Impresa Audiências sic

Alegada manipulação de audiências a favor da SIC em investigação. Canal já reagiu

Uma denúncia sobre a medição de audiências de televisivas deu origem a um inquérito por parte do Departamento de Ação e Investigação Penal (DIAP) de Lisboa, confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR) à agência Lusa esta quarta-feira (23).

A PGR confirmou à Lusa que recebeu uma denúncia de uma alegada “adulteração de audiências televisivas a favor da SIC“, que foi “remetida ao DIAP de Lisboa, onde deu origem a um inquérito“, encontrando-se agora em investigação, como adiantou o semanário Tal & Qual. Sempre que é feita uma denúncia relativamente a qualquer situação, o Ministério Público decide se dá seguimento ao inquérito, que pode depois resultar numa acusação ou ser arquivado, caso não surjam indícios da prática de crime.

Em resposta à notícia “posteriormente veiculada pelo canal TVI24, na qual se diz que terá sido denunciada ‘uma combinação entre o grupo Impresa (SIC) e a empresa que mede as audiências para, alegadamente, aumentar artificialmente os números do canal de Francisco Pinto Balsemão’“, o grupo Impresa e a SIC dizem que “não estão a par de qualquer investigação, nem foram contactados pelas autoridades sobre o assunto“.

As entidades visadas na acusação consideram “absolutamente falsa, de má-fé e lesiva a acusação que o Tal & Qual e a TVI tentam fazer passar de concertação entre SIC e a empresa que mede as audiências para a CAEM [Comissão de Análise de Estudos de Meios], a GfK“, notando que “reservam-se no direito de recorrer aos meios legais ao seu dispor para defender a sua reputação“.

CAEM rejeita “tentativa de descredibilização”

A Comissão de Análise de Estudos de Meios (CAEM), entidade responsável por encomendar o estudo das audiências e que agrega anunciantes, agências e meios de comunicação social, teve conhecimento, através do semanário Tal & Qual, “da alegada existência de uma denúncia junto da PGR relativamente a uma suposta adulteração na medição das audiências televisivas e inerente falta de rigor da empresa GfK, responsável por esta atividade em Portugal“.

Suspeitas levantadas pela TVI

Em comunicado, a TVI diz que se limitou a “noticiar uma investigação da PGR, confirmada oficialmente, como tantas vezes acontece em relação aos mais variados temas e assuntos“, considerando “completamente falsa e sem sentido a acusação feita pelo Grupo Impresa e SIC de que existiu má fé por parte da TVI“.

A estação frisa que “não quer contribuir para transformar este tema numa fonte de atrito entre canais televisivos“, manifestando “total disponibilidade para colaborar com as autoridades numa investigação séria, rigorosa e serena“.

No início de abril, o canal tinha levantado dúvidas quanto à fiabilidade do atual sistema de medição, contratualizado à GfK em janeiro deste ano, por comum acordo de todos os intervenientes do mercado. Em declarações ao jornal Nascer do Sol, o canal privado refere discrepâncias entre os números registados pelas operadoras do Cabo, não-auditados, bem como o impacto nas redes sociais, e os resultados auferidos pela medição oficial.

Agora, a estação de Queluz de Baixo diz querer “acreditar que todos os principais players do setor do audiovisual e do meio televisivo nacional estão interessados na melhoria do sistema e dos mecanismos de regulação e medição das audiências em prol da transparência no setor“. “Sobre isso, a TVI tem veiculado à direção da CAEM  as suas reflexões críticas, por entender que este é o fórum próprio para que sejam analisadas e quaisquer medidas corretivas sejam implementadas“, finaliza.