Glória
'Glória' é a primeira série portuguesa original da Netflix. | Fotografia: Netflix/Divulgação

Autor de ‘Glória’ acredita que a série vai dar visibilidade a Portugal

Glória, a primeira série portuguesa da Netflix, estreia na sexta-feira (5). Pedro Lopes, argumentista e criador da série, acredita que a ficção portuguesa vai ganhar destaque internacional. Em declarações à Lusa, sublinha que este será o momento ideal, dado que “o mercado está muito aberto a novas histórias“.

A primeira produção nacional original para a plataforma de streaming tem realização de Tiago Guedes, e conta com 10 episódios nesta primeira temporada.

Pedro Lopes defende que no mercado internacional “a diferença está nos pormenores”. “Entrámos num outro patamar de fazer ficção. Séries desta natureza têm um nível de cuidado e de reflexão diferente. […] Termos acesso a outro músculo financeiro permitiu que houvesse mais tempo para escrever, para filmar, para a direção de arte, preparar a recuperação dos edifícios, a decoração, os ensaios dos atores”, acrescentou.

Recorde-se que apesar de o orçamento não ter sido revelado, o criador da série já havia referido que “nenhuma outra série portuguesa teve tão grandes valores de produção“.

O projeto envolveu um total de 200 pessoas. Sendo que um elenco internacional de 80 atores, uma equipa de oito argumentistas e uma rodagem de mais de quatro meses foram necessários para a realização de “uma história profundamente portuguesa e simultaneamente universal”.

Portugal como epicentro de uma guerra de espionagem

Glória é um thriller de suspense e espionagem passado em Portugal que se desenrola durante a Guerra Fria. A série mostra uma pequena aldeia do Ribatejo, Glória, onde durante décadas funcionou um centro de transmissões norte-americano (RARET) que emitia propaganda do país para o leste europeu.

João Vidal é o protagonista da trama. Um engenheiro de famílias ligadas ao Estado Novo, que é recrutado pelo KGB para assumir missões de espionagem.

Este projeto trouxe uma história original (…) porque a RARET, apesar de ser um complexo de 200 hectares onde trabalhavam 500 pessoas, continua a ser um segredo muito bem guardado ao longo destes anos todos“, destacou o autor.

Glória vai chegar a quase 300 milhões de subscritores

A aposta por parte da Netflix na ficção portuguesa é o abrir de uma porta a uma indústria pouco reconhecida. “Eu acredito que o ‘Glória’ na Netflix, que é o líder no streaming com mais de 293 milhões de subscritores e presente em mais de 190 países, possa trazer visibilidade a Portugal e à nossa indústria“.

Pedro Lopes, também diretor de conteúdos da SP Televisão, recordou que o processo de execução do projeto foi demorado e que o primeiro contacto da produtora portuguesa com a Netflix aconteceu há quatro anos, no Festival de Cinema de Berlim. Sublinha, no entanto, que esta aposta surgiu ainda antes de se falar da criação de uma nova taxa e das obrigações de investimento daquelas plataformas de streaming, por via da transposição de uma diretiva europeia sobre audiovisual.

Neste momento o mercado está muito aberto a novas histórias, provavelmente nunca se produziu tanto. Esta e outras séries vêm mostrar que é uma questão de oportunidade, que haja uma maior atenção a Portugal“, acrescentou.

O argumentista destaca a “diversidade” que séries como Glória, faladas noutros idiomas, como o português, trazem ao catálogo da Netflix. “Não há uma tentativa de uniformização, mas de dar espaço a novas vozes“, defende.

A série, que esta semana tem estreia mundial na plataforma de streaming, será também transmitida, em data a revelar, pela RTP, que a coproduziu. Relativamente a uma segunda temporada, o criador afirmou não ser “uma preocupação imediata“.

O elenco vai contar com Victoria Guerra, Miguel Nunes, Carolina Amarral, Afonso Pimentel, Joana Ribeiro, Adriano Luz, Albano Jerónimo, Marcelo Urgeghe, Inês Caste-Branco, Carloto Cotta, Sandra Faleiro, Rafael Morais, Maria João Pinho, Leonor Silveira, Gonçalo Waddington, Matt Rippy, Augusto Madeira, Stephanie Vogt, Jimmy Taenaka, Tiago Rodrigues e Ana Neborac.

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