joana espadinha
Fonte: Facebook/Divulgação

À Escuta. Joana Espadinha, Bia Maria e Miguel Araújo com Cláudia Pascoal são destaques desta semana

O fim de semana chegou e, com ele, mais uma edição do À Escuta, a rubrica semanal do Espalha-Factos que divulga o que há de melhor na música portuguesa. Esta semana, o destaque vai para os novos singles de Joana EspadinhaBia Maria e para a colaboração entre Miguel Araújo e Cláudia Pascoal.

Falamos ainda do regresso dos The Miami Flu aos discos e dos novos singles de AVAN GRAINÊSRita BorbaTaful NicolauThe Sleepwalkers, Xinobi, da nova faixa de Vasco Completo com João TamuraJ-K, de mais um episódio dos Omnichord Outtakes – desta vez com Cabrita – e da ida dos Dream People até Marte.

Queda Prá Desgraça‘ revela mais uma peça do próximo disco de Joana Espadinha

‘Queda Prá Desgraça’ é o novo single de Joana Espadinha, o terceiro do seu próximo disco, Ninguém Nos Vai Tirar o Sol. À semelhança dos singles anteriores, ‘Queda Prá Desgraça’ conta com produção de Benjamim (que dá também ajuda nos teclados) e com a colaboração de João Firmino nas guitarras, Margarida Campelo nas teclas, Francisco Brito no baixo e Nuno Sarafa na bateria.

Uma slow burner, ‘Queda Prá Desgraça’ é uma canção que é marcada pela sua progressão e desenvolvimento. O instrumental é extremamente bem conseguido e, apesar de não ter nenhum hook especificamente, consegue sempre soar cativante a cada momento, e muito disto provém da história que Joana Espadinha vai contando. Tal como as suas duas faixas anteriores, a história é relacionável ao ouvinte, e vamos ficando sempre atentos a cada desenvolvimento da trama que nos vai sendo narrada pela voz calorosa de Joana, embebida num instrumental de pop rock à portuguesa.

Os baixos e baterias guiam-nos pela faixa e as guitarras e sintetizadores vão surgindo conforme, levando-nos finalmente ao clímax da canção, o culminar da história, e que bem que sabe ouvi-los. Num disco, isto funcionaria como deep cut, mas ‘Queda Prá Desgraça‘ é mais uma peça para elevar a nossa vontade de ouvir Ninguém Nos Vai Tirar o Sol na íntegra.

Bia Maria homenageia os avós na sua nova música, ‘Amarílis

Amarílis é o nome da nova faixa de Bia Maria, correspondendo ao seu primeiro lançamento desde do projeto Tradição, lançado no ano passado. O single conta com produção de Francisco Sales (que contribui também nas guitarras) e com colaboração de Miguel Rodrigues na bateria, Gonçalo Alegre no contrabaixo, Joaquim Rodrigues no piano, Patrick no órgão e Sandra Martins no violoncelo.

Este novo single da cantautora portuguesa vem carregado de emoção, celebrando “a vida dos avós, dos nossos segundos pais”, e fica complicado não largar uma pequena lágrima (ou várias) quando confrontados com a beleza desta canção. A entrega de Bia como vocalista (e a belíssima letra desta música) ecoa uma certa saudade. Quando combinada com o instrumental de ‘Amarílis‘, torna-se uma verdadeira montanha-russa de sentimentos, que vão sendo expressos pelos ritmos do contrabaixo e bateria e pelas cordas suaves do violoncelo, que nos fazem navegar pelas memórias do passado – como se de carinhos se tratassem, enternecidos pela voz de Bia Maria. Uma faixa belíssima de umas melhores cantautoras que a música portuguesa tem para oferecer neste momento.

Cláudia Pascoal junta-se a Miguel Araújo em ‘Estou Por Tudo

Estou Por Tudo é o nome da faixa que junta Cláudia Pascoal a Miguel Araújo. Originalmente gravada para a série Esperança (em cuja banda sonora será incluída, a lançar em breve) a convite de Sérgio Mourão e Pedro Varela, a música é agora lançada ao mundo e com um teledisco realizado por Cláudia Pascoal e Ricardo Leite.

Orelhuda no refrão e recheada de portugalidade, ‘Estou Por Tudo‘ é uma muito boa canção pop. Miguel Araújo utiliza a sua capacidade enquanto cantautor e compositor para escrever uma canção recheada de pequenos elementos (especialmente com a percussão) que ajudam a transmitir uma sensação de familiaridade e conforto, possível de encontrar nas harmonias de voz entre os dois intérpretes da cantiga. E que bela cantiga!

The Miami Flu estão de regresso com Reunion Day

Cinco anos depois, os The Miami Flu estão de regresso com o seu segundo longa-duração, Reunion Day. Constituída por Nuno Fulgêncio (bateria), Rui Martins (teclas), Pedro Ledro (guitarra e vocais), Luís Matos (guitarra) e Tiago Sales (baixo), a banda criou algum furor aquando do lançamento do seu disco de estreia, Too Much Flu Will Kill You, em 2016, mas só agora é que a banda de Vale de Cambra regressou aos trabalhos, e logo com um disco que aproveita todas as qualidades do seu predecessor e as intensifica.

The Miami Flu
Fotografia: Serafim Mendes / Bandcamp da banda

Os sintetizadores oníricos são a grande chave para as canções de Reunion Day funcionarem tão bem, usados para criar uma atmosfera sonhadora e psicadélica, aproximando a banda mais de um dream pop do que do rock psicadélico que marcou o seu trabalho anterior. As guitarras que vão surgindo adicionam beleza, servindo de perfeita conexão entre os vocais e os sintetizadores.

Há momentos absolutamente maravilhosos neste disco (como aquele solo de sintetizadores em ‘Freak of Nature‘) que demonstram bem a capacidade para a composição dos The Miami Flu. Há hooks memoráveis bem presentes ao longo de Reunion Day que ora são criados por belíssimas partes de sintetizadores, ou por riffs de guitarra bem inseridos ou por pequenas melodias vocais que nos transportam para a terra dos sonhos que os The Miami Flu aqui criam.

AVAN GRA mostram o seu potencial em ‘20 Min na Amadora

20 Min na Amadora é o novo single dos AVAN GRA, um dos grupos de hiphop mais promissores da nova escola do rap português. Constituída por 90’s Kid Carracha, o duo já havia disponibilizado um EP este ano, intitulado SOMOS TÃO JOVENS, SABEMOS TÃO POUCO, e feito parte do painel de convidados das Lume Sessions, que lhes permitiu gerar algum hype à sua volta.

Nesta sua nova faixa, onde 90’s Kid assume a produção – como é habitual para o duo – o beat soa suave, com influência de jazz rap (a fazer lembrar Keso ou Praso), mas adornado de uma certa agressividade, tornando-se a plataforma perfeita para elevar o flow e barras do duo. Podem-se ficar pelos temas habituais do rap tuga, mas a criatividade para criar as barras já se faz notar, ainda para mais dado que a sua carreira ainda se encontra no início. Para os fãs de hip-hop português, os AVAN GRA têm de ser um dos nomes a observar, dado o potencial que se ouve nas suas faixas.

Dream People partem à descoberta de “Marte”

Depois de esgotarem o Teatro Maria Matos, os Dream People não perderam tempo em dar para o próximo passo, e viajaram até uma atmosfera marciana para um pequeno set ao vivo de algumas das suas faixas do seu mais recente trabalho, Almost Young – mas não só.

O resultado desta “viagem de ida e volta assegurada pela Fundação GDA” é um cenário marciano, noturno e frio, que assenta que nem uma luva na música dos Dream People, conferindo um cenário perfeito para soar ainda mais psicadélica e sonhadora, levando-nos a flutuar nas ondas sonoras que se vão propagando pela superfície marciana até aos nossos ouvidos. Ao menos a acústica deste “planeta” está mesmo perfeita para os Dream People brilharem!

INÊS estreia-se com ‘Tu Fazes Tão

Tu Fazes Tão é o nome do single de estreia de INÊS, a identidade artística da pianista, cantora e compositora Inês Oliveira. A faixa conta com produção de LEFT. e “expõe a incerteza e confusão de sentimentos de um relacionamento instável, com ecos do passado e afinidades próximas do presente”. O videoclipe conta com realização de Cláudia Pascoal e Ricardo Leite e com produção de DANADO.

INÊS
Fotografia: Divulgação

Com influências de pop alternativa e soul, ‘Tu Fazes Tão‘ é uma canção com um refrão orelhudo, povoada por sintetizadores ambientes e nostálgicos, embelezados pela produção quase já característica de LEFT., que dá um tom ligeiramente abstrato à música. Inês é uma vocalista dotada para este género e faz bom proveito da sua voz nesta faixa, servindo-se dela para criar melodias que se entrelaçam com o instrumental, criando uma experiência sonora muito interessante no panorama da pop portuguesa.

O terceiro episódio dos Omnichord Outtakes conta com Cabrita

Cabrita é o “convidado” do terceiro episódio dos Omnichord Outtakes, uma série da editora portuguesa onde os seus artistas gravam esporadicamente, ao vivo, temas inéditos ou versões de clássicos. O saxofonista trouxe The Stop ao programa, um tema que ficou fora do seu disco homónimo de estreia a solo, “não por não estar ao nível do material do álbum, mas por motivos de alinhamento.

Contando com colaboração de Rui Alves na bateria, ‘The Stop‘ é uma faixa que está de acordo com o jazz psicadélico que Cabrita apresentou no seu disco do ano passado. Os seus saxofones guiam-nos pela sua faixa como se nos levassem numa viagem a bordo das grooves bem conseguidas, aumentadas pela bateria eletrizante de Rui Alves e pelos sintetizadores, que conferem um toque psicadélico extra à canção. Tudo funciona bem e é impossível não dançar enquanto sentimos os ritmos de ‘The Stop‘ – cuja única coisa que vai fazer parar é o momento, para disfrutarmos inteiramente da criação de Cabrita.

Rita Borba estreia-se com o ‘Chá das Cinco

Chá das Cinco é o nome do single de estreia de Rita Borba. A faixa conta com colaboração de Pedro de Tróia (música, letra e coros), Tomás Branco (música e teclados), Bernardo Barata (coros e baixo) e Alexandre Alves (bateria).

Esta é uma faixa que conta com uma influência notável da new wave e da pop portuguesa no seu instrumental, sendo povoada por teclas que soam emocionais e nostálgicas. Rita é uma vocalista dotada e com capacidade para transmitir emoção na sua voz, dando um toque extra nostálgico à faixa e contribuindo para a criação de um refrão perfeitamente orelhudo.

De notar, também, que ‘Chá das Cinco‘, apesar de ser uma canção pop, apresenta uma estrutura pouco ortodoxa para o género, soando refrescante também nesse aspeto. Os versos merecem particular destaque, soando contemplativos antes da explosão para os hooks do refrão da canção.

A Presa‘ é o single de estreia de Taful Nicolau

A Presa corresponde ao single de estreia do duo sintrense Taful Nicolau, constituído por José Maria Taful Sérgio Nicolau. Esta é uma faixa que nos transporta para o início da década de 1970, notando-se as influências de bandas como The Doors – particularmente na primeira fase da faixa -, de Yes (nos sintetizadores com toque de progressivo) e de Pink Floyd na criação da faixa. A influência destes últimos é particularmente notória na segunda secção da faixa, que contém um belíssimo solo de guitarra, adornado de teclas quase-góticas (a fazerem lembrar um pouco Goblin), que poderia surgir tocado por David Gilmour em The Dark Side of the Moon.

E não podemos deixar de mencionar que há um solo de saxofone, e já sabem as regras: qualquer música com um solo de saxofone é boa quase por defeito. Sem dificuldade, a regra aqui também se aplica, e para os fãs de rock psicadélico, os Taful Nicolau têm de ficar de baixo de olho a partir de agora.

The Sleepwalkers viajam para os anos 60 no seu novo single, ‘Hippies (Into the 60’s)

The Sleepwalkers
Fotografia: Divulgação

Hippies (Into the 60’s)‘ é o nome do novo single dos The Sleepwalkers, correspondendo ao terceiro e último dos singles para aquele que será o disco de estreia da banda constituída por Hugo (vocalista e guitarrista), Inês (bateria e teclados), Chico (baixista) e João (guitarra).

Nesta faixa de pop rock, os The Sleepwalkers trazem-nos uma canção com um refrão orelhudo, carregada de referências à década de 1960 que vão para além do seu título. Jim Morrison, Jimi HendrixJanis Joplin são mencionados por nome (ou alcunha, no caso d’O Rei Lagarto), numa faixa que ecoa uma sonoridade que atualiza o surf rock para um estilo e ritmos mais contemporâneos, que a banda intitula de sunset rock.

Vasco Completo junta-se a João Tamura e J-K para nova versão de ‘35mm

Vasco Completo fecha o ciclo em torno do seu disco de estreia, Wormhole, com o lançamento de uma faixa bónus: um remix de 35mm que conta com a participação de João TamuraJ-K.

Uma das faixas mais hipnotizantes e dissonantes de Wormhole, a adição de Tamura e J-K como vozes ao instrumental de ‘35mm‘ confere-lhe um toque extra de nostalgia, permitindo que se associe uma história à música, história essa que parte do passado para o presente, tornando-se numa narrativa que parece ser contada a partir de um conjunto de fotos analógicas que vão sendo desfolhadas num álbum de fotografias que mostra a passagem do tempo.

Assim é a vida e as estórias escritas em ‘35mm‘, contando com algumas das melhores barras que Tamura e J-K já apresentaram num trabalho até ao momento.

Walden Pond‘ é o último tema bónus do revisitar de Xinobi a On The Quiet

Walden Pond é o último tema bónus a ser lançado por Xinobi que pertence à versão especial de On The Quiet, último trabalho de estúdio do produtor. É uma faixa cheia de energia punk, onde a house e a eletrónica mais pesada se juntam para criar algo totalmente hipnotizante. Os sintetizadores são uma constante presença, soando dissonantes, enquanto as baterias vão marcando os ritmos para os passos de dança que vamos sendo obrigados a fazer. É uma rave inteira em menos de cinco minutos, onde o psicadélico, o punk e a house se encontram para o casamento perfeito a que Xinobi nos tem habituado.

A nova e mais completa edição de On The Quiet, segundo álbum do produtor, ficará disponível num LP duplo com todas as faixas iniciais e ainda com os instrumentais de todos os temas, faixas bónus escritas na mesma sessão das gravações originais, biografias, letras completas e contando também com entrevistas com Igor Cavalera (ex-membro de Sepultura e Mixhell) e David Andersson, de Punks Jump Up.