Sandra Felgueiras (RTP) Sexta às 9

De costas voltadas. Jornalistas da RTP desmentem queixas da equipa do ‘Sexta às 9’

A equipa do programa Sexta às 9 acusou a RTP de desinvestimento e de falta de recursos, falando mesmo em abandono” e “humilhação” por parte da Direção de Informação. Num documento interno a que o Espalha-Factos teve acesso, os membros eleitos do Conselho de Redação do canal público dão conta de inconsistências nos pontos referidos pelos colegas.

Na nota dos jornalistas da equipa do Sexta às 9 – Ana Raquel LeitãoCláudia Viana, Helena Cruz Lopes, Inês SubtilLuís Vigário – estes afirmaram a sua “profunda indignação” pelo facto de o programa ter sido suspendido, sem aviso prévio, por parte da Direção de Informação da RTP.

A equipa do Sexta às 9 fala ainda na “profunda humilhação” com que assiste a estes acontecimentos, “depois de meses de silêncio em relação à falta de recursos do programa”. A missiva do Conselho de Redação, que cita uma reunião com a Direção de Informação (DI), rebate estas afirmações, com os responsáveis da DI a descrever que “o Sexta às 9 nunca teve mais do que 5 jornalistas, número existente à altura dos factos, a que se têm juntado outros contributos de diferentes áreas, nomeadamente dos nossos correspondentes“.

“Colmataram-se sempre as falhas existentes”

A Direção aponta ainda que, após a saída de um dos membros da equipa, este foi substituído, por uma pessoa “da escolha da coordenadora do programa“, o que inclusivamente “obrigou a uma nova contratação para a redação do Porto“. Foi sublinhado inclusivamente que “ao contrário do que acontece com outros setores da Redação, colmataram-se sempre as falhas existentes“.

Quanto à saída de Sandra Felgueiras, a equipa indica que a repórter tinha chegado a um limite na RTP devido “à ausência reiterada de recursos humanos e materiais. Mais uma vez, o documento interno do Conselho de Redação contradiz a equipa do Sexta às 9, indicando que “todos os pedidos da coordenadora Sandra Felgueiras, como uma sala própria [para a equipa do formato] ou um programa informático para transcrição de entrevistas, foram facultados“. Esta sala, revela a ata, “não foi utilizada pela equipa do programa“.

A Direção de Informação relata também que quando a jornalista os informou da saída para o grupo Cofina, a 16 de novembro, recusou qualquer negociação ou contraproposta, dando essa decisão como tomada. De acordo com a própria, “abandona a RTP a seu pedido e no seu próprio interesse“.

Sandra Felgueiras não tinha “condições de lealdade empresarial” para se manter como rosto da RTP

A equipa do formato apontava que Sandra Felgueiras tinha mostrado disponibilidade “para terminar a temporada” do programa, que estaria no ar até 17 de dezembro. A jornalista iniciará funções na CMTV cerca de 15 dias depois, a 2 de janeiro.

Os membros eleitos do Conselho de Redação consideram que neste caso, mas também “em todos os outros casos que
envolvam a saída por iniciativa própria de jornalistas da RTP, os mesmos devem imediatamente sair de antena“. Os representantes são da opinião que “a partir do momento que um funcionário da redação apresenta a carta de demissão e passa a integrar um projecto de outro órgão de comunicação social, não tem condições de lealdade empresarial ou de exclusividade contratual, a que todos estamos obrigados, para se manter como rosto da RTP“.

António José Teixeira RTP Rose D'Or
António José Teixeira é o atual diretor de informação da RTP (Fotografia: Divulgação)

Equipa acusa Direção de Informação de nunca ter ouvido membros do programa

Em relação ao renovado formato do programa, anunciado pela RTP, os jornalistas da equipa do Sexta às 9 afirmam que é absolutamente incompreensível que a Direção de Informação anuncia que está a trabalhar num “renovado formato” do ‘Sexta às 9′ sem nunca nos ter ouvido – e quando sabe que o programa é o único espaço de investigação, assim designado e com periodicidade semanal, da RTP”.

Também aqui a versão da Direção de Informação é diferente. Os responsáveis pelo jornalismo do canal público afirma que nunca receberam “qualquer pedido da equipa do Sexta às 9 para uma reunião” e que “as reuniões decorreram todas com a coordenadora do programa“.

O único pedido para que os membros da equipa pudessem estar presentes surgiu, por parte de Sandra Felgueiras, mas apenas a 13 de outubro deste ano. Esta terá sido, de acordo com a DI, “a primeira e única vez” que houve “uma sugestão da coordenadora para que os restantes elementos do programa participassem“. O único pedido anterior, e de caráter individual, foi de uma das jornalistas da equipa, Ana Raquel Leitão, “que pediu para sair do
Sexta às 9“.

A Direção entendeu que aquela reunião “deveria ser apenas com a coordenadora” e que posteriormente poderia acontecer “uma conversa mais alargada“.

O que irá acontecer às investigações em curso?

Na nota, a equipa do programa jornalístico levantou ainda uma questão em relação aos temas deixados em aberto: “O que prevê a Direção de Informação fazer às investigações, das quais já tem conhecimento, sobre matérias tão sensíveis como a atribuição de licenças para exploração mineira, fraudes no setor alimentar e na retirada de afegãos para Portugal, ou em casos de possível corrupção no setor energético?”

Os membros do Conselho de Redação recordam que “a marca RTP sempre deu primazia a boas histórias, bem contadas e que trouxessem notícia à opinião pública. O jornalismo de investigação não é algo que se realiza semanalmente, mas todos os dias nos diferentes programas da RTP. O jornalismo de investigação é algo que a RTP e os seus jornalistas, repórteres de imagem e editores de imagem, realizam há anos. E vão continuar a realizar“.

* Pedro Miguel Coelho com Diogo Alexandre
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