Colin Firth e Stanley Tucci em Supernova
Fotografia: Divulgação/NOS

Crítica. ‘Supernova’, a alegria de viver e amar até ao fim

Colin Firth Stanley Tucci brilham em Supernova, o segundo filme de Harry Macqueen. O drama é um retrato simples e belo sobre amor e perda, que nunca nos tenta fazer chorar mas que fica gravado na nossa memória.

Supernova conta a história de Sam (Firth) e Tusker (Tucci), um casal que viaja por Inglaterra numa autocaravana, em jeito de despedida. Tusker foi diagnosticado com demência precoce, e está lentamente a perder a memória e a capacidade de realizar tarefas tão simples como escrever ou apertar um botão. Sam é pianista e dá o seu último concerto antes de se reformar para cuidar de Tusker.

Colin Firth e Stanley Tucci são tão comoventes e convincentes na sua relação que não há momentos que nos deixem a questionar qualquer aspeto da narrativa. As personagens levam-nos por paisagens lindas, com momentos cheios de silêncio, de hábitos antigos e sorrisos que escondem medo e mágoa, numa viagem pela sua história.

O drama, escrito e realizado por Harry Macqueen, junta-se a obras como The Father ou Amour ao trazer uma nova perspetiva sobre a demência e o envelhecimento. Se The Father nos coloca no lugar do doente, a tentar compreender o que era real e o que era criado pela confusão da sua memória, e Amour nos mostrava o desconforto, desespero e a impotência de quem fica para trás, Supernova deixa-nos ver a beleza antes da tempestade.

Colin Firth e Stanley Tucci em Supernova
Colin Firth e Stanley Tucci em Supernova (Fotografia: NOS/Divulgação)

Um protagonista que escolhe o seu rumo

Desta vez, a personagem principal não é um idoso com mais de 70, 80 ou 90 anos mas antes um homem intelectual, um cientista e escritor, talvez nos seus 60 anos, que entende tudo aquilo que lhe está a acontecer. É alguém que sabe que, se continuar a deixar a doença tomar o seu curso, vai acabar por perder lentamente quem é. O seu medo é transformar-se numa pessoa diferente, de perder tudo o que reconhece em si, e de se tornar um fardo para Sam. Por outro lado, Sam está pronto a cuidar do marido, mas também não quer perdê-lo.

Supernova traz, assim, uma nova camada à história de amor entre estes dois homens, já que Tusker está determinado em não deixar a doença matá-lo. A viagem que Sam pensa ser a última grande viagem de férias do casal é, na verdade, uma viagem de despedida para Tusker, em que mostra gratidão àqueles que ama, volta aos lugares onde foi feliz no passado, mas também se despede de tudo aquilo que outrora conheceu.

A ação desenvolve-se lentamente, chegando a um desfecho mais sombrio do que esperaríamos. Apesar disso, o conflito e a tristeza que ambas as personagens enfrentam não trazem melodrama nem momentos lamechas de choro fácil.

O filme brilha em todos os aspetos, não se chamasse Supernova, e tem uma cinematografia que faz com que cada plano pareça uma pintura. Há muita beleza no amor entre este casal, nas paisagens que rodeiam a sua história de amor, mas também nos momentos finais. A beleza e o amor nunca acabam, e é isso que fica desta história: a verdadeira supernova que são todas as coisas que fazem a vida valer a pena.

Colin Firth e Stanley Tucci em Supernova
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