O Som Que Desce na Terra Sérgio Graciano
Fotografia: Filipe Feio/Divulgação

‘O Som Que Desce na Terra’. Novo filme de Sérgio Graciano está a chegar às salas portuguesas

Gabriela Barros representa a mulher que espalhou esperança e quis diminuir a solidão e o sofrimento dos familiares dos combatentes na Guerra do Ultramar.

A nova longa-metragem de Sérgio Graciano estreia já esta quinta-feira (11). O Som Que Desce na Terra fala-nos da Guerra Colonial pela perspetiva de uma mulher marcante. Gabriela Barros é a protagonista de uma produção que fez parte da short-list da Academia de Cinema Português, para filme português candidato a Melhor Filme Estrangeiro na próxima cerimónia dos Óscares.

Nesta trama, Gabriela Barros é Maria da Luz, uma mulher que, como tantas outras à época, espera notícias do marido, soldado no Ultramar. Maria transforma o sofrimento e solidão num ato corajoso que vai mudar o rumo da própria história. Decidida a não passar os dias apenas a esperar, grava mensagens de apoio de mães, mulheres e familiares para os soldados na guerra e assume como missão ir a Angola para levar essas mesmas mensagens.

O apoio do governo português, numa decisão tomada para manifestar grato com o gesto da mulher e apaziguar a espera e solidão de outras tantas, surge na forma de um soldado, Domingos Bento (José Condessa), destacado para a acompanhar durante todo o tempo. A relação que desenvolvem vai mudar a vida de ambos.

O Som Que Desce na Terra Sérgio Graciano
Maria da Luz e Domingos Bento | Fotografia: Filipe Feio/Divulgação

Sérgio Graciano quis contar esta história em homenagem a todas as “mulheres extraordinárias e que não esperam quaisquer benesses e comendas, embora as mereçam”O Som Que Desce na Terra “evoca as emoções que Maria da Luz desertou junto desses soldados, ao aparecer-lhes de surpresa nos aquartelamentos, matando-lhes as saudades e transmitindo-lhes um sentimento de ânimo e de esperança”, sublinha o realizador, que lembra que esta mulher “representa as mulheres e tudo o que elas devem e merecem ser”.

“Uma visão feminina do desespero da Guerra” escrita também no feminino

A escrita desta narrativa foi entregue a duas argumentistas, Filipa Poppe e Joana Andrade, sendo baseada na história verídica de Maria Estefância Anachoreta, natural de Santarém. A mulher percorreu, há mais de 40 anos, durante sete meses, quase 20 mil quilómetros pelo mato e a floresta de Angola, para entregar as mensagens das mães e mulheres dos jovens combatentes.

A ideia de contar esta história surgiu depois do documentário A Voz da Saudade, que a RTP transmitiu em 2008. As argumentistas referem que a “simplicidade e altruísmo com que vivia a vida” as captou pela forma contrastante com o “tempo egoísta em que vivemos hoje, em que a individualidade prevalece, em que – os outros – cada vez menos contam”.

O Som Que Desce na Terra Sérgio Graciano
Fotografia: Filipe Feio/Divulgação

A “inspiração” na vida de Maria Estefânia para construir Maria da Luz, surgiu por serem “duas mulheres à frente do seu tempo, destemidas e altruístas”. Mas a inspiração não ficou por aqui. “Antes de começarmos a escrever o guião, lemos muito sobre os verdadeiros protagonistas da guerra colonial: jovens despreparados que foram enviados para a guerra sem nunca terem visto uma arma na vida”, revelam Filipa Poppe e Joana Andrade. A isto acrescentaram ainda conversas com “vários ex-combatentes e com as suas famílias sobre as feridas que sararam e as que ficaram por sarar”, que inspiraram também no desenvolvimento do Cabo Domingos e “todos os militares que, no filme, estão a cumprir serviço em Angola”.

O Som Que Desce na Terra foi produzido em 2019 por Andreia Esteves Manuel Pureza e a direção de fotografia ficou a cargo de Miguel Manso. É uma obra financiada pelo ICA – Instituto de Cinema e Audiovisual, com distribuição NOS Audiovisuais. Do elenco fazem também parte Guilherme Oliveira, Lourenço Conde, Margarida Marinho, José Raposo, Rui Melo, Gonçalo Carvalho, Rita Tristão, Vicente Wallenstein, Luís Henrique, Alberto Quaresma, Joana Seixas, Duarte Estrela e Carolina Lopes.

Sérgio Graciano vê também este ano chegar às salas Salgueiro Maia – O Implicado, realizado em 2020. Nos últimos anos, criou séries de grande sucesso, tais como A Rainha e a Bastarda, a estrear na RTP, A Generala na OPTO, Auga Seca na RTP e agora também na HBO, e Chegar a Casa, transmitida recentemente na RTP e comprada pela Amazon.

Atualizado às 12h43 do dia 12 de novembro, com a correção dos créditos das imagens utilizadas.