Catarina Furtado Web Summit
Fotografia: Eóin Noonan/Web Summit

Catarina Furtado: “A tecnologia é crucial para garantir direitos humanos e educação”

Catarina Furtado subiu ao palco no terceiro dia da Web Summit para falar à audiência sobre o seu trabalho como embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População na área dos direitos humanos. A apresentadora falou sobre as suas experiências em países onde a realidade difere da portuguesa e onde o acesso à educação está abaixo do desejável.

O sexismo existe desde que a sociedade existe e o tópico tem vindo a piorar”. Foi desta forma que a moderadora, a jornalista Charlotte Jee, da MIT Technology Review, introduziu o tema.

Sem se esquecer de agradecer aos presentes, Catarina Furtado decidiu desde logo esclarecer a audiência: “Não estou aqui por mim. Estou aqui pelos milhões de raparigas no mundo inteiro que têm vozes mas não conseguem ser ouvidas”. A apresentadora acrescenta ainda que “a tecnologia as pode ajudar a alcançar o seu potencial”. Apesar desta opinião, não considera que tudo seja positivo: “a violência que as mulheres enfrentam é semelhante tanto online como no mundo real”, afirma. No entanto, chama o focou para aspetos que podem ajudar a melhorar as condições de vida das jovens, explicando que “o acesso digital impacta a educação das raparigas” e que pode ajudar a construir movimentos sociais.

De acordo com a embaixadora, o sexismo está presente até nestas estatísticas: “As raparigas têm quatro vezes menos acesso à internet do que os rapazes”. Por isso mesmo, considera a internet fundamental na luta pelos direitos das mulheres. “A internet aumenta a visibilidade das mulheres e dos seus problemas”, explica a apresentadora, acrescentando que “também torna possível o expressar de solidariedade para com outras, como foi o exemplo das mulheres polacas, que viram os seus direitos reprodutivos negados”.

Catarina Furtado falou também das suas experiências enquanto embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População, especificamente as que viveu no terreno e em que conseguiu presenciar as verdadeiras condições das populações. “Sendo baseada em histórias reais com pessoas reais, a minha luta pelos direitos humanos é maior”, revela.

De regresso ao tema do digital, a apresentadora salienta a importância da internet no que diz respeito à educação: “A internet é muito mais do que redes sociais, para muitas raparigas é uma forma de aprender, ler e escrever e dá-lhes acesso a uma biblioteca de informação”. A isto, acrescenta que “a tecnologia é crucial para garantir direitos humanos e educação”. Catarina Furtado recorda ainda que existem imensos locais onde a saúde feminina se encontra subdesenvolvida, o que leva a mortes que considera horríveis. “A cada minuto, 830 mulheres morrem devido a gravidezes e partos”, clarifica.

Para além da saúde reprodutiva, Catarina Furtado falou também sobre a violência que as mulheres sofrem: “1 em cada 3 mulheres é vítima de violência doméstica durante a sua vida”. Neste aspeto, reforça o papel do digital e das redes sociais e o quanto podem fazer a mais, reforçando: “não podemos ser escravos de frases curtas, algoritmos e slides, não podemos ser escravos de slogans sensuais e populismo”.

A pandemia e o regresso ao trabalho foi um dos últimos temas abordados e, sobre isso, a apresentadora foi clara. “Acho que as mulheres ainda têm dificuldade em equilibrar a vida pessoal, familiar e profissional”, revela, sem considerar que isso seja culpa das trabalhadoras, reforçando que “as empresas devem colaborar mais para conseguirmos criar um mundo mais justo”.

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Como forma de terminar a conferência, Catarina Furtado quis deixar uma última mensagem sobre o sexismo e o seu trabalho enquanto embaixadora. “A igualdade de género é a chave para acabar com a pobreza”, conclui.