Beckett
John David Washington no filme 'Beckett' (Imagem: Divulgação)

Crítica. ‘Beckett’, um filme que chegou com décadas de atraso

O novo filme de Ferdinando Cito Filomarino, o jovem realizador e argumentista italiano, estreou na Netflix a 13 de agosto. Com um elenco comandado por John David Washington, na companhia de nomes como Vicky Krieps, Boyd Holbrook e Alicia Vikander, entre muitos outros, Beckett prometeu paranoia e tensão – mas acaba por falhar em ambos. O Espalha-Factos viu o filme e conta-te tudo o que precisas de saber.

A premissa é simples. Beckett, personagem interpretada por John David Washington, e a sua namorada (Vikander) têm um acidente de carro pelas ruas perdidas da Grécia, onde algo trágico acontece. Enquanto está zonzo e no chão, vê uma criança. Quando, por algum motivo, decide voltar ao lugar já depois de ser tratado, é recebido por tiros. Basicamente, algo aconteceu à pessoa errada no lugar errado.

A partir daqui, John David Washington torna-se um autêntico saco de pancada. Chega a ser absurdo observar o que lhe vai acontecendo ao longo dos longos 110 minutos de filme. Braços partidos, quedas, facadas, tiros. Tudo o que lhe podia acontecer de mau acabou mesmo por acontecer.

A dada altura, acabamos por nos aperceber de que tudo isto se deve a uma grande conspiração política que aconteceu por algum motivo que foi pouco ou nada explicado. Um enredo talvez resultasse… nos finais dos anos 60 e inícios dos anos 70. Contudo, em 2021, o conceito é demasiado curto, porque tudo o que podia ser feito com ele já foi feito.

Claro que o filme resultaria, no caso do argumento ser uma daquelas obras-primas que aparecem apenas de 50 em 50 anos. No entanto, também não é este o caso. O guião, escrito pelo realizador da longa-metragem, é terrível, afundando-se em exposição e cenas insignificantes que acabam por tornar este filme de 110 minutos em algo lento, quase rastejante.

John David Washington, que recentemente atingiu o estrelato com o protagonismo no filme Tenet, viu-se aqui metido numa alhada. Enquanto ator, deu tudo de si, mas o texto não acompanhou o seu talento. Mas há que elogiar a debilidade e fragilidade que deu a Beckett. Ao contrário do que costuma acontecer nestes filmes, dá para entender que ele não é muito dado à confusão, muito longe das personagens interpretadas por Liam Neeson nos seus filmes de perseguição muito semelhantes à história de Beckett. O Beckett de John David Washington não tem um conjunto especial de habilidades, é apenas um homem normal que gosta das pequenas coisas e que se vê metido numa confusão.

Com isto tudo, o espetador acaba por perceber pouco ou nada do que está a acontecer. O guião, apesar de tentar expor todos os acontecimentos do momento, acaba por ser cada vez mais confuso à medida que os minutos vão passando, sempre a passo de caracol. De repente, estamos no meio de um protesto político, ativistas estão envolvidos e a embaixada americana, afinal de contas, também é um dos maus-da-fita que querem matar Beckett.

O único ponto positivo desta longa-metragem que merece menção, para além de John David Washington – que fez o que pôde com o que tinha – é a banda-sonora do filme, que tenta transmitir ansiedade e tensão através da música (apesar de não ter paralelo com o que está a acontecer no ecrã)-

Dá para ver que Beckett tenta ao máximo ser um thriller paranoico, ao estilo do que se fazia há 50 anos (The Parallax View e Three Days of Condor aparecem imediatamente como bons exemplos), mas acaba por falhar nos momentos mais básicos da premissa. O filme está disponível no serviço de streaming da Netflix.

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