Fotografia: Netflix/Divulgação

Crítica. ‘Kate’ é muita explosão para pouco conteúdo

O novo filme da Netflix estreou na sexta-feira (10) e, apesar de a história não ser nada de novo, é um grande destaque em termos de ação.

O mais recente filme de Mary Elizabeth Winstead já está disponível no serviço de streaming da Netflix. Trata-te de Kate, um thriller de ação ultraviolento, com realização Cedric Nicolas-Troyan e participação de Woody Harrelson, para além da atriz americana, e ainda com a produção de David Leitch, responsável pela saga John Wick.

A verdade é que a construção de Mary Elizabeth Winstead como uma figura no cinema de ação vem sendo feita, ainda que lentamente. A atriz, mais conhecida por ter interpretado Ramona Flowers em Scott Pilgrim Contra o Mundo, começou por ser um dos nomes do elenco de Birds of Prey, onde brilhou ao lado de Margot Robbie num dos filmes de ação mais divertidos de 2019. Mais tarde nesse mesmo ano, viria a aparecer em Projeto Gemini e, ainda que as críticas não tenham favorecido o trabalho de Ang Lee, o talento de Winstead voltou a ser realçado no que a ação diz respeito.

Agora em 2021, podemos ver a artista a protagonizar Kate, uma assassina que, por algum motivo, é envenenada e descobre que tem apenas 24 horas de vida. O resto do filme é passado a tentar descobrir os motivos pelos quais foi intoxicada e, consequentemente, vingar-se dessa pessoa. Tudo isto cumpre os requisitos de um filme de vingança normal. Até a estranha junção da protagonista com Ani (Miku Martineau), uma adolescente insuportável que é filha de uma vítima de Kate, cumpre o requisito – e o filme falha apenas nisto.

O guião, como não poderia deixar de ser, é cheio de clichés e repetições do género, qual filme do Liam Neeson. No entanto, o que o distingue de todos os outros é a ação vibrante e as cores exuberantes de um Japão moderno com muita cultura pop para oferecer. 

O aspeto visual imponente da longa-metragem não é surpresa para ninguém. Temos Cedric Nicolas-Troyan, um realizador até então apenas com Maléfica no seu currículo. Contudo, já esse filme se impôs pelo visual. Depois, claro, temos David Leitch na produção, um homem que deve ter “luz néon” como nome do meio. Juntando isto tudo, temos ainda as ruas de um Japão colorido e vibrante. Para quem gosta de cultura japonesa, Kate é uma maravilha de se ver. Não é inspirada em nenhum manga ou anime, mas bem que podia ser.

Apesar de tudo, é importante falar do ponto principal deste trabalho: a ação. Violência como esta é pouco vista em filmes mais mainstream – tirando John Wick, claro -, mas a Netflix tem-nos habituado a receber dois ou três filmes por ano onde paredes brancas conseguem ficar completamente tingidas de sangue numa questão de segundos. Recentemente, tivemos Gunpowder Milkshake e,em 2018, foi lançado The Night Come for Us, um dos filmes de ação mais violentos de sempre, não tivesse sido feito na Indonésia.

Kate Netflix
Fotografia: Netflix/Divulgação

Mas voltando a Kate, a alma da história está na ação e, consequentemente, na sua performer: Mary Elizabeth Winstead. Quem vê esta longa-metragem só consegue perguntar como é que ela não está ao nível de um Keanu Reeves ou a ser sidekick de Tom Cruise num Missão Impossível qualquer. Ela é a alma do filme, por todo o seu talento ou, simplesmente, por parecer tão fixe a fazer tanta coisa condenável. 

O trabalho de Cedric Nicolas-Troyan é mais do mesmo em termos de história, mas em termos de ação poucos lhe conseguem fazer frente num passado recente. Mary Elizabeth Winstead chegou ao mundo da ação para ficar, esperemos. O próximo passo é protagonizar algo que tenha uma história que não seja algo que vemos 20 vezes por ano. Kate está disponível, desde sexta-feira, dia 10 de setembro, no serviço de streaming da Netflix.

5.5