Gisela João
Gisela João | Fonte: Rodolfo Magalhães

À Escuta. Gisela João, Sensible Soccers e Pongo são os destaques numa semana muito preenchida

Mais um sábado no Espalha-Factos, mais uma edição do À Escuta, rubrica que visa apresentar o melhor do que se faz da música em Portugal ao longos das semanas do ano. Numa semana preenchida, e em que se festejou o Dia Mundial da Música, damos destaque à ida consagradora de Gisela João ao COLORS, ao belíssimo novo disco dos Sensible Soccers e a mais um banger eletrizante de Pongo.

Em relação ao campo dos singles, apresentamos as novas faixas de André Carvalho, mais um banger dos AVAN GRA, a nova de Adler Jack com os seus camaradas, CAIO, Cavalo Amarelo, Co$tanza, Ghost Box, Guire, um B-side de himalion, João SóMirai, a estreia de PenínsulaSAL Silly. Face a coisas com durações mais longas, fala-se dos EPs de Oma NataXinobi e fala-se dos LPs dos Cosmic MassLEFTYLYFE, Miguel AngeloOmie Wise Phaser.

Gisela João leva ‘Louca’ ao COLORS

A presença portuguesa no COLORS continua a aumentar. Depois de Nenny,Pongo, Dino d’Santiago e, mais recentemente, Carolina Deslandes, agora é Gisela João que carimba a sua passagem pela prestigiada plataforma internacional de música com uma versão de Louca, uma das faixas do seu mais recente disco, AuRora.

Poucas palavras podem descrever a performance que Gisela João apresenta nesta sua visita ao COLORS. A sua voz carrega a alma e dor de centenas de vidas, deixando-nos completamente arrepiados e pregados ao chão tal é a intensidade da sua entrega nesta versão de ‘Louca’. Se a versão em estúdio da faixa já é qualquer coisa de incrível – e uma das melhores faixas de AuRora – esta versão do COLORS é simplesmente estratosférica na dimensão que atinge. É um privilégio ouvir Gisela João – tão simples quanto isso.

Sensible Soccers trazem o outono consigo em Manoel

Manoel é o nome do quarto disco de originais dos Sensible Soccers. Coproduzido pela banda e por João Brandão, o sucessor de Aurora resulta do trabalho de criação de duas novas bandas sonoras para dois filmes de Manoel de Oliveira: Douro, Faina Fluvial (1931) e O Pintor e a Cidade (1956).

Sensible Soccers - Manoel
Fotografia: Divulgação

É a partir do universo oliveirano dessas duas longas-metragens que os Sensible Soccers constroem este Manoel. E este disco, na sua verdade, funciona quase como o resumo dos trabalhos que a banda apresentou até ao momento. Manoel é construído a partir das experimentações sónicas que a banda havia efetuado em Aurora, mas se esse trabalho era um disco de verão, Manoel soa a um disco de outono, perdido ali algures na transição que se avizinha para o inverno.

As texturas tristes e saudosas mas que conseguem soar calorosas de Manoel são o resultado da junção entre a faceta de post-rock do grupo – apresentada, essencialmente, nos seus primeiros dois discos – com a eletrónica orgânica de Aurora. Em momentos, soa mais experimental que os trabalhos passados da banda (que nunca o deixaram de o ser, diga-se de passagem), mas em outros tantos, soa exatamente àquilo que esperamos dos Sensible Soccers – música para nos ajudar a refletir perante a envolvência ao nosso redor.

Pongo parte a loiça toda em ‘Começa’

Depois de ‘Bruxos’, Pongo está de regresso para mais um single em 2021, intitulado de ‘Começa’. A faixa conta com colaboração do produtor e pianista BRGZ e do guitarrista Thomas Broussard.

Começa’ é uma faixa altamente energética, onde os ritmos do kuduro se juntam à eletrónica para criar uma faixa que só nos permite dizer o seguinte: é mesmo para partir a loiça toda no clube. Pongo dá tudo enquanto vocalista, incutindo sentimento à música, questionando a sua posição dentro do género. Resta-nos concluir que a sua posição atual como rainha do neo-kuduro está ainda garantida – ‘Começa‘ é um certified banger, pronta para nos fazer vibrar por essas discotecas que agora abrem para nos receber.

André Carvalho apresenta ‘Karelu’, a “marca deixada na pele por se usar algo apertado

‘Karelu’ é o nome do segundo avanço do novo álbum do contrabaixista e compositor André CarvalhoLost in Translation, um disco inspirado em palavras intraduzíveis. Depois do holandês de ‘Uitwaaien’, André faz-nos agora chegar a palavra Karelu, da língua Tulu, falada na Índia, e significa algo como “a marca deixada na pele por se usar algo apertado“.

Se a tensão de usar algo apertado se faz sentir no nosso corpo, esta é replicada em praticamente toda a extensão de ‘Karelu‘. Com a ajuda do saxofonista José Soares, do guitarrista André Matos e do trompetista João Almeida (convidado especial nesta faixa), o quarteto joga com as melodias para fazer aumentar e descer a tensão da música, consoante os ajustes que vamos fazendo à sensação de aperto que sentimos. É free jazz bem conseguido, pautado por texturas que nos fazem sentir na pele o tipo de composição que premeia o género.

AVAN GRA revelam o seu lado mais experimental em ‘Utopia’

O disco de estreia homónimo dos AVAN GRA continua a ser construído e o novo single do duo constituído por 90’s Kid Carracha, intitulado de ‘Utopia’, é mais uma pedra na calçada a ser colocada nesse caminho. E ‘Utopia‘ pode ser a faixa mais aventurosa e experimental que o duo apresentou até ao momento.

Aliado ao seu som old school, 90’s Kid e Carracha infusem a sua sonoridade com tons abstractos, a fazer lembrar alguns dos toques que Nerve apresentou no seu mais recente trabalho, Auto-Sabotagem. O beat é poderoso, com o seu baixo pautado a fazer-se sentir, soando sinistro com as suas adições de samples que criam uma ambiência perfeita para os flows dos dois membros do grupo soarem como se estivessem em casa. E se neste momento já é quase um dado certificado que as barras do duo estão praticamente sempre on point, o que dizer do hook de ‘Utopia‘? É bem conseguido, impossível de ignorar, em mais uma demonstração do potencial e do nível alto que os AVAN GRA já apresentam em termos criativos.

Adler Jack e camaradas levam-nos às ‘FÉRIAS NA FIGUEIRA’

O ano de 2021 continua a ser para Adler Jack sinónimo de lançamentos e o artista de Coimbra brinda-nos com mais um novo single. Nestas ‘FÉRIAS NA FIGUEIRA, no entanto, Adler Jack não vem sozinho. Nesta ida à Figueira da Foz, Adler Jack traz consigo uma lista recheada de convidados para adocicar ainda mais esta viagem: 6 nacionaismoisésVert GumBravohelp!pinkpapi.

Se a longa lista de convidados podia ser um entrave para a faixa funcionar, rapidamente percebemos que tal não é o caso. Todos os participantes na faixa apresentam uma química notável, com cada um a surgir quase como se a contar a sua parte destas férias. A portugalidade é intrínseca, com Mike el NiteDavid Bruno a serem as influências mais notáveis nesse campo, e as referências à Figueira da Foz soam sem soarem forçadas.

Há toda uma nostalgia em ‘FÉRIAS NA FIGUEIRA’ pelos momentos que já aconteceram, conseguida não só pelas barras e referências que nelas existem, mas também pelo seu instrumental, onde se nota a influência do hypnagogic pop de artistas como Yves Tumor ou George Clanton. Orelhuda no seu refrão, ‘FÉRIAS NA FIGUEIRA’ é uma faixa perfeita para fechar o verão de vez, olhando para trás para as memórias com um sorriso mas com ânsia de poder regressar à Figueira da Foz já em breve.

CAIO apela ao voto no amor em ‘Faltamos às Eleições’

‘Faltamos às Eleições’ é o nome do novo single de CAIO, em mais um avanço do seu próximo longa-duração, Travessia, que chega em janeiro do próximo ano. A faixa conta com letra de Valter Lobo e foi produzida por Pedro Moreira.

Este single do artista lisboeta é, logo à partida, povoado por uma atmosfera romântica e de saudade, criada pela junção de um instrumental que retira influência do folk de uns Fleet Foxes, mas também à ambiência psicadélica de um Father John Misty, e à voz suave do artista, que canta quase como se estivesse a sussurrar ao ouvido da pessoa a quem a canção se dirige.

E se o título da música até pode-nos fazer levantar o olho dado a abstenção das mais recentes eleições autárquicas, rapidamente percebemos que é simplesmente um jogo de palavras que nos levanta, pelo contrário, um sorriso envergonhado, como se estivéssemos a ser encantados pelo artista. E é complicado resistir, diga-se de passagem!

Cavalo Amarelo soam intensos na escura e incerta ‘Primeiro do Fim’

‘Primeiro do Fim’ é o nome do novo single dos Cavalo Amarelo, grupo constituído por Cláudio Oliveira (guitarras), Miguel Flaviano (baixo), Paulo Maçarico (Voz), Pedro Casaca (guitarras) e Rodrigo Antunes (bateria). É o segundo single do grupo e também o segundo a ser retirado do seu EP de estreia.

Cavalo Amarelo
Fotografia: Divulgação

Com produção de Miguel Urbano e masterização de Rui Dias, ‘Primeiro do Fim’ é uma faixa cheia de intensidade, tanto no seu instrumental como na entrega vocal de Paulo Maçarico. Há uma atmosfera escura e incerteza que povoa toda a faixa, que quase se pode dizer gótica, influenciada por artistas como Sétima Legião ou Rádio Macau. Muito dessa atmosfera é criada pela junção entre as guitarras melancólicas com os sintetizadores sinistros que, quando juntadas à bateria e baixo pujantes, criam toda uma dinâmica de emoção intensa, que é progressivamente libertada à medida que a faixa se desenvolve.

O EP de estreia dos Cavalo Amarelo será editado ainda durante este mês de outubro.

‘5G’ e ‘Breathless’ são os primeiros avanços de Co$tape, a nova mixtape de Co$tanza

É com o nome Co$tanza com o qual Miguel Costa se apresenta ao mundo enquanto artista. Depois de Linha Verde, projeto lançado em 2019, Co$stanza prepara-se para lançar uma nova mixtape (intitulada de Co$tape) durante esta época de outono. ‘5G’ e ‘Breathlesssão os primeiros temas dado a conhecer do novo projeto do artista.

Apesar de serem duas faixas relativamente diferentes em conceito – ‘5G’ é um deconstructed club banger enquanto que ‘Breathless’ se aproxima mais de algo que tem um hook pop presente – ambas apontam para um mesmo local: o de hyperpop. ‘5G‘ soa a uma faixa que podia sair de um projeto de A.G. Cook, com a sua descontrução total de sons de eletrónica etéreos e massivos, enquanto que ‘Breathless’, com contribuições de DiggyBejaflor, atira-nos para as colaborações que Vince Staples realizou com SOPHIE no seu mais consagrado trabalho, Big Fish Theory.

Duas faixas tremendamente interessantes, com uma paleta sonora muito própria no panorama musical português, que nos abrem o apetite para um projeto que pode finalmente colocar o hyperpop no mapa da música portuguesa.

Cosmic Mass regressam com o seu garage rock em ‘Alienation’

É com Alienation que, dois anos depois de Vice Blooms, os Cosmic Mass, quarteto aveirense constituído por Miguel Menano, António Ventura, André Guimarães e Pedro Teixeira regressa aos longa-duração.

Cosmic Mass - Alienation
Fotografia: Divulgação

Produzido por José Arantes, Alienation é apresentado como um disco conceptual, contando a história de uma “personagem sem nome isolada no seu trabalho longe de sua casa e dos seus” que parte numa viagem para regressar a sua casa. Abraçando temas como a solidão, inadequação e a irrelevância laboral, Alienation é um disco recheado de atitude punk que, no seu conceito, acaba por se apresentar como uma crítica ao paradigma no qual a sociedade se encontra atualmente, paradigma esse regido pelo trabalho e rotina que nos levam à exaustão e à desconexão para com os outros e, pior ainda, com o mundo.

Tendo uma atitude punk subjacente, torna-se claro que Alienation também apresente componentes de punk – o género – na sua música. Não só pela velocidade e agressividade que se pode ouvir nas músicas, mas também pela estética DYI bastante presente ao longo do trabalho. As guitarras soam cruas, carregadas de fuzz e colocadas na frente da mistura, sendo ajudadas pelos ritmos elevados que a bateria e o baixo vão ditando, fazendo lembrar o garage rock psicadélico de bandas como King Gizzard & The Lizard Wizard ou Thee Oh Sees.

Ghost Box reflete em ‘notes on growing up’

‘notes on growing up’ é o nome do novo single de Ghost Box, o nono passo dado pelo alias de Pedro Caldeira neste projeto que visa apresentar doze faixas ao longo dos doze meses do ano de 2021. Nesta sua nova faixa, Ghost Box reflete sobre o seu crescimento e, acima de tudo, reflete sobre as mudanças que as suas preocupações vão sofrendo à medida que vai crescendo.

Dado o tema de crescimento da faixa, é natural que ‘notes on growing up’ se apresente com um beat etéreo e nostálgico, servindo de base para as barras refletivas que o artista apresenta. A unir isto tudo, surge um hook em eco, quase como se nos estivesse a tentar adormecer suavemente para nos fazer esquecer os nossos problemas.

‘Louco Furioso’ é o single de estreia de Guire, novo membro da Chinfrim Discos

Guire é é o pseudónimo musical com o qual se apresenta Guilherme Figueiredo no mundo da música. O novo recruta da Chinfrim Discos estreou-se nos lançamentos esta semana com o single ‘Louco Furioso’, que conta com participação de deadflyingthings, masterização de Tony Bounce e segundas vozes de xtinto.

Apesar da música ser curtinha – apenas 1 minuto e 47 segundo de duração – esta traz empacotada muita coisa para dissecar. Toda a ambiência da faixa é complicada de descrever – e isto é um elogio. Há algo de transcendente no experimentalismo de ‘Louco Furioso’, e muito disso provém da junção entre a eletrónica estimulante do instrumental da faixa com os vocais que vão surgindo, criando uma atmosfera incerta e ansiosa, mas que de alguma forma, nos aquece o coração com uma certa portugalidade sempre que o hook (muito bem conseguido, diga-se de passagem) da faixa surge. Há toda uma dinâmica existente entre todos os elementos da música que, simplesmente, funcionam de uma forma que é inesperada.

Se ‘Louco Furioso‘ já não fosse uma faixa interessante o suficiente para nos despertar atenção para Guire, esta estará inserida no EP de estreia do artista, intitulado de Entressonho, que certamente será uma maior demonstração da criatividade do produtor.

himalion revela ‘Flower Mind’, um B-Side de BLOOMING

Depois de lançar durante este ano o belíssimo BLOOMINGhimalion, nome artístico de Diogo Sarabando, regressa com um lado B desse trabalho, intitulado de ‘Flower Mind’.

A faixa partilha muita da palete sonora de BLOOMING, soando como se os primeiros raios de sol da primavera estivessem a entrar pela nossa janela. A voz de Diogo é suave e assenta perfeitamente neste instrumental de folk que nos relembra o mais recente trabalho dos Fleet Foxes.

João Couto deseja-nos Boa Sorte através de belíssimas cantigas pop no seu novo disco

É a desejar-nos Boa Sorte que João Couto está de regresso aos trabalhos, apresentando esta semana o sucessor de Carta Aberta, disco lançado em 2018. A produção de Boa Sorte ficou a cargo de Pedro Pode (S. Pedro e doismileoito).

João Couto - Boa Sorte
Fotografia: Divulgação / Silas Ferreira

Boa Sorte conta com 12 canções escritas e interpretadas por João Couto, ao qual se junta os músicos Fábio Rocha (baixo), Gonçalo Salta (bateria), Marco Santos (teclados) e Tonny Teixeira (guitarra), e uma larga lista de convidados que passa por Mia Moura, Bruno Pina e Carolina Santos nos coros, Ana Conceição, Beatriz Rola, Catarina Valadas e Sara Silva (quarteto que integra o projeto Aquilo que Vocês Quiserem) e o saxofonista Hugo Barbosa (Marta Ren, Expensive Soul, entre outros).

Podemos dividir este novo trabalho de João Couto em duas facetas. A primeira corresponde à sua faceta de cantor pop, capaz de criar faixas recheadas de melodias que são delícia para os nossos ouvidos, contando sempre com um refrão orelhudo a acompanhar. A segunda corresponde à sua faceta de cantautor (que surge maioritariamente na segunda parte do trabalho), onde João Couto apresenta-se num registo mais minimalista e intimista, revelando-se um artista multifacetado e, acima de tudo, ligado àquilo que se faz na (boa) pop contemporânea.

E o que une estes dois lados do artista e que torna Boa Sorte num disco recheado de consistência são as estórias que João Couto canta. Soam pessoais – como o próprio explica: “Este álbum narra a minha vida no período entre 2019 e 2020 e as grandes mudanças que tiveram lugar nessa altura.” – e são sempre enaltecidas pelas melodias que as acompanham, cuidadosamente criadas para criar uma espécie de nostalgia para o presente.

Boa Sorte é um belíssimo disco de pop, que se pode dizer eclético nas suas influências, que demonstra as várias facetas e potencial que João Couto tem enquanto artista.

João Só encanta-nos com a pop rock de ‘Olha Para Mim’

É com Olha Para Mim’ que João Só, um dos mais respeitados músicos e produtores do panorama nacional, dá o último passo para o lançamento do seu quinto álbum de originais, Nada é Pequeno no Amor.

Sobre esta sua nova cantiga, João Só indica o seguinte. “‘Olha Para Mim’ é a canção que de certo modo reflete o meu estado de espírito ao longo deste disco. É uma conversa com a minha mulher Mafalda sobre a nossa vida. ‘Olha quem lá vem, tem coisas dos dois, mas não lembra a ninguém’ é olhar para os nossos filhos e desejar que sejam melhores que nós. Ao mesmo tempo é vermo-nos ao espelho, mas perceber que são uma mistura invulgar que nunca deixa de ser fascinante”.

‘Olha Para Mim‘ é, na sua génese, uma canção introspetiva que junta o lado cantautor de João Só – e conta uma belíssima história – e o lado de cantor pop do artista. E como nos tem habituado desde sempre, essa relação simbiótica entre os seus lados permite criar uma belíssima e orelhuda cantiga de pop rock, capaz de encantar pessoas de todas as gerações.

O novo disco de Joao Só, Nada É Pequeno no Amor, tem data de lançamento marcada para o próximo dia 15 de outubro.

LEFTY apresentam-se com a potência de ANDRÓMEDA

ANDRÓMEDA é o nome do disco de estreia dos LEFTY, poderoso quarteto de rock constituído por Leonor Andrade na voz, João Nobre no baixo, Pablo Banazol nas guitarras e Dani na bateria. Este trabalho conta com letras de Leonor Andrade e composição de João Nobre que partilha também a produção com João Martins dos estúdios Ponto Zurca.

LEFTY - Andrómeda
Fotografia: Divulgação

Tal como o nome do disco aponta, ANDRÓMEDA está intimamente ligado com vários dos conceitos e lendas associados a Andrómeda, não só em relação à mitologia grega, mas também em relação à astrologia. Acaba por ser daqui de onde sai muitas das letras das faixas de ANDRÓMEDA, intimamente relacionados com temas como o amor, a distância e o destino.

E o destino dos LEFTY começa a ser escrito com este disco, um disco de pura potência de pop rock escrito para soar duas coisas: moderno e gigante. Nessa capacidade, os LEFTY não falham na sua missão, demonstrando a influência de grupos como Clã (principalmente), Amor Electro ou Ornatos Violetanas suas composições e escolhas artísticas. Leonor Andrade rouba o show enquanto vocalista, mas não o conseguiria fazer sem instrumentais tremendamente sólidos que tornam as faixas em bons momentos de pop rock tremendamente orelhudo.

Porque é isso que ANDRÓMEDA é: pop rock tremendamente bem construído, pensado para soar moderno e aproveitar todos os seus momentos para soar orelhudo e gigante, pronto para fazer explodir arenas.

LYFE leva-nos de volta ao verão com Paraiso Lofi

Paraiso Lofi é o nome do novo disco de LYFE, nome pelo qual se apresenta o produtor Pedro Eira. É o sucessor do álbum de 2018, SMOOTH THOUGHTS. Neste trabalho, LYFE apresenta 16 faixas incrivelmente suaves, prontas a levar-nos para um verãozinho distante, recheado de nostalgia, onde os sintetizadores, a guitarra e o jogo de samples do artista se combinam para uma muitíssima agradável audição

Miguel Angelo divide-se entre a Noite e Dia no seu regresso aos discos

Noite e Dia é o nome do disco com quem Miguel Angelo regressa aos trabalhos, dois anos depois do seu último lançamento, o EP Nova (pop). Este trabalho pode ser visto como um duplo álbum, separado em dois atos, a Noite e o Dia, que são também, de certa forma, as duas facetas de Miguel Angelo.

De um lado – o lado do Dia – podemos encontrar Miguel Angelo, o rockeiro desinibido, com a ajuda da sua banda (Mário Andrade na guitarra, Bernardo Fesch no baixo e teclas e Jorge Quadros na bateria), a criar belíssimas canções de pop rock para juntar ao seu arsenal já longo do género. Do outro lado, o lado da Noite – o artista junta-se a Rui Maia para criar canções mais experimentais, com maior enfâse no lado eletrónico da coisa, com influências do dark wavesynth pop a fazer-se sentir nestes momentos de reflexão e transcendência que sucedem ao apogeu de Dia.

Noite e Dia é um disco extremamente interessante e é mais um capítulo a ser escrito para a carreira de Miguel Angelo que o confirma como um dos mais criativos artistas da esfera pop rock nacional. Mas isso já sabíamos, não é verdade?

‘Fermento’ é mais um banger de Mirai

O ano de 2021 de Mirai parece não ter fim à vista. Depois de já ter lançado um EP e mais alguns singles, o rapper regressa para mais um momento de demonstração da sua criatividade com ‘Fermento’.

Contando com produção de Gold’s House/Migz, ‘Fermento’ é um banger orelhudo que demonstra a capacidade camaleónica de Mirai enquanto artista. Por um lado, é capaz de apresentar trap bangers viscerais (como vimos em Tempus), e por outro, tem a capacidade de se apresentar num registo mais influenciado pelo R&B, como ocorre nesta ‘Fermento’, sem perder qualquer capacidade de criar hooks fantásticos. Aqui, o refrão orelhudo surge, impossível de ignorar, separado por versos onde Mirai faz o seu flow e barras sobrevoar um beat suave inspirado pelo R&B alternativo que soa sensual e escuro.

Oma Nata faz-nos vibrar com Prayer of the Night

Oma Nata
Fotografia: Divulgação / Rita Lino

Prayer of the Night é o nome do novo EP do produtor português Oma Nata, nome artístico de Mário da Motta Veiga.

A tempo da abertura das discotecas, Prayer of the Night é um curta-duração que conta com três faixas exóticas, que abraçam influências de eletrónica progressiva numa espécie de house-meets-techno transcendente. O artista conta que o EP surgiu durante um período de isolamento que o artista efetuou na Escócia onde, confinado com os seus sintetizadores, tentou criar “algo mais denso e mais progressivo, com contrastes e texturas que criassem um ambiente com uma cadência mais rápida que o Techno“. Para nós, o objetivo foi conseguido com total destreza de alguém com já muita bagagem criativa dentro da eletrónica.

Omie Wise trazem na bagagem arranjos arrojados no seu novo LP, Wind and Blue

Dois anos depois de To Know Thyself, os bracarenses Omie Wise regressam com o seu segundo LP, Wind and Blue. A banda é constituída por Miguel Santos (vocais e sintetizadores), Fábio Pinto (guitarra e braguesa), Eduardo Peixoto de Almeida (teclas e sintetizadores), João Machado (baixo) e André Mendes (bateria e percussões). Além da banda, este disco conta com a contribuição de uma secção de sopros constituída por Pedro Jerónimo (trompete), Hugo Gama André Reigote nos saxofones, Gil Silva (trombone) e Catarina Valadas (flauta).

Omie Wise - Wind and Blue
Fotografia: Divulgação / Pedro Lima

Wind and Blue é um disco arrojado na sua composição, que apresenta uma sonoridade que mistura elementos de vários géneros de rock – particularmente psicadélico e post-rock – com folk progressivo e jazz. O resultado são faixas que, apesar de densas, soam absolutamente grandiosas, capazes de hipnotizar qualquer um. A banda revela uma capacidade extremamente desenvolvida de saber inserir e retirar elementos às faixas de forma a prosseguir o seu desenvolvimento, usando-a para ampliar a palete sonora que o disco apresenta.

Consegue soar etéreo e belo num momento, agressivo e áspero no próximo, e a transição nunca nos para de surpreender pelo quão bem funciona. É como se uma tempestade vinda do mar de repente se esbatesse sobre nós, mas tão rápida quanto veio, esta volta para o mar, deixando o sol penetrar por entre as nuvens que se vão dissipando. Certamente, em termos de composição e sonoridade, os Omie Wise relevaram um dos discos mais complexos e impressionantes do ano em Portugal.

Phaser impressiona em Genesis, o seu projeto de estreia

Genesis é o nome do primeiro projeto de Phaser, pseudónimo de Miguel Loureiro. Cozinhado ao longo dos dois últimos anos, Genesisreflete diretamente o processo de crescimento artístico e pessoal” do artista ao longo desse período. O álbum vem acompanhado de um visualizer que pode ser visto no canal de Youtube do artista.

E se o nome de Phaser era relativamente desconhecido (apesar de ter lançado um EP o ano passado, Volca Tapes) no mundo da eletrónica portuguesa, com certeza deixará de o ser muito brevemente dado a qualidade apresentada em Genesis. Musicalmente, este é um disco que revela um conhecimento muito grande de produção e de como se pode potenciar todos os elementos que se incluem numa música.

As faixas de Genesis são ultra dançáveis e pode-se dizer até orelhudas, nos momentos em que Phaser embarca numa espécie de dance pop futurista influenciada por artistas como Daft Punk ou Kylie Minogue. E no entanto, a música de Phaser não soa particularmente próxima desses artistas. No campo português, talvez o mais próximo seja as experimentações de RIVAthewizard e, mesmo assim, Phaser aponta numa direção mais virada para a house e a techno do que os toques de hyperpop de Rui Paiva. A música que encontramos em Genesis é feita com um propósito: libertar-nos de tudo aquilo que nos prende e simplesmente meter-nos a dançar a noite inteira. Ou, bem, pelo menos enquanto o álbum estiver a dar porque, quando terminar, já estaremos estafados de tanto nos abanar.

Península estreiam-se com ‘Salamandra’

É com Salamandra’ que os Península, projeto a solo de João Coelho com a colaboração de Francisco Pardal (Francis Pardal), se estreiam oficialmente.

Esta é uma faixa de rock psicadélico, povoada por uma atmosfera de deserto de americana, onde as ervas daninhas vão atravessando a estrada ao som das guitarras suaves que vão surgindo ao longo da faixa. Com elas, a bateria e o baixo vão pautando uma groove cheia de soul, onde a influência de um funk de um Pedro Abrunhosa (quando este fazia funk, obviamente) surge ao de leve. Se os versos são calorosos, é o refrão que rouba o palco final, soando orelhudo e como complemento às histórias a ser contadas ao longo dos versos desta ‘Salamandra‘ em viagem pelo deserto.

SAL aproxima-nos do seu disco de estreia com ‘Não Vale Chorar’

Será no próximo dia 29 de outubro que o mundo irá ficar a conhecer o disco de estreia dos SAL, grupo constituído pelos ex-Diabo na Cruz Sérgio Pires (voz e braguesa), João Pinheiro (bateria), Daniel Mestre (guitarras) e João Gil (baixo) e por Vicente Santos (teclas). Depois de dar a conhecer ‘Passo Forte’ (faixa que também dá título ao disco), o grupo apresenta agora o segundo single deste trabalho, ‘Não Vale Chorar’.

A banda descreve esta sua nova faixa como “uma canção de amor em tempos de pandemia, quando a incerteza que nos rodeia nos obriga a olhar para aquilo que tanto nos falta, o tempo, para sermos mais solidários, mais próximos, mais humanos.” Enternecedora na sua totalidade, ‘Não Vale Chorar’ reflete sobre o legado que a pandemia da Covid-19 deixará em nós, tentando-nos aproximar de um futuro em que nos poderemos voltar a juntar sem preocupações.

É uma canção de união, para gritar a bons pulmões nos concertos da banda enquanto deitamos aquela lágrima a pensar em tudo aquilo pelo qual já passámos, apresentado a sonoridade que define os SAL – a junção entre o mundo do rock e o mundo da música tradicional portuguesa.

Silly coloca-nos a ‘Vida a Mil’ no seu novo single

Vida a Mil é o nome do novo single de Sillyalias artístico de Maria Bentes. A faixa conta com produção da artista em colaboração com Pedro da Linha e EU.CLIDESmix master de Charlie Beats.

Silly
Fotografia: Divulgação

Segundo a artista, a ideia por trás de ‘Vida a Mil‘ surgiu quando “o EU.CLIDES me enviou um instrumental“. Eventualmente, Silly escreveu os versos para a canção, pintando “um quadro” com a ajuda de uma “viagem de autocarro entre Serpa e Lisboa, com as planícies meio-secas” a servirem de inspiração para a faixa. E apesar de uma nostalgia inerente que é apresentada em ‘Vida a Mil’, a faixa é extremamente dançável, colocando-nos num transe que nos deixa preso às melodias infectuosas da faixa.

Vida a Mil’ fará parte de Viver Sensivelmente, o curta-duração de estreia da artista.

Xinobi prepara-nos para a pista de dança com novo EP, Morangos

Morangos é o nome do novo EP de Xinobi, que conta com duas novas faixas do produtor português – a faíxa título do curta-duração e ‘Nitrato’ – e dois remixes da primeira, um de Acid Pauli e outro de Panthera Krause. Morangos é mais um capítulo de eletrónica dançável tremendamente bem conseguida para o produtor e DJ português, pronta para nos colocar a dançar algures por essas noites fora (e, quiçá, já hoje para quem vier efetuar a sua peregrinação até ao Musicbox).