Crítica. ‘What If…?’ promete jogar com várias possibilidades e cenários

O ano de 2021 tem sido bastante proveitoso para a Marvel que, depois de ter feito estrear WandaVision, O Falcão e o Soldado do Inverno e Loki, chega-nos agora com What If…?, série que teve a sua estreia no passado dia 11 de agosto.

O Espalha-Factos viu os dois primeiros episódios, no serviço de streaming da Disney+, conta-te o que esperar.

Cada episódio começa logo com a voz grossa e profunda de Jeffrey Wright, O Vigia, segundo o próprio. Enquanto o genérico inicial vai rodando, esta personagem vai transmitindo que esta série animada promete explorar cenários impensáveis para muitos, afirmando que é um sítio onde literalmente tudo pode acontecer. Esta é a premissa deste projeto, onde cada episódio terá uma história diferente, prometendo explorar rumos diferentes de várias personagens e filmes da Marvel.

Alguns destes rumos são bem diretos ao assunto, como é o caso do primeiro episódio, onde vemos Peggy Carter a tornar-se no primeiro super soldado, substituindo assim Steve Rogers. Outras possibilidades são um pouco mais bizarras, havendo um episódio que promete explorar a existência de zombies no mundo da Marvel. Estaríamos a mentir se, na teoria, isto não fosse algo bastante entusiasmante. Na teoria, é mesmo perfeito. No entanto, na prática, a execução podia ser melhor. 

Os dois episódios visionados pelo Espalha-Factos mostram que os temas e rumos que querem ser elaborados em cada um dos episódios acabam por ser limitados em termos emocionais. O primeiro episódio, aquele que vê Peggy Carter como uma espécie de “Capitã do Reino Unido na América”, ainda que com divertimento (e muita violência inesperada), sofre bastante disto

No entanto, o segundo episódio, onde encontramos T’Challa, interpretado por Chadwick Boseman (que contou com uma bonita homenagem no final dos rápidos 30 minutos), a vestir as peles de Star-Lord, teve bastante humor característico dos Guardiões da Galáxia misturado com a seriedade de Black Panther, no que acabou por ser um episódio bastante satisfatório em termos de história. Mas, tal como acontece no primeiro episódio, é afetado emocionalmente porque nenhuma das vozes dadas às personagens parece sentida. Quanto muito, parecem robots a falar.

A animação também não faz muitos favores à série, flutuando entre um 2D digno de 2005 e um 3D computadorizado, onde ambos se misturam em alguns pontos. Enquanto que o segundo episódio teve muito melhor história que o primeiro, a estreia de What If…? foi bastante superior em termos gráficos, chegando até a impressionar em alguns pontos. Quando não estava nesses pontos, era apenas aborrecida. 

Talvez a maior desvantagem de What If…? comparativamente com outros projetos da Marvel é a sua inutilidade. É pedido ao espetador que se importe com estas personagens e com estas histórias mas… para quê? Isto, ao que tudo indica, não terá continuação, serão apenas 30 minutos que serão vistos e nunca mais lembrados nos próximos 70 projetos da Marvel. 

No final de contas, What If…? tem divertimento e tem coisas que nunca pensamos ver na Marvel, mas as suas limitações, quer seja em termos de storytelling ou de animação, são visíveis. A exploração de conceitos parvos e impensáveis é interessante, mas como não terá continuação de nada, será apenas um doce dado aos fãs do costume pela sua dedicação à Marvel, como já vem sendo hábito recente da empresa. Para uma série que prometeu muito, What If…? ainda é muito pouco. 

What If…? está disponível na Disney+, com episódios novos todas as quartas.