Festival da Canção
Fotografia: Divulgação

“Há aqui uma coisa muito maior do que a Carolina Deslandes”. Prémios PLAY respondem à artista

A cantautora Carolina Deslandes denunciou um “snobismo” instalado na indústria musical portuguesa, após mais uma edição dos Prémios PLAY. A organização já se pronunciou, defendendo o processo auditado de escolha dos nomeados.

“Como manager de artistas que fui, durante 25 anos, entendo a dor da Carolina. Mas, de repente, ela está a desfazer os prémios, e isso não faz sentido”, diz, em declarações à BLITZ, o diretor dos Prémios PLAY, Paulo Carvalho. Nomeada para Melhor Artista Feminina, categoria vencida por Capicua, Carolina Deslandes desabafou nas redes sociais que “se é POP, se toda a gente canta, é porque não é cool o suficiente. Não é conceptual o suficiente. E então não é reconhecido”, acrescentando que “temos muito caminho a percorrer até conseguir fazer uma cerimónia justa”.

Paulo Carvalho começa por explicar que as reações – que partiram de Deslandes, mas também de Syro – indicam que os prémios “são ambicionados [pelos artistas]” mas que a situação demonstra um “desconhecimento da Carolina Deslandes em relação à forma como os artistas são nomeados e votados para vencedores”. “Lamentamos que ela não tenha investigado essa parte para perceber que a indústria de que fala são muitos dos seus colegas, técnicos de som, de iluminação, produtores musicais… Este ano, a organização decidiu alterar completamente os processos de nomeação”, diz.

O diretor da cerimónia explica que, na edição deste ano, os representantes das editoras discográficas não fizeram parte da academia que votou nos vencedores. “As editoras, através da Audiogest, que é um dos promotores dos Play, autoexcluíram-se desse processo. Portanto, a tal indústria não está nestes prémios”, garante.

“Há aqui uma coisa muito maior do que a Carolina Deslandes. Isso ela terá de entender, é um processo de maturação”, continua Paulo Carvalho, que já representou os GNR, Carlos do Carmo, David Fonseca, Da Weasel ou Pedro Abrunhosa, para lembrar que contratou Deslandes para o festival EA Évora. “A Carolina tem de entender que é grande e tem de ser magnânima. É um processo de crescimento necessário para conseguir ser maior, o que acredito que vá fazer”.

Festival da Antena 3? “É uma incongruência”

Depois do desabafo nas redes sociais, Carolina deu ainda uma entrevista à MAGG, onde defendeu que os “PLAY não são um festival da música portuguesa”, mas sim “um festival da Antena3”. A artista garantiu que a nomeação para Melhor Artista Feminina “não foi uma coisa orgânica”, antes “a ferros”.

Paulo Carvalho explica que, ao contrário de categorias como Melhor Álbum Jazz ou Música Clássica / Erudita, que estão sujeitas a candidaturas, as categorias de Canção do Ano ou Melhor Artista Feminina ou Masculino “partem de uma lista elaborada pela GFK [empresa de estudos de mercado], que mede os consumos e cria uma lista dos 30 mais. Esses são os critérios quantitativos. A partir daí é a academia, com mais de 300 elementos, que faz a sua escolha”. O processo, que garante ser auditado, é “limpo, transparente e cristalino, por isso é que me custa que tentem descredibilizá-lo e dizer que foram nomeados à força”.

Neste sentido, o argumento de que a gala da música portuguesa é “de nicho” ou “um festival da Antena 3”, é “uma incongruência”. “Ao termos uma lista de 30 mais, estamos a falar dos 30 artistas e obras que foram mais consumidos no país. Não há nada que possa estar mais longe do ‘festival da Antena 3′” conclui o promotor.

Vencedores Prémios PLAY
Dino D’ Santiago foi o vencedor da gala, com três estatuetas / Fotografia: Prémios PLAY – Facebook

A terceira edição dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa voltou a galardoar Dino D’ Santiago, que repetiu o feito da primeira edição, onde foi também o maior vencedor da noite. Conta ao todo com 6 prémios PLAY.