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Surma
Fotografia: Divulgação

À Escuta. Surma, Luísa Sobral e Da Chick são os destaques desta semana

Finda mais uma semana e isso traz na sua brisa mais uma edição do À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos sobre música portuguesa. Nesta semana, conferimos destaque ao regresso de Surma aos lançamentos, ao novo single de Luísa Sobral e ao novo disco de Da Chick. Falamos ainda dos primeiros LPs de Almirante RamosHerege, JepardsMalinwa e Palmers, de novos discos de Cristóvam, Hércules Tiago Vilhena, de novos singles de Conjunto Júlio, Du Nothin, Rainhas do AutoEngano e y.azz, da colaboração de Dino d’Santiago com Djodje e da estreia de MONA LINDA.

‘Islet’ assinala o regresso de Surma aos lançamentos

Cinco anos volvidos do excelente Antwerpen, disco de estreia de Surma, a prolífica compositora, intérprete, produtora e performer leiriense, prepara-se agora para desvendar alla, o seu segundo longa-duração – e que melhor forma de começar esta nova etapa para Débora Umbelino do que com esta incrivelmente bela ‘Islet’?

Palavras são difíceis de encontrar para descrever o choque de ouvir esta ‘Islet’ pela primeira vez. É um choque, belo, claro, uma confirmação daquilo que Surma é capaz de fazer, uma evolução de muitas das explorações sonoras realizadas ao longo de Antwerpen. É art pop sem medo de explorar diferentes sonoridades, ambiências, moods, sempre com a vanguarda e a libertação na proa deste barco que nos guia entre um lado vulnerável que, ao mesmo tempo, nos oferece uma força que nos permite continuar. É a busca da identidade sonora e, ao mesmo tempo, a confirmação da própria identidade da artista, com toda a bagagem que isso pode trazer – esta letra é para bem escutar.

‘Islet’ é uma faixa que também nos permite abrir asas à imaginação – o excelente teledisco em colaboração com a CASOTA Colective também ajuda nisso. As paisagens oníricas da faixa perdem-se entre o som de uma Islândia distante (não conseguimos tirar da cabeça os Sigur Rós ou uma Björk em muitas das paisagens desta faixa que se aproximam do pós-rock) e um quotidiano tão perto, a lembrar algumas das explorações mais recentes pela contemplação de Bonobo, quase como se de uma performance de dança contemporânea se tratasse – os ritmos e vocalizações assim o permitem. É banda sonora ritualística, contemplativa, mas sempre efervescente, com cada nova secção da música que surge a trazer algo de novo e excitante até nós. O choque, aqui, portanto, é mais do que bom: é algo que queremos (e precisamos) de alcançar mais vezes.

Restam zero dúvidas de que, logo à partida, ‘Islet’ é uma das canções do ano. Se aquilo que Surma tiver para oferecer em alla tiver o calibre desta ‘Islet’ – e temos poucas dúvidas, tendo em conta a qualidade de Antwerpen, que assim será – então temos em mãos um dos discos mais excitantes do ano. 

Só queremos que chegue dia 4 de novembro para que se possa escutar este alla, que conta – claro está – com selo da Omnichord Records.

– Miguel Rocha

Luísa Sobral está de regresso com ‘Gosto de Ti’ em antecipação do seu novo álbum

Luísa Sobral está prestes a lançar o seu sexto álbum de originais. O primeiro single de avanço, ‘Gosto de Ti’, chegou-nos aos ouvidos esta semana e pode-se dizer: é uma autêntica lufada de ar fresco.

Luísa Sobral - Gosto de Ti
Fotografia: Divulgação

Contando com produção de Tó Brandileone, ‘Gosto de Ti’ é uma belíssima canção pop, onde a sensibilidade e delicadeza de Luísa se revela transcendente em todos os segmentos (aliás, não poderíamos esperar outra coisa). Sejam os suaves e minuciosos arranjos, a apaixonante e ternurenta letra ou a sua sedutora performance vocal: tudo nesta faixa equivale a um gigante abraço sonoro. Tudo isto feito com uma meiguice muito própria, a transbordar personalidade e carisma. O resultado final é uma canção tão leve, fresca e deslumbrante, que torna-se praticamente inevitável “gostar” do que ouvimos. 

Um belo primeiro vislumbre para revelar “a natureza solar e expansiva deste novo trabalho da compositora, bem como a sua urgência pela celebração do amor em tempos de guerra”. Digamos que não sabíamos o quanto precisávamos disto até ouvir. DanSando, o novo longa-duração de Luísa Sobral, será lançado no próximo dia 21 de outubro.

– Ana Margarida Paiva

Agora sim! Estamos em boa companhia com o novo álbum de Da Chick

Dez anos depois da sua estreia nos longa-duração com Curly Mess , sete anos depois de Chick to Chick e dois anos depois de conversations with the beat, Da Chick regressa aos trabalhos discográficos com o bastante aguardado Good Company.

Da Chick - Good Company
Fotografia: Divulgação

Depois de já termos provado o sabor dos singles altamente sumarentos e híper dosados em grooves hipnoticamente dançáveis, chega-nos a sua companhia com as restantes canções que culminam nestas 11 faixas que emanam muito amor e energia positiva durante os pouco mais de 38 minutos. A verdade é que escutando os singles de antecipação ‘Funk You Want’, ‘New Day’, ‘Imaginação’, ‘Pressure’ e, por fim, ‘Positivity’, já era expectável que Good Company ia navegar pelas ondas do funk, soul, R&B e hip-hop, saltando de camada em camada onde cada um destes géneros vai pintando pedaços grandes desta tela que termina colorida e vibrante. É como se tivéssemos um Guru misturado com um Ye da era de College Dropout a beber muito da inspiração de nomes como Erykah Badu, Lauryn Hill ou até mesmo de uns De La Soul, tudo isto regado com fios jazzísticos que glorificam a aura deste projeto. É difícil não nos perdermos em pastilhas como ‘Amor ao Mar’ e os seus sintetizadores e melodias aliciantes, ou então em faixas como ‘Lowretta’, que mais podia ser um momento retirados de um To Pimp a Butterfly

Em comunicado a artista conta-nos: “Este disco tornou sonhos realidade, como poder ter o master Melo D numa música produzida por mim. E todos os outros participantes, por quem tenho muito carinho e respeito tornaram este disco um verdadeiro sonho. É o meu disco mais completo, recheado e coberto, com tudo a que tenho direito. É bom ter chegado aqui.”

O disco conta com a apresentações ao vivo nos dias 3 e 12 de novembro no Porto, no B.leza e no Passos Manuel, respetivamente. Good Company conta ainda com o carimbo da Discotexas.

– José Duarte

Almirante Ramos mostra-se Fiel ao Romance

Há sensivelmente um ano, Almirante Ramos revelava, em entrevista ao Espalha-Factos, as primeiras luzes sobre aquele que viria ser Fiel Ao Romance, o seu primeiro longa-duração em nome próprio. Depois do “meio-disco” Cinco Canções, que nos permitiu vislumbrar o imaginário e a essência de Pedro ‘Almirante’ Ramos, Fiel ao Romance surge como um mergulho introspetivo ainda mais profundo num exercício onde a aura nostálgica parece reinar.

Almirante Ramos - Fiel ao Romance
Fotografia: Bandcamp do artista

Introdução, desenvolvimento, conclusão: um mantra que ecoava das vozes professoras da Escola Primária e que mantém-se escudeiro indispensável na arte de contar histórias. E penso ser disto que se trata Fiel ao Romance – de balada em balada, de Marvila a Nova Iorque e à casa dos avós, Almirante Ramos arquiteta entre sintetizadores e um timbre inconfundível uma história de amor onde o Verão serve de pano de fundo. 

Escava-se a pop portuguesa e trazem-se melodias que fazem lembrar Capitães de Areia (da altura do Verão Eterno) e clássicos da Amor Fúria e Rita Borba entra na última canção, ‘Noite de Verão‘, trazendo na voz doce a melancolia da despedida. Com produção, arranjos e mistura de Gagliardini Graça e edição pela FlorCaveira, Fiel ao Romance é apresentado ao vivo no dia 14 de outubro no Titanic Sur Mer, em Lisboa

– Kenia Nunes

Conjunto Júlio nos versos de ‘Ninguém

Ninguém é o novo single do Conjunto Júlio, quarteto formado por João Maria Gorjão, Tomás Simões, Francisco Sanona e Sérgio Nicolau. Em março deram os primeiros passos com o lançamento de ‘Achado‘, com o qual deram início a uma nobre missão: musicar, retraçando com a adição de camadas energizantes, os poemas absortos da língua portuguesa. ‘Achado’ adaptava Os Colombos, poema de Fernando Pessoa que pode ser encontrado na II Parte de Mensagem, o tomo incontornável da obra de Pessoa. 

Desta vez, é Luís de Camões que empresta ao Conjunto Júlio o poema ‘A dor que a minha alma sente‘ e são eles os grandes responsáveis pela reviravolta: o melodrama lírico de Camões transforma-se, e a discrição da letra choca com o transbordar groovy que ecoam das guitarras. Ouve-se um quê de The Temptations e Steely Dan nas guitarras de Gorjão e Sanona e, para fechar com chave de ouro, uma jam ao piano. 

Ninguém‘ é o único single de antevisão ao EP de estreia Só Mais Um Júlio, que apresentarão no dia 19 de outubro no Musicbox, em Lisboa, e que conta com abertura de Bonança.

– Kenia Nunes

Já se pode ouvir o segundo álbum de originais de Cristóvam

Já estão cá fora as 12 faixas que constituem o novo longa-duração de Cristóvam, sucessor de Hopes & Dreams (2018). Lançado sob a alçada da V2 Records, Songs On A Wire conta com Tim Hart (Boy & Bear) na produção.

Cristovám - Songs On A Wire
Fotografia: Divulgação

Ouvir Songs On A Wire é como receber um abraço ternurento, quer seja pela sua autenticidade, quer seja pela sua ambiência pura e descontraída. Bastante sonhador e caloroso, muito amoroso e colorido, Cristóvam abraça a estética pop, ao longo de 43 minutos, juntando-lhe umas pitadas de folk e blues ali e acolá, trazendo à baila nomes como Hollow Caves ou Austin Basham. Durante esta viagem sonora, é a guitarra que fala mais alto e tudo à sua volta cria um palco orgânico para que estas belas composições iluminem o caminho para a simplicidade do artista se fazer mostrar neste conjunto de canções. Que belíssimo disco, digamos. 

O próprio afirma o seguinte: “Em termos estéticos, este é um disco que procurou ser o mais cru possível, e apesar de não ter sido gravado em ensemble, está muito despido ao essencial e sem praticamente edits do que quer que seja. A própria mistura foi analógica para imprimir ainda mais essa estética menos polida, e essa foi um pouco a nossa premissa: fazer um disco descomplexado, sem grandes camuflagens ou floreados, em que as canções fossem o principal foco de atenção” .

– Ana Margarida Paiva

Lá Fora‘ marca colaboração entre Dino d’Santiago e Djodje

É oficial: Dino d’Santiago é absolutamente imparável. Por entre prémios e uma nova aventura enquanto mentor do The Voice Portugal, o artista cabo-verdiano junta-se ao conterrâneo Djodje em Lá Fora

Marcado por um passo mais lento e cantado inteiramente em crioulo, o single vem recuperar as tradições e dinâmicas antigas dos habitantes das zonas mais rurais de Badiu, na Ilha de Santiago, apelidados precisamente de “lá fora” considerados injustamente de pessoas “brutas, rude, de uma fala agressiva”, imagem que Dino e Djodje pretendem desconstruir. Assim, Dino d’Santigo clama esta homenagem a todos os que vêm de “lá fora”.

– Kenia Nunes

‘Fashionable Late’ é o novo single de Du Nothin

Quem é o Du Nothin, pergunta-se? Ora bem, Du Nothin é o novo projeto de Duarte Appleton e esta semana brindou-nos com um novo tema, ‘Fashionable Late’ (sucessor de ‘Hold Your Hand’), que é definitivamente de ouvir e chorar por mais. 

‘Fashionable Late’ é uma canção que tanto soa a um rock dos anos 60, influenciado por uns Beatles ou por um Elvis Presley, como também soa a um indie rock dos inícios dos anos 2000, lembrando grupos como Arctic Monkeys. Soa eletrizante, jovial e orelhuda, os arranjos musicais rompem numa espécie de crescendo em que tudo se vai fundindo em perfeita harmonia, culminando num clímax que faz crescer dentro de nós uma vontade incessante de dançar – onde quer que estejamos. Em suma, toda a dinâmica da canção é capaz de nos atrair de forma constante e o refrão é daqueles para cantarolar bem alto. Depois disto, é certo que ficamos com a pulga atrás da orelha sobre o potencial que este Du Nothin terá dentro de si. Que venham mais lançamentos. 

– Ana Margarida Paiva

Metamorfose Paradoxal é o nome do primeiro disco de Herege

No início de 2022, tivemos a oportunidade de escutar Marco Dias (aka Herege) em vigairada, projeto que dividiu com DoisPês e gonsalocomc. Agora, uns quantos meses voltados, e Herege surge a solo com Metamorfose Paradoxal, um impressionante disco de estreia que, por entre colaboradores como os nomes já mencionados ou Dualus, bedhop, ou Sina em Órbita (só para mencionar alguns nomes), se revela na sua jovialidade e nas suas máximas de criatividade – “fazer arte pela arte”, como indica em ‘Morte do Relógio’, a belíssima faixa que fecha o projeto.

Herege - Metamorfose Paradoxal
Fotografia: Spotify do artista

Ao longo de Metamorfose Paradoxal, vamos sendo convidados a entrar no universo de Herege. Contudo, ao contrário do que o nome indica, aqui não existem heresias – apenas pura e forte devoção ao hip-hop, à colaboração, ao sampling. Às barras que, em estilo, lembram-nos um pouco Nerve. Aquilo que vamos escutando enche-nos o peito e, palavra de honra, deixa-nos profundamente excitados – a música de Metamorfose Paradoxal tem muito que lhe diga. É fragmentária, abstrata por natureza a la Madvillainy, complexa na sua experimentação, surpreendente na forma como vai-nos fazendo explorar o mundo de Herege.

As faixas de Metaformose Paradoxal são edgy e agressivas em entrega, mas sempre melódicas – nota-se que, por aqui, habitam fãs de Earl Sweatshirt. Bangers como ‘Rotinaz’ (que beat maravilhoso…), ‘Insónia’, ‘Diálogo com O Silêncio’, ‘(a)Deus Eros’ ou ‘Cegueira’ são apenas alguns exemplos a mencionar do vasto leque de sonoros que podemos escutar neste disco que, na sua globalidade, é uma caixinha de surpresas que, quanto mais escutamos, mais parecemos ter a certeza que nos chegou às mãos um dos mais fascinantes projetos de hip-hop português do ano. 

Não sabemos muito bem o que p “ensemble” anda a dar de comer à malta, mas pelos sons que o coletivo (podemos chamar coletivo? comunidade?)  andam a meter cá fora… Revelem o vosso segredo, camaradas. On fire.

– Miguel Rocha

Clube de Recreio é o regresso dos Hércules aos longa-duração

Quatro anos depois de realizarem as suas Tarefas Modernas, os Hércules estão oficialmente de regresso ao longa-duração com este Clube de Recreio que, além das contribuições dos membros da banda – Alexandre Guerreiro (letras, voz, guitarra), David Simões (teclados), Dusmond (baixo), Humberto Dias (bateria) e Pedro Puccini (guitarra) -, conta com a ajuda de Luís Catorze nos teclados e arranjos e de Diogo Rodrigues (aka Horse) nas percussões, produção, gravação e mistura do disco.

Hércules - Clube de Recreio
Fotografia: Divulgação

É com os singles com que os Hércules regressaram dos mortos – ‘Só Quero’, ‘OK, Poser’ e ‘’Tás a ir Bem’ – que Clube de Recreio abre as suas hostilidades. Curioso que, ao ouvir ‘OK, Poser’ separada das outras faixas, parecia um pouco perdida, mas inserida no contexto do disco, percebe-se a sua semelhança às outras duas canções – é uma faixa de ligação (e, portanto, uma escolha estranha para single, mas que importa isso agora?). Sobre ‘Só Quero’ e ‘’Tás a ir Bem’, já escreveu-se por aqui o suficiente: são canções pop eficientes, e se como single já se revelava a sua capacidade enquanto pop chiclete, no disco confirmam. São dois dos highlights do álbum, a par de ‘Super-Nites’, a demonstração máxima deste Clube de Recreio dos Hércules enquanto criadores da canção pop – aquele refrão e groove não enganam.

Contudo, na procura dos Hércules pela sua essência pop, há algo que se “perde” desde Tarefas Modernas. O lado mais psicadélico e cru do grupo surge mais escondido em Clube de Recreio, sendo substituído por alguns cuca monga-ismos (nota-se que o disco foi produzido pelo Horse, sim!) que, se funcionam certamente na direção dada aos Hércules em busca do seu lado pop, deixam-nos a coçar a cabeça, em alguns momentos, de onde estão os Hércules de Tarefas Modernas

Ok: Tarefas Modernas já tinha, por quão psicadélico soava, uma sensibilidade pop, um ouvido bem afinado à melodia e à harmonia. Não é surpresa nenhuma que, ao procurar o seu lado mais pop, os Hércules revelam-se como bons criadores do refrão orelhudo , como exploradores bem determinados do divertido (‘Sem Guita’ ganha muito nesse campo), mas sem nunca esquecer o lado meloso e romântico que marcava a sua música, como bem escutamos em ‘Mel’ ou ‘Paranóia’ (a última mencionada, em particular, é um dos destaques do álbum).

De certa forma, Clube de Recreio soa, em uns quantos pontos, uma evolução de Tarefas Modernas por soar mais slick e limpo, a aproveitar-se das melhores capacidades dos Hércules enquanto banda. Todavia, por outro lado, aquilo que se perde no caminho é alguma diferenciação face a outros grupos portugueses e, especialmente, ao indie lisboeta. Aquilo que distinguia tanto os Hércules continua lá, mas surge de forma muito mais escondida e, por quão eficiente as canções de Clube de Recreio consigam ser (como todo, o disco é muito sólido, mas podemos aferir que falta um pouquinho de variação em momentos na sua palete de som), o álbum deixa-nos com mais questões sobre o estado atual do indie lisboeta do que com resposta face ao caminho traçado pelos Hércules entre 2018 e 2022. 

Enquanto essas considerações não são todas afinadas, dance-se – e os Hércules, nisso, têm muitos miminhos para nos ajudar nessa tarefa neste Clube de Recreio.

– Miguel Rocha

Os Jepards estreiam-se com toda a pujança em A Study on the Behaviors of the Inebriated

Em 2018, os Jepards, quarteto de Braga formado por António Dantas (guitarra, voz), Carlos Afonso (guitarra), Dany Silva (baixo) e Zé Pedro (bateria), lançaram Okay, Alright!, um muito interessante EP de estreia onde a banda se afirmava como um nome para o futuro no rock de garagem português. Quatro anos volvidos, os Jepards apresentam agora o seu LP de estreia, A Study on the Behaviors of the Inebriated, um trabalho discográfico que vai além da confirmação do seu potencial enquanto banda: ativamente, eclipsa-o. 

Jepards - A Study on the Behaviors of the Inebriated
Fotografia: Divulgação

Admitimos que, apesar de gostarmos de Okay, Alright!, é um EP que usa as suas influências de forma baEm 2018, os Jepards, quarteto de Braga formado por António Dantas (guitarra, voz), Carlos Afonso (guitarra), Dany Silva (baixo) e Zé Pedro (bateria), lançaram Okay, Alright!, um muito interessante EP de estreia onde a banda se afirmava como um nome para o futuro no rock de garagem português. Quatro anos volvidos, os Jepards apresentam agora o seu LP de estreia, A Study on the Behaviors of the Inebriated, um trabalho discográfico que vai além da confirmação do seu potencial enquanto banda: ativamente, eclipsa-o. 

stante evidente, mesmo que a banda as trabalhasse com uma abordagem à melodia e à pujança própria que serve, agora, de muita base às canções mais maduras deste A Study on the Behaviors of the Inebriated, mas que não esquecem a sua jovialidade. 

Nestas explorações das festas e da inebriação, os Jepards apresentam banda sonora adequada às ocasiões. É música que nos permite dançar e moshar à moda do rock de garagem do Norte – destaque para faixas como ‘Numbed Out Conversations’ ou ‘Syncopated Tunes’ nesse aspeto -, contemplar psicadelismos melancólicos (‘Naughty Behaviors’, ‘I Think I’m Talking Way Too Much’ ou a fenomenal ‘Wine House’ a fechar o álbum) ou, então, simplesmente, lançar-nos à libertação punk, próxima de uns shame, como escutamos em ‘This Frown’. Destaque, já agora, também para o som de todo o disco: as guitarras soam nítidas nos seus belos riffs e solos pompeantes, enquanto a bateria e o baixo têm um som adequado ao estilo, cheios de pujança no low end, prontos a guiar-nos os movimentos rumo à dança sem fim – props ao Rafael Silver pelo seu papel nesse processo.

Escutar A Study on the Behaviors of the Inebriated do início ao fim é uma viagem cheia de recompensas, com cada faixa a querer-nos fazer escutar mais do que aí vem dos Jepards. É crime se acharmos que este disco é o álbum de rock português do ano? É que nos está a parecer que sim… Não estávamos à espera disso, mas também estamos aqui para sermos surpreendidos – kudos a estes rapazes de Braga por o fazerem com este disco.

– Miguel Rocha

Malinwa traz 1997, o seu disco de estreia

1997 é o nome que assinala a estreia nos longa-duração de Malinwa, alter-ego do leiriense Hugo Santos. Trata-se de uma coleção de oito sensacionais cantigas, que contam com produção de Pedro de Tróia, bem como com o contributo de Adriana Lisboa na coprodução, gravação e mistura, Luís Pereira na bateria e Tiago de Sousa na masterização. “Uma assombrada e luminosa história autobiográfica”, lê-se em comunicado.

Malinwa - 1997
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A voz de Malinwa soa bela e etérea, tal como os instrumentais que vão sendo trabalhados ao longo de 27 minutos, onde guitarras e teclados são servidos à descrição, ecoando uma atmosfera altamente onírica. É caso para encostar a cabeça para trás, fechar os olhos, relaxar e deixar-nos ir. 1997 é um disco que se faz acompanhar por uma capacidade de aquecer corações neste outono, mas que contrasta com um conjunto de letras que invoca uma certa melancolia. 

É neste tom que Malinwa nos apresenta um projeto sólido e consistente de indie português, sendo suficiente para nos induzir uma considerável quantidade de hype para o que se avizinhar. 

– Ana Margarida Paiva

‘sr. robado’ é o primeiro vislumbre da aventura a solo de Edgar Correia

Conhecemos Edgar Correia principalmente dos seus contributos como metade do Conjunto Corona, mas a sua história na música já prossegue com mais capítulos além do grupo que partilha com dB: Raiz Urbana, Ollgoody’s, Roulote Rockers, L’s Kitchen. Agora, o artista mais conhecido por Logos vai abrir um novo capítulo no seu enredo musical, a solo, com o alter-ego de MONA LINDA‘sr. robado’ é o tema de estreia e o primeiro vislumbre de leonardo, título do disco de estreia de MONA LINDA.

MONA LINDA
Fotografia: Divulgação

Em ‘sr. robado’, encontramos uma faixa que puxa influências do hip-hop dos anos 90, onde a bateria e os sintetizadores jogam numa espécie de trip hop abstrato, criando uma ansiedade miudinha constante ao longo da música. Diga-se, este tipo de sonoridade é um habitat fértil para o flow e escrita de Logos (as referências portuenses e o humor estão lá), capturando a energia de um sítio específico do Porto (o Senhor Roubado) onde peripécias da vida – uma carteira perdida, neste caso – servem de catalisador ao mood da faixa e ao pen game de Logos.

Se houver mais como esta ‘sr. robado’ escondidas em leonardo, teremos certamente um grande projeto de hip-hop à nossa frente. Apontem a data de lançamento: 21 de outubro, com selo Biruta Records. Além de Logos, leonardo conta ainda com coprodução de zé menos e com participações de de Presto (Mind da Gap) e Tricla.

– Miguel Rocha

Seasonal Affective Disorder é o longa-duração potente de estreia dos Palmers

Depois de em 2018 terem lançado Younger Days, o curta-duração de estreia, seguido de Running Thoughts (2019), o seu segundo EP, 2022 marca o ano em que os Palmers, trio caldense formado por Cláudia Brás, Raquel Custódio e Vasco Cavalheiro, se apresentam pela primeira vez em formato de longa-duração. Seasonal Affective Disorder é o nome do disco que podemos definir, de forma sucinta, da seguinte forma: uma coleção de nove bangers estridentes, energéticos e irreverentes. 

Palmers - Seasonal Affective Disorder
Fotografia: Divulgação

Segundo comunicado enviado à imprensa: “Seasonal Affective Disorder é um tipo de depressão relacionada com as mudanças de estação. Esse tornou-se o mote para este álbum, em que a escrita e composição foram terapia para superar adversidades pessoais”.

Em Seasonal Affective Disorder, os Palmers fazem dos instrumentais a sua maior arma, colocando-os no centro das atenções. Estes soam altamente eletrizantes e aventurosos, o termo eclético pode ser muito bem utilizado para descrever a amplitude musical que o trio apresenta neste trabalho. São 34 minutos marcados por riffs de guitarra rasgados e ruidosos (conseguimos sentir influências de uns DIIV ou de uns Sonic Youth), sintetizadores dissonantes, batidas palpitantes e linhas de baixo transparentes. Claro está, não podemos desconsiderar as vozes pujantes (que fazem lembrar uma Siouxsie Sioux) que nos vão guiando nesta viagem sonora bem barulhenta, pois revela-se um ingrediente essencial para tudo isto soar a um estrondoso projeto de rock de garagem, com uns toques de pós-punk.

– Ana Margarida Paiva

Rainhas do AutoEngano e os altos e baixos do ‘Tinder

Todos sabemos a velha lengalenga. Qualquer solteiro que se preze já sentiu a pressão social – ou puro aborrecimento – e instalou aquela aplicação maldita que promete o match das nossas vidas. Só que não. EmTinder, as Rainhas do AutoEngano (Madalena Palmeirim, Natália Green e Kali Perez) desmascaram a aplicação e põem as questões que qualquer pessoa presa no loop infinito do swipe left se coloca: “como é que me vou saber se esta pessoa é o meu grande amor através de uma foto?” ou então, “a sério que esta é a única maneira possível de conhecer pessoas novas depois de um lockdown mundial?”. 

As Rainhas do AutoEngano procuram uma solução fácil entre as cordas dos cavaquinhos, violas e violões e o contraste de vozes ora doce ora furioso. Elas não gostam de corrida (válido!) e não têm um cão de companhia mas, mesmo assim, se a única opção é um match meia-boca de Tinder, se calhar o melhor é mesmo ficar sozinha. Nós, por aqui, concordamos.

– Kenia Nunes

Tiago Vilhena apresenta um conjunto de preenchidas Canções Mundanas

Canções Mundanas é o título do novo disco de Tiago Vilhena, artista que teve a sua estreia em 2017 com o disco Chill Wild Life; Portugal 2018 foi o disco que se seguiu e agora surgem este conjunto de oito canções que Vilhena apelida de mundanas que narram uma espécie de coming-of-age cantadas na sua língua materna. Aqui, anda-se por Lisboa em ‘A Sorte‘ e ‘Lisboeta‘, buscam-se personagens do cancioneiro da música popular portuguesa como ‘Etelvina‘, que conhecemos em 1974 em À Queima Roupa de Sérgio Godinho; visitamos ritmos africanos em canções como ‘Julinha‘ (onde se ouve também Elis), ou ‘Não Posso Ter Nada‘.

Tiago Vilhena - Canções Mundanas
Fotografia: Divulgação

Segundo o comunicado enviado à imprensa, com estas canções que emanam “uma aura colorida“, Vilhena busca “aligeirar os problemas e agradecer os sucessos sem que tenhamos de tornar-nos despreocupados pelo que requer dedicação“. Vontades, frustrações, ambições, paixões e personalidades – é disto que a matéria humana é feita, é disto que é feito a pop de Canções Mundanas.

– Kenia Nunes

y.azz apresenta o seu mais recente ‘DRIP’

Deu os primeiros passos no mundo da música em dupla com b-mywingz (aka Margarida Adão), culminando no disco de estreia colaborativo CYCLES. Munida de uma vontade inabalável de dar voz aos seus pensamentos, acabou por estrear-se a solo com o curta-duração Heartbreak Mistakes (sobre o qual o Espalha-Factos conversou com a artista). Estamos a falar de y.azz (aka Mariana Prista), que está agora de regresso com ‘DRIP’, novo single que abre caminho para um novo trabalho a ser editado no próximo ano.

y.azz - DRIP
Fotografia: Divulgação

“Quando comecei a escrever esta música senti que estava finalmente a assumir o meu alter-ego como uma parte válida de mim, e a perder o medo e a barreira que está sempre imposta pela vergonha de me expressar. Sinto que cada vez mais a minha arte vai de encontro ao que realmente quero dizer quando confio no meu instinto e acho até engraçado ver isto tão nitidamente refletido na letra”, revela a artista.

O que podemos esperar de ‘DRIP’ é aquilo a que y.azz já nos deixou bem habituados: uma ambiência suave e noturna que equivale a reconforto, com uma energia muito própria, seja nas letras ou na típica sonoridade do seu R&B, para além de nos brindar com um refrão orelhudo – daqueles que torna-se difícil tirar da cabeça. É uma canção marcada essencialmente pelas suas dinâmicas de ritmo, que são alimentadas por uns beats altamente contagiantes (atenta para as qualidades de YANAGUI aka Gui Salgueiro – enquanto produtor), mas sempre conferindo espaço para a poesia e doce voz de y.azz brilharem. ‘DRIP’ é uma experiência auditiva única e hipnotizante, que ativa todo o corpo – a groove está sempre presente. Deste banger pronto para colocar todos nós a dançar suavemente, retiramos o seguinte: queremos saber mais deste novo capítulo de y.azz. 

– Ana Margarida Paiva

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