ANARCHICKS
Anarchicks. Fotografia: Fabrice R. Pinto

À Escuta. Anarchicks, Ana Moura e Os Quatro e Meia são os destaques desta semana

À Escuta, a rubrica semanal do Espalha-Factos sobre música portuguesa, está cá fora, pronta a apresentar as mais recentes novidades do universo musical português. Esta semana, o destaque vai para o regresso das Anarchicks aos lançamentos e para os novos singles de Ana MouraOs Quatro e Meia. Anarchicks

Fala-se ainda de novos singles de Constança QuinteiroMiraiThe Happy Mess, Tio Rex e Wild Maui, e da colaboração de Maze com AZAR AZAR. No campo de discos, em longas duração, fala-se dos discos de estreia de José e Sérgio Portela, e, em curtas duração, fala-se da muita antecipada estreia de Rita Vian e da também estreia dos Ramos Chiller e Rita Onofre. Anarchicks Anarchicks Anarchicks Anarchicks Anarchicks Anarchicks

No Freedom Under Fascist Rules‘ é o grito de liberdade das Anarchicks

As Anarchicks estão de regresso com um grito de liberdade em forma de música, No Freedom Under Fascist Rules. Nesta sua nova faixa, Rita Sedas (voz), Helena Andrade (baixo), Adam d’Armada Moreira (guitarra), Mariana Rosa (guitarra) e Catarina Henriques (bateria) invocam influências de bandas como IDLES para criar uma faixa extremamente energética e ruidosa. Anarchicks Anarchicks Anarchicks 

Anarchicks
Fotografia: Divulgação

Aqui, guitarras gritam alto nos seus riffs influenciados pela escola DYI do punk, e a bateria marca o ritmo elevado de uma faixa que apresenta uma mensagem política bastante forte face ao crescimento do discurso fascista que se vê um pouco por todo o lado (infelizmente). “É um statement direto e sem metáforas que grita com todas as letras LIBERDADE. Quando, na penumbra e na calada da noite sentimos o bafejar fétido de um fascismo que pensávamos adormecido, tornou-se urgente lembrarmos que um mundo sem liberdade é um mundo incompleto, violento e que não serve uma sociedade de pessoas iguais nos seus direitos”, refere a banda sobre a mensagem por trás desta música. Anarchicks Anarchicks Anarchicks

Numa altura como esta, é preciso lembrar que a música (e a arte) tem um papel muito importante na vida política e na sua posição enquanto possível criadora de um discurso intersecional de diversidade, da igualdade, da compaixão, do sentido de comunidade, do direito à felicidade para todos. As Anarchicks fazem isso de forma muito frontal em ‘No Freedom Under Fascist Rules‘, e ainda o fazem conseguindo criar uma faixa orelhuda e cativante, sem perder nenhuma da energia punk que as caracteriza.

Ana Moura apresenta o seu lado tropical em ‘Jacarandá

Jacarandá‘ é o nome do segundo avanço do próximo disco de Ana Moura, que será lançado no final de 2021. O single vê Ana Moura colaborar com Mike Scott (o guitarrista que acompanhava Prince em palco), que contribui porções de guitarra para a faixa.

Nesta sua nova faixa, Ana Moura explora uma palete sonora mais tropical, juntando-a ao fado mais eletrónico que havia apresentado em ‘Andorinhas‘, o primeiro avanço deste disco. Há uma camada de reverb sempre presente de fundo que confere ‘Jacarandá‘ um som nostálgico, capaz de ecoar o vaporwave de um David Bruno e as explorações sonoras de Pedro Mafama, que apresenta contribuições para a letra da música.

Na criação do instrumental, ainda se faz notar as influências dos ritmos da tropicália e de África, capazes de criar uma groove que é dançável. O resultado final disto é que, quando isto se funde com a voz modificada da fadista – via autotune – e com o solo de guitarra de Mike Scott, o resultado é uma experiência tropical e romântica que ecoa uma praia num final de tarde de verão, onde um arraial vai decorrendo.

Os Quatro e Meia apresentam novo single do seu próximo disco de originais

Olá, Solidão é o nome do novo avanço do próximo disco de originais d’Os Quatro e Meia. A faixa conta com produção de João Só e aborda um assunto que, de acordo com a banda de Coimbra, “deveria ser levado mais a sério: a solidão na velhice”.

Olá, Solidão‘ soa melancólico e gigante na sua instrumentação, com o estilo de produção de João Só (já característico deste) a incutir uma influência de pop rock, que funciona bem para a sonoridade do grupo de Coimbra, permitindo criar um refrão orelhudo que consegue divulgar ainda mais a mensagem por trás desta cantiga.

Constança Quinteiro espalha positividade em ‘Corpo a Corpo

Corpo a Corpo é o nome do novo single de Constança Quinteiro. Corresponde ao segundo avanço do seu EP de estreia a solo a ser editado ainda este ano.

Sobre este single, onde a artista junta influências de afro pop, soulR&B à sua pop, Constança refere o seguinte: “‘Corpo a Corpo’ é sobre a necessidade de não conter o nosso afeto. É preciso demonstrá-lo sempre, nos gestos e nas palavras. Devemos fazê-lo nos dias bons e nos dias maus, o que por vezes implica mostrarmos as nossas fraquezas e termos conversas menos doces. Se não nos revelarmos, se não partilharmos o que sentimos, podemos estar a desperdiçar o último momento com aquela pessoa”.

Esta positividade que Constança apresenta sobre a mensagem de ‘Corpo a Corpo‘ está bem presente no seu instrumental. É alegre e até dançável em momentos (muito por causa da sua guitarrazinha que nos vai guiando e os ritmos africanos bem presentes na percussão), e a artista traz alegria e esperança na sua voz calorosa, contribuindo para que o refrão seja orelhudo e que os versos sejam sensíveis na sua progressão.

Primeiro Disco é o disco de estreia a solo de José (Reis Fontão), membro dos Stuck in the Sound

José é o nome do projeto a solo de José Reis Fontão, luso-descendente fundador dos Stuck in the Sound. O nome do seu álbum de estreia é Primeiro Disco e vê o artista explorar um lado mais pessoal e íntimo, “com uma total liberdade de composição” para apresentar mais de si e das suas raízes.

José - Primeiro Disco
Fotografia: Divulgação

Primeiro Disco é um trabalho eclético, onde José explora várias sonoridades ao longo da sua duração. Há faixas que abraçam uma sonoridade mais pop, com hooks que ora são criados pelos instrumentais bem conseguidos ou pela voz de José, e há outras que partem numa viagem mais introspetiva, próximo do folk, que permite José conduzir a história para onde quer. O elemento que une isto tudo é, precisamente, as histórias que José vai contando ao longo do trabalho, que permitem um vislumbre da sua identidade enquanto José.

O que este disco também apresenta, em praticamente todos os seus momentos, é uma componente de eletrónica intensa, quase sempre presente de alguma forma, fazendo lembrar em momentos grupos como Justice ou Phoenix na forma como José inclui essas influências na criação do seu indie pop. Há muito trabalho de sintetizadores neste disco e é um trabalho que faz as músicas soarem refrescantes e coloridas, apresentando uma palete que é densa nas cores que vão entrando no nosso imaginário à medida que o disco vai avançando.

Maze junta-se a AZAR AZAR para criar ‘Rubi‘, o primeiro de uma “trilogia de contos urbanos

Rubi‘ é o nome da nova colaboração entre MazeAZAR AZAR com bênção da Monster Jinx. O single é a primeira de uma “trilogia de contos urbanos” intitulada de Sub-Urbe, que será lançada no próximo dia 3 de setembro.

Nesta faixa potente e energética, Maze demonstra toda a sua qualidade enquanto rapper e lírico, apresentado alguma das barras mais memoráveis e bem conseguidas do ano no universo do rap português. A forma como este faz as palavras desfilar pelo instrumental, que contém influências do jazz (e de um rock quando acelera no ritmo) é hipnotizante, impossível de ignorar, apresentando uma narrativa urbana onde o mito dos subúrbios é rapidamente destruído por Maze.

No meio disto, a faixa consegue ainda soar orelhuda, com um hook no refrão que fica logo preso na memória do ouvinte. É absolutamente memorável e faz-nos querer ouvir mais do que esta dupla vai oferecer no futuro.

Mirai revela um ‘Presságio

Mirai está de regresso com uma nova faixa. Intitulada de Presságio, este single conta com produção de NoGap e com a colaboração de André Tomás na guitarra, que providencia um belo solo no instrumento para fechar a música.

Nesta faixa de trap, Mirai continua a demonstrar a sua versatilidade enquanto rapper e cantor, sabendo utilizar ambas estas suas armas a seu favor. As barras vão fluindo no meio do autotune e de um instrumental que assenta no seu baixo pesado para se movimentar e nas suas baterias que são características do género. Eventualmente, tudo isto se abre para o solo de guitarra entrar, e fechar a música com uma chave de ouro, quase em formato de união de tudo aquilo que se passou antes.

Uma faixa pesada e eficiente na sua capacidade para continuar a mostrar Mirai como um dos nomes em crescimento no panorama do rap português.

Late Afternoon Sights é o EP de estreia dos Ramos Chiller

Ramos Chiller
Fotografia: Bandcamp do artista

Late Afternoon Sights é o curta-duração de estreia dos Ramos Chiller, trio de Espinho constituído por Ricardo Fonseca (vocais e guitarra), Pedro Bacelar (coros e baixo) e Diogo Lopes (bateria).

Neste seu primeiro cartão de visita, o grupo apresenta um surf rock que poderia bem servir de banda sonora para acrobacias radicais a serem feitas na praia de Espinho. Os riffs de guitarra são bem conseguidos e energéticos, notando-se a influência da era de garage rock dos Arctic Monkeys ou de um The Legendary Tigerman e do stoner rock de uns Queens of the Stone Age na sua progressão e tom. Para complementar, as grooves do baixo e da bateria agarram nessa energia da guitarra e trabalham-na para aumentá-la, criando uma experiência alucinante na dinamização dos ritmos das faixas. Energia aqui não falta e, por isso, é hora de ir andar de skate à beira-mar em Espinho com os Ramos Chiller.

Rita Onofre – Raiz

Rita Onofre
Fotografia: Divulgação

Raiz é o EP de estreia de Rita Onofre constituído pelos quatro singles lançados pela artista ao longo do último ano. Rita descreve este projeto como o “fruto de um processo de criação que se confunde com um processo de autoconhecimento: profundamente íntimo e quase artesanal”, que lhe permitiu “encontrar alguma segurança e certeza em si mesma, nas suas relações e nas suas raízes” num “período tão instável e triste” provocado pela pandemia da Covid-19.

Esperança, de certeza, existe em Raiz, e muito parte dos seus instrumentais. Soam polidos e refrescantes, como se de uma bela brisa de verão se tratassem, povoados por guitarras suaves e hooks orelhudos que são complicados de ignorar. A bela voz de Rita confere às faixas um toque de melancolia e nostalgia que nos transporta para um lugar de sonho algures escondido num jardim onde poderemos dançar de forma interminável. Um cenário belo e sonhador, tal como este EP o é.

CAOS’A é o muito aguardado curta-duração de estreia de Rita Vian

Desde que Rita Vian surgiu no panorama da música nacional, cada single que lançou aumentava a expectância perante o seu primeiro projeto. Esta semana, fomos abençoados com a possibilidade de ouvirmos o seu primeiro curta duração, CAOS’A, que correspondeu às criadas em torno de si.

Rita Vian
Fotografia: Divulgação / Eva Fisahn

Rita consegue juntar o tradicional ao moderno em CAOS’A. O lado tradicional corresponde ao seu travo enquanto fadista – e Rita é uma belíssima fadista e vocalista – e o lado moderno corresponde aos instrumentais das faixas, recheados de batidas de eletrónica que conferem espaço suficiente à voz de Rita para brilhar. Os hooks vão surgindo e a voz de Rita vai captando a nossa atenção, levando-nos numa viagem por um mar imenso pronto a ser descoberto a cada faixa que surge, contendo também uma certa portugalidade que surge nas referências das letras.

À semelhança do que Pedro Mafama, Conan Osíris ou (agora também) Ana Moura andam a fazer, Rita Vian é mais uma das peças que andam a (re)criar um “novo fado”. Incutem novas influências ao fado, conseguindo soar refrescante mas também em formato de quase homenagem a tudo o que está associado ao género – os vocais e a capacidade romântica e de dor que o fado consegue transmitir – mas atualizado aos mundos e cenário de hoje.

Halftime é a estreia de Sérgio Portela

Halftime é o nome do disco de estreia de Sérgio Portela. Totalmente produzido pelo próprio “no meu quarto, com a minha guitarra e o meu computador” – como escreveu nas suas redes sociais -, este é um disco de indie pop onde Sérgio escreve canções orelhudas e nostálgicas, carregando influências de bedroom pop para as criar.

Os sintetizadores são nostálgicos, notando-se a influência de um boy pablo aqui, e as guitarras que vão aparecendo são melosas e suaves, transportando-nos para um lugar sonhador que soa próximo. As líricas deste disco criam precisamente essa situação. Soam relacionáveis porque, de alguma forma, já todos sonhamos viver um verão com uma banda sonora deste estilo, onde as cores da câmara analógica pautam o rumo que iremos seguires. Essa é a estética que Halftime invoca através da sua música e, quando associada à sua estética DYI, cria uma sensação calorosa que nos leva por essa viagem imaginária e que queremos tornar real.

Nadar de Costas‘ é o novo single de The Happy Mess

Nadar de Costas é o nome do novo single de The Happy Mess. Corresponde ao segundo avanço do quarto trabalho de originais do grupo com data de lançamento marcada para o fim do verão.

Nesta faixa, a banda voa para os anos 80, agarrando na nostalgia para criar uma faixa de indie pop bem orelhuda e groovy. O baixo e as guitarras são funky e surgem de forma quase natural na faixa, embelezados por sintetizadores analógicos que soam divertidos e nostálgicos, notando-se a influência do nu-disco aqui.

Uma faixa perfeita para disfrutar durante o verão à medida que a data de lançamento do próximo disco dos The Happy Mess se aproxima.

Tio Rex apresenta ‘The DecaDance‘, primeiro single do seu novo disco

The DecaDance‘ é o nome do primeiro avanço do terceiro álbum de originais de Tio Rex, alter ego do cantautor setubalense Miguel Reis. O álbum, intitulado de Life, Love, Loss & Death, conta com produção de Sérgio Mendes e do próprio, e o mesmo acontece com este single.

Este tema conta com a participação de Bernardo Pacheco Pereira (D’Alva, Delamotta) no baixo, Diogo Sousa (Moullinex, quartoquarto) na bateria, Marta Banza (Museum Museum) nas vozes secundárias, Sérgio Mendes (João Pedro Pais, Lena d’Água) nas guitarras elétricas e Zé Miguel Zambujo (Loosense) no saxofone.

Em ‘The DecaDance‘, Tio Rex canta sobre o “reciclar do conceito de decadência“, incutindo um sarcasmo que faria David Berman sorrir perante a escrita de Miguel Reis. A influência do cantautor americano faz-se notar na entrega de Miguel enquanto vocalista aqui, conseguindo fazer crescer um instrumental minimalista de folk, carregado de alguma dor e ansiedade, para algo que soa quase reconfortante. Se calhar, serve só para aumentar a ironia de toda a situação – cantar com alma sobre temas fraturantes para a sociedade.

Life, Love, Loss & Death tem data de lançamento marcada para o outono deste ano.

Wild Maui apresenta ‘Dystopia‘, terceiro momento do seu segundo EP

Dystopia é o nome do novo single de Wild Maui, projeto de André Ferreira, e corresponde ao terceiro momento daquele que será o seu segundo EP, Dark Matter. Este EP é constituído por cinco faixas que constituem “cinco passos catárticos” do seu protagonista em busca de uma “plenitude que tanto procura“.

Neste terceiro passo, Wild Maui apresenta o pico do “sofrimento e desespero” do protagonista, surgindo estes sentimentos pelo meio de um instrumental escuro que retira influências ao goth rock e ao alternative metal para ser criado. Os arpeggios criados pelos sintetizadores são uma presença constante e dissonante, ajudando a manter essa atmosfera de ansiedade que está sempre presente na faixa. O refrão consegue ser orelhudo no meio disto tudo, soando mais agressivo que os versos que vão criando a tensão que é libertada nesse refrão.

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