Imagem: Disney / Marvel Studios

Crítica. ‘Hawkeye’ cumpre de forma divertida, mas é a aprendiz que brilha

Existem três coisas inevitáveis: a morte, os impostos… e o Marvel Cinematic Universe. Depois de a Viúva Negra finalmente ter o seu próprio filme em julho, chega agora a vez de Hawkeye, o único dos seis Vingadores originais que ainda não tinha recebido uma história a solo.

Em vez de um filme, o herói arqueiro da Marvel tem direito a uma série inspirada pela banda desenhada Hawkeye: My Life as a Weapon escrita por Matt Fraction (também produtor consultor nesta série) e ilustrada por David Aja, que redefiniu Clint Barton para o século XXI.

Assim, os primeiros dois episódios de Hawkeye – Gavião Arqueiro chegaram a 24 de novembro à Disney+, com mais quatro capítulos a serem lançados semanalmente às quartas-feiras. Mas será que, como o personagem titular, a série acerta em cheio?

Enquanto que Viúva Negra voltou atrás na cronologia do MCU para explorar a família e o passado de Natasha Romanoff, Hawkeye lida diretamente com as consequências de Endgame.

Clint Barton (Jeremy Renner) é um Vingador reformado, e a sua nova missão é simples: passar um Natal normal com os filhos em Nova Iorque, para recuperar o tempo perdido durante os cinco anos em que eles, tal como metade da vida no Universo, foram evaporados por Thanos.

No entanto, os crimes que Clint cometeu sob a identidade de Ronin regressam para o encontrar, e o Vingador vê-se obrigado a ajudar Kate Bishop (Hailee Steinfeld), uma jovem fanática por Hawkeye com o seu próprio talento para arco e flecha, artes marciais e meter-se em sarilhos.

Não merecemos Kate Bishop

É impossível falar da série Hawkeye sem começar por destacar Hailee Steinfeld como Kate Bishop. A atriz encaixa na perfeição no papel, dando-nos simultaneamente uma perspetiva nova perante o MCU, mas também a fundação para uma protagonista e heroína profundamente carismática e capaz.

Hailee Steinfeld como Kate Bishop em Hawkeye
Imagem: Disney / Marvel Studios

Como já foi possível ver em Bumblebee, Dickinson e The Edge of Seventeen, Steinfeld parece ter um talento sobrenatural para encarnar uma jovem profundamente inteligente, rebelde e empática em conflito com figuras parentais à medida que encontra o seu lugar no mundo.

É verdade que a relação de mentor relutante/figura paternal entre Clint e Kate pode ser vista como mais um exemplo da trope que nos deu histórias como Logan ou The Last of Us.

No entanto, o fanatismo de Kate por Hawkeye e o puro carisma de Steinfeld enquanto jovem privilegiada de Manhattan que não se revê no mundo das aparências em que cresceu, dão uma identidade suficiente a esta execução do conceito, tornando-a mais do que um exercício em pintar dentro das linhas.

Jeremy Renner e Hailee Steinfeld em Hawkeye
Imagem: Disney / Marvel Studios

Um drama de crime para todas as idades?

Como grande parte dos filmes e agora séries do MCU, Hawkeye atinge um equilíbrio entre não se levar muito a sério mas ainda ter espaço para momentos mais realistas ou emocionais sem que estas duas metades choquem ou se invalidem.

Nova Iorque durante a época natalícia é um cenário que representa bem esta dicotomia: um drama de crime que é, acima de tudo, uma aventura para toda a família. Ambos os episódios têm momentos onde se dedicam quase inteiramente à comédia, como é o caso do número musical sobre a Batalha de NY durante um espetáculo na Broadway sobre a vida de Steve Rogers/Capitão América.

O musical "Rogers" na série Hawkeye
Se isto não te convence a ver a série, nada irá. | Imagem: Disney / Marvel Studios

Se gostas do estilo de ação-comédia que ficou sinónimo com filmes da Marvel, Hawkeye é um bom exemplo disso. Se esperavas algo mais sério ao estilo das séries mais adultas da Marvel na Netflix, a mira não está para aí virada.

Mesmo sendo uma história menos fantástica, que encontra os seus inimigos em organizações criminosas em vez de exércitos extraterrestres. Hawkeye coexiste bem com o passado da personagem nos Vingadores.

Para além do impacto que eventos como a Batalha de Nova Iorque tiveram na cidade e em personagens como Kate, a série aproveita para concretizar o dano que anos de salvar o mundo causaram no corpo de um mero humano como Clint.

Puxando diretamente dos comics, Clint está parcialmente surdo e usa um aparelho auditivo ao longo da série. Pode parecer um pequeno detalhe, mas aliado à performance sincera de Jeremy Renner é mais um fator que solidifica Hawkeye como o everyman da equipa que joga bastante acima do seu peso, mesmo que um com uma precisão e perícia excecionais.

A mira de Hawkeye é excelente, mas a ação apenas satisfaz

Apesar da perícia excecional de Clint e Kate no arco e em corpo-a-corpo, as sequências de ação até agora são apenas competentes.

Existem momentos bem conseguidos e de um modo geral não prejudicam a série, mas ainda não alcançaram o potencial acrobático e criativo destas personagens, especialmente em comparação com a fasquia deixada por séries como Punisher ou Daredevil.

Kate Bishop (Hailee Steinfeld) em Hawkeye
Imagem: Disney / Marvel Studios

Para além da ação, a comparação com as séries anteriores sobre heróis de rua em Nova Iorque revela o estilo de produção bastante diferente.

Enquanto que as produzidas pela Netflix inspiravam-se em dramas de crime televisivos, neo-noir e filmes de ação e artes marciais, Hawkeye acaba por seguir quase por completo a identidade audiovisual já estabelecida, tornando-se por vezes mais uma carruagem no comboio infindável do Marvel Cinematic Universe. Ainda assim, os primeiros dois episódios de Hawkeye não desiludem… se formos com as expectativas certas.

A série ainda não alcança os pontos altos da banda desenhada que claramente serve como inspiração temática e visual, mas Hailee Steinfeld como Kate Bishop revela-se um triunfo de casting, e Jeremy Renner traz Clint de volta à terra, e finalmente para o centro da história, de forma admirável e divertida.

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Hawkeye
6.5

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