Madres Paralelas
Imagem: Madres Paralelas

‘Madres Paralelas’ é uma homenagem às progenitoras do passado e do presente

Madres Paralelas é o filme mais recente de Pedro Almodóvar. Depois de Antonio Banderas protagonizar o projeto anterior, o cineasta espanhol devolve o protagonismo à sua “musa” Penélope Cruz, no que parece ser uma continuação espiritual de Dolor y Gloria. O filme estreia este feriado, dia 1, nas salas portuguesas.

Janis (Penélope Cruz), uma mulher de meia idade, e Ana (Milena Smit), uma jovem adulta, em fases distintas das respetivas vidas, encontram-se numa situação semelhante: Num quarto de hospital, grávidas, sem os pais das crianças. Janis quer muito ser mãe, Ana tem medo.

Ao longo dos próximos tempos, aproximam-se e partilham o bom e o mau da maternidade. Para lá de cuidar da sua filha, Janis tenta ainda avançar com um processo de desenterro dos restos mortais do seu bisavô, morto durante a Guerra Civil espanhola.

Tal como o seu filme anterior, Almodóvar não tentar dar muita exuberância a Madres Paralelas, optando por se focar no drama rico da narrativa e nas suas duas personagens âncora. Penélope Cruz é fantástica do início ao fim, capturando de forma muito verosímil e empática os desafios e as pressões de ser mãe. E Milena Smit demonstra porque é que é uma das atrizes em ascensão da ficção espanhola, ao dar vida a uma Ana doce e bondosa, mas com um passado de estigmas e feridas.

Há, ainda, duas grandes prestações secundárias de Aitana Sánchez-Gijón, que interpreta a mãe de Ana e aspirante a atriz do teatro, e de Israel Elejalde, pai do filho de Janis e o responsável pelas escavações dos restos mortais.

A história é mais complexa do que a sinopse leva a entender. Janis e Ana vêm-se no centro de um dramalhão típico de telenovela e que é retratado de forma séria e subtil. E ainda há a narrativa secundária sobre os danos históricos do regime fascista de Franco.

Madres Paralelas
Imagem: Madres Paralelas

Ao início, parece tratar-se de um desvio do ponto principal, porém, à medida que Madres Paralelas avança e, especialmente, nos seus momentos finais, percebemos que esta reflexão sobre o passado coletivo de Espanha faz todo o sentido. O filme não é só uma homenagem às progenitoras do presente, mas igualmente às do passado, muitas delas que tiveram de aguentar famílias após a morte dos seus patriarcas, às mãos da ditadura.

Sem desvendar o que acontece, é difícil terminar Madres Paralelas sem se ficar profundamente afetado pelo luto por quem já partiu, que é também um sinal feliz de que houve quem por cá ficasse para se lembrar da História. A metáfora do último frame é o simbolismo perfeito para chamar os créditos finais.

Pedro Almodóvar tem uma filmografia ilustre e as suas entradas mais recentes mostram um realizador em estado de reflexão pessoal e coletivo. Madre Paralelas é uma continuação lógica das ideias de Dolor y Gloria e leva a visão do cineasta para um patamar mais político, sem perder o foco na essência humana das personagens. Um dos melhores filmes que podemos ver este ano vindo dos nuestros hermanos.

Madres Paralelas
Madres Paralelas
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