Foto: site oficial de Ana Bacalhau

À Escuta. Ana Bacalhau, Benjamim com B Fachada e Celso são os destaques da semana

Mais uma semana, mais uma edição de À Escuta, a rubrica semanal do Espalha-Factos que destaca as novidades da música portuguesa. Desta feita, realçamos o novo disco de Ana Bacalhau, o primeiro avanço da homenagem prestada aos 70 anos de Tozé Brito pela voz de BenjamimB Fachada e o novo single de Celso.

A semana preenche-se, ainda, com singles de Cláudia Pascoal,  SAL, Bateu Matou, Bad Bad Mary, Garajau, Rainhas do AutoEngano, Elisa Rodrigues, Whales Don’t Fly, Humana Toranja e Expresso Transatlântico. Discos também não faltam: destacamos o projeto a meias entre Um Corpo Estranho e Saturnia, e os novos de Francisco, el Hombre e Miguel Torga. O movimento Sou Quarteira celebra os talentos através do disco colaborativo À Moda Quarteirense e Tiago e Maria Cavaco, Héber Marques, Tiago Bettencourt e Os Lacraus celebram a amizade e uma das mais emblemáticas bandas portuguesas numa canção em estilo supergroup.

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Capa do disco ‘Além da Curta Imaginação’, com ilustração de Mariana, a Miserável | Fonte: Universal Music PT

O regresso de Ana Bacalhau em Além da Curta Imaginação

Além da Curta Imaginação é o novo longa-duração de Ana Bacalhau. Se em Vida Nova, disco editado pós-Deolinda, a tónica estava na autoafirmação e em referências mais clássicas, como Janis Joplin ou Fausto, Além da Curta Imaginação trás uma artista ainda mais segura de si e mais confortável numa pele pop. A pop eletrónica é a grande novidade deste disco, motivada talvez pelos novos caminhos que Ana Bacalhau vem traçando nos últimos anos, nomeadamente através de colaborações com artistas como Mia Rose, Dengaz ou Murta. Em entrevista ao Público, confessou admiração à nova geração musical, que não tem amarras a géneros nem estilos: “A geração dos 20, 30 anos, já não tem essas barreiras: eu sou pop, ou sou mais de música de raiz e não posso ir para outro campo. Eles não pensam assim, vão para todo o lado. E isso interessa-me”. O resultado desta quebra de paradigma é Além da Curta Imaginação.

O disco foi gravado entre janeiro e outubro de 2020, havendo uma linha entre o antes e o depois da pandemia. O alinhamento elenca as canções por ordem cronológica de gravação, espelhando precisamente esta divisão de um antes e depois. No entanto, Além da Curta Imaginação não se cinge ao terreno, tendo como mote a criação de mundos novos que se possam materializar neste onde vivemos: “Criar novos mundos, para que as experiências de dor e perda possam ser sublimadas” é um dos objetivos de Ana Bacalhau neste longa-duração.

Ana Bacalhau queria um disco coeso e conseguiu-o com a ajuda de uma trupe invejável de compositores: Jorge Cruz que contribuiu com ‘Isso é que era bom’Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout) com ‘Domingo‘ e Nuno Prata com a última canção ‘Tudo de Bom‘, cujo último verso dá nome ao título. Estes são os “da casa”, que já tinham contribuído no disco anterior. É a primeira vez a colaborar com D’Alva (‘Sou como sou e ‘Sono de Outono’), Tainá (‘Ainda te amo‘ e ‘Encanto‘, Átoa (‘Memória) e Mafalda Veiga (Tudo o que for meu). ‘Não é nada’ e ‘O que me interessa a mim‘ são as duas canções compostas por Ana, dando palco à influência soul que ronda a artista e demonstrando um olhar ainda mais intimista sobre esta jornada de confiança e encontro: “Doa o que doer / Este caminho é meu”.

Benjamim e B Fachada cantam Tozé Brito

Olá Então Como Vais?‘ foi editada pela primeira vez em 1979 em Cantar de Amigos, disco a meias gravado por Paulo de Carvalho Tozé Brito. 42 anos depois, este clássico é reimaginado por B Fachada Benjamim, dois dos intervenientes no disco de homenagem aos 70 anos do cantor, compositor e atual diretor e administrador da SPA – Sociedade Portuguesa de Autores. Fiel à canção, mas com uma nova roupagem, esta versão tem como protagonistas as teclas e as vozes de apoio que figuram mais uma camada de ritmo a ‘Olá Então Como Vais‘. A voz semisussurrada de Benjamim junta-se ao emblemático B Fachada e, juntos, os amigos complementam a roupagem pop que foi atribuída à canção.

Amigos de longa data, não é a primeira vez que B e Benjamim juntam-se num projeto musical. Aliás, foi precisamente a música que os juntou. Em 2007, Benjamim (na altura ainda Walter Benjamin) produziu e masterizou o primeiro EP que conhecemos de B Fachada, até toboso, e a parceria manteve-se até 2008, em mini cd produzido por w. benjamim. No entanto, apesar de colaborações e uma amizade que perdura, este é o primeiro dueto que cantam juntos.

O que os une é uma belíssima celebração da vida e carreira de Tozé Brito, levada a cabo pela radialista Inês Meneses. Um dos mais prolíficos músico e compositor português. Tozé Brito dedicou toda uma vida à música, em bandas e em nome próprio, compondo para ele e outros. Aos 18 anos, acabado de chegar a Lisboa, integrou o mítico Quarteto 1111, fez parte dos Green Windows e Gemini, esteve por trás da fundação das Doce (para quem compôs vários temas); atuou em bandas e em nome próprio, compondo para ele e outros e trabalhou como executivo em editoras como a PolyGram e BMG. O disco, Tozé Brito (de) Novo, celebra os 70 anos de vida do cantor e compositor, com reedições das suas emblemáticas canções. A produção do disco está a cargo de BenjamimJoão Correia (Tape Junk), e conta com a participação de vários nomes da música portuguesa. São eles Ana Bacalhau, António Zambujo, Camané, Catarina Salinas, Joana Espadinha, Miguel Guedes, Mitó, Samuel Úria, Selma Uamusse, Rita Redshoes, Tiago Bettencourt, Tomás Wallenstein e, claro, Benjamim e B Fachada.

Bate-Papo‘ é o novo single dos Celso

O novo single do quinteto lisboeta Celso já está disponível nas plataformas de streaming. ‘Bate Papo‘ sucede ‘Queimar Tempo‘, o primeiro single editado em 2021, e é a última antevisão ao primeiro disco de originais, Não se brinca com coisas sérias, a ser editado a 5 de dezembro. Em ‘Bate Papo‘, Celso surpreendem: por trás da letra moderna, onde se confessa contar a vida a uma mulher conhecida na internet, estão ritmos enraizados na instrumentação folclórica portuguesa com um toque de eletrónica. Passado e presente, tradição e modernidade, analógico e digital fundem-se em todos os aspetos da canção, dos ritmos à componente audiovisual. ‘Bate-Papo‘ é “uma viagem ao tradicional com recurso a todas as ferramentas que a atualidade dispõe“, o que explica a fusão de estéticas aqui presentes.

Com ‘Bate-Papo‘, os “cinco à solta à espera de vingar” mostram uma apreciação singular do imaginário folclórico português e traçam um novo trilho com a experimentação eletrónica. Os Celso contam com a mão de Bejaflor (o responsável pela vertente “moderna”) na mistura e produção; Mariana Gomes ficou a cargo da realização, filmagem e edição do “documentário tradicional” que acompanha a canção, onde podemos ver uma minhota em traje a levantar dinheiro de uma caixa Multibanco ou a andar de trotinete elétrica.

Cláudia Pascoal apresenta ‘Fado Chiclete

Cláudia Pascoal regressa com a apresentação de ‘Fado Chiclete‘, um fado não-fado que desmonta as conceções da música tradicional. Aqui, o som das guitarras portuguesas é reproduzido nas teclas, a saudade e o enfardo são cantados com sarcasmo e as cores sobrepõem-se ao sombrio. O sentido de humor aguçado de Cláudia Pascoal tem vindo a brilhar nas suas canções que, ao mesmo tempo que dão uso aos ritmos do cancioneiro tradicional, mostram que a tradição também pode ser reapropriada e remodelada. Em ‘Fado Chiclete‘, Cláudia conta com David Fonseca na produção.

Para a cantora, este canção marca o início de uma nova fase: “este novo projeto funciona como um final da exclamação [! é o título do seu primeiro disco], um começo de uma interrogação“. Com o novo disco, que tem edição prevista para o primeiro semestre de 2022, a artista procura “provocar e desconstruir o que é naturalmente meu. Naturalmente nosso! Daí a ideia de fazer um “não-fado” – assim, rir para não chorar é o mote da artista para este novo disco.

Passo Forte é o primeiro disco de SAL

Adufes, braguesa, acordeão, guitarras de 1990 – eis a receita que culmina em Passo Forte, o disco de estreia de SAL. De ‘Morrer‘ a ‘Não Sou da Paz‘, os SAL deixam claro que a sua mensagem está enraizada numa procura pela felicidade e identidade, a par de letras que invocam a importância da família (o amor fraternal em SAL é evidente). Uma “banda que se sente à flor da pele em cada canção“, os SAL procuram também a quebra de rotina, da ansiedade que nos consome, do populismo – querem uma intervenção, que encontram na última canção do disco (que conta com a participação de Carlão).

Sérgio Pires (voz e braguesa), João Pinheiro (bateria), Daniel Mestre (guitarras) e João Gil (baixo), todos ex-Diabos na Cruz, e Vicente Santos (teclas) exploram texturas e navegam um mar de ritmos. Vieram para mostrar que suspiram e transpiram rock português, e que continuarão a aventurar-se pelas águas turbulentas.

Rumors‘ é o novo EP de Madd Rod

O novo EP de Madd Rod foi editado esta semana pela Discotexas. Nesta faixa dupla, imperam os sintetizadores vintage onde se podem notar influências de nomes como Organic HouseDowntempoMelodic House e mesmo Cerrone. Amostras cantadas ecoam antes da batida eletrónica em ‘Rumors‘ e ‘Hindrances‘ é uma faixa que brinca com expectativas, num acelerar e abrandar contínuo.

Crescido e criado nos arredores de Lisboa, Madd Rod tem vindo a conquistar um lugar de destaque no panorama internacional da música eletrónica. O seu disco de estreia, Dystopian Desert foi editado em 2020 e, entretanto, Madd Rod já passou por Lisboa, Berlim, Tübingen e Paris.

Bandido‘ é a nova canção de Bateu Matou

Bandido‘, novo single de Bateu Matou, é um apelo à justiça e um questionamento geral aos valores distorcidos de uma camada hipócrita da população: “Quem é que decide qual é a diferença entre fura-vidas e empreendedor? E o que faz de um bandido, e de outro mero acusado? É o saldo no banco? O diploma na parede? A cor da pele? Ou a vergonha na cara?”, questiona-se Bateu Matou. A batida perfurante lança o mote da canção, que é complementada pela língua afiada do artista, que conta com a participação de Pité.

Faz-se, assim, um “baile-mensagem, uma batida-consciência”, uma canção para cantar alto e esquecer os problemas de amanhã. Nas palavras de Bateu Matou, é uma canção de “dançar-para-esquecer-que-eu-amanhã-pago-a-multa”.

Routines‘ é o segundo single dos Bad Bad Mary

Routines‘ é o segundo single da banda lisboeta Bad Bad Mary, que se estreou em agosto com o single Follow Me‘. Vicente Teixeira, Xori, Martim Preto, André Soares e Vasco Sousa juntaram-se em serões e foi numa dessas noites que surgiu a ideia de formarem uma banda. Nasceu assim Bad Bad Mary, cujo título é a tradução literal da expressão portuguesa “mau mau Maria”.

O que podia ser tragédia transformou-se em bênção: o som de um microondas a apitar ao fundo serviu de inspiração para o ritmo dos violinos que se ouvem no refrão. Inspirados em sonoridades de bandas como os The 1975 e Holly Humberstone, os Bad Bad Mary apresentam agora uma canção que explora os primeiros passos da vida adulta, o sentimento de conduzir o primeiro carro, a busca por uma rotina que faça sentido e, como não podia deixar de ser, o romance que se reflete em todas estas questões.

Em À Moda Quarteirense, Dino d’Santiago, Mike Ghost e Holly juntam mais de 30 artistas

O movimento Sou Quarteira, que se lançou em 2018 com um Festival que convidou impulsionadores da cultura urbana em Portugal como Carlão e Branko, regressa agora com um disco: À Moda Quarteirense teve direção de Dino d’Santiago, Mike Ghost e Holly e junta mais de 30 artistas, entre eles Virgul, Yuri da Cunha, Sacik Brow, Biex, Baby Creezy, Alicia Rosa, Lady N, Subtil, Perigo Público e Fragas.

Composto por 16 canções, À Moda Quarteirense procura dar palco a talentos da Quarteira sem olhar a géneros musicais – vai-se do hip-hop ao fado, do punk à pop. O que interessa aqui é mostrar precisamente a coesão e, ao mesmo tempo, diversidade de talentos que abundam nesta terra algarvia. O disco é cozido por intervenções do poeta Pardal, um poeta analfabeto que encanta e faz-se ouvir.

O Místico Orfeão Sónico de Um Corpo Estranho e Saturnia é uma viagem transcendental

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Fotografia: Rui David

Um Corpo EstranhoSaturnia juntam-se numa viagem transcendente em O Místico Orfeão Sónico de Um Corpo Estranho e Saturnia. As guitarras de Um Corpo Estranho, o psicadelismo de Saturnia, um disco cósmico de rock’n’roll que parece interminável – no melhor dos sentidos. As músicas não se deixam acabar, havendo transições suaves entre todo o noise. Fizeram de Setúbal, cidade que alberga ambos projetos, sua inspiração, convocando a mística do Rio Sado, “o espírito lírico de Luísa Todi e o canto trágico das Sadinas que inspiram Bocage“.

Saturnia (Luís Simões) e Um Corpo Estranho (Pedro Franco e João Mota) contam com a participação dos bateristas Samuel Palitos (Censurados, A Naifa, Ladrões do Tempo, GNR) e Filipe Caeiro (Awaiting the Vultures, Daniel Catarino), e da viola campaniça de Tozé Bexiga. A produção ficou a cargo de Sérgio Mendes, da edição tomou conta a Malafamado Records e a identidade gráfica foi pensada e realizada pelo ilustrador Paulo Buchinho.

Toca Xutos‘, o “ámen” de Tiago Cavaco & Companhia

Toca Xutos‘ é mais um single colaborativo do coletivo FlorCaveira, onde participam Tiago Cavaco e a sua primogénita, Maria, Héber Marques, Tiago Bettencourt Os Lacraus. É um single que serve, ao mesmo tempo, como uma reunion de fãs de uma das mais conhecidas bandas portuguesas, e uma celebração de amizade. Quem nunca cruzou os braços em “X” ou gritou “TOCA XUTOS!” num concerto (que não de Xutos…)? Para este grupo, “os Xutos & Pontapés são provavelmente a banda que no país melhor põe em melodia a nossa vontade de dar a volta por cima”. Convocam Xutos, assim, como cantores do hino de um povo – com tanta comunhão, será “Toca Xutos” o ámen português?

A canção “Toca Xutos” junta o Tiago Cavaco, o Héber Marques, o Tiago Bettencourt, os Lacraus e uma citação de C. S. Lewis pela Maria Cavaco (a filha mais velha do Tiago). Mais do que uma homenagens de fãs dos Rolling Stones portugueses, este som é uma celebração da amizade. Os Xutos & Pontapés são provavelmente a banda que no país melhor põe em melodia a nossa vontade de dar a volta por cima. Assim, tornam-se o pretexto perfeito para serem evocados como hino de um povo que nos braços traz o sinal da cruz eterna.

Garajau estreiam-se com ‘Jardim’ 

André Pires Costa e Tiago Luz são Garajau, banda indie-rock formada em 2020. Apesar do nome nos direcionar para a Madeira, a dupla é sediada no Porto, e é com o single Jardim‘ que se apresentam ao público. Um jardim seria o pano de fundo perfeito, mas os Garajau desviam-se da história de amor – a música narra a história de duas personagens sentadas em bancos opostos que fazem de tudo para não cruzarem olhares. “Desvia, olha em frente/ Vais passar por carente”, repetem no refrão orelhudo. A batida alegre é contrastada pela letra de desamor que culmina numa reflexão sobre a solidão.

É de notar as influências que André Pires Costa e Tiago Luz procuram inscrever nesta canção. A guitarra indie ecoa nesta empreitada da pop portuguesa produzida por Andrés Malta (Enes, Lemon Lovers), onde se notam resquícios de inspiração de artistas como Miguel Araújo e Rui Veloso, ou mesmo Os Azeitonas. A dupla elege, ainda, o mítico Paul Simon e os lendários Beatles como as grandes inspirações internacionais.

Rainhas do AutoEngano de regresso com ‘Não Falta Nada

Às vezes, do acaso nascem coisas belas. É o caso de Rainhas do AutoEngano, um trio que “[se conheceu] antes da pandemia por um «acaso total»“. Madalena Palmeirim toca cavaquinho, Natália Green o violão e Zoe Dorey violão e trompete; em conjunto, todas dão voz a harmonias suaves e coesas. ‘Não Falta Nada‘ não foge ao paradigma, sendo uma canção de celebração ao autoamor (“Vou dançar com a minha sombra até o sol cansar/ Até de madrugada/ Não falta Nada“.

O trio transatlântico tem vindo a lançar singles desde o início de 2021, e preparam agora o caminho para a chegada de um EP e um disco que dançará entre a pop, a bossa nova, a MPB e o folk.

Elisa Rodrigues apresenta ‘Amor Perfeito

Amor Perfeito‘ é o novo single de Elisa Rodrigues, finalista do Festival da Canção 2020. Nesta canção, a letra é exclusivamente da artista; para a música, conta com a parceria de Feodor Bivol. ‘Amor Perfeito‘ surge da descoberta de Elisa Rodrigues de que o “amor perfeito só existe mesmo em flor, e que a própria flor se chama assim porque tem vida curta“. A inevitabilidade de nos apaixonarmos é evidenciada nesta canção, que acaba por demonstrar que o amor não precisa ser perfeito para que seja bom. A artista questiona, ainda, de que modo os contos de fada e os famosos filmes da Disney, de príncipes e princesas, moldaram as expectativas amorosas de uma geração, buscando contrariar este paradigma.

CASA FRANCISCO é o novo disco de Francisco, el Hombre

Foi com uma citação do autor uruguaio Eduardo Galeano que a banda latino-americana Francisco, el Hombre apresenta o novo disco, CASA FRANCISCO: “Hay que perderse para encontrarse”. Foi precisamente isso o que aconteceu à banda. Para se encontrarem, tiveram de se perder em novas sonoridades, e os trajetos a solo de cada um dos artistas que integram a banda acabaram por tornar a reunião ainda mais prazerosa e o convite a entrar em “casa” do quarteto.

A vida do dia-a-dia, romances, mas também a morte são a abordados neste disco de dez canções que conta com as ilustres participações de Rubel, Céu, Dona Odete, Josyara e La Pegatina. As raízes latino-americanas brilham ao longo dos temas, revelando uma “maior consciência, corporalidade, e organicidade, honrando-as com a maior naturalidade”.

‘Mountain Peak’ é o primeiro avanço de The Golden Sea, de Whales Don’t Fly

Rafael Afonso, Jorge Rocha, José Pedro Boura e Rui Pires são Whales Don’t Fly, banda natural de Trás-Os-Montes formada em dezembro de 2018. ‘Mountain Peak‘ é o primeiro desta formação da banda e antecipa o primeiro disco de originais, The Golden Sea. O quarteto é fortemente inspirado pela música progressiva e aquilo que verdadeiramente os emociona é o heavy metal dos anos 90, algo que se pode sentir com fervor neste novo single.

Este single simboliza também o início de uma nova fase e o tema da canção vem demonstrar precisamente isso: o pico da montanha é onde tudo é mais nítido, da visão à respiração, mas tudo isto vem a um custo e os passos até lá são calejados. Esta melancolia inerente a ‘Mountain Peak‘ vem revelar que “a descoberta de que só em nós reside a salvação que procuramos”.

Humana Taranja apresentam mais um single do álbum Zafira 

Destino‘ é o novo single dos Humana Taranja, quarteto do Barreiro formado por Guilherme Firmino, Afonso  Ferreira, David Yala RodriguesFilipa Pina da SilvaMarta Inverno. Foi com este line-up que ficámos a conhecer o primeiro single da banda, Demo Tapes no início de 2019. Agora, preparam-se para o lançamento do seu próximo álbum Zafirae dão a conhecer o segundo single do disco, ‘Destino‘, sucessor de ‘Fado Tropical‘.

Neste tema, cantam a saudade e a distância, dois enfardos que andam de mão dada ao sabor do destino. A batida épica alimenta a canção num crescendo que explode no refrão onde, em conjunto, gritam ao rufar dos tambores “Destino!“.

Azul Celeste‘ é o novo single de Expresso Transatlântico

Expresso Transatlântico junta Gaspar Varela – prodígio da guitarra portuguesa que conquistou fãs de música popular portuguesa com a edição de Gaspar aos 14 anos – Sebastião Varela, que traz à tona a sua mestria na guitarra elétrica e Rafael Matos, baterista , num novo projeto que visa explorar as sonoridades da música popular portuguesa, fundindo-a com ritmos brasileiros e africanos. ‘Azul Celeste‘ é exemplo exímio disso, juntando a guitarra portuguesa a guitarra elétrica, com uma bateria viciante que reluz – coesão não falta nesta banda que une fado e rock numa simbiose cujo resultado são quatro minutos de puro êxtase.

O projeto nasce de uma vontade antiga de Gaspar, que começou a aprender a guitarra portuguesa aos sete anos para poder acompanhar a bisavó fadista Celeste Rodrigues. Juntou-se a ele o seu irmão, Sebastião, e um amigo Rafael. Juntos, traçam um caminho no sentido de encontrar uma identidade musical, que já se vem mostrando bastante concretizada, sem amarras a géneros ou estilos.

Fura Olhos estreia-se nos longa-durações com disco homónimo

Inês Malheiro e Miguel Pedro são Fura Olhos, banda que apresentou, esta semana, o seu primeiro longa-duração com selo da Revolver. O disco nasce do “baú de composições de Miguel” e das vozes e bitaites de Inês” e culmina num conjunto de canções oníricas que buscam inspiração em elementos da natureza e onde a entropia é bem-vinda. A Revolver completa, dizendo que “o encontro [destes músicos] é um voo de rotas vertiginosas, oscilantes e hipnóticas“. Vindo destes dois artistas, o resultado não poderia ser diferente: o uso da eletrónica não é novidade para Inês, que está por trás de projetos como the endless chaos has an end” Canal-Conduto; à propensão eletrónica de Inês junta-se a criatividade de Miguel, que atua em projetos como Mão Morta e é uma das figuras mais ativas da cultura bracarense.

Matutino é o novo disco de Miguel Torga

Matutino é o mais recente disco do produtor Miguel Torga. Ao contrário do disco anterior Hexágono AmorosoMatutino é uma produção 100% original, que relega o sampling e põe em primeiro plano a sua voz e à de três convidadas, Ana Teresa SanganhaCarolina BernardoIsis Melo. O ambiente atmosférico, que não questiona a importância de fazer dançar, cria a viagem através da batida eletrónica. Matutino é uma “epopeia hedonista“, que narra com precisão e criatividade uma saída que se tornou num passeio ao amanhecer. Que seja esta a soundtrack nas próximas andanças.