Viúva Negra

Scarlett Johansson processa Disney e várias estrelas podem juntar-se à atriz

Scarlett Johansson, atriz americana e produtora do filme Viúva Negra, processou, na passada quinta-feira (29 de agosto) a Disney, por violação do contrato. 

A atriz, uma habitual presença nos filmes da Marvel nos últimos anos, alega que a Walt Disney Company não cumpriu o que lhe havia prometido contratualmente, tendo-lhe sido prometido que Viúva Negra teria exibição exclusiva nas salas de cinema por todo o mundo numa primeira fase, passando para o Disney+ 90 ou 120 dias depois. 

No entanto, isto acabou por não ser o caso, e Viúva Negra acabou sendo lançado de forma simultânea nas salas de cinema e no serviço de streaming, onde o filme teve um custo de 21,99 euros em Portugal. Com isto, a atriz perdeu boa parte do seu salário, cuja grande fatia estava baseada na receita de bilheteira.

Segundo o processo revelado pelo jornal britânico The Guardian, os advogados da atriz afirmam que “a Disney violou o contrato com a senhora Johansson de forma intencional, negando-lhe todos os benefícios acordados no contrato com a Marvel“. 

Nos meses anteriores ao processo, Johansson deu todas as oportunidades para que a Disney e a Marvel corrigissem os erros e, assim, cumprissem o acordo”, pode ainda ler-se no documento.

O filme Viúva Negra, que foi sendo adiado consecutivamente desde o início da pandemia, acabou por ter um início bastante positivo financeiramente na sua semana de estreia, com receitas estimadas em 180 milhões de euros, onde cerca de 50 milhões se deviam ao acesso premium ao filme no serviço da Disney+. Contudo, os problemas começaram a surgir na segunda semana, com a exibição do filme a cair cerca de 65% nas salas de cinema, com os distribuidores a culparem a Disney pelo seu lançamento híbrido da longa metragem. 

Disney já reagiu

Num comunicado enviado à AFP, a multimilionária Disney, dona dos estúdios da Marvel desde 2009, afirma que a empresa não violou qualquer contrato, chamando “triste e angustiante” ao processo, afirmando que é “insensível para com os horríveis efeito globais da pandemia de COVID-19” 

Estas declarações não caíram bem no núcleo de advogados de Scarlett Johansson. Numa declaração enviada à AFP, John Berlinski, um dos representantes da atriz, afirma que “a Disney está a lançar filmes como Viúva Negra diretamente no streaming para aumentar os subscritores, impulsionando as ações da empresa“, acrescentando ainda que “se estão a esconder atrás do COVID-19 como pretexto para que isto aconteça”

O advogado deu ainda o mote para o que viria a acontecer nos dias seguintes, ao afirmar que “de certeza que isto não será o último caso de talentos de Hollywood que enfrentam a Disney e deixam claro que a empresa tem que cumprir os seus contratos, independentemente do que possam fingir ou alegar”

Outras personalidades podem juntar-se à atriz 

Cruela
Fotografia: Disney/Divulgação

Pouco depois do processo da atriz vir a público, já se falava de um possível precedente que poderia ser aberto em Hollywood. 

No dia seguinte, o jornalista Matt Belloni, antigo editor do The Hollywood Reporter, divulgou que Emma Stone estaria a pensar seguir o mesmo caminho que Scarlett Johansson, depois do seu filme Cruella ter sofrido o mesmo tratamento que Viúva Negra

Outra atriz que tem vindo a avaliar as suas opções é Emily Blunt, depois de Jungle Cruise, que estreou na passada sexta-feira nos cinemas e no Disney+, ter passado pelo mesmo que Viúva Negra e Cruella. Segundo Belloni, a atriz está só à espera que os resultados financeiros de Jungle Cruise sejam revelados. 

Com um pouco mais de brincadeira, mas sempre misturado com uma honestidade que o carateriza, Dave Bautista, que interpreta Drax na saga dos Guardiões da Galáxia, outro filme da Marvel, comentou a situação, dizendo que a Disney devia ter feito um filme sobre a sua personagem em vez de Viúva Negra.

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