Dia Mundial da Música

Dia Mundial da Música. 12 sugestões para celebrares este dia

O Dia Mundial da Música é celebrado esta sexta-feira, dia 1 de outubro. O Espalha-Factos reuniu um conjunto de álbuns, filmes biográficos e documentários para celebrar a data e demonstrar o poder que a música pode ter na vida de cada um de nós.

Purple Mountains, de Purple Mountains (2019)

Sugestão do redator José Duarte

Passados 11 anos desde o último álbum dos lendários Silver Jews e praticamente dez após a sua separação, o criador e frontman David Berman apresentou, em 2019, o seu novo projeto, Purple Mountains, ao lado de membros da banda WoodsPelo meio, Berman ainda nos brindou com o seu blog, porém musicalmente, foi a primeira vez em dez anos que ouvíamos algo do compositor.

Sem surpresa, continuam presentes neste projeto as qualidades e características que tornaram álbuns como American Water e The Natural Bridge em dois dos álbuns mais marcantes de Indie Rock da década de 90, ou até mesmo do género, como o tom satírico, o humor negro, os temas depressivos, a constante autodepreciação e os toques relevantes de alt-country, aspetos típicos da discografia de Berman. Muitas vezes, os impactantes e refinados arranjos – bem como o quão cativantes muitas das faixas são – escondem a tristeza presente nas letras de todas estas músicas.

A experiência de Purple Mountains se tornou ainda mais trágica e arrepiante, quando chegou a notícia do suicídio de David Berman, passado cerca de um mês do lançamento do projeto. Todas as músicas ganham uma interpretação ainda mais tocante, depressiva e dolorosa, para além do quão real, puro, vulnerável e relacionável o compositor norte-americano se mostrou, acabando por nos deixar uma autêntica e única peça de arte que deverá ficar para a história. Resta-nos agradecer a David Berman pela sua magnífica carreira.

Para mim, este é um álbum altamente pessoal, que tem vindo a crescer desde que saiu. Ao lado do The Glow Pt.2, outro projeto altamente pessoal, é o projeto que mais ouvi este ano e, se há álbuns que representam o poder e o impacto que a música pode ter em alguém, esses são excelentes exemplos.

Blackstar, de David Bowie (2016)

Sugestão do redator Miguel Rocha

Ao longo da minha vida, quando penso no conceito de “música” e criatividade, o primeiro nome que me surge é imediatamente o de David Bowie. Considero-o o maior artista de todos os tempos, com uma capacidade incrível de se reinventar constantemente de acordo com os tempos que o rodeiam, algo que o permite ir além dos grandes e que o torna em algo maior que os outros todos.

Não há melhor representação da capacidade criativa e camaleónica na carreira de Bowie do que o último disco que lançou em vida, Blackstar, lançado no dia do seu 69.º aniversário e dois antes da sua morte, vítima de cancro no fígado. Blackstar é um disco que, em retrospetiva, soa como a premonição da morte do artista, uma carta de despedida para o mundo que teve o prazer de acolher este extraterrestre. 

Liricamente, o projeto encontra-se recheado de referências e metáforas sobre a morte – principalmente na faixa que dá título ao disco, na incrível Lazarus e na grandiosa I Can’t Give Everything Away’, Contudo, também reflete sobre o passado do artista, como se pode observar em ‘Tis’ a Pity She Was a Whore ou Dollar Days.

Em termos de palete sonora, Blackstar é um disco que podia, muito facilmente, ter sido lançado hoje. Soa incrivelmente contemporâneo, abraçando as influências de alguns dos artistas mais influentes da década de 2010, como Kendrick Lamar (a influência de To Pimp a Butterfly é demais observável em todo o disco), Death Grips ou Boards of Canada. O trabalho é um disco de jazz, na sua génese, mas é adoçado pelo histórico de rock’n’roll de Bowie e pelas paisagens suburbanas de Nova Iorque, onde o músico viveu durante grande parte do processo criativo para o disco.

Se há demonstração do tipo de legado que um artista pode deixar ao mundo e do poder da música pode ter, Blackstar é muito bem um dos seus expoentes máximos. A memória de David Bowie – o artista – ecoa por todo o disco. Sempre que a ouvimos, somos lembrados da sua genialidade e, nesse momento, só nos resta uma coisa: sorrir por podermos ter o privilégio de conviver no mesmo espaço de tempo que o músico de Londres.

Solar Power, de Lorde (2021)

Sugestão da redatora Carolina Fonseca Bento

O último álbum de Lorde é o verão em formato musical. Solar Power é um disco de crescimento para a própria artista, que evoluiu muito desde o primeiro trabalho, Pure Heroine, lançado em 2013. A cantora era então ainda uma adolescente de 16 anos a escrever sobre a angústia existencial que sentia, com a qual muitos se conseguiram relacionar, de tal forma que o primeiro projeto foi a catapulta para o grande sucesso que teve primeiro com o single ‘Royals’ e, mais tarde, com o segundo álbum, Melodrama.

Este segundo disco tem um tema muito mais bem definido do que o primeiro: o amor e o desamor. Mantendo-se extremamente realista, Lorde sempre conseguiu, ao longo da carreira, captar a atenção do ouvinte de uma forma que nunca conheci, fazendo ora dançar no meio do quarto, ora chorar com as letras mais sentimentais.

Solar Power, por sua vez, marca uma barreira profunda com o repertório da artista. Esta nova fase de Lorde foi muito inspirada pela viagem que fez à Antártica e também pela estética da obra de Shakespeare Midsommar Night’s Dream. No meio destas e muitas outras referências, a artista apresenta-nos um disco coeso, mas algo inesperado, um pouco à semelhança do que aconteceu com o último trabalho dos Arctic Monkeys.

Sinto que só mais tarde o público vai valorizar este álbum da artista neozelandesa como deve ser: um verdadeiro hino ao crescimento pessoal, à construção da autoestima, de nos sentirmos bem, mesmo com todas as nossas fragilidades e imperfeições. Este disco é felicidade, é leveza. É como andar nas nuvens enquanto, na verdade, estamos só deitados na relva de olhos fechados a sentir a brisa quente de Agosto.

At Folsom Prison, de Johnny Cash (1968)

Sugestão do redator José Duarte

Em 1955, inspirado pelo filme Inside the Walls of Folsom Prison (1951), que viu enquanto servia a força aérea norte-americana na Alemanha, a lenda do country, John R. Cash, mais conhecido como Johnny Cash, lançou uma das suas primeiras músicas, pela Sun Recordings (onde viria a conhecer nomes como Elvis Presley). Folsom Prison Blues’ integrou o seu álbum de estreia e retrata a perspetiva que Cash tinha sobre a vida de prisão, algo que ainda não tinha experienciado até então.

A faixa foi um grande sucesso e tornou-se rapidamente numa das músicas mais conhecidas e características do músico. Desde então, Cash sempre teve o desejo de tocar em prisões, o que acabou por acontecer em 1957, na Huntsville State Prison. Finalmente, em 1968, após anos perturbados pelo consumo de substâncias ilícitas e muita insistência, acabou por gravar um álbum na prisão que inspirou um dos seus singles mais bem sucedidos, a Folsom Prison.

Nas listas de melhores álbuns ao vivo, é recorrente encontrarmos este aqui e é fácil perceber o porquê. At Folsom Prison é um projeto super honesto, puro e real, acima de tudo. As músicas, muitas delas com um carácter outlaw e acerca da vida de prisão, vão desde o engraçado ao macabro e até mesmo ao triste. No entanto, tudo se torna melhor com as reações dos reclusos, que ajudam a criar uma energia característica, ao gritar nos momentos mais alegres, ou por adotarem uma postura mais macabra e silenciosa nos momentos mais tristes. De uma forma ou de outra, eles são um dos fatores que tornam o projeto tão único e até mesmo tocante, pelo facto de que, sempre que ouvirmos este projeto, sabemos que foi muito provavelmente o melhor dia da vida de muitos deles.

Carrie & Lowell, de Sufjan Stevens (2015)

Sugestão da redatora Carolina Fonseca Bento

Carrie & Lowell conta uma história muito pessoal para Stevens. O nome do disco refere-se aos nomes da mãe biológica e do companheiro, respetivamente. A mãe abandonou Stevens e o seu irmão quando o primeiro era ainda uma criança pequena. O cantautor escreveu e lançou o álbum depois da morte de Carrie, com quem pouco ou nada comunicou em vida e cujo abandono lhe deixou uma falha permanente que nunca conseguiu curar.

Este álbum é como uma tentativa de terapia, em que Stevens transmite toda a tristeza, angústia e raiva perante o facto de ter sido abandonado pela pessoa que o devia proteger. Agora morta, também não consegue lidar com a falta da presença da mãe, porque não sabe como gerir a morte de quem, apesar de lhe ser tão próximo, sempre lhe foi infinitamente distante. Com Carrie & Lowell, ficamos a conhecer quase toda a história: de como a mãe abandonou os seus dois filhos numa loja e como o cantor soube da morte da mesma e a foi ver ao hospital. Ouvimos até a uma conversa imaginária entre Stevens e a falecida mãe no tema ‘Fourth of July’.

Curiosamente, também nos é apresentada a outra face da medalha: a do perdão. Com o nascimento da sobrinha, o músico consegue, de certa forma, perdoar o que a mãe lhes fez, uma vez que, ainda que tenha sido uma experiência terrível, dos genes da mãe, transmitidos pelo irmão, nasceu um ser bonito e cheio de luz. Carrie & Lowell é, em suma, de partir o coração. O meu já foi partido várias vezes e, mesmo assim, apresento-o sempre para ser despedaçado a uma música de cada vez – e faço-o de muito bom grado para ouvir esta obra-prima.

For Emma, Forever Ago, de Bon Iver (2008)

Sugestão da redatora Kenia Nunes

For Emma, Forever Ago é o disco de debut de Bon Iver. Lançado de forma independente por Justin Vernon, o homem por trás da one-man band, este álbum foi relançado em 2008, com selo da discográfica independente Jagjaguwar, após várias críticas positivas. Do isolamento e de um período particularmente difícil na vida de Vernon, veio este belíssimo disco, que acabou por vir a ser um marco na música folk contemporânea e a tornar o nome de Bon Iver internacionalmente conhecido.

A voz dorida de Justin Vernon, que não esconde a fragilidade das quebras de voz e dos retumbares sentidos, surge num tom confessional: For Emma, Forever Ago surge após a dissolução da banda que partilhava com amigos de adolescência e do término de uma relação. A solução encontrada para enfrentar a claustrofobia e mediocridade que considerava ser a sua vida levou o músico a isolar-se durante um inverno na cabana de caça do seu pai.

Os sons espectrais que surgem remetem para a solidão física e psicológica pela qual Vernon passava. Neste disco, o artista aparece despido de manias: a guitarra adquire papel secundário e o baixo, orgão e Mellotron são discretos. O que verdadeiramente se destaca é precisamente a voz e o uso que Justin lhe dá – falsettos sofridos, quebras, balbucios. Às vezes é difícil percebê-lo sem a letra, mas é precisamente essa qualidade low fidelity que tornou o disco tão apetecível e o transformou num dos álbuns de referência na cena indie de meados dos anos 2000.

Bon Iver acabou por se desprender do folk e aventurou-se pelo mundo experimental, com discos que tocam os vários géneros musicais. Contudo, o seu debut continua a ser ouvido e amado pelo mundo fora.

Em For Emma, Forever Ago, o artista nutre um coração partido, enfrenta a solidão (mas não luta contra ela) e transforma tragédia em beleza. É o disco perfeito para as estações mais frias e, apesar da temperatura ainda não ter baixado, já roda por aqui.

Lift Yr. Skinny Fists Like Antennas to Heaven!, de Godspeed You! Black Emperor (2000)

Sugestão do redator Miguel Rocha

Quando tive a experiência de ver Godspeed You! Black Emperor ao vivo – corria o ano de 2019 -, senti que nunca mais ia ter a honra de sentir algo como senti ali. A escolha da palavra experiência não é ao acaso, vai além do mero significado da palavra, atingindo um lugar de transcendência só igualado por quando Éder rematou para o fundo da baliza na final do Euro 2016

Não sei se alguma vez serei capaz de sentir outra vez algo deste género com música, mas felizmente a discografia dos GY!BE apresenta momentos que encapsulam todo esse sentimento. O ponto máximo dessa representação é, para mim, o segundo disco do grupo, Lift Yr. Skinny Fists Like Antennas to Heaven!.

Lançado no ano de 2000, Lift Yr. Skinny Fists prossegue o desenvolvimento sonoro que a banda apresentou na estreia, o também incrível F♯A♯∞. Mas se enquanto o primeiro projeto é povoado por uma atmosfera mais fria, este é um álbum caloroso, de total transcendência, capaz de nos embalar e acordar por entre os seus momentos de beleza etérea e os momentos de caos ruidoso.

O post-rock dos GY!BE em Lift Yr. Skinny Fists não cai em nenhum dos estereótipos do género, utilizando as suas influências de spoken word, música ambiente, drone e chamber music para criar a maior obra do género. E há dúvidas queSleep seja uma das melhores músicas de sempre?

Walk the Line, de James Mangold (2005)

Sugestão do redator José Duarte

Já que falámos do icónico At Folsom Prison, sugerimos então o filme biográfico do homem por de trás do álbum: Walk the Line, realizado por James Mangold sobre o The Man in Black”, Johnny Cash. No projeto, Joaquin Phoenix, aprovado pelo próprio músico para o interpretar – já que Cash era um ávido fã da sua performance no filme Gladiador (2000) – contracena com Reese Witherspoon, que interpreta a cantora e compositora June Carter, que também aprovou a escolha da atriz.

Walk the Line Dia Mundial da Música
Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon em ‘Walk the Line’

A longa-metragem apresenta o habitual de uma biopic: o crescimento e alcance da fama. Porém, o que acaba por fazer render o trabalho é que isso é logo tratado nos primeiros minutos, dando espaço a que o destaque não vá tanto para a ribalta e glória de Cash, mas sim para o seu lado mais negro, como a dependência em drogas, bem como para a sua relação com June Carter.

O músico norte-americano é retratado de uma forma real, pura e humana, algo destacado pela performance de Joaquin Phoenix, que mergulha na personagem com afinco e ajuda a acompanhar o vício e queda de John pela forma como a expressão do ator se vai também degradando. Além disso, os protagonistas interpretaram todos os temas do filme de uma forma muito competente, para além da química entre os dois ser um dos pontos fulcrais para o filme resultar. Temos ainda direito a uma cena dedicada ao concerto em Folsom Prison e ao contexto da vida do artista aquando da gravação desse álbum.

Walk the Line é um excelente biopic, ótimo para celebrar a música. No entanto, é também dramático, por acompanhar as alturas cinzentas de um dos grandes nomes da música country.

Rocketman, de Dexter Fletcher (2019)

Sugestão da redatora Carolina Fonseca Bento

Não se tem de ser um fã incondicional de Elton John para se apreciar este filme, que tem tanto de emocionante como de surpreendente. O cantor é uma figura incontornável na música internacional, conhecido mesmo por quem não ouve a sua música. Portanto, ver um filme sobre a sua vida foi uma experiência impressionante para mim.

Imagem: Divulgação

É muito interessante ver como o pequeno Elton tocava piano sem que ninguém lhe tivesse ensinado, num seio familiar bastante hostil, e segui-lo pelo seu crescimento enquanto jovem adulto, marcado pelas primeiras tentativas musicais e por assumir a homossexualidade. A par disso, percebemos como a carreira do músico extrapolou verdadeiramente e o que de negativo isso também lhe trouxe: pessoas que estavam com ele apenas para proveito próprio e a toxicodependência.

No fundo, Rocketman mostra que um cantor, por mais famoso que seja, é muito mais do que apenas uma figura da música pop. É um ser humano, como todos nós, com as suas fragilidades e inseguranças.

Control, de Anton Corbijn (2007)

Sugestão da redatora Carolina Fonseca Bento

Control é um filme sobre a curta vida do vocalista da banda Joy Division. Ian Curtis é a voz por de trás dos temas mais icónicos da banda, incluindo o popular ‘Love Will Tear Us Apart’. O projeto é baseado no livro biográfico escrito pela viúva do vocalista, Deborah Curtis, ao qual deu o nome de Touching from a distance: Ian Curtis and Joy Division. O nome do projeto vem da canção da banda ‘She’s Lost Control’.

Curtis suicidou-se em 1980, aos 23 anos, apenas quatro anos depois de ter formado a banda Joy Division. Control acompanha a vida do artista desde a adolescência, que viveu no quarto a ler Kafka e a escrever canções depressivas, até formar a banda e casar com Deborah. No entanto, o casamento, marcado pela infidelidade e pelo nascimento de uma filha, acabou meses antes da morte de Curtis. O casal divorciou-se por causa da relação extraconjugal que o cantor mantinha com uma jornalista belga, Annik Honoré, algo que também é mostrado no filme.

Control Dia Mundial da Música

O filme marcou-me muito e ainda me marca ainda mais por saber que Curtis teve uma vida tão complicada e morreu tão novo, muito antes de atingir todo o seu potencial. Aconselho a que todos o vejam, mesmo quem não é fã dos Joy Division ou não conhece o trabalho de Ian Curtis porque, mesmo sendo esse o caso, fica a conhecer o trabalho de uma das bandas e artistas mais importantes do punk.

Amy, de Asif Kapadia (2015)

Sugestão do redator José Duarte

Se estão à procura de um documentário que seja tão competente como aclamado, então Amy, do realizador Asif Kapadia, que explora e relata a vida da talentosa e singular Amy Winehouse, é uma excelente opção. Este foi o vencedor do Oscar de Melhor Documentário de Longa-metragem em 2016 e é percetível o porquê, já que vai contra muitas diretrizes do que estamos acostumados a ver nos documentários biográficos.

Uma das características deste realizador é que ele não se preocupa em mostrar-nos o que é que as pessoas que estão a falar têm vestido, optando por colocar única e simplesmente as vozes das pessoas por cima de imagens de arquivo. Desta forma, ao mesmo tempo que temos testemunhos de pessoas chegadas à artista, podemos ter um suporte visual dessas fases da vida da cantora, o que cria uma experiência bastante imersiva e até mesmo chocante, devido à elevada e densa quantidade de arquivos fotográficos e videográficos que nos é entregue.

Amy

Amy é altamente honesto e infelizmente cruel, por acompanhar as diferentes fases da vida da cantora britânica, da fase mais alta à mais baixa. No meio disto, é inevitável sermos confrontados com elementos tristes e trágicos da vida de uma das artistas mais mediáticas da década de 2000.

Summer of Soul (Or When the Revolution Could Not Be Televised…), de Ahmir “Questlove” Thompson (2021)

Sugestão da redatora Kenia Nunes

Ao mesmo tempo que Woodstock arrancava e atingia números astronómicos de assiduidade e que o homem pisava a lua pela primeira vez, a comunidade negra de Harlem reunia-se numa grande festa onde o orgulho negro e a celebração das raízes musicais afro-americanas eram mote. Summer of Soul (Or When the Revolution Could Not Be Televised…) conta a história apagada do Harlem Cultural Festival, um festival de música que teve lugar em Harlem, em Nova Iorque, entre junho e agosto de 1969.

Summer of Soul (Or When the Revolution Could Not Be Televised…)

Nomes como The 5th Dimension, B.B King, Sly and the Family Stone, Nina Simone, Stevie Wonder, Mahalia Jackson são apenas alguns dos que subiram ao palco ao longo de seis fins-de-semana. No entanto, a história apagou aquele que ficou conhecido como o Black Woodstock. Coube a Questlove, músico dos The Roots, produtor e DJ, a missão de o recuperar no grande ecrã.