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À Escuta artistas nacionais do ano
Fotografia: Mink Mingle/Unsplash

À Escuta. 20 artistas nacionais que se revelaram em 2021

Depois de eleger os 30 discos nacionais que marcaram o ano de 2021 dos redatores, o À Escuta, a rubrica semanal do Espalha-Factos sobre música portuguesa, fecha o ano com a revelação de uma lista com 20 artistas-revelação que surgiram em 2021 e que consideramos terem potencial para deixar a sua marca na música portuguesa ao longo do próximo ano e em adiante.

Nesta lista, incluem-se apenas artistas que cumpram um dos seguintes critérios: lançou o primeiro single no ano de 2021, lançou o primeiro trabalho (curta-duração, longa-duração, mini-álbum, etc) no ano de 2021 ou não foi incluído previamente na lista de melhores do ano do Espalha-Factos nem em qualquer lista de artistas-revelação de anos anteriores.

Atalaia Airlines

Atalaia Airlines
Fotografia: Divulgação

Depois de mais de dois anos de preparação deste voo, finalmente aterrou em 2021 o disco homónimo dos Atalaia Airlines, trio composto por Afonso Sêrro, Humberto Dias e Pedro Puccini, grupo pertencente à editora lisboeta Cuca Monga. Nesta viagem, onde o combustível é à base de smooth jazz e grooves nostálgicos, vamos do city pop ao jazz fusion e acabamos por notar que estamos muito bem na companhia de todos os passageiros que enchem de requinte esta tripulação.

A começar pela frente, pela primeira classe, encontramos o ícone David Bruno, sendo que, mais abaixo neste jet, observamos Mike El Nite completamente viciado em ‘Niteflix’ Yuuko bem à janela, enquanto aprecia as paisagens japonesas ao passarmos pelo pacífico. Esta lista de passageiros ainda conta com Iguana Garcia e Alexandre Guerreiro para ajudar à festa. A nós, cabe-nos ouvir as instruções do host Joaquim Quadros e relaxar até chegarmos à altitude em ‘Modo Avião’. Quando aterrarmos, basta ficar à espera do próximo voo, que esperamos não demorar muito tempo. – José Duarte

AVAN GRA

Em 2021, os AVAN GRA, duo de hip hop constituído por 90’s Kid e Carracha, revelaram-se como um dos nomes a ter em conta para o futuro do género. Se os primeiros meses do ano para o grupo culminaram no  EP de estreia, SOMOS TÃO JOVENS SABEMOS POUCO, a segunda parte do ano foi povoada por vários singles que, se tudo correr bem, aparentemente irão fazer parte do primeiro longa-duração, a ser lançado no próximo ano.

Para um grupo que diz saber tão pouco, o que as faixas dos AVAN GRA indicam é exatamente o contrário. Apesar da aparente pouca experiência, jogam como veteranos no campeonato do hip hop tuga, tendo sido responsáveis por algumas das faixas mais excitantes do género que encontramos nos tempos recentes. A química entre 90’s Kid e Carracha é visível em cada faixa, com a dupla a apresentar um jogo de cintura extremamente hábil como storytellers, numa espécie de fusão entre Nerve e Sam the Kid em estilo de escrita.

E os beats? São suaves e podemos ouvir a influência de um Praso ou um Keso, mas onde os toques do old school do hip hop tuga são trazidos para a atualidade, sendo capazes de ser casa natural para os hooks que vão surgindo ao longo de cada faixa dos AVAN GRA. Um grupo que sabe de onde vem e para onde vai – e, se for por nós, vai até aos estrados da grandeza. – Miguel Rocha

Biloba

Biloba
Fotografia: Biloba | Divulgação / Ana Frias

Foi o jazz que os juntou e é com o jazz que os Biloba, grupo composto Nazaré da Silva (voz e teclados), Simão Bárcia (guitarra), Diogo Lourenço (guitarra), Miguel Fernández (bateria) e Francisco Nogueira (voz e baixo), fazem a cama para magicarem as suas ideias que acabam por desabrochar numa Sra. Malha denominada ‘Tabuada’, pronta para deixar quem a ouvir com água na boca para ouvir mais no futuro. Esperamos pelo EP que se avizinha no próximo ano.

Se a base deste single é o jazz – verdade -, o grupo não esconde as suas inflexões mais punk ou rock que são reveladas, seja pela estética, por algumas passagens vocais, a temática/letra e por guitarras irreverentes, que abrem caminho para espontaneamente a faixa explodir em pequenas catarses que quase sabem a pouco só de pensar o que ainda poderá vir aí em 2022. Será logo no início de 2022 que vamos conhecer mais dos Biloba, com o EP de estreia, que contará com edição da Chinfrim. – José Duarte

Capital da Bulgária

É uma sonoridade aérea, alienada e elevacional, entregue por Capital da Bulgária, a forma inventiva com que a sintrense Sofia Reis se apresenta ao mundo, no EP de estreia lançado em 2021, Pequeno-Almoço. Nesta mistura de indie pop com R&B, numa energia e estética de bedroom pop romântica e nostálgica, encontramos muitas ideias a brotarem da cabeça da artista para cada faixa do curta-duração.

Aqui, o potencial destas ideias é espelhado em todas as canções, seja pela produção –  que várias vezes vai contra o ordinário -, seja pela forma como a artista aborda as letras e performances vocais, muitas vezes adornadas de um auto-tune bem enquadrado. Neste primeiro olhar para o mundo de Capital da Bulgária, o potencial é já demonstrado e, por isso, é com muita ânsia que esperamos o que poderá vir a seguir. – José Duarte

Celso

Celso
Fotografia: Divulgação / Luís Gala

Foi em 2021 que os Celso, banda que tem intrigado o cenário lisboeta de indie rock desde que surgiram no radar da cena,  decidiram lançar o álbum de estreia Não Se Brinca Com Coisas Sérias. Se se estão a questionar se valeu a pena a espera e hype deixado pelos singles, a resposta é um redondo sim.

O quinteto formado por Duarte Igreja na guitarra, João Pedro Lima na bateria, João Paixão na guitarra e voz, Martim Baptista nos teclados e Miguel Casquinho no baixo, entrega neste LP de estreia um conjunto de faixas que se caracterizam entre um indie rock, com umas influências de amigos da Cuca Monga, mas que se diferenciam com os toques de eletrónica e auto-tune, que tanto carácter dá a estas letras tão portuguesas, puxando as influências de Bejaflor ou Primeira Dama. A verdade é que não se brinca mesmo com coisas sérias e. neste LP de estreia, os Celso revelam que são para ser levados bem a sério. Observaremos o que o quinteto nos trará no futuro – e que seja próximo. – José Duarte

Chão Maior

2021 viu a estreia em longa-duração dos Chão Maior, grupo constituído por Yaw Tembe (composição, trompete), Norberto Lobo (guitarra), Leonor Arnaut (voz), Ricardo Martins (bateria), João Almeida (trompete) e Yuri Antunes (trombone), para nos apresentar um dos lançamentos mais interessantes e desconcertantes do ano.

Chão Maior
Fotografia: Marco Franco

Em Drawing Circles, o grupo apresenta uma sonoridade muito particular dentro do jazz contemporâneo português, fugindo para um estilo de ensemble de improviso, com os ritmos a assentarem nas baterias e sopros do grupo, a fazer lembrar um pouco Shabaka and the Ancestors ou La Monte Young nesse campo. O som é movido por uma ansiedade constante, alimentada pelas vocalizações que vamos ouvindo ao longo deste Círculos e Passos, sob os quais vamos girando ao longo deste trabalho.

Um disco cheio de detalhes minuciosos que coloca os Chão Maior como mais um dos grupos a revitalizar os sons do jazz contemporâneo português e que nos faz querer ouvir mais do que esta big band tem para oferecer no futuro. – Miguel Rocha

EU.CLIDES

Para além de ter participado no Festival da Canção de 2021, como intérprete da música ‘VOLTE-FACE’, da autoria de Pedro da Linha, EU.CLIDES aproveitou o ano para colocar cá fora o seu EP de estreia, Reservado. Nas quatro faixas que constituem o trabalho, é-nos entregue um R&B bem quente, com algumas influências de nomes como Branko (curiosamente, um dos produtores deste trabalho), sentindo-se o artista a surfar na onda multi-cultural da lusofonia impulsionada por Dino d’Santiago, mas sem nunca soar pouco mais ou menos derivativa.

à escuta
Fotografia: Facebook/EU.CLIDES

Apesar deste projeto curtinho, EU.CLIDES é capaz de deixar uma pegada bastante característica assente em cada uma destas canções, seja pela marcante, delicada, meticulosa e limpa performance vocal, seja pela calmaria, pela energia e ambiência das músicas, que enchem de curiosidade quem as ouve e que se fica de imediato a antecipar o que o artista poderá fazer a seguir. – José Duarte

Los Chapos

Foram formados em 2019, mas foi no ano de 2021 que os Los Chapos, quarteto leiriense formado por Hugo Dionísio (baixo), João Baleizão (bateria), Gonçalo Salgado (voz e guitarra) e Vasco Cepeda (guitarra e coros), se estrearam em trabalhos com o curta-duração Los Chapos Enterprise.

O que este primeiro empreendimento apresenta é uma sonoridade muito própria dentro do meio alternativo português. O grupo foge para uma estética de americana, apresentando influências de grupo como The Brian Jonestown Massacre ou ZZ Top, mas juntando-a ao universo do garage rock português, onde as guitarradas cobertas de reverb e fuzz ganham o espaço necessário no meio das grooves de blues rock do grupo. É rock para dançar e moshar, orelhudo e de suor, já com identidade muito própria e do qual queremos ouvir mais no futuro muito em breve. – Miguel Rocha

Lvis

Pensamos que será complicado encontrar um disco a nível nacional como o disco de estreia de Lvis, o alias musical do artista multi-facetado Luís Lopes. O que o artista apresenta em Sudário é uma coleção de 12 canções, construídas ao longo dos dois últimos anos no seu quarto, resultando numa estética lo-fi, que acaba por tornar o disco extra-especial.

Fotografia: Bandcamp do artista / cláudia simões

Em termos de sonoridade, Sudário é um trabalho que se revela extremamente interessante no panorama português, abraçando o espectro do neofolk, drone e neoclassical, retirando influências de artistas como LINGUA IGNOTA, Chelsea Wolfe ou Anna von Hausswolff, misturado com a ambiência de uma Midwife. A melhor forma de descrever estas canções é que soam “vampiricamente góticas”, levando-nos numa viagem por um castelo frio e traiçoeiro, mas onde, no final, acabamos por encontrar um quarto de algum conforto caloroso – por mais estranho que pareça.

Ainda antes de terminar o ano, Lvis brindou-nos com um novo par de cantigas, uma Alegoria de Inverno que mostra bem como o artista sabe brincar com field recordings para construir faixas e como consegue criar uma ambiência noturna e gótica a partir da produção desses elementos. Veremos o que o futuro trará para este artistas extremamente singular na música portuguesa. – Miguel Rocha

Malaboos

Malaboos
Fotografia: Divulgação

De Viana do Castelo diretamente para o mundo, ergueu-se Nada Cénico, disco de estreia dos Malaboos, trio formado por Diogo Silva (guitarra e voz), Ivo Correia (bateria, voz e sintetizador) e Rui Jorge (baixo). O que os Malaboos revelam neste primeiro trabalho é uma coleção de canções que puxam ao art rock no seu som massivo, mas que, em termos de composição, fogem para o post-hardcore de uns Linda Martini ou Drive Like Jehu e o math rock de uns Don Caballero, com os ritmos irregulares.

Existe uma harmonia celestial entre a agressividade pura do grupo e a capacidade que têm de criar melodias orelhudas nas faixas de Nada Cénico. Esta dinâmica eleva a música até a um lugar cavernoso, onde as suas guitarras bravas ecoam pelas paredes e onde a pujança da bateria tenta quebrar as estalactites e estalagmites ali presente – o baixo segura esta estrutura como pode.

É assim que se quer o rock barulhento e Nada Cénico é uma das estreias mais eletrizantes do ano na música portuguesa. A conclusão é que os Malaboos têm tudo para crescer e tornarem-se uns “monstros” – no melhor sentido da palavra –  no seio do rock alternativo nacional. – Miguel Rocha

Miguel Marôco

Miguel Marôco
Fotografia: Bandcamp do artista

Segundo Miguel Marôco, fazer um disco é como construir uma casa. Em 2021, depois de surpreender como um dos dois autores apurados pelo concurso de livre submissão para o Festival da Canção, o artista abriu as  restantes portas para todos nós com a bela casa que é o disco de estreia, Marôco.

Indo do mais introspetivo e pensativo ao mais alegre, jovial e arrebitado, Marôco apresenta-se como um disco que, em termos temáticos, vai do clássico ao barroco, do moderno ao desconstrutivismo. Em termos sonoros, as janelas permitem que o indie pop encha todas as divisões desta casa, acabando por se fundir com as guitarras que variam consoante a divisão para as quais se deslocam, ora melosas, ora mais estridentes, acompanhando sempre as sólidas performances de Miguel para que estas pintem todas as paredes desta nova casa.

Com isto, resta-nos esperar que Miguel Marôco regresse à posição de arquiteto e empreiteiro muito em breve, pronto a revelar mais do que o cantautor tão eficaz tem para entregar no futuro. – José Duarte

Perpétua

A estreia dos Perpétua, grupo aveirense constituído por Beatriz Capote (voz e teclados), Diogo Rocha (guitarra), Rúben Teixeira (bateria e coros) e Xavier Sousa (baixo e coros), revelou-se como uma das primeiras cartas de apresentação mais interessantes do ano para o universo do indie português.

Perpétua
Fotografia: Divulgação / Bernardo Limas

A música dos Perpétua soa sonhadora, bebendo influências de grupos como Slowdive ou Beach House, criando uma atmosfera suburbana coberta de reverb que se podia levantar dos reflexos da luz do sol nas salinas da cidade de onde são oriundos. Essa atmosfera serve de espaço seguro para as grooves inspiradas por música disco brotarem do grupo que, quando associadas à lírica introspetiva do grupo e às harmonias vocais calorosas, são capazes de criar refrões orelhudos e melodias que servem de hooks para nos fazer dançar e repetir a receita de ouvir os Perpétua uma e outra vez.

O resultado de Esperar Pra Ver é que os Perpétua já cavam uma identidade muito própria dentro do indie português e que talvez estejamos a ouvir o início de um universo do género a surgir descentralizado dos polos de Porto e Lisboa, na cidade de Aveiro. – Miguel Rocha

Phaser

A eletrónica portuguesa é um campo que nunca para de surpreender, sendo hoje um género com cada vez mais artistas a surgirem neste melting pot de ideias. Este ano, um dos mais talentosos e competentes que encontramos passou pela estreia em longa-duração de Phaser, nome artístico do produtor Miguel Loureiro, com Genesis.

Phaser
Fotografia: José Cruzio

No forno durante dois anos, Genesis é um trabalho ambicioso, que nos faz chegar vários nomes à cabeça à medida que o vamos ouvindo, desde a eletrónica dos Floating Points até ao lado da house de uns Daft Punk, passando ainda pela IDM de nomes como Four Tet ou Burial na forma como trabalha alguns dos samples vocais que utiliza. O artista incorpora estas influências com toques de hyperpop para criar um trabalho eclético em sonoridade – e bastante único.

Se Genesis é um projeto que não pode passar despercebido aos fãs de eletrónica, o resultado é que coloca Phaser uma das grandes revelações do género a nível nacional e que nos faz querer ouvir mais do que o artista tem para oferecer no futuro. – José Duarte

Quase Nicolau

Quase Nicolau
Fotografia: Bandcamp do artista

Os Quase Nicolau descrevem-se como “6 Nicolaus que gostam de cantar em harmonia e de tocar uns instrumentos” e é logo a partir do primeiro segundo do EP de estreia lançado este ano, Alvorada, que percebemos que estes Nicolaus gostam mesmo de cantar –  especialmente em harmonia. E que lá cantam bem, cantam. No projeto, somos confrontados com uns vocais em coro que mais parecem uma inflexão transcendente, remetendo para uma espécie de ritual harmonioso ou meditativo.

Esta estreia do sexteto constituído por Francisco Carrapa, Francisco Melo, Gonçalo Mota, Joana Domingues, José Maria Lobo e Nuno do Lago vai da pop barroca e folk até ao mundo do alternativo, dotando esses géneros de uma estética do associada ao indie pop e indie rock. A música é entregue com amor, sendo praticamente transversal a paixão que cada um dos elementos tem pela música que criam, sentida nas performances, em cada instrumento que se ouve tocar e através dos arranjos que chegam ao ouvinte, tão dotados e eximiamente trabalhados pelo grupo.

Alvorada é uma excelente experiência. Para nós, basta agora torcer os dedos para que possamos ter mais disto no futuro. – José Duarte

Raquel Martins

Raquel Martins
Fotografia: Bandcamp da artista

Bem ao estilo de nomes como Jorja Smith e Jamilla Woods, Raquel Martins entregou-nos em 2021 um EP de estreia com R&B para dar e vender, competente e versátil. A artista portuguesa que se encontra radicada em Londres apresenta em The Way faixas apimentadas com algum jazz, trazido por irrequietos saxofones ou percussões refinadas, cheias de requinte, que fazem sobressair e embelezar as grooves infetantes que se fazem ouvir neste trabalho.

Contando ainda com performances vocais exemplares da artista, The Way garante que Raquel Martins é um nome a ter-se em conta para o mundo da música nacional. A nós, deixa-nos ansiosos para saber o que aí vem no futuro, com muito interesse para descobrir o que a artista será capaz de entregar num outro projeto – quiçá, um longa-duração – no futuro próximo. – José Duarte

Rita Borba

Juntando uns aromas de new wave a uma pop portuguesa jovial, plácida e serena, Rita Borba estreou-se a solo em 2021 com dois singles, ‘Chá das Cinco’ e ‘Até Três’. Em ambos, a artista não chega sozinha, tendo nomes como Pedro de Tróia e Tomás Branco a apresentarem contribuições na composição e letra, recebendo também, a artista, créditos na letra do primeiro single.

Seja pela serenidade, pela delicadeza pelas exemplares performances, ou pelo quão meticulosa a música é concebida, há sempre algo altamente adesivo na música de Rita, que nos faz querer ficar do primeiro ao último segundo. Quando lá chegamos, é quase instintivo voltarmos ao início. Esta insatisfação, ou melhor, esta ganância por poder ouvir mais um segundo que seja da música da artista, é algo que se espera ser satisfeito em 2022, com o lançamento do disco de estreia. – José Duarte

Silly

Silly
Fotografia: Divulgação

O ano de 2020 já havia oferecido um vislumbre do potencial de Silly, o alias artístico de Maria Bentes, mas foi em 2021 que a artista se colocou seriamente no mapa com o EP de estreia, Viver Sensivelmente. Com coprodução de Pedro da Linha e apresentando colaborações com EU.CLIDES e o duo brasileiro Deepakz, o disco é eclético e único em sonoridade, apresentando influências que vão desde da MPB e do bossa nova até ao R&B alternativo e hip hop, podendo render comparações com uma Arlo Parks ou Cleo Sol.

A música de Silly soa sonhadora, sempre pronta a apresentar-nos melodias sensíveis que, quando conjugadas com a entrega vocal e escrita introspetiva da artista, resultam num universo encantador e aconchegante – um do qual não queremos sair. Tudo isto, claro, a juntar com uma capacidade para criar hooks orelhudos que podemos ouvir em todas as faixas deste curta-duração e que garante que Silly tem tudo para ser um dos nomes a ter em conta para o futuro da música portuguesa. – Miguel Rocha

Soluna

Depois de ter feito parte da banda que acompanha Dino d’Santiago em palco, Soluna aproveitou a reta final do ano de 2021 para se estrear a solo com o single ‘Flaca’, que conta com produção de Dotorado Pro e contributos adicionais de Toty Sa’Med. Os espetáculos ao vivo haviam colocado a artista na rota de vários “olheiros” – quer pelas belas canções, quer pela energia irreverente que apresenta em palco -, mas foi com este lançamento que a confirmação mais apropriada do hype em seu torno chegou.

A sonoridade da artista nascida na Argentina, crescida em Catalunha e Espanha e com estudos efetuados no Algarve, antes de se mudar para Lisboa, é algo que se pode dizer eclética e em ‘Flaca’ isto já se faz notar. Ouvimos toques de reggaeton e tarraxo nos ritmos dançáveis da faixa, associados a influências do R&B contemporâneo de artistas como 070 Shake ou H.E.R., presentes na ambiência da faixa. Tudo isto sem esquecer que a faixa tem de ser orelhuda e o hook é inegavelmente difícil de ignorar.

Em 2022, vamos conhecer mais do universo multicultural de Soluna, que, logo no início do ano, vai mostrar ao mundo o curta-duração de estreia. – Miguel Rocha

Tiago e os Tintos

No seio do mundo alternativo do indie portuense, o nome de Tiago e os Tintos já havia vindo a ser ecoado há algum tempo. Os espetáculos ao vivo estridentes e energéticos faziam vibrar quem aí se encontrava presente e o disco de estreia da banda, O Ecoar D’uma Sirene, captura essa estridência, encapsulando-a num seio de influências que vão desde do slacker rock de uns Pavement até ao post-hardcore de uns Linda Martini ou At The Drive In.

O que realmente separa a banda constituída por Tiago Faria (voz e guitarra), Bruno Duarte (baixo), Luís Gigante (guitarras) e Miguel Ferreira (bateria e vozes) – membros de Gota e Terebentina – dos seus pares é o facto de que, no seio da sua sonoridade, vive uma componente melódica muito presente, que transforma o seu disco de estreia num eco que queremos voltar uma e outra vez. Ter menos de 25 minutos também ajuda nesse campo, não há espaço para aqui se perder tempo.

Com produção de João Sarnadas (Coelho Radioativo), a irreverência jovial de O Ecoar D’uma Sirene revela (ou melhor, confirmou para os mais atentos) os Tiago e os Tintos como um dos mais excitantes para o futuro do rock português. – Miguel Rocha

Vasco Completo

Vasco Completo já era, à partida do ano de 2021, um dos nomes mais excitantes no mundo da eletrónica e produção em Portugal. O longa-duração de estreia, Wormhole, é uma confirmação desse facto. É um disco ambicioso que une o lado de instrumentista de Vasco com o seu lado de produtor para uma viagem transcendente, capaz de quebrar barreiras de espaço e tempo.

Vasco Completo
Fotografia: Bandcamp do artista

Acaba por ser, de certa forma, um disco extremamente pessoal, que expõe a identidade de Vasco enquanto ser, mas também as influências musicais, que vão desde do trip hop e jazz até ao mundo do alternativo. O resultado é que a música de Wormhole soa emocional e crua, vindo de um lugar distante tornado vivo pela sua ambiência lo-fi, guiada pelos seus delays e reverb, e sujidade da mistura – um trademark de M.A.F..

Além de Wormhole, Vasco Completo lançou várias cantigas – a solo e em compilações da editora, Monster Jinx – e ainda efetuou contribuições para vários trabalhos, como o disco colaborativo de y.azz e b-mywingz ou o mais recente trabalho de Mind Safari. Um ano ocupado e de afirmação para o artista e não podemos esperar para ouvir o que o rapaz vai apresentar já em breve na próxima etapa da carreira. – Miguel Rocha

Descobre um pouco destes artistas na playlist que o Espalha-Factos preparou para ti:

O À Escuta, a rubrica semanal do Espalha-Factos, regressa agora em 2022 – e com novidades.