cassete pirata
Fotografia: Martim Torres

À Escuta. Cassete Pirata, Carolina Deslandes e Príncipe do Lumiar entre os destaques da semana

O À Escuta, rubrica que dá a conhecer os lançamentos mais recentes da música portuguesa, está de regresso. Esta semana, destacamos os mais recentes singles de Cassete Pirata Príncipe do Lumiar, bem como a participação de Carolina Deslandes no COLORS. Temos, ainda, novos singles de Rita Redshoes, Miguel Angelo e Zé Tó Lemos, os EPs de whosputo e Luísa Sobral e os novos discos de Odete, Fogo Fogo e We Sea. Bispo e D’ay contam com LON3Rr JOHNY e Piri_bdx em ‘Oxigénio’ e juntam-se a Djodje e Principezinho nas colaborações da semana.

‘Só Mais Uma Hora’ é o novo avanço de Cassete Pirata

Só Mais Uma Hora é o mais recente avanço do quinteto Cassete Pirata. A Semente é o título do disco onde o single se insere e poderá ser ouvido na totalidade no dia 8 de outubro deste ano. Em ‘Só Mais Uma Hora‘, o grupo denota a importância de momentos espontâneos, de conversas entre amigos e traz de volta aquela sensação, hoje quase nostálgica, de quando apetece ficar só mais um bocadinho.

single é, no fundo, como explicam, “uma ode aos convívios, à música e às noites a perder de vista e que nos carregam as energias para enfrentar a criatividade e a vida”. A saudade coletiva que temos dessas empreitadas é, sem dúvida, cantada a uma só voz – “Vá não tem de ser p’ra sempre / Mas fica só mais uma hora” é o refrão que nos fica e que cantamos para espantar os males.

Os Cassete Pirata são António Quintino, Margarida Campelo, Joana Espadinha, João ‘Pir’ Firmino e João Pinheiro. O videoclipe do single conta com realização de Tiago Brito e produção da Litoral FilmesA Semente será apresentado no dia 20 de outubro no Teatro Maria Matos, em Lisboa.

Carolina Deslandes estreia ‘Eco’ no COLORS

A primeira participação de Carolina Deslandes no COLORS, a prestigiada plataforma internacional de música, serviu para estrear ‘Eco’, uma canção que homenageia Amália Rodrigues (o refrão é retirado do fado ‘Grito‘) e que é, segundo a cantora, um hino sobre tudo o que me inquietaAgir, músico e parceiro de trabalho de Deslandes, ficou a cargo da produção, enquanto Diogo Clemente e Ângelo Freire ficaram a cargo da guitarra e da guitarra portuguesa, respetivamente.

A COLORS é uma plataforma musical que convida músicos de todo o globo para fazerem showcase das suas canções e talentos num ambiente minimalista, “para que os artistas desenvolvam performances no osso, sem artifícios”. Pelo COLORS já passaram as artistas Nenny, Pongo Dino d’Santiago. Carolina Deslandes junta-se a eles como a quarta artista portuguesa a ter destaque nesta plataforma, algo que considera ser a realização de um dos seus maiores sonhos enquanto cantora.

Príncipe do Lumiar estreia ‘Quando Deus’

‘Quando Deus’ é o mais recente trabalho do Príncipe do Lumiar. O músico de Lisboa já conta com dois EPs  Salva-Vidas, de 2020, e Balas, lançado em março deste ano – e já colaborou com Castilho. Agora, chega-nos com um quase-fado que pretende “aproximar os Homens aos Deuses.

A atmosfera misteriosa em que a canção é envolta sugere os temas do que é real ou irreal, garantido ou esquecido, inocente ou culpado – questões discutidas no cerne do destino. Estas questões são exploradas com recurso a uma voz misteriosa que se arrasta e pelo recurso à instrumentação digital – uma guitarra de 12 cordas, harpa, sintetizadores, piano e baixo são os instrumentos que sintetizam esta nova canção do Príncipe do Lumiar e culminam numa “zona cinzenta e límbica na existência da teórica retórica”.

Rita Redshoes apresenta ‘Rosa Flor’

‘Rosa Flor’ é o terceiro single de Lado Bom. É um poema musicado, onde a cantora homenageia, da mais ternurenta forma, a sua filha Rosa: “Gertrud Stein, num verso célebre, encontrou a essência da rosa recusando-lhe adjectivos: “Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa”. A Rosa da Rita Rosa, com R maiúsculo, floresceu a partir dela. Como no verso de Gertrud Stein, está tudo em potência na Rosa da canção. Cabem nela todas as possibilidades a que chamamos futuro, escreve Carlos Vaz Marques sobre a canção.

Escrita e interpretada por Rita, esta balada conta com arranjos partilhados pela cantora e Bruno Santos, que juntos dão vida e batida a esta canção. Lado Bom, o disco mais pessoal da carreira da artista, tem edição marcada para o dia 24 de setembro.

The Consequences of a Blood Language, de Odete, transcende barreiras

The Consequences of a Blood Language é o terceiro álbum de originais de Odete, que vem quebrar barreiras e mostrar que a sua singularidade é notável em cada uma das suas edições. Com influências que vão da música eletrónica ao funk, este disco, composto por 14 canções, vem reforçar precisamente a personalidade que Odete tem vindo a imprimir nas suas obras.

Com a participação de Pedro Mafama, Herlander, Farwarmth, DRVGジラ), e MissJay, The Consequences of a Blood Language foi editado pela Genome 6.66 Mbp, uma editora de Xangai. Odete navega entre a música, a escrita e as artes visuais e foi vencedora da primeira edição do prémio RExFORM – Projeto Internacional de Performance, criado em parceria pela BoCA Bienal e o MAAT.

whosputo apresenta We Went Clubbing

Composta por seis canções, quatro originais e dois remixes de canções passadas, We Went Clubbing é o novo EP do quarteto whosputo. Raimundo Carvalho, Miguel Fernández, Tiago Martins e Tom Maciel são os responsáveis pelo mundo da música eletrónica que se estende na primeira parte do EP e que cobre a estética do quarteto numa roupagem drum & basshouse e garage. O club transforma-se aqui num espaço de criação abstrata, na manifestação sonora das colunas das pistas de dança.

As duas últimas canções têm o toque de Pedro Marinho (‘O Mar’) e Luís Lucena. Tratam-se de temas já conhecidos da discografia de whosputo, mas que ganham agora um novo toque com os remixes dos produtores. Michael Jefford ficou a cargo da masterização do EP, que vai ser apresentado no dia 2 de outubro no Lux, em Lisboa e a 3 de outubro no Braga L!vre.

Miguel Ângelo apresenta ‘Déjà Vu’

‘Déjà Vu’ é o primeiro avanço do novo disco de Miguel ÂngeloNoite e Dia, a ser editado no dia 1 de outubro. O ex-Delfins recupera influências do rock clássico nacional e internacional, desde a guitarrada clássica dos Beatles até à harmónica icónica de Bob Dylan. O vídeo que acompanha a canção, realizado por Miguel Ângelo e Edgar Keats, é igualmente uma homenagem a concertos e videoclipes famosos de uma era já passada, mas que serviu de inspiração para o artista. ‘Déjà Vu‘ é uma viagem pela cultura pop que culmina num refrão orelhudo e lança o mote para o disco que vem por aí.

Noite e Dia foi gravado durante o confinamento e está dividido por dois blocos: o da noite, que apresenta uma abordagem mais pessoal, eletrónica e experimental, onde a spoken word reina, criado à distância por Miguel Ângelo e o produtor e músico Rui Maia. O bloco do dia é resultado de um input coletivo – Mário Andrade (guitarra), Bernardo Fesch (baixo e teclas) e Jorge Quadros (bateria) ajudaram no processo de desenvolvimento das canções que serão mais dedicadas aos futuros palcos e com a energia e otimismo que caracteriza a carreira de Miguel Ângelo.

Fogo Fogo lançam Fladu Fla

Seis anos depois do primeiro disco homónimo, Fogo Fogo regressam ainda mais fortes. É importante salvaguardar que nunca estiveram verdadeiramente parados – ao longo destes anos, estiveram sempre presentes com EPs, singles e os míticos concertos mensais na Casa IndependenteFladu Fla, o novo disco de originais deste super-group é, ao mesmo tempo, um mergulho nessas memórias antigas e uma injeção de energia renovada.

O protesto é premente em canções como Snaki Pa Guloso’, ‘Dia Não’ ou ‘Hora di Bai’, onde o sensacionalismo ou a necessidade de partir para melhores lavouras são tema. No entanto, o psicadelismo e sentimentalismo também reinam – o amor é elevado e, mesmo em canções mais pesadas, a dança está sempre presente.

Há ainda dois temas do cancioneiro do funaná, Shaft meets Soul Makossa, de Shaft Manu Dibango, e Entrer the Dragon, de Lalo SchinfrinFladu Fla está pronto desde março de 2020 e é revelado numa altura em que os passinhos de dança começam a retornar. Para além do alinhamento oficial da banda, participaram do desenvolvimento do disco Jon Luz (cavaquinho), Djair Zé Mário (percussões) e KassimVictor Rice, na coprodução e mistura. A capa do disco ficou ao encargo do artista português Vhils.

Luísa Sobral traz canções de embalar

Camomila é o mais recente trabalho de Luísa Sobral: sete canções de embalar, cada um dedicado a cada dia da semana. “Música para embalar seres de todos os tamanhos” é como Luísa Sobral caracteriza este “mini-álbum” gravado a piano e violoncelo, onde se destaca a presença de Ana Raquel Pinheiro. Este é o segundo trabalho da artista direcionado ao público infantil, após Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa, editado em 2015. No entanto, o disco não é exclusivo aos mais pequeninos, encantando também os mais graúdos. O ambiente intimista criado pela estética minimalista das canções cria o ambiente perfeito para desacelerar.

‘Oxigénio’ é o novo avanço de Mudanças

‘Oxigénio’ é o novo single de avanço de Mudanças, o trabalho conjunto entre Bispo e D’ay. Neste tema, contam com a colaboração de LON3R JOHNY e Piri_bxd e misturam trap, rap e influências cabo-verdianas. Em ‘Oxigénio‘, a letra é dividida entre Bispo, LON3R e Piri_bxd e o cunho de cada um é marcadamente único – ao mesmo tempo que se destacam enquanto peças individuais, o encaixe entre as três segue um ritmo e métrica perfeitas. Falta ressalvar que D’ay ficou a cargo da produção.

Cisma é o novo álbum de We Sea

Cisma é o novo LP de originais dos We Sea, formada pelos açorianos Clemente Almeida, Rui Rofino, Rómulo San-Bento e Pedro Rodrigues. Composto por 11 canções que navegam o pop-rock com pitadas de eletrónica e glam, o trabalho é um apanhado de influências clássicas portuguesas intemporais que culminam num álbum que junta balada e dança. Clemente Almeida explica, em entrevista ao Açoriano Oriental, que este disco é “mais maduro” e com “imensas influências dos cantautores açorianos”, como os Rimanço, cujo tema ‘Vapor da Madrugada’ inspirou o disco: formou-se um apego obsessivo pelo ‘glitch’ melancólico, uma autêntica cisma, que deu origem a todo uma nova estética musical”.

Cisma vem mesmo na altura certa. Os ritmos dançáveis são ótimos para o resquício dos dias quentes de verão e as baladas mais que adequadas para as noites frescas de início de outono.

‘Waltz of the Flowers (from home)’ é o novo tema de Zé Tó Lemos

O compositor Zé Tó Lemos está de regresso com mais um tema caseiro. Desta feita apresenta-nos ‘Waltz of the Flowers (from home)’, sucessor de Breathe (from home)’. O artista, que compõe também para anúncios, filmes e programas de televisão é multi-premiado e o seu disco Sense of Peace esteve em primeiro nos charts do iTunes Portugal. As composições caseiras são a preparação para um novo disco, ainda sem data de edição anunciada.

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