La Casa de Papel Cinco Vol2 Netflix
Fotografia: Reprodução

Crítica. O ‘ciao’ de ‘La Casa de Papel’ surpreende finalmente

O maior assalto que Espanha já viu chegou ao fim esta sexta-feira (3), numa leva de episódios que conseguiu finalmente surpreender.

Álex Pina chegou a revelar, em entrevista, que já tinha reescrito o final de La Casa de Papel 33 vezes. Se há uns meses ficávamos surpreendidos e algo desconfiados, depois da estreia do segundo volume da quinta temporada da série que abriu o caminho na Netflix para as produções noutras línguas que não a inglesa só podemos ficar agradecidos, porque finalmente há surpresas.

Os primeiros episódios de La Casa de Papel chegaram em maio de 2017 e e arrebataram os tops da Netflix. Ao longo de duas temporadas frenéticas, com o assalto à Casa da Moeda de Espanha, vimos aquilo que pensámos que ia ser o maior assalto alguma vez visto – estávamos a antecipar-nos. Terminado o primeiro assalto, os pedidos de muitos foram ouvidos e outro se seguiu: desta vez, ao Banco de Espanha. As temporadas três e quatro deixaram a desejar e a quinta chegou de forma tímida, quase a parecer uma repetição básica do modelo de sucesso que foi a primeira.

Certo é que o final inesperado do primeiro volume de episódios deixou muitas perguntas no ar e esperanças de que as coisas fossem melhor resolvidas no segundo. Desde os throwbacks aleatórios ao passado de Berlin (Pedro Alonso) à dúvida sobre as personagens de Rafael (Patrick Criado) e Alicia Sierra (Najwa Nimri), muitas eram as respostas que exigíamos. A verdade é que, nesta nova temporada, elas chegam todas e pela calada, qual carta na manga de Álex Pina que nem o próprio Professor teria previsto.

Sem tempo para morrer – ou para respirar

Desde o início, a trama espanhola habituou-nos a ver os episódios num ápice, sem sequer respirar. Ao longo de quatro temporadas e o primeiro volume da quinta, fomos devorando todas as peripécias e planos malucos que nos iam chegando, fossem eles melhores ou piores, com todos os sentimentos possíveis à flor da pele. Os últimos cinco episódios não foram exceção à regra – no máximo, ainda a ampliaram.

Acredito ser impossível que alguém tenha assistido a este final sem ter de suster a respiração ou ficar surpreendido ou assustado uma única vez. Apesar de a ação frenética e o turbilhão de emoções já ser hábito em La Casa de Papel, desta vez não há mesmo tempo para respirar, nem sequer tempo para morrer – qual 007, os assaltantes não têm tempo para parar, mesmo que fosse para se despedirem de um dos membros do grupo.

La Casa de Papel Cinco Vol2 Netflix
Fotografia: Netflix/Divulgação

A cada segundo, há algo de novo e os detalhes vão-se acumulando até parecer que já não há tempo suficiente neste volume para resolver tudo o que ainda está pendente. A narrativa criada cruza tantos pontos ao mesmo tempo, que sentimos realmente o que vai na cabeça tanto da polícia, sem saber o que se está a passar dentro do Banco de Espanha, como do bando, quando se vê sem soluções, perdido e sem saber qual é o próximo passo. No entanto, este cruzar de vários acontecimentos – fora e dentro do Banco, no presente e no passado – está de tal forma bem conseguido que, apesar de se cruzarem, estas linhas não criam um nó na história que a torne impercetível ou sem sentido.

Outro fator que ajuda a criar este ambiente frenético e caótico – que só assim poderia ser num assalto tão difícil – são os planos criados. Vemos sequências velozes do ouro a ser retirado, por entre danças do grupo de assaltantes, a correria da polícia e de quem dela foge e ainda temos oportunidade de entrar na mente do Professor e tentar seguir-lhe o raciocínio. Tudo isto acontece enquanto tentamos perceber as cartas que cada lado ainda pode jogar e vamos assistindo também a mais throwbacks.

‘Can’t Take My Eyes Off You’ feat. Berlin

Falar nos pormenores técnicos de planos e fotografia não é possível sem passar por uma cena em específico. Sem querer abusar dos spoilers, bastaria dizer que podemos contar com o Berlin para nos trazer os momentos mais artísticos e elegantes, mas dizer apenas isso, neste caso, seria minimizar totalmente a beleza deste momento, que acaba por ser o grande momento de calma na tempestade que é este final.

Num tom sépia que em muito se distancia da paleta de cores presente nas restantes cenas, ao som de ‘Can’t Take My Eyes Off You’, vemos o personagem que mais protagonismo ganhou após a morte ter direito a mais um momento para brilhar, naquilo que mais parece um videoclipe dramático. É assim que, sem nos apercebermos, aquele que parece ser uma simples adição bonita na narrativa, acaba por ser um dos pontos chave para o desfecho.

Fotografia: Divulgação

E como falar em Berlin é falar também de um dos personagens mais adorados, é importante mencionar quem se destacou dos restantes neste novo volume. Em primeiro lugar, é quase imperativo admirar Alicia Sierra – a inspetora determinada sempre surpreendeu, mas conseguiu ganhar ainda mais protagonismo e tornar-se indispensável para o bom funcionamento da trama nestes episódios. Contudo, a grande surpresa foi, na minha opinião, Benjamim (Ramón Agirre). O pai extremamente preocupado e pacífico ganhou nova força nesta continuação e demonstrou uma garra e determinação que não esperávamos ver nele.

As menções honrosas vão para Palermo (Rodrigo de la Serna), que finalmente conseguiu apelar-me às emoções, e para Benito Antoñanzas (Antonio Romero), pelos comentários sempre hilariantes e um tanto óbvios. No entanto, é de destacar o trabalho feito por todo o elenco, num volume onde todos conseguiram ser protagonistas e ter o seu momento para brilhar, sem que nenhum dos assaltantes fosse mais importante do que outro, exatamente como deveria assim.

Um final fiel, mas… sem pontas soltas?

Todos já vimos séries que esperamos que acabem em determinado momento, mas a partir do qual alguém arranja forma de a prolongar ainda mais no tempo e faturar mais um pouco com isso. Não importa que pareça que já não há mais que se possa fazer em determinada produção, porque há sempre uma mente que acredita poder acrescentar mais.

Fotografia: Reprodução

Pouco antes de estrearem os cinco episódios finais de La Casa de Papel, o criador prometeu que este seria o fim da trama como até aqui a conhecíamos. “Se acham que vamos deixar alguma porta aberta para um volume seis ou sete, a resposta é não”, assegurou. E, se havia dúvidas em relação ao facto de Álex Pina realmente conseguir dar um verdadeiro final a esta série, sem pontas soltas e numa nota alta, a realidade é que, para mim, o criador não poderia ter feito melhor trabalho.

Acredito que este é um final com o qual todos ganhamos, dentro e fora do ecrã. Pensei anteriormente que o final poderia ter acontecido com o fim do golpe na Casa da Moeda, que as temporadas que se seguiram vieram só prolongar e tornar cansativo um trabalho que tanto tinha sido admirado no começo. Não poderia estar mais feliz por ter estado errada durante este tempo todo. Este, sim, parece-me um final digno para uma série que marcou tanto a imagem do que se faz no streaming e na Netflix.

Com todas as emoções possíveis à mistura, despedimo-nos da série que veio abrir espaço para os projetos de língua não inglesa no serviço. É de esperar apenas que, com este desfecho em alta – e certamente com as suas explicações por parte do criador -, deixem aquilo que La Casa de Papel foi arrumado nas memórias de cada um e que ninguém pense em, daqui a poucos anos, qual Prison Break, vir tentar mexer no que ficou muito bem terminado.

Não digo, no entanto, que não a outros projetos, como o aguardado spin-off focado em Berlin ou a futura versão coreana. Quanto a este, prefiro que digamos, “ciao bella” La Casa de Papel.

La Casa de Papel Cinco Vol2 Netflix
9

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.