Halloween
Imagem: The Shining

Halloween. Os filmes mais aterradores da história do Cinema

Feliz Halloween! Um dos grandes impulsionadores da data mais fantasmagórica do ano são os filmes de terror que fazem tantos tapar os olhos com a almofada ou cobertor.

Por isso, neste artigo especial, o Espalha-Factos apresenta-te algumas das longas-metragens mais aterrorizantes e marcantes que temos memória. Se precisas de sugestões para te arrepiares durante o dia de hoje, temos dez filmes que valem a pena um serão sentado no sofá e de pipocas na mão.

Apaga as luzes e lê sobre  os filmes mais aterradores da história do Cinema.

Frankenstein (1931)

O ano de 1931 seria crucial para o cinema de terror ocidental. A era dourada, liderada pelos filmes sobrenaturais da Universal, arrancava comDracula, protagonizado por Bela Lugosi. A adaptação para ecrã tornou-se icónica, mas sofria ainda de dores de crescimento de uma indústria que largava o mudo e entrava no sonoro.

Com mais visão cinematográfica e tornando-se um fenómeno maior foi “Frankenstein”, que saiu no mesmo ano. Boris Karloff e a maquilhagem que o cobriu deram ao mundo um dos monstros mais marcantes do Cinema e da cultura pop. 

Colin Clive, Mae Clarke, Dwight Frye e Edward van Sloan são outros pesos pesados do elenco, que para o público contemporâneo podem passar despercebidos, mas num visionamento se percebe o seu extraordinário talento.

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Em pouco mais de uma hora que ainda hoje se aguenta muito bem, vemos o sucesso e a tragédia de Frankenstein e o seu monstro. Pode já não nos aterrorizar, mas captura a nossa imaginação e diverte-nos como só filmes da infância do Cinema conseguem.

“Frankenstein” foi um sucesso e originou das primeiras grandes trilogias do Cinema, com mais dois filmes em que Karloff encarnou a personagem: “Bride of Frankenstein” e “Son of Frankenstein”. Ambos, igualmente, muito bons.

Já sem Karloff a saga ia continuar por muitos mais (fracos) filmes e os primeiros crossovers do Cinema. Sim, antes do MCU, tínhamos o Frankenstein contra o Drácula e o Lobisomem no Grande Ecrã. Uma época que vale a pena descobrir, pois o terror nem sempre precisou de sangue e entranhas para assustar o público.

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Imagem: Frankenstein

Night  of the Living Dead (1968)

O sangue e as entranhas começam um pouco por aqui. George A. Romero tem de ser responsabilizado, em parte, por popularizar duas coisas: zombies e gore. Mais o primeiro do que o segundo.

Até 1968, zombie era uma palavra para descrever um ser humano hipnotizado, obrigado a seguir cegamente ordens de um mestre. Era uma alegoria com origens na escravatura. Nesse ano, “Night of the Living Dead”, sem querer (Romero, na altura, pensava que estava a criar um monstro inédito), redefiniu o termo para os mortos-vivos que parecem estar em todo o lado nos dias de hoje. E as alegorias não pararam.

O filme, a preto e branco por necessidade de orçamento e não escolha, parece uma espécie de documentário do início do fim da civilização. Depois do ataque dos primeiros zombies modernos, um grupo de estranhos refugia-se numa casa no campo e tentam sobreviver até que chegue a cavalaria do exército.

O filme tem violência chocante para a época, contida para os dias de hoje. Foi um dos que levou à criação da MPA – a agência norte-americana que atribui a idade apropriada de visionamento.

Com a sabedoria do tempo, hoje valorizamos mais a narrativa realista, bem construída, sobre como nem na luta pela sobrevivência nos conseguimos entender. A escolha de casting de um afro-americano no papel principal fez de “Night of the Living Dead” um acidental, mas impactante, comentário social sobre o racismo estrutural dos EUA. Mais tarde, nas cinco sequelas, Romero aceitou e aumentou a crítica e sátira, com níveis distintos de sucesso.

Se querem perceber porque é que os zombies estão em todo o lado, “Night of the Living Dead”, “Dawn of the Dead” e “Day of the Dead” são clássicos que não podem perder.

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Imagem: Night of the Living Dead

The Texas Chainsaw Massacre (1974)

A década de 70 foi das mais turbulentas para os EUA. A guerra do Vietname deixou marcas profundas e o país recuperava com uma mentalidade mais cínica do que a década anterior.

Criando um “Vietname em casa”, Tobe Hooper procurou demonstrar que a nação orgulhosa era agora um espaço decrépito e sádico. “The Texas Chainsaw Massacre” finge ser uma história verídica sobre os perigos reais de alguns cantos do país.

Quando um grupo de jovens se perde pelos meios mais rurais do Texas, encontra canibais que os massacram, um a um. É um filme que mostra pouca violência para o que o título e a descrição prometem, mas o ataque deste filme é à nossa psicologia, não à vista.

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O terceiro ato da narrativa deve ter sido, na altura, o mais desconcertante do género do terror. O espetador não vai conseguir manter-se confortável a ver um pesadelo tão verosímil. 

O impacto de “The Texas Chainsaw Massacre” foi tão imediato como eterno. É a partir desta década e de filmes semelhantes que o terror perdeu a força sobrenatural e começou a dar prioridade aos monstros da vida real. Foi banido em diversos país e estabeleceu as regras e formalidades dos slasher que mais tarde seriam aperfeiçoadas por “Halloween”, quatro anos depois.

Hoje em dia, dentro do género de terror, é dos filmes que mais gera produção académica e que continua a inspirar debates e análises não só sobre os temas que aborda, mas o retrato que faz dos EUA numa década tão instável.

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Imagem: The Texas Chainsaw Massacre

Jaws (1975)

Dizer que Jaws” é um clássico e uma obra prima do cinema, neste momento, não é nenhum exagero, apenas concordância geral. No entanto, na altura da sua estreia, foi visto como um marco cinemático como até lá nunca se tinha visto. 

Realizado pelo mestre Steven Spielberg, “Jaws” usa o terror de uma forma mais atmosférica, dando grande uso aos cenários e sons, nem que sejam das ondas, para chegar a esse efeito.

Estrelado por Roy Schneider, Richard Dreyfuss e Robert Shaw, três nomes pesados no cinema, “Jaws” marcou uma geração pelo medo que conseguiu impingir na sua audiência só pelos olhares das suas personagens para o mar, pela incerteza da situação ou pela ansiedade que essa mesma incerteza provocava.

Isto tudo somado deu um clássico que vem ultrapassando gerações e gerações, continuando um filme imaculado até aos dias de hoje e, seguramente, um dos mais assustadores de sempre, nunca usando truques fáceis para deixar a audiência com medo.

Imagem: Jaws

The Shining (1980)

Jack Torrance, a mulher Wendy e o filho com poderes telepáticos Danny vão viver para um hotel isolado, para cuidar do espaço enquanto está fechado ao público. Lentamente, acontecimentos estranhos, ligados ao passado do estabelecimento, levam a família em direção a uma tragédia.

Não podia faltar uma adaptação cinematográfica dos livros do “Rei do Terror”, Stephen King. Esta talvez seja a melhor e mais famosa, apesar de ser, simultaneamente, a que o autor mais detesta.

De facto, o “The Shining” de Stanley Kubrick não é o mesmo que o livro original. É uma alucinação metódica, construída por um conhecido perfeccionista obsessivo que nos leva à loucura, em conjunto com os seus protagonistas.

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Enquanto o livro é explicativo, o filme não oferece respostas, apenas perguntas. É o espectador que decide o que é real e o que não é, quem está a enlouquecer e quem se mantém são. Jack Nicholson é a estrela icónica, mas o sacrifício mental de Shelley Duvall é o que merece mais elogios e respeito. 

“The Shining” também é extremamente provocativo e não faltam teorias sobre o seu verdadeiro significado. O facto de ser possível criar uma lógica elaborada de que isto é uma admissão que a aterragem humana na Lua foi uma encenação é exemplo da sua ambiguidade.

O que não é ambíguo é que o filme é um mistério indecifrável que continua arrepiante, até hoje.

Imagem: The Shining

REC (2007)

O género de found footage estava ao rubro, desde a estreia, em 1999, de “The Blair Witch Project”. Se foi a indústria norte-americana a popularizar o estilo, acabou por ser uma obra espanhola que o aplicou da melhor forma.

“REC” fala de dois jornalistas de TV, uma apresentadora e um repórter de imagem, que estão a acompanhar um turno noturno de uma equipa de bombeiros. Quando vão a um apartamento, numa aparente chamada de rotina, acabam por entrar num inferno.

É fácil acreditar que o que estamos a ver é real, graças à genialidade da dupla de realizadores de Jaume Balagueró e Paco Plaza e de um elenco que faz com que cada personagem pareça um cidadão espanhol comum.

O filme é um pesadelo que parece que nunca mais acaba. Um percurso claustrofóbico, em que cada canto pode significar mais um bom susto.

Quando já achamos que vimos tudo, “REC” apresenta uma conclusão absolutamente memorável, com um dos frames finais mais reconhecidos do terror moderno.

Os anos 2000 não foram os mais qualitativos para o género, mas este filme é uma das primeiras e legítimas obras-primas do terror do século XXI. Importante ainda mencionar que para quem quiser uma boa maratona, “REC 2” é uma sequela digna que arranca pouco depois do original.

Imagem: REC

Green Room (2015)

Punk rock, skinheads e rapazes franzinos a tentar fazer algo deles mesmos. A história de “Green Room” é relativamente simples, mas nas entrelinhas há uma complexidade pouco vista em filmes de terror.

Depois de se verem enclausurados dentro de uma pequena sala de espetáculos com um aspeto bastante suspeito, Pat, o líder da banda punk rock que foi ali tocar, e os seus amigos vêem-se embrulhados em vários tipos de episódios violentos. 

Graças à realização cinética de Jeremy Saulnier, “Green Room” nunca perde o fulgor durante os seus 90 minutos, acabando numa das cenas mais emblemáticas do cinema de terror da última década. 

A atmosfera é pesada e agressiva, tal como boa parte das cenas que vão sendo mostradas, sempre com gore até não poder mais e com atuações fantásticas dos seus atores, num elenco encabeçado por Anton Yelchin e que conta ainda com Imogen Poots, Alia Shawkat, Joe Cole e o ilustre Patrick Stewart, numa reversão do seu papel habitual. 

A crítica social é inexistente, mas o filme acaba por fazer o que promete: meter o espectador em bicos de pés. Apesar de ser dos filmes mais violentos dos últimos anos, é uma violência que acaba por se vender cara, nunca parecendo desnecessária. Uma exibição obrigatória para todos os fãs do género. 

Imagem: Green Room

Bone Tomahawk (2015)

Um daqueles filmes que, eventualmente, se tornaram um clássico no que a terror psicológico diz respeito, “Bone Tomahawk” juntou Kurt Russell, Matthew Fox e Patrick Wilson numa aventura pelo velho oeste em busca de um prisioneiro que havia sido raptado da prisão local. 

Lento e metódico, o filme vai acompanhando estes viajantes no sujo deserto e os seus respetivos problemas, mas é no momento em que se descobre que os autores do rapto são pertencentes a uma tribo canibal que a coisa fica realmente feia, tanto para quem vê como para as personagens.

As cenas, explícitas e violentas, são de arrepiar até o mais forte, como já vem sendo hábito no realizador, S. Craig Zahler, um mestre dos thrillers negativos do cinema do século XXI. 

Neste aqui, no entanto, ele foi mesmo longe demais, mostrando terror misturado com western como poucos o tinham feito até agora, sendo, por isso só, uma exibição obrigatória. Contudo, o que acontece para além disso fica na cabeça e promete nunca sair. 

Imagem: Bone Tomahawk

Don’t Breathe (2016)

Realizado por Fede Alvarez, “Don’t Breathe” faz lembrar, desde o início, do clássico de David Fincher, “Panic Room”. No entanto, o que Fincher não fez foi juntar ansiedade e movimentos de câmara capazes de cansar só de olhar. 

Num thriller psicológico onde, mais uma vez, um grupo de pessoas se encontra presa num sítio, temos Jane Levy, no papel que define a sua carreira, a desempenhar Rocky, uma ladra pertencente a um bando que decide, de todos os sítios, assaltar a casa de um homem cego.

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Claro que nem tudo tinha que ser assim tão fácil e, tal como se vê nos curtos 88 minutos da longa, esse mesmo assalto não foi pêra doce para os integrantes que acabaram esta missão de várias maneiras e feitios, mas nunca inteiros. 

“Don’t Breathe” remarca-se pelo seu uso de câmara, pela sua energia e pela ansiedade que transmite em cada frame do projeto, capaz de pregar qualquer olho ao ecrã, não literalmente. 

Imagem: Don’t Breathe

Climax (2018)

Gaspar Noé tem claramente uma fama que o precede. O realizador argentino é polémico nos filmes que faz e na sua vida em geral, e “Clímax” acabou por ser um dos trabalhos mais polarizadores no que a críticas diz respeito.

A história de “Clímax” é do mais simples possível: um grupo de dançarinos, onde a maioria não se conhece, estão fechados no meio do nada enquanto ensaiam para uma digressão. Nos entretantos, tal e qual um domingo habitual, alguém mete uma droga alucinógena na sangria que todos estão a beber e o resto não se pode explicar propriamente por palavras. 

Sem nunca se saber propriamente quem é que envenenou aquela bebida, o filme é passado entre cenas de dança fofinhas e momentos de conexão entre os participantes, até que, 42 minutos depois, a história começa oficialmente.

O resto do filme, portanto, é passado no meio de miséria, gritos e agonia, com todos os presentes a tentar perceber o que se passa enquanto tentam lidar com o ambiente à sua volta, o que por si só é uma história de terror.

O filme não tem propriamente uma narrativa definida, apenas algo como “não seria horrível se isso acontecesse?” e acaba por fazer um excelente trabalho nesse aspeto. No entanto, não é uma longa-metragem fácil de assistir porque, lá está, agonia não falta e gritos são uma constante, sendo até um desafio para os mais fortes e corajosos. 

Imagem: Clímax

As sugestões deste artigo foram escolhidas por Cláudio Melo João Malheiro.