Maria do Mar Porto Post Doc
Fotografia: Porto/Post/Doc/Divulgação

Porto/Post/Doc. Oitava edição do festival abre com o cine-concerto ‘Maria do Mar’

A oitava edição do festival de cinema Porto/Post/Doc, que desde 2014 acontece em parceria com o Teatro Municipal do Porto, teve início este sábado (20). A decorrer entre 20 e 30 de novembro, esta edição vai ter lugar em “mais dias e mais salas” e, na primeira noite, o destaque foi para a apresentação do cine-concerto Maria do Mar, de Leitão Barros.

Marcada para as 21h30, teve início a cerimónia de abertura do festival no Grande Auditório do Teatro Rivoli. A noite de abertura contou com a apresentação do clássico do cinema português de 1930 Maria do Mar, de Leitão Barros, numa versão restaurada e digitalizada em alta-definição e musicada por Bernardo Sassetti, interpretada por Pedro Burmester e pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa.

O diretor do Porto/Post/Doc, Dario Oliveira, foi o primeiro a falar ao público, a quem diz ter vindo “ver cinema no lugar certo”. Já Bartolomeu Costa, coordenador do Filmar, subiu ao palco para prestar vários agradecimentos e falar do projeto que visa preservar e digitalizar o património fílmico relacionado com o mar. “O mar é uma parte integrante da identidade nacional”, remata.

Segundo José Manuel Costa, diretor da Cinemateca, a história de Maria do Mar remete a 2000, quando estreou a partitura de Bernardo Sassetti que acompanha as imagens do filme de 1930. O compositor considerou-a como “o melhor que fez em termos de composição”.

O cine-concerto apresentado no festival é uma digitalização em alta-definição de um restauro feito em 2000, que o torna no primeiro exemplo de restauro produzido no laboratório do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento. O diretor da Cinemateca aproveitou para anunciar o lançamento da versão digitalizada e orquestrada do filme em DVD. “Um DVD vai juntar isto tudo”, revela e acrescenta que “não é um momento qualquer”. “Permite que o país se aproprie ou reaproprie de um filme que é tão importante na nossa história”, sublinha.

A trama foca-se na vida da personagem Maria do Mar, que dá nome ao projeto e também ao barco de pesca do pai da mesma. Dividida em nove partes, esta longa-metragem acompanha a personagem em vários momentos da vida, incluindo um trágico acidente que tira a vida a vários pescadores da região e do qual a população atribui a culpa ao pai dela, o arrais. Este momento muda a vida da protagonista para sempre e a forma como é tratada por certas pessoas na Nazaré.

Num emotivo encontro com a plateia, este filme mudo destaca-se pela força e autenticidade das expressões de todos os atores, desde os principais aos mais secundários, que compensam qualquer fala. A narrativa retrata uma população de pescadores da Nazaré e, por exemplo, em cenas de tragédia, as interpretações de desespero e sofrimento são impressionantes.

A ausência de som do trabalho original de 1930 também foi substituída por uma banda sonora de orquestra, sem a qual é difícil imaginar a longa-metragem, depois de se conhecer esta versão musicada, porque assenta perfeitamente, do início ao fim. Maria do Mar junta cenas tensas com cenas mais leves e todas elas são acompanhadas neste cine-concerto por música de orquestra que sonoriza na perfeição, tanto os momentos mais emocionantes, como os mais cómicos.

Começando com bastante ação e agitação, a história abranda a meio, durante algumas partes, mas termina dando-lhe um desfecho consistente de modo que tudo a que assistimos faça sentido. Como diz o diretor do festival Porto/Post/Doc no início desta cerimónia de abertura: “Fizemos um festival com 100 filmes e este é só o primeiro”.

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