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À Escuta. Virgul e Sam the Kid, Janeiro e Elisa entre destaques desta semana

À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos sobre os lançamentos da música nacional, está de volta e com ela chegam as mais recentes novidades da música portuguesa. Esta semana o destaque vai para a simbiose entre Virgul e Sam The Kid e os regressos de JaneiroX-Tense e Elisa.

Também falamos de novos trabalhos, como a união de Trafulha, João Tamura Vasco Completo, o novo single dos Expresso Transatlântico e novos projetos de John DeluxeRitz, Blaxkrot Construkt Ltd, João Reis e Jocund Kakistocracy. Em relação aos longa-duração, destacamos a nova mixtape do DJ RIDE e o álbum de estreia de MAF.

Em elevada altitude, o calor de Virgul une-se à perspicácia habitual de Sam The Kid em “High”

High’ é o mais recente single que junta dois grandes nomes do hip-hop português, Virgul e Sam The Kid. No verão, ao lado dos gelados e das bolas de Berlim, também já é costume termos nova música do Virgul e, tal como o verão, esta música é quente. Não sabemos é se isso é causado pela contagiante e eletrizante energia característica de Virgul, que nos entrega um cativante refrão, ou se é pela, já habitual, escrita genial de Sam The Kid, aliada ao seu dinâmico e cativante flow, que nos entrega uma hipnotizante performance. A produção ficou a cabo de Stego e Edu Monteiro.

Gravado e produzido a partir de casa, Janeiro entrega-nos “oh meu amor”

Janeiro está de volta com um novo single depois de um bastante ocupado 2020, com o lançamento do seu segundo álbum, uma tour e um EP.

A faixa reflete o seu “parar para ver de fora sem lá dentro ficar” e como foi a sua mudança do campo para cidade durante a pandemia. O refrão contagiante e viciante consegue brilhar e realçar-se no meio da rítmica e robusta produção, que embeleza e anima a introspetiva letra, e ‘oh meu amor’ é uma música que se perpetua na nossa mente logo após a primeira audição. Com o lançamento deste single, Janeiro também acaba de lançar uma produtora audiovisual com a sua companheira, a videógrafa e fotógrafa Daniela Gandra, que dão origem à dali² produções. O primeiro projeto é o próprio videoclipe de ‘oh meu amor’.

‘Dama e Vagabundo’ é o novo single de X-Tense

Depois de ‘Azzim & Azzado’, X-Tens lança mais uma música do seu próximo álbum, Nuno. Desta vez temos ‘Dama e Vagabundo’, em que, de regresso ao R&B, Nuno entrega versos românticos e um refrão delicado acompanhados por uma ternurenta guitarra e produção, embelezadas pelo tímido mas eficaz saxofone. A letra continua a ser entregue através do flow característico, hipnotizante e dinâmico do rapper, que continua a desafiar-se nas suas performances vocais enquanto continua a deixar os fãs ansiosos com mais um cheirinho do seu próximo álbum. Tanto a letra como o instrumental ficaram a cargo do próprio X-Tense. O videoclipe foi realizado por Shaun Michaeal.

Este é o jeito de Elisa

“A vida é feita para viver”, e não haja dúvidas de que esta música é viva e está aqui para ser ouvida. Catita e divertida, Elisa traz-nos um single orelhudo com o seu refrão contagiante e absolutamente hipnotizante, onde aborda temas como sermos e vivermos do jeito que nós somos, sem querer saber se se é normal ou não. Alguns elementos de fado unem-se a um clima mais quente e ritmado que criam esta fusão animada e interessante, numa nova direção artística da vencedora do Festival da Canção de 2020. A letra e música é da autoria de Elisa e de MINX e produção também juntou Mikkel Solnado.

DJ RIDE traz o seu “projeto mais importante”, editado por VISION

Segundo DJ Ride, duas vezes campeão mundial de Scratch, este é o seu projeto favorito até à data. Em ENRO podemos encontrar do hip-hop ao drum&bass, do bass ao Scratch, numa autêntica panóplia de eletrónica atribulada que é uma verdadeira carta de amor às escuras e claustrofóbicas discotecas que tanto sentimos falta. Este trabalho é caótico, abusivo, obscuro e um projeto bastante versátil por parte de 50% dos Beatbombers. O projeto também marca a estreia do DJ e produtor português pela label dos holandeses NOISIA, a VISION.

M.A.F. chega a casa

Depois do lançamento de vários EPs, o produtor lisboeta Pedro Correia lança o seu álbum de estreia a solo, acompanhado pela Monster JinxAtravés da eletrónica intercalada por algum hiphop e R&B, M.A.F. tenta levar o ouvinte num ambiente futurista que motiva ao movimento e torna difícil ficar parado. O tom néon que as paredes do projeto espalham, as delicadas passagens vocais que nos trazem à memória nomes como Burial, o ambiente doce e os sintetizadores e drums musculados fazem deste trabalho uma experiência que não será indiferente para quem ousar clicar no play.

A união de Trafulha, João Tamura e Vasco Completo, nesta cegueira muda que se vê e que se ouve

Sobre um instrumental sedado da autoria de Trafulha, João Tamura entrega, sem surpresas, duros, poéticos, sóbrios e melancólicos versos que nos empurram para a realidade pitoresca da faixa. Na segunda metade, somos brindados pelo hiphop abstrato do piano distorcido e da atmosfera eerie da produção. A mixagem e masterização ficou a cabo de Vasco Completo. Seja pelo ambiente imersivo ou o fantástico pen game, o que esta música tem para oferecer certamente irá agradar quem se decidir aventurar nestes intensos mas de alguma forma relaxantes quatro minutos.

Um Expresso a não perder, especialmente com esta “Primeira Rodada”

Gaspar Varela une-se ao seu irmão Sebastião Varela e a Rafael Matos para formarem o trio Expresso Transatlântico, que se estreiam com este single, ‘Primeira Rodada’. À Tarantino, este Expresso junta um perigoso trompete à eletricidade de guitarras e à beleza da guitarra portuguesa, enquanto ainda entrega uma sólida percussão. As fusões culturais e sonoras criam este ambiente hostil (no melhor sentido possível) que criam água na boca, e só cria mais ansiedade para os prometidos concertos e EP para o final deste 2021.

John Deluxe em Catadupa

Apesar de provavelmente já nem nos lembrarmos quando foi a última vez que pisamos um club ou uma rave, ficar irrequieto ao ouvir uma faixa de house é como andar de bicicleta, especialmente quando o que se ouve é tão fiel às origens. Em Catadupa, o artista de Aveiro lança, através da Be Positive, um conjunto de duas faixas que vão desafiar o soalho de quem quiser saber se os seus passos de dança ainda estão em dia. Com fórmulas do típico e clássico housegrooves infectuosas, basslines aconchegantes, melodias cativantes e uma energia absolutamente contagiosa, este trabalho cumpre o lema da label: “trazer positividade na forma de house music”.

Ritz lança novo EP, Do Somethin’ 

No seu novo EP, Do Somethin’, Ritz lança, através da setubalense Piston Recordings, um conjunto de três calorosas faixas de deep house que dão som às altas temperaturas deste mês de julho. O ambiente veranil do projeto é acompanhado por clássicos grooves do género, com sabor fresco de baixos funky, basslines suaves e melodias subtis que nos transportam imediatamente para um sunset onde dançar se torna irresistível.


Blaxkrot Construkt Ltd. traz Blaxkrot Construkt Ltd. 2: attack of the chromossomes

Através de guitarras e renovações de samples, Guilherme Sequeira confunde-nos a vida quando tentamos denominar o género presente nestas faixas. Temos uma panóplia diversa de elementos, desde o jazz tímido ao avant-garde, passando por uma eletrónica confusa e psicadélica, ou até um certo folk perturbador com cordas e baladas distorcidas. Muito do que se ouve até pode nem ser acessível, mas é certo que entediante é um termo que não é para aqui chamado.

Jocund Kakistocracy e O Fantástico Capitão Elástico

Nas duas novas faixas do artista alentejano, podemos deliciar-nos com o delicado e subtil piano na balada ‘Surdo dos Olhos’, que mais parece uma composição para um filme francês, onde os nove minutos de música nos inserem neste esbelto e sereno ambiente. Por outro lado, a atribulada ‘O Homem Que Inventou a Água’ é uma pequena catarse que também partilha o elemento cinematográfico da primeira, um som colossal que acaba por trazer guitarras e percussão para criar um autêntico êxtase à faixa.

João Reis lança Kompromat

Neste auspicioso e um pouco enigmático conjunto de oito faixas, o artista João Reis junta sintetizadores a alguma eletrónica enquanto, por cima, ainda adiciona umas pitadas de rock, pelas guitarras e energia que algumas músicas despoletam. Apesar de algumas inconsistências na produção, é difícil não nos deliciarmos com a classe de vários momentos deste projeto.