Fernando Ribeiro

Moonspell querem “virar a carreira lá para fora”

Os Moonspell, banda portuguesa de heavy-metal, está “à procura de novos horizontes“, como o rapper Sam The Kid os descreveu na famosa “Poetas de Karoke“. Em entrevista à Blitz, o vocalista da banda, Fernando Ribeiro, disse que os Moonspell vão fazer “o mínimo possível em Portugal“, devido ao clima hostil que os músicos sentem em relação à realização de espetáculos.

Em solo português, os Moonspell têm na agenda um concerto em nome próprio, no Porto, em 2022. No entanto, o músico promete: “ vamos virar a nossa carreira lá para fora”. O grupo luso prepara-se para uma digressão em conjunto com os ingleses Paradise Lost, seguida de uma tournée europeia em nome próprio, em outubro, da qual Portugal não fará parte.

Não quero entrar nesta loucura entre promotores, bandas e artistas. Vou retirar os Moonspell (de Portugal) e só voltaremos em 2022, quer a Lisboa quer ao Porto“, disse Fernando Ribeiro à Blitz. Defende que tomou esta decisão “devido ao Governo, devido ao estado da cena em Portugal, da música, da opinião pública — está tudo mal. Temos de dar um passo atrás, todos, e nós vamos ser os primeiros, porque assim não vale a pena trabalhar em Portugal“.

No entanto, Fernando Ribeiro está também insatisfeito com “os negócios que fazem com as bandas, o permanente queixume nas redes sociais… Portugal é um país à beira de um ataque de nervos. Vamos fazer o mínimo possível em Portugal e os nossos fãs só têm de compreender. Não quero estar nesta máquina de triturar músicos, artistas e pessoas da cultura que Portugal se está a tornar“.

O músico aponta o dedo ao Ministério da Cultura, que “não se interessa pelos artistas”. “As pessoas tiram essa conclusão: se a cultura não é da preocupação do Estado, porque é que há de ser da minha? E as pessoas têm sido bastante acintosas em relação aos músicos”. No entanto, o músico não deixa de lamentar o escrutínio da opinião pública, dizendo que “uma pessoa não pode ter uma opinião, fazer um desabafo, que andam sempre em cima”.

Em 2020, a banda realizou um concerto de Halloween em Beja, enquanto em 2021 atuaram duas vezes em Lisboa. Contudo, a receção do público não foi a esperada.

A quantidade de ‘hate’ com que tivemos de lidar, a incompreensão… isto é só um concerto de ‘rock’n’roll’, quem quiser vai, quem não quiser ponha a ‘Netflix’ a bombar“. Lá fora, a cantiga é diferente, e Fernando Ribeiro dá como exemplo o que sentiu com o público esloveno. “Lá (Eslovénia) não havia aquela coisa da culpa, da delação, do apontar o dedo ao outro, do medo. Também tivemos limitação de público, mas senti uma vontade incrível de as pessoas estarem juntas. Quando fomos para o palco, sentimos essa energia da saudade. Eu costumo dizer que fui em liberdade condicional, numa saída precária, e depois voltei a Portugal, onde me sinto numa prisão, sentimento que é partilhado por muita gente“.

Moonspell fora do North Music Festival

Os Moonspell tinham um concerto agendado para dia 30 de setembro deste ano, no North Music Festival, no Porto. A banda ia atuar no mesmo dia que os cabeça de cartaz, Deftones, banda norte-americana de metal alternativo. No entanto, face ao cancelamento da digressão dos Deftones, o festival decidiu retirar duas bandas do cartaz, os Moonspell e os Bizarra Locomotiva, justificando a decisão como uma “opção estética“. As bandas Ornatos Violeta, Linda Martini e Zen ocupam agora os lugares vazios no cartaz.

No Facebook, os Moonspll prometeram um “grande concerto em nome próprio” na cidade do Porto, em 2022. Para a Blitz, Fernando Ribeiro comentou que não concorda com a decisão do diretor da Vibes & Beats, promotora do festival, Jorge Veloso, afirmando que a banda já partilhou palco com Ornatos Violeta, Linda Martini e Zen. “Tivemos a data reservada durante dois anos, tendo tido de recusar outras propostas para a área do Porto e lá para fora“.

Portugal tem de crescer, nesse aspeto”, considera Fernando Ribeiro. “O Primavera Sound do Porto continua praticamente com o mesmo cartaz, em termos de artistas portugueses, enquanto o Primavera Sound de Barcelona tem black metal“, acrescentando que “em 2021 não faz sentido dizer que isto não cabe com aquilo. Nós não temos nada a ver com a vinda ou não dos Deftones. O facto de termos sido tirados – nós e os Bizarra Locomotiva – deste cartaz é muito difícil de aceitar, quando já tocámos com bandas como Black Sabbath ou Metallica, mas também com Texas, Tindersticks ou Atari Teenage Riot (…) acho que é uma decisão que subestima muito o poder dos Moonspell e dos Bizarra Locomotiva“.

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