Identidade
Fotografia: Netflix/Divulgação

‘Identidade’. O que é white passing e o que muda na forma como nos vemos?

Depois da estreia de Identidade, na Netflix, o Espalha-Factos traz um episódio  de podcast especial onde se debate o tema central do filme: o que é ser white passingPedro Terrantez lidera um painel composto por Bruno Santos, Erendiro Pedro Íris Marçal, partilham as suas experiências na primeira pessoa e de que forma este conceito atua nas suas vidas. Em discussão estão os privilégios que existem quando se é white passing, colorismo e também da representação negra nos media.

Ouve o episódio especial:

Identidade, ou Passing na versão original, estreou na Netflix no final de outubro e desde então que criou um debate em torno do que é ser white passing e o porquê de isso acontecer. Com um enredo cativante e um elenco de luxo, o filme mostra a vida de duas mulheres negras, em que uma decide passar por branca e outra não. 

Contudo, e como refere Pedro Terrantez, ser-se white passing hoje em dia é “diferente do que era há uns anos”. “No tempo da escravatura significava escolher uma coisa que nem sempre se queria escolher, mas que era necessário para sobreviver”, afirma referindo-se às pessoas negras de pele mais clara e biraciais que conseguiam passar brancas.

Para o redator do Espalha-Factos, white passing ou passar por branco é “o ato de uma pessoa de uma raça ser vista ou aceite por outra raça como sendo dessa própria raça, normalmente de raças marginalizadas para a branca”. Daí, hoje em dia, a conotação ser um pouco diferente, pois ser white passing significa estar mais perto do tom de pele mais clara.

Ao longo da conversa, o colorismo acabou também por ser um tema a ser desenvolvido. O colorismo sempre foi “algo muito real e que ia ser muito presente na minha vida, principalmente no meu futuro” refere Íris Marçal. Contudo, “uma criança, num meio quase que completamente branco, não vai perceber bem o que passa”, acrescenta.

Em relação a ser uma mulher negra de pele escura, Íris afirma que nem sempre foi fácil aceitar-se ou ver-se representada nos media. “Eu estudo jornalismo e, para mim, sempre foi um pouco estranho nunca ter a capacidade de ligar o jornal e ver uma pessoa igual a mim na televisão. Nunca tive ninguém que me inspirasse a entrar nesta área e a pensar ‘okay, eu vou ser como esta pessoa, eu vou chegar ali’ “.

Sempre tive muita dificuldade em me aceitar, como pessoa negra, o meu cabelo, precisamente porque eu não tinha ninguém famoso dessa maneira que eu ouvisse as pessoas a comentar ‘ela é linda, o afro dela é linda, a pele escura e negra dela é linda’ “, acrescenta Íris.

Podes ouvir este e outros episódios de podcasts do Espalha-Factos nas habituais plataformas de streaming e podcast, nomeadamente o Spotify, a Apple Podcasts, a Google Podcasts, a Podcast Addict e o Castbox.

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