The Last Shelter Porto/Post/Doc
Fotografia: Beatriz Ramires e Melanie Pereira/Porto/Post/DOC/

Porto/Post/Doc. ‘The Last Shelter’ é galardoado com Prémio Vicente Pinto Abreu

O festival de documentários e cinema do real, Porto/Post/Doc, está na oitava edição e ocupa vários espaços da cidade até dia 30 de novembro. O filme The Last Shelter, de Ousmane Samassekou, venceu este domingo (28) o Grande Prémio Vicente Pinto de Abreu, no evento que procura “o que de mais estimulante se tem produzido no cinema contemporâneo”.

The Last Shelter, é sobre migrantes, ainda longe do destino da passagem. A história explora uma casa de acolhimento de refugiados na fronteira do deserto africano do Sahel. O foco são histórias de pessoas em transição, momentaneamente retidas naquele destino, ou definitivamente obrigadas a ficar no local.

A “generosidade das personagens” e o humanismo em volta do filme foram uma das principais razões pela escolha, informa a organização. O júri considera a obra “um retrato digno e importante na sociedade dos dias de hoje, de uma certa ‘melancolia do exílio’, que não explora o sofrimento dos intervenientes, mas que o expõe de forma justa e sem artifícios”.

The Last Shelter Porto/Post/Doc
Fotografia: Beatriz Ramires e Melanie Pereira/Porto/Post/DOC

Distopia, de Tiago Afonso, venceu o prémio na categoria do Cinema Falado. O projeto acompanha, durante 13 anos, as mudanças sociais da cidade do Porto. As expulsões, as demolições e realojamentos que afetam a comunidade cigana do Bacelo, os vendedores da Feira da Vandoma e a população do Bairro do Aleixo. Para o júri, é “um testemunho da inquietação e das dores de quem vê a paisagem urbana e os seus modos de vida alterados de forma traumática”.

Por outro lado, a menção honrosa do festival foi para Beatrix, de Lilith Kraxner e Milena Czernovsky. “Como se tratasse de uma performance de dança contemporânea do quotidiano, o filme apresenta-nos, através duma original abordagem pseudo-documental, à intimidade feminina crua”, diz no comunicado.

Gonzalo García Pelayo e Pedro G. Romero, com Nueve Sevillas, venceram na competição transmission. O retrato “com maestria” e o olhar original do “coração e alma de uma cidade”, como Sevilha, foram o destaque da trama. “Através das vozes, a música e os artistas que a escreveram, escrevem e reescreverão a história de um centro multicultural, cheio de contrastes e contradições que é parte essencial da cultura espanhola”, realça o painel de jurados.

Em transmission, a menção honrosa recaiu em Karen Dalton: In My Own Town, dos autores Richard Peete e Robert Yapkowtiz. O documentário retrata a trajetória da cantora de folk Karen Dalton, idolatrada por Bob Dylan e Nick Cave. “Um retrato de relações instáveis, de vícios e de pobreza da artista favorita de Bob Dylan”, lê-se.

Fruto do Vosso Ventre, de Fábio Silva, descrito como um “filme terno que coloca o espetador num lugar de desconforto”, foi distinguido com o Prémio Cinema Novo by Canal180. Já o Prémio Teenage foi dado a Engeli Broberg, com Gabi, Between Ages 8 and 13. Por último, o Prémio Arché by Companhia das Culturas/Fundação Pereira Monteiro foi entregue a À Procura da Estrela, de Carlos Martínez-Peñalver Mas.

O festival Porto/Post/Doc trouxe a estreia nacional de dez longas-metragens, o que permitiu “uma viagem por algumas das paisagens sociais e políticas contemporâneas”. Com dez dias de exibição, são cerca de 100 os filmes apresentados. A oitava edição do evento termina esta terça-feira (30), no Coliseu do Porto.