Meta
Fotografia: Eóin Noonan/Web Summit via Sportsfile

Web Summit. O que é viver no Metauniverso do (antigo) Facebook?

O Facebook continua a ser um dos principais temas no terceiro dia da Web Summit. Agora que a empresa mudou de nome e imagem, impõe-se a questão: o que é viver num metauniverso?

A 3 de novembro, a Altice Arena recebeu Nicholas Carlson, jornalista do The Insider, para entrevistar um dos principais funcionários do Facebookagora Meta -, Chris Cox. Em direto da sua casa nos Estados Unidos, Cox explicou o que é o metauniverso: “O metauniverso é a Internet a ficar menos plana”. Como assim?

Enquanto a entrevista estava a decorrer, com o jornalista no palco da Web Summit e Cox em videoconferência, um dos ecrãs da Altice Arena transmitia uma simulação do metauniverso, como se os dois estivessem a ter aquela conversa juntos, em proximidade, naquele universo.

No fundo, o metauniverso é um mundo onde comunicamos como se estivéssemos dentro de um videojogo e fossemos personagens desse jogo. Podemos comunicar verbal e gestualmente com as pessoas sem sair de casa, assumindo avatares. Mas Cox, um dos funcionários mais próximos de Zuckerberg, afirma: “O caminho acaba nas videoconferências? Não!”

Quando questionado sobre o impacto dos documentos divulgados por Frances Haugen, Cox disse que “tem sido um período muito difícil” para a empresa, mas que é muito importante que o Facebook tenha este tipo de conversas.

“Uma verdade horrível”

Apesar de Cox ter afirmado que existe um fundo milionário para estudar os benefícios que o metauniverso terá e cujos resultados serão transparentes, ainda ficaram muitas perguntas por responder.

A jornalista do The New York Times, Cecilia Kong, subiu ao palco para falar sobre o seu livro, An Ugly Truth, acerca dos segredos escondidos pelo Facebook. “O metauniverso é bom para a empresa porque desvia a atenção de outros assuntos e problemas que ainda não foram resolvidos”, comentou a autora.

O título do seu livro, explicou, vem de um documento divulgado por um dos funcionários mais antigos do Facebook, intitulado The Ugly. O documento interno revelava que a plataforma é usada para planear ataques terroristas e para praticar bullying, uma “verdade horrível” que está em linha com uma das revelações de Haugen – o Instagram reforça a pressão negativa sobre adolescentes, especialmente quanto à sua imagem corporal e autoestima.

“Mundialmente, não gostamos quando as empresas se tornam demasiado dominantes, como o Facebook se revelou”, comentou Kong. No centro deste domínio está uma figura: Mark Zuckerberg. “Cox é conhecido por ser uma pessoa de confiança de Mark, mas este não tem de ouvir mais ninguém. As pessoas em torno dele pensam como ele. Ele está rodeado de amigos de faculdade. Ser próximo de Zuckerberg requer muito esforço. [Zuckerberg] tem 54% do poder de decisão”.

“Graças a Deus que a Frances Haugen existe!”

Para Roger McNamee, investidor norte-americano e antigo colega de Mark Zuckerberg, o Facebook só mudou de nome devido às informações reveladas por Frances Haugen e do escândalo causado. Assim, esta mudança trata-se de uma forma de desresponsabilizar o fundador do Facebook dos problemas que têm surgido desde o começo da empresa.

McNamee teve uma boa relação com Zuckerberg, até ao momento em que percebeu que os seus planos de expansão o forçariam a negociar com estados totalitários e empresas desonestas. A partir daí, Roger McNamee terá se afastado da empresa e começou a falar abertamente sobre o que pensa do seu desenvolvimento. “Adoro a democracia e o facto de poder fazer as minhas próprias escolhas. Graças a Deus que a Frances Haugen existe!”.

Contudo, alerta, o que o Facebook está a fazer não é um caso isolado. “O comportamento de Mark não é assim tão diferente das empresas de todo o mundo. Todas as pessoas estão invejosas do sucesso de Mark Zuckerberg e portar-se-iam da mesma forma porque quando se é um CEO de uma empresa, o objetivo é aumentar as receitas. Mas, às vezes, o preço é demasiado alto”.