Fotografia: HBO Portugal/Divulgação

‘Normal People’. Sucesso irlandês chega à televisão portuguesa

Normal People, o romance que conta a história de Connell e Marianne e que se tornou um sucesso global, vai finalmente chegar à televisão portuguesa. Um ano depois de ter estreado na HBO Portugal, a série da BBC e da Hulu baseada no livro homónimo de Sally Rooney vai estrear dia 21 às 22h10 no AMC.

A série irlandesa foi um dos maiores sucessos televisivos de 2020 e vai estar em dose dupla no dia de estreia. O AMC vai transmitir os dois primeiros episódios, que nos dão a conhecer um um romance contemporâneo cheio de surpresas que nos fazem ficar agarrados ao ecrã.

Realizada por Lenny Abrahamson e Hettie Macdonald, a produção centra-se na vida de dois estudantes, Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Jones) e Connell Waldron (Paul Mescal), que estão a despedir-se da vida de adolescente e iniciar a vida adulta. Neste artigo, o Espalha-Factos conta-te mais sobre as diferenças do livro para a série e razão de ser um grande sucesso.

Normal People. Connell e Marianne interpretados por Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal
Fotografia: HBO Portugal/Divulgação

Depois de se apaixonarem no secundário, onde viveram um romance escondido e tenso, os dois jovens seguem caminhos distintos, mas na mesma faculdade, Trinity College. Apesar de viverem na mesma vila, as suas vidas são completamente diferentes. Ambos inteligentes e estudantes de topo, os dois jovens vêm de famílias com histórias que não têm nada a ver. 

Marianne vem de uma família abastada e influente, enquanto que Connell é filho da empregada da família de Marianne. Estas diferenças e o facto de estarem a crescer e descobrir-se enquanto adultos vai alterar a relação que foram construindo ao longo dos anos. Porém, por mais problemas que existam, a vida acaba sempre por uni-los. 

Do livro ao ecrã: a razão do sucesso do drama jovem-adulto

Ao contrário do que muitos podiam esperar, Normal People foi uma exceção à regra num mundo de produções que promete algo que não consegue entregar. A obra adaptada do livro de Sally Rooney, que foi também um sucesso, usa uma premissa conhecida e bastante reutilizada. Aliada ao conceito de crescer e mudar, explora as complicações da passagem da vida adolescente para a vida adulta e tudo o que isso traz. 

Com uma frieza simpática e que nos convida a assistir, tanto Lenny Abrahamson como Hettie Macdonald conseguiram captar e mostrar as implicações de ter que crescer e mudar. Não porque se quer, mas porque é necessário. Mais importante que isso, crescer e mudar separados de alguém com quem se quer estar. 

Connell e Marianne complementam-se, mas precisam de crescer sozinhos para não só entender isso, mas para se entenderem a si próprios. E é isso que acontece. Ao longo dos episódios assistimos à construção de duas novas pessoas. Os dois jovens despem-se do que eram no secundário e criam quem serão na faculdade e no futuro. Um com mais dificuldade que outro. Tudo isto é feito com base no livro e com a ajuda da própria Sally Rooney. 

Normal People. Connell e Marianne interpretados por Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal
Fotografia: HBO Portugal/Divulgação

Algumas diferenças entre o livro e a série

Os dois realizadores, em conjunto com Edgar-Jones e Mescal, conseguiram mostrar aquilo que era necessário passar para quem não leu o livro de forma exímia e que nos faz querer mais. Além disso, é uma das melhores adaptações do ano, mantendo-se fiel à obra original. Ver a produção depois de ler o livro é o mesmo que estar sentado na cadeira de realizador e ler o guião em voz alta, enquanto tudo é gravado.

Contudo há diferenças que acabam por não ser tão boas. Apesar de numa série nãose poder colocar todo o conteúdo de um livro, a verdade é que certos aspetos essenciais não estavam presentes. Exemplos disso são a relação de Marianne com a mãe, que difere um pouco da do livro, e o facto de no livro a jovem ser vítima de violência. Outro caso que daria outra dimensão de vulnerabilidade à série seria o fim da relação entre Marianne e Lukas. Na produção da Hulu e BBC, o relacionamento termina de forma muito mais ambígua e calma.

Uma das diferenças que acaba por ser importante salientar, e talvez seja a mais importante, é o facto de na série, Marianne ser demasiado bonita. No livro de Sally Rooney, a personagem não entra nos padrões do que é considerado ser bonita. Contudo, estes aspectos acabam por ser irrelevantes e não retiram à série o mérito que lhe tem sido atribuído. 

Por outro lado há algumas diferenças que são notáveis e acabam por beneficiar a série. Apesar de ser um livro que não se quer acabar, Normal People é uma obra de leitura rápida e intensa. O leitor absorve todos os seus elementos, características das personagens e espaços enquanto está a ler, em vez de ler, entender e só depois processar. O livro faz com que o leitor simpatize com o que está acontecer e faz-lo sentir envolvido, uma das características da escrita de Sally Rooney. Esta espécie de intimidade existe também na série, mas a outro nível. 

A produção abrandou a narrativa, dando ao espectador tempo de analisar e absorver tudo o que está a ver. O outrora leitor, agora espectador, tem a oportunidade de olhar uma segunda vez para certos elementos, mas de uma forma mais calma, explorando e absorvendo de forma lenta todas as emoções.  Mas há mais. Normal People é um livro muito baseado em monólogos interiores e os argumentistas acabam por fazer um ótimo trabalho ao adaptar essas linhas para diálogos ou utilizando silêncios. Desta forma é mantida a essência do livro. 

Normal People. Connell e Marianne interpretados por Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal
Fotografia: HBO Portugal/Divulgação

Crítica: a Chave d’Ouro de Normal People

Em poucos episódios e com uma simplicidade gigantesca, Normal People conseguiu tornar uma história banal, que se vê em qualquer lado, em algo profundo e capaz de tocar qualquer um. Contudo, a simplicidade com que tudo é produzido não tira glória à série, que não se cinge ao medíocre, não tivesse Normal People sido nomeada para grandes prémios. A série de 12 episódios esteve nomeada para quatro Emmys, incluindo o de melhor ator. 

A  série irlandesa faz o que muitas outras séries fazem e fizeram, mas faz bem, sem cansar o espectador com cenas demasiado cheias ou demasiados vazias. Há um balanço na cor, uma união entre as vozes, as imagens e a música. Um desconforto que não incomoda quando se exploram cenas relacionadas com a sexualidade e intimidade. Mas por outro lado, há uma sensação de frio e uma espécie de solidão quando se exploram temas mais vulneráveis. Isto acontece graças aos olhos de Abrahamson e Macdonald que captam a vulnerabilidade das cenas, sem as tentarem glorificar ou objetificar.

Normal People consegue distanciar-se das grandes produções americanas que representam a juventude e início da vida adulta de uma forma irrealista, explorando as emoções de uma forma real, e dando espaço às personagens para explorar o que sentem, sem pressas. Distancia-se mais quando percebemos que consegue usar uma história banal e reutilizada várias vezes, mas introduzindo algo novo, utilizando a seu favor e ao mesmo tempo a simplicidade e complexidade. E é essa a chave de ouro de Normal People. 

Aliada às performances de ambos os protagonistas e fotografia da série, a razão do sucesso de Normal People encontra-se na forma simples de tratar situações complicadas. O realismo que a série traz faz-la ganhar pontos, mostrando aquilo que as pessoas são, normais. 

Originalmente lançada a 26 de abril de 2020, o elenco de Normal People conta com Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal nos papéis principais. Desmond Eastwood (Blood), Aislín McGuckin (Outlander), Sarah Greene (Ransom), Frank Blake (The Frankenstein Chronicles) e India Mullen (Into the Badlands) fazem também parte do elenco da série.

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