Fotografia: Festa do Cinema Francês/Divulgação

Festa do Cinema Francês passa pelo Porto na 22.ª edição

De 19 a 27 de outubro, houve várias sessões dedicadas à ligação luso-francesa no Cinema Trindade e Teatro Rivoli

A 22.ª Festa do Cinema Francês passou pelo Cinema Trindade e pelo Teatro Rivoli, no Porto, de 19 a 27 de outubro. Na programação, destacam-se os três filmes do Foco – Mia Hansen-Løve, várias antestreias, uma em sessão de abertura, e várias sessões dedicadas aos mais novos.

Estas sessões vêm “propor ao público português um vasto leque de emoções e de temas de reflexão, através de comédias, dramas, romances, ou ainda filmes particularmente dirigidos para o público jovem”. É isto que ressalva Florence Mangin, embaixadora de França, na nota de boas-vindas da programação do Porto.

A cerimónia de abertura, no Teatro Municipal do PortoRivoli, contou com a presença de figuras importantes da relação luso-francesa. Destacam-se Tiago Guedes, diretor distinguido no início deste ano com o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras pelos serviços prestados à cultura e ao intercâmbio entre Portugal e França, Katia Adler, diretora e programadora do festival, e ainda o diretor da Aliança Francesa no Porto e o diretor da Unifrance.

Começar com um Adeus, Idiotas

A abrir as sessões no Porto, o filme de Albert Dupontel, que vai estrear nas salas portuguesas apenas em março de 2022, teve uma projeção especial. Adeus Idiotas conta a história de Suze Trappet (Virginie Efira), que descobre uma doença incurável que a faz querer encontrar o filho, que entregou forçosamente para adoção quando foi mãe aos 15 anos. Na luta por este objetivo, junta-se a uma dupla no mínimo inusitada: JB (Albert Dupontel), um homem de 50 anos que tenta o suicídio depois de um despedimento, e o Sr. Blin (Nicolas Marié), um arquivista cego com pavor da polícia.

Para além deste, houve ainda espaço para A Ilha de Bergman, uma longa-metragem enquadrada no Foco – Mia Hansen-Løve. A programação focada na atriz e realizadora é justificada pela experiência profissional que começou “como atriz, quando tinha dezoito anos, pelas mãos de Olivier Assayas” tendo depois estudado no “Conservatório de Artes Dramáticas de Paris, iniciando um trabalho enquanto crítica de cinema na revista Cahiers du cinema”.

A partir de 2007, com Tout est pardonné, Mia tem garantido “presença regular nos principais festivais internacionais”. Na festa do Cinema Francês foram projetados Éden (2014), Maya (2018) e também O Que Está Por Vir (2016), Nathalie (Isabelle Huppert) é confrontada com uma urgência de mudança. A professora de filosofia repensa toda a sua vida depois de um divórcio inesperado.

A leveza do drama

Os dois filmes partem de um pressuposto de reviravolta. Tanto a personagem principal de Adeus, Idiotas como de O Que Está Por Vir vivem momentos que as fazem questionar todo o seu trajeto de vida.

Festa do Cinema Francês
Fotografia: Festa do Cinema Francês/Divulgação

Adeus Idiotas é também uma sátira à sociedade em vários momentos, principalmente no que respeita a não sabermos olhar uns para os outros. Destaca-se ainda em todo o humor colocado nas interações que envolvem a necessidade de serviços públicos, como a assistência social e até mesmo com a polícia francesa.

Esta sátira está implícita no título do projeto, que retrata um momento de despedida, antes de uma tentativa falhada de suicídio. No fim do filme, a frase volta a ser citada. O salto entre o humor, puramente sarcástico, e o drama dão uma força que ajuda a trama a sobreviver e a tornar-se um produto minimamente original.

O Que Está Por Vir Festa do Cinema Francês
Fotografia: Festa do Cinema Francês/Divulgação

Em O Que Está Por Vir, é a presença e o desenvolvimento de personagem de Isabell Huppert que nos faz esquecer a complexidade dramática da história, que reside no repensar do nosso trajeto até um certo momento da vida. Além da leveza da atriz e da imagem da longa-metragem, há também a forma como a complexidade filosófica é exposta e está presente no trabalho: Nathalie não é apenas uma professora de filosofia, ela pensa em todas as suas decisões com essa muleta de pensamento.

Relevante é também a questão das discussões profundas com o aluno Fabien (Roman Kolinka), que a desperta para todas as bandeiras políticas que deixou pelo caminho. O sofrimento não toma conta dos personagens nem dos filmes, mas se os virmos com atenção, vamos também repensar as decisões que tomamos.

Os adolescentes também têm lugar na Festa

Parte do dossier pedagógico, criado pelo Cinelíngua Francesa como instrumento de aprendizagem da língua através do cinema, foi apresentada a secção Miúdos e Graúdos, com os filmes Gagarine, Um Príncipe em Apuros, Uma Pequena Mentira e Voo Para a LiberdadeAssistimos ao primeiro numa sala composta por duas turmas de escolas do Porto, que têm na Festa uma oportunidade de se ligar mais ao mundo do cinema e ter também acesso a obras de língua francesa, nem sempre tão perto do grande público.

Fotografia: Festa do Cinema Francês/Divulgação

Estamos mais uma vez perante um drama apresentado de uma forma simples. Nele, um problema real – a demolição das torres e expulsão dos moradores – é dissolvido pelo sonho e acima de tudo ilusão de Yuri de que é astronauta e que tudo se vai resolver na sua vida se se isolar naquela cápsula da qual resiste a ser expulso. O filme consegue ainda relatar de uma forma suave o primeiro amor e os primeiros desgostos que podem ocorrer durante a adolescência, sem nunca esquecer as críticas sociais necessárias ao tema da habitação e desalojamento.

O trabalho foi gravado no Cité Gagarine, um projeto habitacional em Ivry-Sur-Seine, no Siul de Paris, que foi de facto demolido. Dirigido por Fanny Liatard e Jérémy Trouilh, a trama foi uma expansão da curta-metragem feita pelos mesmos em 2015.

A Festa do Cinema Francês continua e vai ainda passar por Évora e Viseu, entre os dias 28 e 31 de outubro. Esta passagem por várias cidades é importante para tornar os festivais de cinema mais conhecidos e fazer das próximas edições hábitos dos cidadãos de qualquer parte do país.

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