O Espalha-Factos terminou. Sabe mais aqui.
Hércules
Fotografia: Divulgação

À Escuta. Hércules, S. Pedro e a colaboração entre IVANN e Dino d’Santiago são os destaques desta semana

Nestes dias (muito quentes) é necessário fazer uma pausa e tentar fugir do calor ao máximo possível. Lembramos, primeiro, para beberem muita água e colocarem protetor solar se andarem ao sol, e segundo, que a música também pode refrescar nestes tempos demasiados mornos. Os destaques desta semana do À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos sobre música portuguesa, bem podem ajudar com isso: novo single de Hércules, o regresso de S. Pedro e a faixa que junta o enorme Dino d’Santiago ao produtor francês IVANN.

Numa semana recheada de moleza em termos de lançamentos – às vezes, precisamos! -, falamos ainda do novo single de Mary Anne, do primeiro avanço do disco de verão de Adler JackVert Gum e do banger que junta Carl KarlssonKyle Quest.

‘’Tás a ir Bem’ é o segundo avanço do novo disco dos Hércules

Depois de confirmarem o seu regresso com a mui-eficiente pop de ‘Só Quero’, os Hércules continuam a preparar o terreno para o sucessor de Tarefas Modernas com ‘Tás a ir Bem’.

Hércules - 'Tás a ir Bem
Fotografia: Divulgação

Com ‘’Tás a ir Bem’, a primeira canção “a nascer imediatamente após concluídas as gravações” de Tarefas Modernas – como indica a banda em comunicado partilhado com a imprensa -,os Hércules, que é como quem diz, Alexandre Guerreiro (letras, voz, guitarra), David Simões (teclados), Dusmond (baixo), Humberto Dias (bateria) e Pedro Puccini (guitarra), trazem-nos uma canção próxima da estética de ‘Tás a ir Bem’, mas que não é tão direta como esse single bem orelhudo. Note-se: isto não é algo mau.

Contudo, ‘’Tás a ir Bem’ soa mais a um deep-cut que um single propriamente dito, mesmo que a sua pop algo psicadélica, perdida entre uns Foxygen e uns Ganso, continue a ser eficiente naquilo que lhe compete. Soa divertida e orelhuda, mas ao contrário de ‘Só Quero’, requer mais algumas audições para entrar totalmente. Nada de errado com isso, relembramos, mas não conseguimos deixar de pensar que a expressão “canção de chiclete”, utilizada no À Escuta da semana passada para descrever a música dos Salto, pode ser muito empregue para descrever aquilo que os Hércules estão a apresentar na preparação deste seu novo disco. Talvez, até possamos falar num estilo em si: pop chiclete. Orelhuda, divertida, saltitante nos seus ritmos, introspetiva e jovial nas suas letras, mastigável tanto a curto como a longo-prazo.

Se podermos associar isto diretamente a algumas sonoridades associadas atualmente à editora Cuca Monga? Fica para mais tarde refletir quando os discos dos Salto e Hércules saírem em setembro deste ano.

À semelhança de ‘Só Quero’, ‘’Tás a ir Bem’ conta ainda com colaborações extra de Luís Catorze nos teclados, de Diogo Rodrigues (aka HORSE) na produção, mistura e percussões, e de Diego Reis na masterização.

– Miguel Rocha

Sem Ninguém’ marca o regresso de S. Pedro

Com as temperaturas extremas que se sentem, bem agradecemos o pé frio de S. Pedro. Sem Ninguém marca o regresso de Pedro Pode, artista portuense que se estreou em doismileoito e, entretanto, seguiu carreira a solo. Primeiro foi O Fim, que nos trouxe uma dúzia de alegrias e tristezas cantadas entredentes — o sarcasmo canta questões de logística que fazem ou quebram uma relação, e que pretende manter o segredo das Coisas Boas da Vida bem guardado. Em 2019, veio Mais Um, conjunto de canções luminosas que trouxe Verão em ‘Passarinhos’ e ‘Apanhar Sol’; agora, S. Pedro deixa-nos os primeiros vestígios de um novo álbum  em ‘Sem Ninguém’, onde regressa à melancolia que tão bem lhe assenta. 

S. Pedro volta a mostrar que bater o pezinho ao ritmo da música é a melhor resposta às grandes questões existenciais como “Será que alguém no mundo encaixa em mim?” e aos reality checks que a vida nos impõe: “Marquei na Primeira Liga/ De costas para a baliza/ E acordei/ Tu pedes para que eu defina/ Um plano para a minha vida/ Mas já to dei”. O regresso de S. Pedro é há muito esperado: essa pitada de pessimismo perante as grandes (e médias) provações do veloz século acompanhada de uma guitarra bem disposta saram as feridas das grandes questões e fazem balançar a anca como que numa provocação à derrota.

Kenia Sampaio Nunes

Mbappé (Afro Tropical)’ é o single que junta IVANN e Dino d’Santiago

O título já dá pistas: o single de Dino d’Santiago produzido pelo francês IVANN começa com uma homenagem aos grandes craques do futebol: Kanté, Moh Salah, Sadio Mané e, claro, Mbappé. Para além dos golos e das grandes carreiras, une-os também os antepassados. Mbappé (Afro Tropical) é uma homenagem aos grandes nomes africanos que vingaram e continuam a vingar nos dias de hoje.

A batida afro não se cinge, no entanto, aos craques da bola. Dino louva Kingston e Bob Marley, a eterna diva aux pieds nus Cesária Évora, grandes nomes da cultura africana que continuam a ressoar na memória coletiva. O tom é de celebração da cultura negra, elevando a sua importância numa batida quente que promete, para além de exaltar, remexer o verão. 

– Kenia Sampaio Nunes

‘Sou do Pior’ é a primeira coisa em conjunto que Adler Jack e Vert Gum dizem este verão

Adler Jack e Vert Gum são dois nomes que podemos encontrar habitualmente em colaborações na quase sua incessante produtividade, e neste verão de 2022, os dois artistas preparam-se para lançar Ka-Chow! (sim, como a catchphrase do Faísca McQueen), um disco colaborativo. ‘Sou do Pior’, o primeiro avanço de Ka-Chow!, foi dado a conhecer esta semana.

Adler Jack c/ Vert Gum - Sou do Pior
Fotografia: Divulgação

‘Sou do Pior’ é uma canção que apresenta influências de disco e pop, misturadas com o universo sonoro de acid punk e hyperpop que tanto Adler Jack como Vert Gum gostam de explorar. É uma faixa recheada de humor nas suas barras – até podemos dizer, kitsch – que, em momentos, quase tens nos vocais de Vert Gum uma espécie de Mike el Nite meets David Bruno (ouçam com atenção, por favor), a balançar tão bem as cantaroladas mais pop de Adler Jack. Já deu para perceber que a faixa é orelhuda e para dançar, certo? Porque é mesmo para isso: dançar até cair, fazer a festa até mais não, sorrir de orelha a orelha com a ajuda dos miguxos neste verão.

Ka-Chow! será ainda lançado durante o verão com selo da editora Æ, uma nova label que inclui nas suas fileiras nomes como Phaser, Bejaflor, Luara, Submarinho, Luís Catorze, os próprios Adler Jack e Vert Gum, entre outros.

– Miguel Rocha

‘MAZE’ é o novo banger que junta Kyle Quest a Carl Karlsson

Bangers memoráveis é coisa que não tem faltado aqui pelo À Escuta e esta semana não é exceção. MAZEé o mais recente banger que nos chega aos ouvidos, desta vez pela voz de Kyle Quest, nome com o qual se apresenta artisticamente a solo Diogo Braga (Zanibar Aliens). Mas, enganam-se se pensam que vem sozinho. O compositor e intérprete lisboeta convidou o seu compincha de banda, Carl Karlsson, compositor e produtor do single, para se juntar à festa.

Em comunicado enviado à imprensa, lê-se o seguinte: “Kyle Quest traz-nos uma lufada de ar fresco com ‘MAZE’, uma música cheia de energia que fala de nunca sabermos onde o caminho nos vai levar, mas que o importante é enfrentá-lo com confiança e ritmo”.

Os instrumentais vibrantes e aventurosos de Carl Karlsson sobrevoam a faixa e a sedutora voz de Kyle Quest encaixa na perfeição. Não é a primeira vez que Kyle Quest coloca a sua voz no centro das atenções juntamente com a ambiência sonora, mas, digamos que, desta vez, soa-nos diferente: muito mais refrescante, energético e auspicioso – pelo menos em comparação aos seus trabalhos a solo anteriores. Eclético é, talvez, o melhor termo para descrever a amplitude musical que os dois membros dos Zanibar Aliens apresentam neste novo lançamento. Um verdadeiro banger que nos faz querer dançar sempre que possível, um verdadeiro hit de verão.

– Ana Margarida Paiva

‘MONET’ é o novo single de Mary Anne

Depois dos singles ‘Cores da Procissão’ e ‘Não Sei Quantas Almas Tenho’, Mary Anne traz-nos mais um tema na sua forma mais pura, MONET.

Do pouco que conhecemos de Mary Anne, uma coisa temos a certeza: a simplicidade assenta-lhe mesmo bem e ‘MONET’ é mais uma prova disso mesmo. Puxando à imaginação uma Anaïs Mitchell, deparamo-nos com uns arranjos musicais que soam incrivelmente nostálgicos, serenos e meticulosos, mas é a fusão com uma performance suave, que aquece qualquer coração, que torna esta canção tão bela e ternurenta. Mary Anne pode ter voltado a repetir a mesma fórmula das suas criações anteriores, mas, na verdade, não há como nos queixar, porque voltou a funcionar – e, digamos que, na perfeição.

Veremos o que se avizinha, daqui em diante. Curiosos estamos – e muito. 

Ana Margarida Paiva