Cláudia Vieira, Na Porta ao Lado: Amor
Fotografia: SIC / Divulgação

Crítica: ‘Na Porta ao Lado’. Amor é coisa que isto não é

Na Porta ao Lado é uma trilogia de filmes sobre violência doméstica, lançado pela OPTO, plataforma de streaming da SIC, em conjunto com a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Amor, a segunda destas longas-metragens, é um retrato de como, sem darmos conta, a agressão pode surgir de onde menos se espera.

A história de Marta (Cláudia Vieira) e Jorge (Marco d’Almeida) são um casal apaixonado, de classe média, em que a esposa trabalha em tradução, a partir de casa, e o marido passa muito tempo fora, com um trabalho que o obriga a viajar regularmente e a ficar longos períodos afastado da família. Em março de 2020, quando a pandemia estala em Portugal, este homem é enclausurado e liberta o pior que tem em si e que, na verdade, já lá estava.

Impedido de trabalhar, e confrontado com o facto de ter passado a ser a mulher a ficar com essa responsabilidade, começam a sobressair traços tóxicos de controlo, procurando subjugar Marta através da humilhação, da subjugação e mesmo do confinamento forçado.

Cláudia Vieira e Marco d'Almeida protagonizam Na Porta ao Lado: Amor
Fotografia: SIC / Divulgação

Os 54 minutos de filme são um bom alerta, pedagógico e claro, sobre o facto de a violência doméstica poder surgir em qualquer casa. Mais do que isso, um lembrete sobre os engenhos psicológicos que os agressores criam para tirar qualquer espaço de manobra às vítimas, culpabilizando-as e isolando-as, por vezes até enganando as outras pessoas, permitindo que estas fiquem contra quem é agredido.

Marco d’Almeida tem uma interpretação tão notável como assustadora, em que dá vida a um protagonista impulsivo, agressivo, com traços que evidenciam a sua obsessão com o controlo dos outros e com a submissão de todos os contextos àquela que é a sua vontade e a sua forma de ver as coisas, chegando mesmo a maltratar o próprio filho, que antes disso já era também vítima também da violência exercida contra a mãe.

Marco d'Almeida protagoniza Na Porta ao Lado: Amor
Fotografia: SIC / Divulgação

Neste telefilme, com realização de Rita Nunes, sobressai uma sensação de agonia, claustrofobia até. Na Porta ao Lado: Amor impele-nos a, quando terminamos, sair para respirar fundo. Aqueles vizinhos podiam ser os nossos e, em sinal de alerta, não devemos deixar que possa ser tarde demais.

Por amor não se ataca, não se prende, não se vigia. Isso não é amor, é violência.

Contactos que podes usar caso queiras denunciar:

Linha Nacional de Emergência Social (LNES) – 144
Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica – 800 202 148
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) – 116 006
UMAR – 21 886 70 96
Estrutura de Missão Contra a Violência Doméstica – 21 312 13 04

Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres:
– 21 798 30 00 (Lisboa)
– 22 207 43 70 (Porto)

Associação de Mulheres Contra a Violência – 21 380 21 60
Associação Portuguesa de Mulheres Juristas – 21 759 44 99
Fundação Byssaia Barreto (Coimbra) – 239 83 20 73