Cristina Ferreira na WebSummit
Fotografia: Sam Barnes/Web Summit

Web Summit. Cristina Ferreira: “Quando comecei como diretora, tinha homens a dizer para ser mais formal”

Cristina Ferreira esteve presente no palco da Web Summit para mostrar quais são as regras para se ser bem sucedido.

Cristina Ferreira esteve presente no último dia da Web Summit enquanto shareholder e Diretora de Entretenimento e Ficção da TVI. Perante uma sala totalmente cheia, apresentou as regras para se ser bem sucedido. Cristina começou com duas coisas: uma foto do seu batismo e uma bifana.

“Para se ser bem sucedido, temos de ser criativos”, começou, e “conhecer a nossa audiência”, mesmo que sejam um professor, padeiro ou uma apresentadora de televisão. Depois, apontando para a foto do seu batismo que estava projetada no ecrã, Cristina revelou a sua importância para o sucesso.

“Conheçam bem a vossa mãe. Sempre olhei para a minha foto de batismo e me perguntei porque é que a minha mãe tinha escolhido um vestido azul. Ninguém vestia uma menina com um vestido azul há 45 anos. Há uns meses, eu perguntei-lhe. E ela disse que era diferente. E esta é a chave, era diferente. Naquela altura, a minha mãe decidiu que a menina era fora da norma”, explicou, enquanto mostrava as fotos dos seus vestidos quando apresentou os Globos de Ouro, em 2019. “Ela nunca falhou e eu também não”.

Para além disso, Cristina reforçou a importância de não esquecermos do sítio de onde viemos e de ultrapassar as nossas fragilidades. Sobre este último conselho, Cristina deu o exemplo do livro que escreveu – Falar Inglês É Fácil – sobre a sua experiência de aprender inglês em Cambridge. Através do livro, explicou, conseguiu dar a oportunidade a seis adolescentes portugueses de aprender inglês na cidade inglesa.

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“Precisei de começar de novo”

Durante a sua apresentação, Cristina Ferreira abordou os comentários negativos que frequentemente recebe, especialmente desde que saiu da SIC para a TVI. “Quando eu mudei de vida e de trabalho, as pessoas não perceberam porque é que eu mudei. Foi porque eu quis, porque foi a minha escolha, porque precisei de começar de novo”, afirmou. Quando regressou a Queluz como shareholder, Cristina viu-se rodeada de homens que lhe disseram para mudar o modo como falava e se vestia. “Quando comecei como diretora, tinha homens a dizer para ser mais formal, falar de forma diferente e usar fato. Quando és diretora, não tens de parecer uma diretora homem”, disse, aconselhando a “usar a nossa voz”.

“Durante os meus anos em televisão, disseram que a minha voz era muito má, que me ria muito alto, mas nunca a mudei. Não tens de mudar nada em ti – o teu corpo, o cabelo ou a voz – porque o mais importante é o que dizes e como usas a tua voz. Quando eu mudei de empresa e estive seis meses fora da TV, as pessoas mandaram-me mensagens a dizer que sentiam falta da minha voz, da minha voz horrível!”.

Por último, Cristina pegou na bifana que tinha junto de si desde o início do discurso. “A última regra é esquecer todas as regras. Eu acredito que posso escrever o meu destino, passo a passo. Mesmo que a minha carreira na televisão acabe e tenha de começar de novo, tudo bem! Vou vender bifanas e serei a melhor vendedora de bifanas. Porque ganhamos sempre, mesmo que percamos”.

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