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Fotografia: Queer Lisboa

Queer Lisboa. Vencedores internacionais continuam a celebrar a diversidade no cinema

Conhece os principais vencedores das competições da 26.ª edição do Festival Internacional de Cinema Queer Lisboa

O Festival Internacional de Cinema Queer Lisboa decorreu entre os dias 16 e 24 de setembro, no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa. Na sessão de encerramento, foram anunciados os prémios da Competição de Longas-Metragens, Competição de Documentários, Competição Queer Art, Competição de Curtas-Metragens e Competição In My Shorts de Curtas-Metragens de Escolas Europeias desta que foi a 26.ª edição do evento.

A obra Wet Sand, de Elene Naveriani venceu a Competição de Longas-Metragens. Segundo os jurados, o filme destaca-se pela “beleza inequívoca”, graças à “sobriedade da forma como desenvolve a escrita cinematográfica e aborda a temática da discriminação social, pela direção e desempenho dos atores, pela inteligência com que os temas musicais dialogam com o tempo do filme”.

A narrativa de Wet Sand tem lugar na Costa do Mar Negro da Geórgia. Depois de Eliko ser encontrado morto, a sua neta Moe “é confrontada com uma teia de mentiras e com as trágicas consequências da vida amorosa”  do avô, enquanto organiza o seu funeral.

Na Competição de Documentários, o prémio foi para Nuestros Cuerpos Son Sus Campos de Batalla, de Isabelle Solas. A obra apresenta uma Argentina “dividida entre um profundo conservadorismo e um impulso sem precedentes do feminismo”, acompanhando as vidas íntimas de Claudia e Violeta, “mulheres trans que se identificam como travestis” e lutam “contra a violência patriarcal”.

Os jurados destacam Nuestros Cuerpos Son Sus Campos de Batalla pelo “registo sensível e justo da luta diária de duas mulheres transgénero que se dedicam à ação direta, à transmissão das suas experiências e conhecimentos”, defendendo “a convergência das lutas contra as várias formas de dominação e discriminação”.

Neptune Frost, de Anisia Uzeyman e Saul Williams venceu a Competição Queer Art, graças à “extraordinária direção de arte”, sem esquecer a “visão crítica sobre a realidade contemporânea” e a forma como “catapulta” o público “para um espaço de liberdade e esperança dentro dos conceitos queer”, explica o painel de jurados.

Um “revigorante e poderoso download direto ao córtex cerebral” é a premissa de Neptune Frost, “uma chamada à ação para reclamarmos a tecnologia como arma de políticas progressivas”. A narrativa centra-se num grupo de fugitivos de minas de extração de minérios, responsável por formar “um coletivo anticolonialista de hackers”.

O vencedor da Competição Curtas-Metragens foi a obra portuguesa Uma Rapariga Imaterial, de André Godinho. A narrativa conta a história de Tiago, que encontra uma rapariga chamada João. “Ela vive isolada da sociedade, protegida do mundo exterior. João é uma rapariga imaterial, ela é o que quer ser, independentemente da sua idade, género ou cor de pele”, apresenta a sinopse.

Para a equipa de jurados, Uma Rapariga Imaterial é “uma curta-metragem que, de uma forma inequivocamente inovadora, através da ideia de comunidade, nos convida a pensar num futuro líquido, cada vez mais próximo”.

Le Variabili Dipendenti, de Lorenzo Tardella, foi considerada a melhor obra na Competição In My Shorts de Curtas-Metragens de Escolas Europeias. O projeto vencedor conquistou os jurados “através de uma linguagem excecional”,  apresentando, “numa pulsão entre dois adolescentes, a descoberta dos seus desejos mais profundos”.

A obra italiana apresenta Pietro e Tommaso, que “estão às portas da adolescência”. Depois do “primeiro beijo”, os dois amigos, “cercados pelo silêncio da casa”, tentam perceber o significado da sua amizade enquanto exploram o conceito de sexualidade.

Depois de dois anos com restrições impostas pela Covid-19, a 26.ª edição do Festival Internacional de Cinema Queer Lisboa acolheu “mais de 40 convidados internacionais”, vindos de países como o Chile, Estados Unidos, Brasil, Argentina, Espanha, Holanda, Reino Unido, França e Suíça, revelou a organização. Ao todo, mais de 6500 espectadores ocuparam as salas do Cinema São Jorge e da Cinemateca Portuguesa.

A 8.ª edição do Queer Porto acontece entre os dias 29 de novembro e 4 de dezembro, no Teatro Rivoli, Reitoria da Universidade do Porto, Teatro Helena Sá e Costa e Maus Hábitos.

Por sua vez, a 27.ª edição do Queer Lisboa já foi confirmada. A competição terá lugar de 22 a 30 de setembro de 2023, no Cinema São Jorge e Cinemateca Portuguesa.