Jodie Turner-Smith como Anne Boleyn em Anne Boleyn
Foto: Divulgação/HBO Portugal

Anne Boleyn. História da Rainha Inglesa chega à HBO Portugal com elenco diverso

A minissérie britânica Anne Boleyn é a nova aposta da HBO Portugal para prender os portugueses ao ecrã. A produção que retrata os meses finais da Rainha Consorte e que causou alguma controvérsia no Reino Unido estreia na plataforma no dia 9 de novembro. 

Chega à HBO Portugal 485 anos depois da morte da segunda esposa do Rei Henrique VIII de Inglaterra e em apenas três episódios vai trazer de volta a década de 1530. Na minissérie, os espectadores terão a oportunidade de ver o quotidiano de uma das rainhas inglesas mais cobiçadas de sempre. Anne Boleyn foi rainha da Inglaterra de 1533 a 1536, ano em que foi executada. 

Referida muitas vezes como uma das figuras mais pitorescas da história Britânica, devido ao casamento turbulento com Henrique VIII, traição e pela decapitação, a série Anne Boleyn mostra a luta de uma mulher contra a sociedade patriarcal, o seu desejo de garantir um futuro para a filha, Elizabeth, e as consequências de não conseguir dar ao rei um herdeiro homem.

Com um elenco diversificado, a minissérie promete trazer uma visão feminista da história ao contar os factos da perspetiva de Anne. Além disso, a série quer re-imaginar a história de vida de uma mulher que muitos odeiam, mas pouco conhecem.

Jodie Turner-Smith como Anne Boleyn e Paapa Essiedu como George Boleyn em Anne Boleyn
Jodie Turner-Smith como Anne Boleyn e Paapa Essiedu como George Boleyn (Fotografia: Divulgação/HBO Portugal)

A produção conta com Jodie Turner-Smith (Queen & Slim) no papel de Anne Boleyn e Mark Stanley (Guerra dos Tronos) a protagonizar um dos reis mais conhecidos da história britânica, Henrique VIII. O elenco conta ainda com Paapa Essiedu, de I May Destroy You, Barry Ward (Des), Amanda Burton (Marcella), Thalissa Teixeira (Ragdoll) e Lola Petticrew (Bloodlands). 

A Controvérsia de ‘Anne Boleyn’

Ao contrário do que seria de esperar, a produção do Channel 5 conta com três atores de cor a interpretar personagens brancas: Jodie Turner-Smith, Paapa Essiedu e Thalissa Teixeira. A situação causou alguma controvérsia, tendo criado um debate público sobre aquela que foi uma das séries mais antecipadas do ano no Reino Unido. 

Descrita como um thriller, a minissérie chamou, então, a atenção do público britânico quando as personagens principais foram reveladas. Logo após a revelação de quem iria interpretar o papel de Anne Boleyn, as redes sociais encheram-se de críticas, muitas com comentários de perfil racista.

A razão do backlash prende-se com o facto de Jodie Turner-Smith ser uma atriz negra que vai protagonizar uma personagem histórica que era branca. Esta é a primeira vez que uma atriz negra protagoniza a Rainha Boleyn no ecrã. Apesar da escolha do elenco diversificado poder ser vista como uma vitória, foram poucos os que a celebraram. Grande parte dos internautas não entende como é que uma monarca que era branca pode ser representada por uma atriz diferente dos retratos históricos.

Laurence Fox, ator e ativista político, conhecido no Reino Unido por ter opiniões controversas usou as redes sociais para criticar a escolha do elenco. No Twitter, o ator afirma que “Anne Boleyn foi uma mulher branca heterossexual. Coloquem isso no vosso tubo da diversidade. A agenda da diversidade é o racismo. Pura e simplesmente.” 

Contudo, numa outra publicação Laurence Fox clarificou que, na sua opinião, “qualquer ator de qualquer orientação sexual, cor de pele ou tipo de corpo pode interpretar qualquer personagem. Daí se dizer ‘atuar’. Mas tem que ser algo consistente, porque de outra forma é só discriminação”.

As razões de contar com um elenco diversificado

Em entrevista ao jornal americano The New York Times, Faye Ward, um dos produtores executivos da série referiu que a intenção era “encontrar alguém que pudesse realmente representar e viver Anne Boleyn, mas também ser uma surpresa para os espectadores”. Tendo em conta que a história da Boleyn já foi representada várias vezes, quase sempre da mesma forma, os criadores da série “queriam redefinir as expectativas das pessoas em relação a ela”, afirma Ward. 

A escolha das personagens para a série foi realizada através da técnica “consciente da identidade” permitindo interligar as experiências de um ator às da personagem. Em conversa com a RadioTimes.com, Mark Stanley afirma que “é tudo sobre se encontrar a pessoa perfeita para o papel, em vez de o que nós enquanto sociedade achamos que é melhor para interpretar a personagem. Anne Boleyn era bonita, vibrante, inteligente e a Jodie é todas essas coisas”.

Num comunicado, o canal Channel 5 afirma que escolher o elenco dessa forma “abre espaço para atores e artistas terem a oportunidade de trazer as suas identidades ou parte delas para uma personagem. Atores de origens minoritárias que raramente são representados no ecrã podem assim reivindicar partes das suas identidades pessoais, sem serem limitados por elas.”

Jodie Turner-Smith como Anne Boleyn e Mark Stanley como Henrique VIII em Anne Boleyn
Foto:Divulgação/HBO Portugal

Em conversa com o The New York Times, a atriz principal, Jodie Turner-Smith, refere que “enquanto mulher negra, eu consigo entender o que é ser marginalizada. Eu tenho experiência de vida do que é ser marginalizada e sentir-me limitada”. “Pensei que seria interessante trazer a frescura de uma pessoa Negra para contar essa história”, acrescenta a atriz de 34 anos. 

Porém, apesar de se mostrar contente com o trabalho que fez, Jodie reconhece que não é fácil para toda a gente lidar com a situação. Quando questionada sobre os comentários racistas por Abigail Blackburn, jornalista da revista online Glamour, a atriz afirma que sabia que “as pessoas tinham opiniões e sentimentos muito fortes sobre isto, seja de uma maneira positiva ou negativa, porque Anne é uma humana sobre a qual as pessoas sempre tiveram opiniões muito fortes”. 

Anne Boleyn chega a Portugal no dia 9 de novembro na HBO Portugal.