Teatro Nacional D. Maria II
Fotografia: Teatro Nacional D. Maria II/Facebook

“Mudança” e “diversidade” marcam a nova temporada do Teatro Nacional D. Maria II

Esta é a ultima temporada programada por Tiago Rodrigues.

A nova temporada do Teatro Nacional D. Maria II foi apresentada esta quinta-feira, dia 2 de setembro, em conferência de imprensa. O destaque da temporada 2021/2022 recai sobre a mudança de direção artística, o agradecimento ao público e a homenagem a todos os que fazem parte da instituição.

A conferência de imprensa contou com a presença da Ministra da Cultura, Graça Fonseca, do atual diretor artístico do espaço, Tiago Rodrigues, da presidente do Conselho de Administração do Teatro, Cláudia Belchior, e de Pedro Penim, recentemente nomeado como diretor artístico do D. Maria II.

Cláudia Belchior começou por destacar a alegria de ser novamente possível estar fisicamente com parceiros que nunca abandonaram e até reforçaram a confiança no Teatro, com o público “fiel e que faz do teatro a sua segunda casa” e com os jornalistas. No entanto o maior agradecimento foi dirigido àqueles que fazem o teatro funcionar e que ultrapassaram este último ano e meio de pandemia em dificuldades e incertezas. Por entre as palavras da presidente do Conselho de Administração, houve ainda lugar para um agradecimento especial a Tiago Rodrigues pela “entrega, camaradagem e o frenesim”, bem como para uma nota de boas-vindas a Pedro Penim.

Mudança é mesmo a palavra de ordem desta nova temporada. Pelas palavras de Tiago Rodrigues, “estamos a viver uma mudança coletiva neste momento quase final de pandemia e sabemos todos que as mudanças estão a acontecer e que vão continuar a acontecer. E também, depois, de uma forma literal, mas essa talvez a mais calorosa, a mais positiva, é uma temporada marcada pela mudança de direção artística”. Para além disso, o atual diretor artístico da instituição reforça que a temporada que se avizinha é também marcada pela diversidade. “Muita gente tem cada vez mais acesso democrático à oferta cultural, mas é ainda difícil nas instituições culturais garantir que uma grande diversidade de pessoas tem acesso às ferramentas de contar a história, de criar artisticamente”, explica.

Para além da programação, Tiago Rodrigues ressalvou ainda os projetos que têm sido desenvolvidos e que vão continuar a ser o foco de todos os que trabalham para o teatro. Segundo o ator português, são esses projetos que permitem que o D. Maria II seja um “Teatro do país” através da aproximação feita a outras localidades com a Rede Eunice Ageas, bem como um “Teatro do futuro”. Sem nunca esquecer as memórias, o futuro é pensado e planeado com a ajuda de espetáculos como Engolir Sapos, com encenação de Rafaela Santos, pensado para os mais novos, com “uma reflexão artística, em forma de espetáculo de teatro para famílias, sobre preconceitos e sapos de loiça”.

É com a ideia de manter o Teatro Nacional como um “Teatro de diversidade” que Tiago Rodrigues passa o testemunho a Pedro Penim. “A última apresentação de um espetáculo é sempre um momento especial. No final da derradeira récita, toda a equipa sabe que o público aplaude aquela obra pela última vez. É habitual a emoção assaltar os bastidores. No entanto, assim que a plateia se esvazia, o palco é invadido por técnicos que começam de imediato a montagem do próximo espetáculo”, acrescenta ainda, em analogia à mudança que se sucede.

Ficou assim apresentada a programação para a nova temporada do Teatro Nacional Dona Maria II, que tem início a 23 de setembro, com a estreia mundial de Andy, a primeira criação para o palco do realizador norte-americano Gus Van Sant. A Sala Estúdio reabre no dia 29 do mesmo mês, com Silêncio, uma peça escrita e dirigida pelo português Guilherme Gomes, em parceria com o francês Cédric Orain. Este cruzamento franco-português vai estar presente durante todo o ano de 2022.

Na programação, há também lugar para novos “espetáculos de companhias e estruturas de relevo no panorama teatral português”, tais como o Teatro do Vestido (Juventude Inquieta, de Joana Craveiro), o Teatro Meridional (Ilhas, com encenação de Miguel Seabra), o Teatro O Bando (Paraíso – Divina Comédia, com encenação de João Brites), mala voadora (OFF e, mais tarde, Cornucópia, ambos com direção de Jorge Andrade) e o Hotel Europa (Esta é a minha história de amor, de André Amálio e Tereza Havlíčková). Tiago Rodrigues destaca a última criação, por se tratar de um pedido do primeiro-ministro, António Costa, para comemorar os 50 anos do 25 de Abril. A premissa nasce de pessoas reais que vão contar as suas histórias de luta contra o fascismo e o colonialismo português, focando a atenção no amor e nas relações amorosas que nasceram no seio dessas lutas.

Por sua vez, a companhia Teatro Nacional 21 traz Orlando, com encenação de Albano Jerónimo. A peça baseia no texto de Virginia Woolf e no material documental sobre o massacre LGBT na cidade de Orlando, nos Estados Unidos, em 2016, através do qual Cláudia Lucas Chéu constrói uma narrativa que mistura a ficção da autora com os elementos documentais do massacre.

Também os festivais vão continuar a marcar presença no Teatro Nacional D. Maria II. O Alkantara Festival está de regresso já em novembro. Por outro lado, o Feminist Futures Festival, um projeto da apap – Feminist Futures, apresenta a primeira edição, com o objetivo provar que a arte pode servir de início a mudanças sociais poderosas. O festival europeu vai contar com Cléo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema a representar Portugal. Já em 2022, o espaço recebe o Festival Amostra, o Festival de Almada e o FIMFA Lx.

Para apoiar a instituição e respetivos trabalhadores, continuam disponíveis as assinaturas de temporada “Eu Sou D. Maria II”. A nova temporada do espaço vai estar no ar entre setembro de 2021 e julho de 2022, que procura continuar a dar motivos para continuarmos a ir ao teatro e a apoiar a cultura, fazendo mudança.