FEST
Fotografia: FEST/Facebook

FEST. Os novos talentos do cinema que temos de conhecer

A 17.ª edição do FEST – Festival Novos Realizadores | Novo Cinema - decorreu em Espinho desde 4 de outubro e teve como tema a esperança.

Desde 2004, a cidade de Espinho recebe profissionais de cinema, nacionais e internacionais, em ascensão ou já estabelecidos, para se encontrarem, discutirem, partilharem e desenvolverem novos projetos. O FEST, que chegou ao fim esta segunda-feira (11), é acima de tudo um festival que tem como ponto forte um extensivo programa da indústria e ainda momentos mais focados no pitching e oportunidade de coproduções.

No meio da programação, há espaço para muitas sessões de cinema e uma vasta lista de premiados, que foi divulgada este domingo (10) no Auditório do Centro Multimeios, no centro da cidade de Espinho. Os grandes destaques da competição fazem parte da seleção Lince de Ouro, composta por primeiras e segundas longas-metragens de algumas das mais notáveis e ousadas novas figuras da cena internacional, bem como da Lince de Prata, competição de curtas-metragens de vários géneros – Ficção, Documentário, Animação e Cinema Experimental – que tenciona lançar cineastas até aos 35 anos de idade.

A diretora Teodora Mihai viu o filme The Civilian vencer o Lince de Ouro para Melhor Longa-Metragem de Ficção. O trabalho retrata o rapto de uma adolescente no norte do México, que termina num processo de justiça pelas próprias mãos, após várias tentativas de pagamento de resgates mal sucedidas. A cineasta à frente do projeto é natural da Roménia e tinha já no currículo Waiting for August, lançado em 2014.

Last Kights of the Right Side, do realizador polaco Michał Edelman, saiu destacado entre os três documentários que faziam parte da programação desta edição do festival. Durante seis meses, o cineasta documentou a atividade de um acampamento ultranacionalista da brigada de Łódź, de eventos de propaganda, a encontros sociais até tentativas de impedir marchas LGBT na cidade de Radomsko.

Houve ainda lugar para uma Menção Honrosa ao filme Mighty Flash, da espanhola Ainhoa Rodríguez. O trabalho é uma obra que retrata a solidão e o isolamento de uma localidade rural devastada pelo despovoamento.

Curtas-metragens, da Ficção ao Experimental

Na seleção de curtas-metragens, houve espaço para distinções em quatro categorias. Em Ficção, a vencedora foi a realizadora belga Meltse Van Coillie, com Zonder Meer. A Melhor Curta-Documentário foi Mundo, da chilena Ana Edwards, e Easter Eggs foi eleita pelo público como Melhor Animação. Na categoria deCinema Experimental Não Narrativo, o destaque foi dado ao brasileiro Leonardo Martinelli, com Copacabana Madureira.

Tiveram ainda direito a uma menção honrosa Dustin, de Naïla Guiguet, Still Processing, de Sophy Romvari Under The Sky, de Marta Skiba. A esta lista juntaram-se ainda Souvenir Souvenir, de Bastien Dubois, Scum Mutation, de Ov, e One Thousand And One Attempts To Be An Ocean, de Wang Yuyan.

O público escolheu produções da Dinamarca e Alemanha

Quanto ao Prémio do Público, os filmes mais votados pelos espectadores das várias sessões competitivas do FEST foram a longa-metragem Enforcement, dos realizadores Anders Ølholm e Frederik Louis Hviid. O filme ecoa o assassinato de George Floyd e o clima de inquietação entre as diferentes comunidades étnicas na Europa e foi um sucesso estrondoso durante a sua estreia na Semana da Crítica do Festival de Veneza.

Ao trabalho dos dinamarqueses junta-se Haeberli, do alemão Moritz Mueller-Preisser, que se destacou como a curta-metragem preferida pelo público. O projeto conta a história real de um acumulador octogenário que vive na estância de luxo de Saint Moritz, sem que a comunidade consiga perceber com exatidão se ele é um génio, um louco, um resistente intelectual ou um milionário desiludido.

Filmes e prémios para os mais novos

Num festival que procura destacar o que se faz de novo no cinema, houve ainda lugar para prémios nas categorias de Grande Prémio Nacional, a competição mais antiga do evento e que conta com trabalhos dos futuros nomes da cena nacional. O vencedor foi Rodrigo Braz Teixeira, com Miraflores, e as menções honrosas foram para We Won’t Forget, de Lucas Elliot Eberl e Edgar Morais e Mulher Como Árvore, de Alejandro Vázquez San Miguel, Carmen Tortosa, Daniela Cajías, Flávio Ferreira e Helder Faria.

O FEST conta ainda com uma secção académica, intitulada NEXXT. A categoria que premiou, este ano, a curta-metragem Washing Machine, do estudante Dominik Hartl. A menção honrosa foi dada a Good German Work, de Jannis Alexander Kiefer.

Os mais novos também não são esquecidos e têm direito a uma secção, o FESTinha, que tem vindo a ganhar destaque a cada edição que passa. Este ano, foram premiados The Plastic Turtle, de Miguel León e Claudia Osej, na categoria sub 10, Totem,de Katrine Glenhammer, em sub 12, e Dolapo is fine, de Ethosheia Hylton, em sub 16.

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Termina assim mais uma edição do festival feito de Espinho para o mundo. A edição desta ano do FEST – Festival Novos Realizadores | Novo Cinema conta com uma parceria com a plataforma Filmin, que terá disponível em formato pay-per-view, de 11 a 18 de outubro, uma seleção do programa de cinema.