Viúva Negra
Fotografia: Disney

Crítica. ‘Viúva Negra’ é o exemplo perfeito de filme certo na altura errada

"Viúva Negra" estreou a 7 de Julho nas salas de cinema e é o primeiro filme a solo da personagem de Natasha Romanoff

Viúva Negra já estreou em Portugal. Este é o vigésimo quarto filme do Universo Cinematográfico da Marvel e o primeiro filme da Fase Quatro deste universo.

Viúva Negra foca-se na personagem Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), membro dos Avengers, e no que se passou entre os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra do Infinito. Para além de Johansonn, o filme é protagonizado por Florence Pugh, David Harbour e Rachel Weisz.

Viúva Negra
Fotografia: Disney

Viúva Negra começa com uma cena da infância de Natasha que tem lugar em 1995, em que a vemos com a sua “irmã” Yelena (Florence Pugh) e os seus “pais” Alexei (David Harbour) e Melina (Rachel Weisz) a fugir do Ohio. Esta cena é o grande presságio de todo o filme, que tem um enorme foco nas relações familiares de Natasha e de Yelena e na forma como isso as moldou.

O filme avança no tempo e chegamos a 2016, logo após o final de Capitão América: Guerra Civil. Natasha Romanoff é procurada por violar os acordos de Sokovia e, com a ajuda de Mason (O-T Fagbenle), foge para a Noruega. Lá encontra uma caixa com várias coisas do seu passado, coisas que planeia deitar fora. Quando uma falha no gerador a obriga a ir à cidade mais próxima, Natasha é atacada pelo Taskmaster (Olga Kurylenko). Natasha acaba por perceber que entre as coisas que lhe foram deixadas se encontra um antídoto para o controlo que é mantido sobre as outras Viúvas Negras e que esse lhe foi enviado por Yelena. As duas encontram-se em Budapeste e Natasha descobre que o Red Room, que Natasha acreditava ter acabado, ainda se encontra ativo e que Dreykov (Ray Winstone), que supostamente tinha sido assassinado, está vivo.

Natasha e Yelena decidem então trabalhar juntas para acabar com a Red Room. Com a ajuda de um helicóptero proporcionado por Mason, libertam Alexei da prisão e voltam a juntar-se com Melina, com o objetivo de acabar com Dreykov e o Red Room de uma vez por todas.

Um filme de origens ser ter esse nome

Viúva Negra
Fotografia: Disney

Viúva Negra foi dos filmes mais antecipados do MCU e não era para menos. Em adição aos diversos adiamentos que sofreu por causa do coronavirus e das restrições impostas, Natasha Romanoff é uma das personagens mais queridas pelos fãs e que há muito exigia um filme a solo. Em conjunto com Clint Barton (interpretado por Jeremy Renner noutros filmes do MCU) era a única dos seis Avengers originais que ainda não tinha tido a honra de ter um filme ou série dedicado a si, pelo que a expectativa é mais do que justificada.

Viúva Negra é um filme da Marvel ao nível daquilo a que filmes como Capitão América: O Soldado do Inverno nos habituaram. É um filme com uma história segura de si própria, que se liga ao passado das personagens principais e serve quase como uma forma de as desenvolver para além daquilo que já conhecíamos. Ainda que a história não seja o típico enredo de origens da personagem que tanto é pedido e ao qual o próprio MCU nos habituou, dá-nos o que seria necessário desse tipo de enredo: motivações e um background daquilo que levou a personagem título ao sítio onde se encontra. Um dos grandes mistérios em torno de Natasha foi finalmente revelado: descobrimos o que aconteceu em Budapeste e o porquê de Natasha carregar consigo uma aura tão pesada em relação ao seu passado. Este é outro ponto em que o filme surpreende, já que a revelação, ainda que de certo modo inesperada, se encaixa perfeitamente em tudo aquilo que já conhecíamos da personagem.

O jejum de cenas de ação foi bem quebrado com este filme. Depois de dois anos sem uma estreia, os fãs que o MCU fez à conta de todas as lutas e explosões não vão ficar desiludidos. Ainda que existam poucos momentos mortos no filme, nenhuma das cenas de ação parece demasiado forçada ou utilizada para atingir uma quota. As coreografias deste tipo de cena também estão ao nível das expectativas dos fãs mais exigentes: se há ponto em que não se pode pegar é este.

Personagens secundárias que roubam o ecrã

Fotografia: Disney

Ainda que o filme seja focado em Natasha Romanoff, Yelena Belova rouba o ecrã em todas as cenas em que aparece. A personagem é a junção perfeita de comic relief com ironia e a prestação de Florence Pugh é nada menos do que absolutamente estelar. Esta era uma das personagens mais antecipadas e a aparição não desiludiu. Cenas como aquelas em que goza com a pose de luta de Natasha ou a cena da loja de conveniência são pequenas quebras de tensão de que o filme também precisava no meio de tanta ação. Em conjunto com Yelena, Alexei (ou Red Guardian) é outra das grandes surpresas do filme. Uma boa prestação de David Harbour não é novidade e Alexei é o comic relief perfeito para algumas das cenas mais intensas – quase conseguimos ver a influência em Yelena, o que é um bom detalhe.

Pelo timing morre o filme

Fotografia: Disney

Apesar dos aspetos já mencionados, nem tudo são rosas. A verdade é que, como qualquer outro filme que desenvolva as personagens e cujo o propósito seja apenas esse, este filme sabe a filler. Como todos sabemos, a personagem de Natasha Romanoff já teve o seu fim num dos filmes anteriores, pelo que dificilmente seria possível criar grandes ramificações através deste. No fundo, estamos perante um exemplo clássico de fan service e a audiência tem noção disso: o filme é feito mais por exigência dos fãs do que por ser necessário e isso acaba por ser perceptível através do tipo de história que conta.

E é aqui que surge a maior crítica a Viúva Negra: o timing. Se este filme era para ser lançado então isso devia ter acontecido antes, numa altura em que ainda fizesse sentido e onde ainda não soubéssemos o final desta personagem. É quase impossível sentir toda a tensão tendo em conta que não pode acontecer que nada pior do que a morte da personagem título – porque já aconteceu. Este enredo faria sentido, em termos de lançamento, entre Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra do Infinito, ou então, à semelhança de Homem-Formiga e a Vespa, logo após Vingadores: Guerra do Infinito. No sítio onde foi colocado acaba por sofrer não só por já sabermos o fim da personagem como também por estes serem acontecimentos que já não são tão relevantes tendo em conta a forma como a história avançou.

No fundo, Viúva Negra é um filme que seria considerado de excelência para o género se olhássemos para ele como um filme isolado. Infelizmente, e tal como acontece com todos os outros filmes dentro do MCU, isso não é possível, pelo que fica a sensação que este foi o filme certo, mas na altura errada.

Viúva Negra
7