se como um dos melhores contadores de histórias que temos, com Jony Driver a fazer-se sentir como um épico, uma obra cinematográfica bem detalhada e que, à semelhança de um bom filme Kaufman-esque, a cada audição descobrimos sempre algo novo. Esta dramaturgia sonora é acompanhada por muita curiosidade por parte Papillon em aventurar-se estilisticamente, vagueando pelo que se tem vindo a fazer pelos seus contemporâneos e muito bem acompanhado por uma assembleia invejável de produtores – Charlie Beats, que assume o maior número de colaborações, Slow J (que produziu executivamente Deepak Looper), Juzicy, Holly, Fumaxa, Nadav e Boss AC (o próprio Papillon mete as mãos na massa também) -, contando ainda com a colaboração de Silly numa faixa. Quanto a todos os significados, Papillon dá uma de David Lynch e deixa ao critério de cada um tecer a interpretação que bem entender – e ainda bem, mais interessante e motivador será ouvir esta bela obra, que certamente, não será esquecida no panorama musical português.

– José Duarte

Pedro Branco – A Narrativa Épica do Quotidiano

Pedro Branco - A Narrativa Épica do Quotidiano
Pedro Branco // A Narrativa Épica do Quotidiano

A Narrativa Épica do Quotidiano, para além de um imenso disco, é candidato ao melhor título e capa do ano. Fera da guitarra que é, são várias as bandas que Pedro Branco figura enquanto membro e inúmeras as colaborações que assina, mas é neste disco que o podemos ver a solo pela primeira vez. São 12 as canções que carregam melancolia e espirais sonoras na guitarra acústica, estrela do álbum. As canções abrem-se em si próprias, partilhando o refúgio que elas próprias foram durante os tempos mais conturbados da pandemia. Um sorriso tímido entrevê-se na canção de abertura, ‘Vira-Lata’, o sossego revirado toma conta em ‘Carta a JMB’ e a revisitação dos temas ‘Lisboa’ e ‘Norman’ (do disco Dancing Our Way to Death) pisca o olho ao passado. A guitarra é rainha, mas não falha a voz: Branco brinda-nos com ela em ‘Cinco Minutos’ – que partilha com Noiserv –  ‘Faixa Certa’ e ‘Composição da Fuga‘ – com Tipo. A Narrativa Épica do Quotidiano reclama a proeza de acalmar sem mostrar lassidão, atribuindo a Pedro Branco lugar no pódio no que toca as melodias imperturbáveis. 

– Kenia Nunes

Pongo – Sakidila

Pongo - Sakidila
Pongo // Sakidila

Mesmo quem não conhece Pongo, à partida saberá de quem se trata. Não é preciso muito mais que mencionar ‘Wegue Wegue’ para que se murmure um som de aprovação. A verdade é que a rapariga tornou-se mulher e encontrou o seu som: Baia (2019) é o debut excitante em nome próprio onde a artista narra maleitas de amor e o amor ao kuduro; seguiu-se o EP Uwa, que deixou bem claro ‘Quem Manda no Mic’. Em 2022, Pongo regressou. Sakidila é composto por 12 canções que fazem jus ao autoproclamado título de rainha do kuduro. Reapresenta a já conhecida e a dolorosa ‘Kuzola’, entrega uma nova roupagem, inteiramente sua, ao clássico ‘Wegue Wegue’, e dá a conhecer a sua energia visceral que ressoa em todo o disco. O efeito de ‘Bruxos’ ou ‘Começa’ é quase sobrenatural e até a anca mais desajeitada é levada ao mexe-remexe que a potência de Pongo exige. 

– Kenia Nunes

Rita Borba – Lá Fora

Rita Borba - Lá Fora
Rita Borba // Lá Fora

Em 2021, Rita Borba estreava-se nos lançamentos com os singles ‘Chá das Cinco’ e ‘Até Três’, o que foi suficiente para lhe garantir um lugar na lista dos artistas revelação desse ano aqui no burgo. 2022 foi então o ano de lançar o seu aguardado longa-duração, Lá Fora, que conta com a produção de Pedro de Tróia e Tomás Branco. Viajamos até este Lá Fora ao combustível de uma new wave que alimenta esta pop doce e reconfortante que funciona como um constante e eterno abraço que só acaba quando cai a última nota deste disco. A voz de veludo de Rita Borba adorna os nossos ouvidos e as melodias plácidas e serenas funcionam como um quente chá de inverno, agora se é preto, branco ou de alecrim, vermelho, verde ou de jasmim? Não interessa, desde que nos seja servido por Rita. A artista açoriana não se cansa de cantar refrões orelhudos e faixas altamente tocantes, acabando por ser difícil encontrarmos um projeto que seja tão bonito e fofo como este aqui, em 2022. Uma overdose de ternura e requinte, numa pop esbelta trazida do fruto da simbiose de Rita, Pedro de Tróia e Tomás Branco. E não se esqueçam: “Tens de ir para outro lugar/Ir atrás do que mais gostares”.

– José Duarte

Salto – Língua Afiada

Salto - Língua Afiada
Salto // Língua Afiada

Salto são Guilherme Tomé Ribeiro, Luís Montenegro, Filipe Louro e Gil Costa, autores de Língua Afiada, disco que marcou o nosso 2022. Editado pela Cuca Monga, o disco apresenta-nos o quarteto crescido. Não faltam as descrições de “pop adolescente” imprensa-fora para descrever o som de Salto até Férias de Família (2018). Em Língua Afiada, deixam de lado o cunho de “putos”, mas não deixam cair os ritmos divertidos e a prosa perspicaz que sempre os destacou. Fazem referências ao passado, dão as boas-vindas à vida adulta com palavras que marcam e ritmos que se desdobram em melódica pop triunfal. Há resquícios dos anos ’70 em canções que pedem bola de espelhos, há a prisa de palavras rápidas que trazem laivos de Jafumega e que fazem sobressair a inteligência da rima. Língua Afiada é o título perfeito para o disco que Salto apresentam: colorido, eufónico e caprichado, semeia bonança aos que com eles cresceram e aos que agora os descobrem.

– Kenia Nunes

Surma alla

Surma // alla

Débora Umbelino (aka Surma) está de volta com alla e mais uma dose de experimentações sensoriais, mas desta vez sem quaisquer barreiras e com um propósito diferente. Cabrita, Victor Torpedo, Selma Uamusse, Ana Deus, João Hasselberg, Pedro Melo Alves, Noiserv, Ecstasya, Joana Guerra e Angélica Salvi juntaram-se à festa. alla é uma experiência sonora que não se esquece (ao vivo o mesmo acontece, somos testemunhas!). Ora pela forma como Surma serve num prato bem quentinho temáticas urgentes e necessárias em prol de si e de quem a ouve, descortinando o seu estado mais vulnerável. Ora pela sonoridade que parece resgatada de um plano transcendental e utópico. Cada nota, cada som e cada batida criada apodera-se dos nossos corpos como uma avalanche, resultando num misto de sensações que nos engolem vivos. alla é assim suficiente para preencher qualquer vazio. Daí, honestamente, nos faltar sempre palavras para descrever este mundo novo que Surma criou e do qual, felizmente, nos deixou fazer parte. Se durante todos estes anos a sua versatilidade nunca foi posta em causa, agora muito menos. Surma é sinónimo do melhor que se faz em Portugal. 

– Ana Margarida Paiva

Travo – Sinking Creation

Travo - Sinking Creation
Travo // Sinking Creation

Sinking Creation é o nome do segundo álbum dos bracarenses Travo, grupo formado por David Ferreira, Gonçalo Carneiro, Gonçalo Ferreira e Nuno Gonçalves, que conta com o selo da gig.ROCKS!. É à maré deste mundo distópico coberto de vastos oceanos, inspirado pelo romance de ficção científica de 1966 de Jack Vance, The Blue World, que pelo meio destas criaturas divinas e míticas chega o rock psicadélico dos Travo para nos levar nesta odisseia pelo meio deste mundo azulado. Nesta odisseia dramatúrgica sonora, os Travo dão-nos a conhecer o mundo de Jack Vance com muita pujança e eletricidade, com os seus riffs sonantes e psíquicos e os traços e tropos de doom e stoner a apimentarem a experiência. Sinking Creation vai-se esculpindo com tamanha consistência e mantêm-nos acorrentados neste universo durante os 54 minutos de duração. Soando como uma mistura entre King Gizzard & The Lizard Wizard, King Crimson e Soft Machine, os Travo conseguem destacar o seu som pela forma mística e aventureira com que regem as suas performances. Resta-nos boiar neste mundo azul enquanto ouvimos os malhões deste Sinking Creation.

– José Duarte

UAU, OK – Dark Hours and Lonely Flowers

UAU, OK - Dark Hours and Lonely Flowers
UAU, OK // Dark Hours and Lonely Flowers

UAU, OK é o resultado de dois amigos que se conheceram a fazer filmes. Vasco Ruivo, que também mergulha no mundo das guitarras – trabalhando com nomes como Papillon, para o qual também já realizou videoclipes – e Danny G (coprodutor de ‘Nada a Esconder’ de Slow J), que depois de quase um ano a deitar singles cá para fora, lançaram a sua estreia nos longa-duração com Dark Hours and Lonely Flowers. A música em Dark Hours and Lonely Flowers é desesperante, um autêntico sofrimento perfeito que se rege pelo pranto magoado que advém da infelicidade e do sofrimento de estar vivo. Com uma revolta e agressividade perpetuada no núcleo do disco, com estas performances cínicas e melodias melancólicas, os UAU, OK atingem qualquer um que se ouse carregar no play, seja pelas guitarras orelhudas ou pelos 808s pujantes, há algo de hipnótico e extremamente aliciante na música destes dois. É o resultado de uma conversa interpolada por copos de whisky entre um já falecido Arthur Schopenhauer e um frustrado Tom Waits pronto para retirar o 21.º cigarro do já inquantificável maço e jogar-se ferozmente ao piano para fazer brotar uma nova onda musical. Um dos projetos mais inventivos e intrigantes de 2022.

– José Duarte

You Can’t Win, Charlie Brown – Âmbar

You Can't Win, Charlie Brown - Âmbar
You Can’t Win, Charlie Brown // Âmbar

Seis anos separam Marrow de Âmbar, o marco de uma nova etapa na vida do grupo You Can’t Win, Charlie Brown. O sexteto atualmente composto por Afonso Cabral, David Santos, João Gil, Pedro Branco, Salvador Menezes e Tomás Sousa aventura-se, em Âmbar pelas ondas da língua portuguesa, navegando nas suas infinitas possibilidades. Com os singles ‘Magnólia’ e ‘Celeste’ em alta rotação, o disco segue uma linha programática que começou como brincadeira mas acabou por se firmar: os títulos das canções, escritas ao longo dos últimos cinco anos, têm duplo sentido podendo, entre outras leituras, ser vistos como nomes de mulheres. A ternura que normalmente se associa ao feminino vem ao de cima nas vozes e instrumentos destes seis homens que dominam com maestria a arte da delicadeza ao afastarem-se ligeiramente do rock que nos trouxe canções como ‘Joined By the Head’ ou ‘Pro Procrastinator’  à medida que se aproximam, em tema, às pequenas vitórias e derrotas do quotidiano.

– Kenia Nunes

 

Espalha-Factos juntou as 30 canções destacadas no artigo numa playlist do Spotify. Podes ouvi-la aqui.

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