Black Lives Matter
Fotografia: Eóin Noonan/Web Summit via Sportsfile

Web Summit. Como é que as redes sociais ajudaram o Black Lives Matter a crescer?

A fundadora Black Lives Matter falou sobre a influência das redes sociais no crescimento do movimento.

Depois de ter falado no primeiro dia da Web Summit, a fundadora do Black Lives Matter, Ayo Tometi, esteve presente no terceiro dia (3) para falar sobre a relação entre o movimento pela igualdade e justiça racial e as redes sociais. O Black Lives Matter (BLM) já existe há oito anos, mas ganhou visibilidade mundial depois do vídeo do homicídio de George Floyd por um polícia ter circulado em 2020.

Entre 2020 e 2021, o movimento espalhou-se pelas redes sociais, incluindo o Facebook, Instagram e Twitter. Segundo a fundadora do BLM, essas são as ferramentas dos ativistas dos nossos dias. “As pessoas reais que se importam motivam a mudança. Assim como Martin Luther King Jr. se suportava nos media tradicionais, nós usamos as ferramentas dos nossos dias, que são as redes sociais“, explica Tometi.

Apesar desta plataformas terem ajudado o BLM a crescer, Tometi alerta para a responsabilidade das próprias redes sociais no problema. “Acho que a preocupação em torno do Facebook ao tomar credito pelo BLM é que [as redes] são algoritmos e formas de certas mensagens passarem e outras não. Ao longo dos anos, a tecnologia mudou e as bolhas também. Seria incorreto atribuir-lhes a criação do BLM porque são seres humanos reais que se servem das ferramentas do nosso tempo.”

Por isso, mais do que as redes sociais, Tometi explica que o BLM cresceu graças às pessoas que se dedicam a lutar, algumas motivadas pelo choque de se aperceberem de que ainda existe racismo em pleno século XXI, na era do primeiro presidente negro e onde tudo é filmado. “As pessoas negras têm lutado desde que foram raptadas de África e trazidos para outras partes do mundo. Sempre fizemos tudo o que podemos para lutar pela nossa liberdade. Reconhecemos que não é só sobre as ferramentas, mas sobre as vozes e as pessoas que foram movidas por elas.”

“Porquê Black Lives Matter e não outras palavras? Não há palavras perfeitas, mas há pessoas que foram movidas pelo que viram, vídeos horrendos de pessoas negras a serem mortas no século XXI em plena luz do dia por policias e seguranças.  É isto que preocupa as pessoas. As tecnologias trouxeram isso à luz, mas não fizeram tudo. São as pessoas reais que dão significado a essas ferramentas”. Apesar de todas as vitórias que já se conquistaram, a fundadora do BLM não deixa de alertar:

“vivemos numa sociedade que está contra nós.”

Não só os ativistas se confrontam com supremacistas brancos, como com todos os sistemas e ferramentas que se baseiam numa ideologia de racismo estrutural. “Nós merecemos viver com dignidade.”

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