Fotografia: Divulgação

Ampla. Vem aí a primeira edição da mostra de cinema mais inclusiva

De 25 a 27 de março e 1 a 3 de abril, a mostra de cinema inclusiva Ampla, chega à Culturgest.

A Ampla é a primeira mostra de cinema com exibições totalmente acessíveis, com legendas em português, interpretação em Língua Gestual Portuguesa e audiodescrição, convidando também as pessoas com necessidades específicas a desfrutarem das sessões. A programação é composta por uma seleção de filmes premiados nos principais festivais de cinema realizados em Portugal em 2021. Para perceber a importância desta mostra que “não quer deixar ninguém de fora”, o Espalha-Factos esteve à conversa com a fundadora Rita Gonzalez.

Rita começou a interessar-se pelo tema da acessibilidade depois de um curso da Acesso Cultura. “Tnho procurado cada vez mais informação sobre a acessibilidade e pensei: porque não juntar as duas coisas? A verdade é que, neste momento, as pessoas com deficiência não tem acesso a uma sala de cinema com recursos para elas. Para mim fez todo o sentido conjugar as duas coisas”, conta. A Acesso Cultura surge em junho de 2013, mas desde 2003 que o Grupo para a Acessibilidade nos Museus lidava com todas as questões de acessibilidade, apesar de restrito a apenas um setor.

E que filmes vão estar presentes nesta mostra? Rita confessa que, para ela, era “um desafio fazer uma mostra com os principais filmes premiados dos principais festivais de cinema que acontecem em Portugal e contemplasse diversos géneros”. Mas assim o fez e conseguiu que a programação da Mostra Ampla funcione como “um best-off disponível para as pessoas, para em poucos dias poderem ver o que melhor se faz a nível nacional e internacional em termos de cinema – de cinema recente”.

Divulgação – Cartaz

Entre os vários títulos presentes, alguns destaques são Minyan, que retrata uma história que decorre num bairro judaico-russo em meados da década de 1980 e que alcançou o prémio de Melhor Filme de Longa-Metragem no Festival Queer Lisboa, e Wolfwalkers, uma obra irlandesa com traços celtas, candidata a um Óscar e que é apresentada pela primeira vez em Portugal. A Metamorfose dos Pássaros, que retrata a família da cineasta Catarina Vasconcelos, abordando temas complexos como o amor, a distância e a maternidade e que foi premiada com o Prémio do Público no Festival Caminhos do Cinema Português e candidato português aod Óscares também é exemplo de um total de 23 produções de géneros diversos, que trazem ao grande ecrã o melhor que se produz em Portugal e no mundo, desde curtas a longas-metragens, documentários e até filmes de terror, sem esquecer as sessões dirigidas ao público mais novo.

Para Rita, é importante salientar que “a acessibilidade é um direito de todos os cidadãos e está legislado na Constituição”, pelo que não deve funcionar como um extra a qualquer produção. A produtora executiva de cinema espera que “com esta mostra possamos trazer ao de cima e de uma forma mais alargada [esta acessibilidade]. “Estamos a contemplar vários recursos e vários tipos de deficiência. A ideia é chegar a quase toda a gente e o objetivo é também contagiar, mostrar que conseguimos fazer”, acrescenta.

A primeira edição da Mostra Ampla é um evento organizado pela Horta Seca – Associação Cultural, em parceria com a Duplacena e a Javalimágico, com a coprodução da Culturgest e em colaboração com a Acesso Cultura. Para além das sessões de cinema, no dia 23 de março, pelas 15h, vai decorrer uma masterclass dirigida aos profissionais de cinema sobre acessibilidade na produção audiovisual, em parceria com o Instituto do Cinema e Audiovisual.

Minyan Ampla
Fotografia: Mostra Ampla/Divulgação

Sobre o futuro, Rita acredita que, “depois desta mostra, as pessoas vão perceber que é possível e sobretudo como é que se faz. Porque falamos de acessibilidade e há muita gente a falar em acessibilidade e ainda bem e cada vez é um assunto que se fala mais, mas depois quando se fala em concreto as pessoas não sabem o que é”. A fundadora espera então que a Ampla leve ao surgimento de outros eventos do género. “A ideia é contagiar e aprender. Depois também acho que as próprias pessoas, o público que participa da Mostra, funcionam como um exercício de cidadania ativa. As pessoas também têm que exigir – e não são só as pessoas com deficiência que têm de exigir – as pessoas, assistindo a esta Mostra, vão pensar mais nestas sessões”, adianta.

Rita Gonzalez e Maria Vlachou, diretora-executiva da Acesso Cultura, estiveram também no último episódio do podcast do Espalha-Factos, Fita Isoladora, e revelaram mais detalhes deste evento e deste tema. Ouve aqui o episódio completo: