Dino d'Santiago
Fotografia: Sony Music / Divulgação

À Escuta. Novo álbum de Dino D’Santiago volta a dar voz à lusofonia

À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos sobre os lançamentos da música nacional, está de volta e com ela chegam as mais recentes novidades da música portuguesa. Esta semana o grande destaque vai para o novo álbum de Dino D’Santiago. Entre os destaques ainda contamos com Stray e o novo single de Carlão.

Ainda falamos de novos trabalhos de Alda, Miguel Marôco, Golden Slumbers, SOLUNA e Dotorado Pro, Silly, Pimenta Caseira, Calmness, Gohu, Coletivo Lenha e Pêra Doce .

BADIU é o novo álbum de Dino D’Santiago.

Três álbuns, três vezes candidato a álbum do ano. Depois de ter lançado a obra-prima Mundo Nôbu, em 2018, de nos ter brindado com Kriola em 2020 e de pelo meio ainda ter apostado numa vertente eletrónica no EP Sotavento, Dino D’Santiago lança Badiu.

Dino tem sido um dos maiores, se não o maior, porta-voz para a diversificação e globalização da lusofonia. Sempre fiel às suas raízes e com o objetivo de quebrar barreiras, sejam estas sonoras, culturais ou sociais. Se há palavra que descreve bem a música de Dino é união, seja esta de géneros, estéticas, estilos e acima de tudo a nível cultural.

Dino d'Santiago
Dino d’Santiago / Fotografia: Colors

Neste novo projeto temos virtudes dos últimos dois álbuns, sejam a introspeção, dedicação e paixão do primeiro, seja a alucinante e absolutamente contagiante sonoridade de Kriola. A produção é, sem surpresa, abismalmente bem conseguida, super arrojada, altamente versátil e dinâmica e cheia de mistura e crossovers entre géneros.

Como em Kriola, Dino chama algumas vozes para o ajudarem na sua missão, de Slow J a Nayela, passando um oceano chegando a Rincon Sapiência e até, saindo da lusofonia, chegando à estrela colombiana Lido Pimienta. Dino demonstra-se emocional, pessoal e sem medo de expor a sua vulnerabilidade, essa mesma emoção sempre foi fácil de chegar ao ouvinte, mas em Badiu somos confrontados logo na primeira faixa com toda a humildade e honestidade de Dino numa poderosa intro que depois vai progredindo para músicas que florescem em energia no seu projeto mais frenético até à data, não temos tempo para respirar nestes 31 minutos de música.

Sem surpresa, Dino D’Santiago mostra mais uma vez o porquê de ser uma das melhores pessoas a fazer música em Portugal.

São as ANEDOTAS DO COVEIRO contadas por Stray

A música sucessora de Rafeiro, single que dá nome ao disco a sair no dia 16 de dezembro, ANEDOTAS DO COVEIRO é mais um single de Stray pronto para induzir hype e expectativa para o seu álbum. Depois de estudar a alcoolémia de um canídeo, Stray debruça-se sobre aquele que “rouba penas aos corvos”, o coveiro. Algo que podemos assumir, é que Stray nas suas músicas aborda as realidades que ninguém quer abordar, ou que ninguém sabe abordar. Com o seu tom pesado e mórbido, a faixa vai prosseguindo com um ritmo negro e que dá um ótimo espaço para Stray nos entregar as suas anedotas numa performance maníaca, no melhor sentido possível, numa canção que ganha vida através do trabalho visual de Diana Romero, que também vai ilustrar o universo de todo o disco.

ANEDOTAS DO COVEIRO é uma faixa que apesar do seu tom sinistro, é super orelhuda não saindo da cabeça logo após a primeira audição. O instrumental ficou a cabo de RAEZ.

Em ‘1986’ somos convidados a entrar na máquina do tempo de Carlão

Neste novo single, Carlão, mais biográfico e nostálgico que nunca, partilha alguns testemunhos desta história de amor que pretende homenagear. Pelo caminho desta viagem percorremos ainda a introdução e a evolução do artista ao longo do seu percurso musical, enquanto nos brinda com certos vícios e costumes da sua juventude. O arranjo é simples e serve apenas para complementar os meticulosos versos de Carlão.

Alda retrata a Demência no seu novo tema

Não é um tema fácil, nem bonito, porém as palavras e interpretação de Alda fazem de Demência bonito.

A letra é tocante, sincera e direta, não há romantismo nem eufemismos naquilo de que Alda fala. O arranjo entrega o necessário para a performance vocal simples e exemplar dar o nó final numa canção que nos deixa num estado de ambiguidade. Tanto ficamos deliciados com toda a beleza da faixa, como devastados pelo que a mesma retrata. É isso que torna este single um dos mais especiais da semana e sobretudo, dos mais tocantes.

Miguel Marôco traz-nos o seu álbum de estreia ‘Marôco’

É um pop simples e alegre este trazido por Miguel Marôco. Os arranjos não se complicam muito quando tentam entregar um ambiente agradável para as cativantes letras tornarem este projeto numa experiência agradável e jovial e que progride com toda a delicadeza.

O regresso de Golden Slumbers com I Love You, Crystal

Simples no que transmite, arrojado em como o faz, é o que se pode dizer da produção do novo single da banda que antecipa o lançamento do seu segundo álbum no início de 2022.

Angelical e com uma certa energia bucólica, o grupo entrega uma faixa serena e delicada com guitarras cintilantes e uma atmosfera bastante apaziguadora. Na ficha técnica do single ainda temos Miguel Nicolau na produção do arranjo e na mixagem e masterização, Nuno Monteiro e Daniel Silva na gravação e o videoclube ficou nas mãos de Martim Braz Teixeira.

A simbiose entre SOLUNA e Dotorado Pro resulta no banger Flaca

Há músicas que não precisam de muitas palavras para descrever o seu poder, Flaca é uma delas, a faixa é um BANGER. Um instrumental em chamas, com um ritmo impossível de não puxar movimento e uma performance carismática de SOLUNA, que despeja personalidade por cima de todo o tema.

Silly vive sensivelmente

Delicada e tranquila, como quem vive sensivelmente. Os instrumentais todos eles instalam a energia apaziguadora que se estende desde o primeiro ao último segundo. Pelo caminho a artista entrega-nos versos repletos de sobriedade e honestidade, sem remorso e acima de tudo conscientes. O EP ainda conta com nomes como Pedro Da Linha, EU.CLIDES e DEEKAPZ.

Pimenta Caseira brindam-nos com Cais, Vol. 1

Um caloroso projeto de R&B que viaja também pelo jazz fusion e o neo-soul, acompanhado por irreverentes saxofones, um Groove infecioso e um conjunto de 11 faixas todas elas cativantes à sua maneira.

Calmness lança o seu álbum don’t ask if i’m okay

O álbum é o trabalho mais pessoal até à data, segundo o artista, e é fácil perceber o porquê. Vê-se que todas estas letras era suor que necessitava de sair cá para fora, é notável, seja pelo quão meticulosa a música consegue ser ou pelo quão introspetivas são as letras. A experiência é muito agradável, com arranjos bastante eletrizantes desde as arrojadas guitarras às delicadas melodias.

Contigo Como Lountra diz Gohu

“Estou louco para dizer, que sou louco para viver”

Um single engraçado e cativante este lançado pelo artista do Porto que reside em São Paulo. A faixa tem um tom quente, veranil e a letra é “catita” e reconfortante que acaba por florescer sobre um arranjo simples mas extremamente efetivo, num dos trabalhos mais cativantes da semana.

Novo projeto do Coletivo Lenha, Quebra-Nozes

Os breaks e o drum & bass chegam-nos pelas mãos do Coletivo Lenha.  Um conjunto de faixas altamente imersivo e super infetantes que tanto servem para nos colocar numa hipnose sonora como também eram altamente capazes de destruir qualquer pista de dança.

Pêra Doce pensa Sem Ideias

Pêra Doce apresenta Pensar Sem Ideias. Uma mixórdia de géneros, do alternativo ao post-punk, do jazz ao instrumental com pitadas de hip-hop e uns toques de rock, de uma forma ou de outra, neste projeto temos um certo charme que se faz sentir ao longo de toda a sua duração.